Passado presente (CXXIII)


João Carvalho,

 

Aspecto do Rossio nos anos 50

(o metropolitano alterou este ambiente a partir de 1961)

12 comentários em “Passado presente (CXXIII)”

  1. Quase não mudou. A maior diferença é que nessa altura o Rossio era habitado, vivia lá gente. Agora não mora lá ninguém. É uma praça fantasma de uma cidade em grande parte também fantasma.

  2. Lisboa

    Lisboa com suas casas
    De várias cores,
    Lisboa com suas casas
    De várias cores,
    Lisboa com suas casas
    De várias cores…
    À força de diferente, isto é monótono.
    Como à força de sentir, fico só a pensar.

    Se, de noite, deitado mas desperto,
    Na lucidez inútil de não poder dormir,
    Quero imaginar qualquer coisa
    E surge sempre outra (porque há sono,
    E, porque há sono, um bocado de sonho),
    Quero alongar a vista com que imagino
    Por grandes palmares fantásticos,
    Mas não vejo mais,
    Contra uma espécie de lado de dentro de pálpebras,
    Que Lisboa com suas casas
    De várias cores.

    Sorrio, porque, aqui, deitado, é outra coisa.
    A força de monótono, é diferente.
    E, à força de ser eu, durmo e esqueço que existo.

    Fica só, sem mim, que esqueci porque durmo,
    Lisboa com suas casas
    De várias cores.

    Álvaro de Campos, in “Poemas”

      1. São todos os que aqui escrevem que me inspiram…Realmente estou muito contente por vos ter encontrado a todos.

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