Coincidência: também eu era fã da Malvina, muito bem interpretada nesta telenovela pela actriz Elisabeth Savalla. Nunca li o romance, que salvo erro é de 1958, mas guardo uma excelente recordação desta telenovela, a primeira brasileira exibida em Portugal (dois anos mais tarde, em 1977). E guardo a melhor das memórias de Jorge Amado, que entrevistei duas vezes: era a simplicidade em pessoa, muito longe da pose empertigada de muito «autor» tuga. E a mulher, Zélia, era também uma simpatia.
A Malvina representava a liberdade e a rebeldia. Era uma personagem fantástica, aliás, eram quase todas. Cumpriram-se no ano passado 50 anos sobre a 1ª edição do livro. Outras das relíquias que existe em casa os meus pais é uma edição brasileira de 1962. Ainda gostava de ir a Ilhéus um dia. O livro é excelente, Pedro.
Gosto muito de autores brasileiros, foi com autores brasileiros que ganhei em grande parte o gosto da leitura. Um dos livros da minha vida, como já aqui referi, foi “Capitães da Areia”, de Jorge Amado, que serviu de inspiração, como é notório, aos “Esteiros” de Soeiro Pereira Gomes.
Também gosto muito de autores brasileiros. Esse livro regressou-me num almoço no Maria de São Pedro no Mercado Modelo em Salvador ao observar os garotos que passavam. Os livros e as viagens andam muitas vezes de mãos dadas. “Esteiros” era leitura obrigatória quando estava no 7º ano de escolaridade e juntamente com o Marco e a Heidi fazem parte de momentos com um nó na garganta. Nunca mais regressei ao livro.
Gostei muito de ‘Esteiros’, que li na adolescência. Mas mais tarde, ao ler ‘Capitães da Areia’, com temática semelhante mas num estilo mais desenvolto e envolvente, percebi a notória influência que JA teve em SPG. E relativizei um pouco a importância que a obra do português me parecera ter.
Aconteceu-me o mesmo, Pedro, com grande vantagem para o brasileiro. Capitães da Areia é autêntica prosa poética (continua a ser um dos meus preferidos do Jorge Amado), Esteiros é mais cru, mais terra-a-terra, embora seja muito bem escrito.
Também acho que ‘Capitães da Areia’ tem muitas páginas de pura prosa poética, além da intenção social que caracteriza a obra, Ana. ‘Esteiros’ é um dos melhores livros portugueses que já li sobre a infância (ou ausência da dita, como é expressamente o caso), mas perde em confronto com o romance de JA, publicado poucos anos antes.
Assim não vale… Um dia destes dá-me uma travadinha com a comoção ao espreitar estas BOAS lembranças…
A ‘Gabriela’, tantos anos depois, continua em forma. O actor Armando Bogus, que interpretava ‘Seu’ Nacib, já morreu, sim. Infelizmente, pois era um excelente intérprete.
E, como se chamava a menina do Bataclan (interpretada pela actiz Natália do Vale) namorada do Chico Chicão? E o professor interpretado pelo novíssimo Marco Nanini? (um actor e tanto …)
Tonico Bastos vi recentemente numa série da tv, perfeitamente irreconhecível, gordo e muito longe do galã de antigamente …. Conheci-o apenas pela voz, penso que está tudo dito!
Eram tempos de renovação da TV portuguesa que tiveram reflexos também na própria linguagem quotidiana, Daniel. A partir daí alguns termos correntes do português do Brasil passaram a ter uso entre nós.
Excelente, essa telenovela. Inesquecível. Com um naipe de actores fabulosos (Paulo José, Gracindo Júnior, Renata Sorrah) e uma banda sonora excepcional, com destaque para o tema ‘Fascinação’, na voz de Elis Regina.
O elenco, a música e uma história rara passada a um guião que é quase uma obra de arte: três gerações de uma família contadas em simultâneo e de forma extraordinariamente conseguida.
As minhas desculpas pela intromissão nas vossas amáveis invocações. Permitam uma sugestão a quem ainda não leu o livro : não esperem mais tempo , pois acredito que o prazer da leitura será superior ao que sentiram face à adaptação televisiva. E já agora , dêm uma vista de olhos aos “Velhos Marinheiros” … Cpmts.
E havia as canções, Júlia. A minha preferida era ‘Meu Coração Ateu’, salvo erro um tema associado à Malvina. Na voz da grande, incomparável, Maria Bethânia.
Gostei muito de outras novelas brasileiras – ‘O Bem Amado’, ‘Roque Santeiro’, ‘O Casarão’, ‘Tieta’, ‘Dancin’ Days’ – mas a ‘Gabriela’ teve uma aura especial por ter sido a primeira que vimos em Portugal.
Não recordo bem da novela, pois tinha nessa altura6/7anos,mas tinha regressado nessa altura de França e como tal as memórias são mais do que vi e ouvi posteriormente.Mas, pelo que tenho lido e ouvido foi um acontecimento e tanto, ao que parece os trabalhos da AR eram parados para que os deputados pudessem ver a novela.Outros tempos. Aproveito para desejar uma óptima Páscoa a todos os editores e visitantes do delito de opinião, muito em especial ao Pedro Correia. Abraço
Tal e qual, Pedro. Houve reuniões do Conselho de Ministros e sessões parlamentares adiadas por causa de certos episódios desta telenovela. Agradeço e retribuo os votos de boa Páscoa.
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Que bem lembrado, Pedro! Eu era fã absoluta da Malvina. Li o livro no ano passado e ainda gostei mais.
Coincidência: também eu era fã da Malvina, muito bem interpretada nesta telenovela pela actriz Elisabeth Savalla. Nunca li o romance, que salvo erro é de 1958, mas guardo uma excelente recordação desta telenovela, a primeira brasileira exibida em Portugal (dois anos mais tarde, em 1977). E guardo a melhor das memórias de Jorge Amado, que entrevistei duas vezes: era a simplicidade em pessoa, muito longe da pose empertigada de muito «autor» tuga. E a mulher, Zélia, era também uma simpatia.
A Malvina representava a liberdade e a rebeldia. Era uma personagem fantástica, aliás, eram quase todas. Cumpriram-se no ano passado 50 anos sobre a 1ª edição do livro. Outras das relíquias que existe em casa os meus pais é uma edição brasileira de 1962. Ainda gostava de ir a Ilhéus um dia. O livro é excelente, Pedro.
Gosto muito de autores brasileiros, foi com autores brasileiros que ganhei em grande parte o gosto da leitura. Um dos livros da minha vida, como já aqui referi, foi “Capitães da Areia”, de Jorge Amado, que serviu de inspiração, como é notório, aos “Esteiros” de Soeiro Pereira Gomes.
Também gosto muito de autores brasileiros. Esse livro regressou-me num almoço no Maria de São Pedro no Mercado Modelo em Salvador ao observar os garotos que passavam. Os livros e as viagens andam muitas vezes de mãos dadas. “Esteiros” era leitura obrigatória quando estava no 7º ano de escolaridade e juntamente com o Marco e a Heidi fazem parte de momentos com um nó na garganta. Nunca mais regressei ao livro.
Gostei muito de ‘Esteiros’, que li na adolescência. Mas mais tarde, ao ler ‘Capitães da Areia’, com temática semelhante mas num estilo mais desenvolto e envolvente, percebi a notória influência que JA teve em SPG. E relativizei um pouco a importância que a obra do português me parecera ter.
Aconteceu-me o mesmo, Pedro, com grande vantagem para o brasileiro. Capitães da Areia é autêntica prosa poética (continua a ser um dos meus preferidos do Jorge Amado), Esteiros é mais cru, mais terra-a-terra, embora seja muito bem escrito.
Também acho que ‘Capitães da Areia’ tem muitas páginas de pura prosa poética, além da intenção social que caracteriza a obra, Ana. ‘Esteiros’ é um dos melhores livros portugueses que já li sobre a infância (ou ausência da dita, como é expressamente o caso), mas perde em confronto com o romance de JA, publicado poucos anos antes.
Assim não vale… Um dia destes dá-me uma travadinha com a comoção ao espreitar estas BOAS lembranças…
“Sapato não seu Nacib, sapato não!”
Linda lembrança esta!
:)))
Essa frase ficou, ainda hoje a uso 🙂
Essa frase perdurou – e tinha tanta graça, dita pela Sónia Braga em início de carreira…
Seu Nacib já morreu, infelizmente, mas Gabriela ainda é viva…
A ‘Gabriela’, tantos anos depois, continua em forma. O actor Armando Bogus, que interpretava ‘Seu’ Nacib, já morreu, sim. Infelizmente, pois era um excelente intérprete.
Bem… em forma, em forma, não diria tanto…
Expliquei-me mal. Queria eu dizer que o cirurgião plástico da senhora está em forma.
Está sem expressão… e isso, a mim, causa-me impressão!
Nem parece a mesma com tantas plásticas
É isso! Quase perdem a identidade!
Vi-a há uns tempos (antes de qualquer plástica, presumo) e estava um caco…
Depois da plástica ficou com alguns probleminhas: não pode sorrir, quase não pode falar e mal arrisca pestanejar. Tirando isso, tudo bem.
Quando sorri, levanta uma perna, mas no problem ….
Está em forma ou está rico?
Está com o bolso em forma?
Lembram-se da Glorinha? E do Coronel Coreolano?
E, como se chamava a menina do Bataclan (interpretada pela actiz Natália do Vale) namorada do Chico Chicão? E o professor interpretado pelo novíssimo Marco Nanini? (um actor e tanto …)
Ai ai (suspiros)
Querem outra frase?
“Ave maria Jerusa” – Dizia a Malvina
E o Tonico Bastos, sempre a pentear o bigode.
Áve Maria, Pedro Correia, tem toda a razão… e aquele franzir de sobrolho…?
:)))
E o Coronel Ramiro, interpretado pelo grande Paulo Gracindo, e o Dr. Mundinho, uma excelente criação do José Wilker.
O excelente actor Fluvio Stefanini.
E também fiquei fã da actriz Nívea Maria, que interpretava a Jerusa.
Quem não ficou, Pedro? 😉
Tonico Bastos vi recentemente numa série da tv, perfeitamente irreconhecível, gordo e muito longe do galã de antigamente ….
Conheci-o apenas pela voz, penso que está tudo dito!
A minina do Bataclan, era a Orora!
E o professor, o professô Josué ….
Grande novela! Excelentes personagens.
Grandes e belissimos tempos.
Eram tempos de renovação da TV portuguesa que tiveram reflexos também na própria linguagem quotidiana, Daniel. A partir daí alguns termos correntes do português do Brasil passaram a ter uso entre nós.
Logo a seguir, compadre, veio a grande, grande telenovela de sempre: «O Casarão».
Excelente, essa telenovela. Inesquecível. Com um naipe de actores fabulosos (Paulo José, Gracindo Júnior, Renata Sorrah) e uma banda sonora excepcional, com destaque para o tema ‘Fascinação’, na voz de Elis Regina.
O elenco, a música e uma história rara passada a um guião que é quase uma obra de arte: três gerações de uma família contadas em simultâneo e de forma extraordinariamente conseguida.
Sem dúvida. Essa e outras também hão-de passar aqui.
Mário Lago, a mexer e remexer o estrume na banhiera velha.
Eeheheh, lembro-me bem dessa.
O forreta do “Sô Nônô” !!
Além de “Fascinação”, eu era fã de “Núvem Passageira”, de Hermes de Aquino. Nunca mais o ouvi.
Concordo inteiramente. Duas canções fabulosas. Ainda hoje dou comigo a cantarolar “Nuvem Passageira”.
Por acaso estão a falar deste Casarão (http://www.flickr.com/photos/hmoura-virafoto-com/3364492339/)?
Para os saudosos, é este mesmo! Fica em Bananal, bem próximo de S.Paulo, a fazenda Boa Vista. Quem não teria boa vista, ao viver aqui?
Esse mesmo. Um dia destes reaparecerá aqui também.
Era o tempo das grandes novelas, com textos e actores de luxo. E para nós, portugueses, a descoberta de outro mundo televisivo.
As minhas desculpas pela intromissão nas vossas amáveis invocações.
Permitam uma sugestão a quem ainda não leu o livro : não esperem mais tempo , pois acredito que o prazer da leitura será superior ao que sentiram face à adaptação televisiva.
E já agora , dêm uma vista de olhos aos “Velhos Marinheiros” …
Cpmts.
Obrigado pela sugestão. E deixo outra: ‘Mar Morto’.
A Malvina!..até cortei o cabelo como o dela, co virgua e tudo!:-))
Mas esqueceram-se do Dr. Ezequiel, advogado revoltado e contestatário, tomando pileque todo o dia para esquecer o que via.
Esse foi o 1º livro que li antes do tempo e às escondidas. Devo dizer que cedo demais e não entendi nada.
E havia as canções, Júlia. A minha preferida era ‘Meu Coração Ateu’, salvo erro um tema associado à Malvina. Na voz da grande, incomparável, Maria Bethânia.
A canção e a Malvina eram uma só. Terá sido por aí que a Bethânia me entrou no coração.
Sem dúvida, Leonor. A canção e a Malvina eram uma só. Ainda hoje sinto um arrepio ao escutar essa canção.
também essa canção me ficou para sempre!
A novela tinha tudo e chegou até nós no momento certo, no tempo em que tudo em Portugal estava em questionamento. Penso que superou o livro.
Pessoalmente acho o livro Tieta do Agreste literariamente superior, mas muito inferior a novela.
Gostei muito de outras novelas brasileiras – ‘O Bem Amado’, ‘Roque Santeiro’, ‘O Casarão’, ‘Tieta’, ‘Dancin’ Days’ – mas a ‘Gabriela’ teve uma aura especial por ter sido a primeira que vimos em Portugal.
Não recordo bem da novela, pois tinha nessa altura6/7anos,mas tinha regressado nessa altura de França e como tal as memórias são mais do que vi e ouvi posteriormente.Mas, pelo que tenho lido e ouvido foi um acontecimento e tanto, ao que parece os trabalhos da AR eram parados para que os deputados pudessem ver a novela.Outros tempos.
Aproveito para desejar uma óptima Páscoa a todos os editores e visitantes do delito de opinião, muito em especial ao Pedro Correia.
Abraço
Tal e qual, Pedro. Houve reuniões do Conselho de Ministros e sessões parlamentares adiadas por causa de certos episódios desta telenovela.
Agradeço e retribuo os votos de boa Páscoa.
Abraço
E eu que nunca vi esta novela. Trabalhava e estudava… não havia tempo para muito mais!