Foi no tempo em que havia vespertinos e não só, claro. Era das coisas gozadas ver os ardinas no Rossio à tarde a correrem de um lado para o outro, subindo e saltando dos autocarros e eléctricos em andamento, e os seus pregões, alguns mais típicos que outros, etc. (Eu também digo etc. porque haverias muito para descrever.) Boa recordação me fez, Teresa Ribeiro . Boa recordação de uma Lisboa também diferente .
…e Lisboa era o Chiado e o resto era província. Meu caro, aqui nada existe de bairrismo. O mesmo se devia passar em muitas outras cidades do país. A sua exclamação é extemporânea. Se calhar não passou por aquilo que referi, daí o desalento de não poder recordar.
Está enganado, meu caro. Recordo coisas extraordinárias do Porto. Mas a minha exclamação era a provocá-lo: estava apenas a meter-me consigo e nada mais.
Não virá muito a propósito, mas num lugar de destaque, aqui na biblioteca paterna, um enorme calhamaço que reúne nºs antigos do Diário de Notícias: tantos espaços em branco…
Há poucos anos, comprei num alfarrabista que costumava estar na Praça do Comércio, junto do Supremo Tribunal de Justiça, um velho volume gigante encadernado editado por ocasião do centenário d’O Primeiro de Janeiro. Dias depois, descobri – e deu-me um jeitão para um trabalho – que a edição incluía várias coisas do célebre Repórter X, entre as quais os julgamentos detalhados de Haia em torno do caso Alves Reis, na segunda metade dos anos 20, a que ele foi assistir e que acompanhou. Pode imaginar-se o quanto apreciei o tesouro.
É que não é mesmo. Ainda por cima, com a transcrição daqueles julgamentos, além das reportagens sobre os envolvimentos e o que se passava à margem do tribunal.
Como sou o velhote aqui do DO, talvez seja o único a lembrar-me dos ardinas que ao fim da tarde , nos idos de 60, lançavam no Rossio e na Pç da Figueia este pregão inesquecível: “Olhó Lisboa, Capital, República Popular!”. Houve um Pide espertalhaço que descobriu a marosca e o refrão mudou. Vou contar a sequência disto num post. Já contei lá no Rochedo, mas não vejo mal nenhum em recuperá-lo para aqui…
A vida do Repórter X daria uma biografia em 3 tomos, e ele só morreu com 38 anos. Já que se falou no Porto, outro dos desaparecidos é O Comércio do Porto (ao mesmo tempo que A Capital), presença obrigatória na sala do meu avô. E o Janeiro por pouco também ia indo. Quanto a O Jornal, transmutou-se em Visão.
Prezada Teresa Ribeiro Sou uma seguidora do blogue e hoje chamou-me a atenção este post. Penso que a capa do Diário Popular que ilustra o comentário pertence a um jornal da cidade de Pelotas no estado do Rio Grande do Sul, Brasil. O time de futebol Brasil desta cidade é chamado carinhosamente de Xavante pela sua torcida e Bento Freitas é o nome do estádio pertencente ao mesmo. Como já deve ter adivinhado sou uma pelotense que mora há 20 anos aqui em Portugal. Cordialmente, Maria Alexandre
Ps: antecipadamente peço desculpas ao Sr. João Carvalho pelo meu portugês abrasileirado.
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Etc., etc. – não vale!
São tantos, e alguns eram tão bons.
Bem lembrado, Teresa!
Foi no tempo em que havia vespertinos e não só, claro.
Era das coisas gozadas ver os ardinas no Rossio à tarde a correrem de um lado para o outro, subindo e saltando dos autocarros e eléctricos em andamento, e os seus pregões, alguns mais típicos que outros, etc. (Eu também digo etc. porque haverias muito para descrever.)
Boa recordação me fez, Teresa Ribeiro .
Boa recordação de uma Lisboa também diferente .
Já cá faltava: quando o País era Lisboa…
…e Lisboa era o Chiado e o resto era província.
Meu caro, aqui nada existe de bairrismo. O mesmo se devia passar em muitas outras cidades do país. A sua exclamação é extemporânea.
Se calhar não passou por aquilo que referi, daí o desalento de não poder recordar.
Está enganado, meu caro. Recordo coisas extraordinárias do Porto. Mas a minha exclamação era a provocá-lo: estava apenas a meter-me consigo e nada mais.
Ok!
Fui levado…
Se passou pelo mesmo, ainda bem, sabe do que estamos a falar.
Tudo de bom para si.
Do Porto? talvez amanhã fale um pouco dessas minhas memórias, aproveitando o facto de ir lá passar o fds para comemorar a vitória do FCP, canudo!
Bem alembrado, carago!
Marabilha rsrsr
Não virá muito a propósito, mas num lugar de destaque, aqui na biblioteca paterna, um enorme calhamaço que reúne nºs antigos do Diário de Notícias: tantos espaços em branco…
Há poucos anos, comprei num alfarrabista que costumava estar na Praça do Comércio, junto do Supremo Tribunal de Justiça, um velho volume gigante encadernado editado por ocasião do centenário d’O Primeiro de Janeiro.
Dias depois, descobri – e deu-me um jeitão para um trabalho – que a edição incluía várias coisas do célebre Repórter X, entre as quais os julgamentos detalhados de Haia em torno do caso Alves Reis, na segunda metade dos anos 20, a que ele foi assistir e que acompanhou.
Pode imaginar-se o quanto apreciei o tesouro.
Uau! Chamar-lje tesouro não é exagero!
É que não é mesmo. Ainda por cima, com a transcrição daqueles julgamentos, além das reportagens sobre os envolvimentos e o que se passava à margem do tribunal.
Cuidado com os exageros ‘noticiosos’ do Repórter X, que eram lendários. Ele saberia holandês?
Hehehe…
Aquilo teve tradução.
« O Supremo Tribunal De Justiça Em Portugal » ?
Estive n’O Jornal, no Sete e na Kapa. Snif!
Uau! ‘O Jornal’ era todo avançado!
Três publicações que deixaram saudades. Sortuda!
Depois de passares por lá o Se7e ficou feito num oito.
Realmente acabou pouco depois…
Como sou o velhote aqui do DO, talvez seja o único a lembrar-me dos ardinas que ao fim da tarde , nos idos de 60, lançavam no Rossio e na Pç da Figueia este pregão inesquecível:
“Olhó Lisboa, Capital, República Popular!”. Houve um Pide espertalhaço que descobriu a marosca e o refrão mudou. Vou contar a sequência disto num post. Já contei lá no Rochedo, mas não vejo mal nenhum em recuperá-lo para aqui…
“Xavante dá o troco no Bento Freitas”. Com manchetes (?) destas, o ‘Popular’ não podia ir longe.
“Xavante dá o troco no Bento Freitas” é uma pérola!
A vida do Repórter X daria uma biografia em 3 tomos, e ele só morreu com 38 anos.
Já que se falou no Porto, outro dos desaparecidos é O Comércio do Porto (ao mesmo tempo que A Capital), presença obrigatória na sala do meu avô. E o Janeiro por pouco também ia indo. Quanto a O Jornal, transmutou-se em Visão.
Prezada Teresa Ribeiro
Sou uma seguidora do blogue e hoje chamou-me a atenção este post. Penso que a capa do Diário Popular que ilustra o comentário pertence a um jornal da cidade de Pelotas no estado do Rio Grande do Sul, Brasil.
O time de futebol Brasil desta cidade é chamado carinhosamente de Xavante pela sua torcida e Bento Freitas é o nome do estádio pertencente ao mesmo.
Como já deve ter adivinhado sou uma pelotense que mora há 20 anos aqui em Portugal.
Cordialmente, Maria Alexandre
Ps: antecipadamente peço desculpas ao Sr. João Carvalho pelo meu portugês abrasileirado.
Eh!Eh! Não me diga! No arquivo de imagens do Google não se dá pela troca!
Bem me parecia que tinha galho naquela manchete. E assim Lisboa ficou… em Pelotas.