Passoscoelhistas ao ataque


Patrícia Reis,

 

Henrique Freitas decidiu abandonar as listas eleitorais do PSD e bater com a porta. Deve ser um perigoso passoscoelhista.

Marcelo Rebelo de Sousa considerou as listas eleitorais apresentadas por Manuela Ferreira Leite uma "inesperada desilusão". Deve ser um perigoso passoscoelhista.

Jorge Neto, que apoiou Manuela Ferreira Leite no congresso de 2008, não tem dúvidas: "Estas escolhas fracturaram e dividiram o partido de uma forma grave." Deve ser um perigoso passoscoelhista.

Carlos Carreiras denuncia a "lógica tribal" na formação das listas e avisa: "O PSD pode ter perdido as legislativas." Deve ser um perigoso passoscoelhista.

Marques Mendes acha "uma vergonha" que políticos acusados ou pronunciados em processos-crime sejam candidatos a eleições. Deve ser um perigoso passoscoelhista.

Paula Teixeira da Cruz lamenta o recuo imposto por Ferreira Leite e a falta de renovação das listas. Deve ser uma perigosa passoscoelhista.

Azevedo Soares, ex-vice-presidente do PSD, deixa claro: a actual presidente do partido "não tem estatura para ser líder" e "mais uma vez demonstrou a sua incompetência política". Deve ser um perigoso passoscoelhista.

Rui Ramos escreve, categórico: "No PSD, ‘renovar’ é hoje sinónimo de desenterrar múmias no cemitério dos seus governos passados. O PSD tornou-se um partido fechado à sociedade – o contrário do partido de Sá Carneiro." Deve ser um perigoso passoscoelhista.

João Miguel Tavares, sempre sem papas na língua, acentua: "Sou eleitor em Lisboa, e por mais respeito que tenha pelo princípio da inocência não vou correr o risco de ser um voto meu a sentar o rabiosque do senhor António Preto no Parlamento." Deve ser um perigoso passoscoelhista.

Mário Crespo, sabiamente, reduz tudo a uma palavra: "comediantes". Deve ser um perigoso passoscoelhista.

25 comentários em “Passoscoelhistas ao ataque”

  1. Caro Pedro Correia,

    Manuela Ferreira Leite cometeu talvez um erro escolhendo António Preto e a outra senhora. Isso não faz da não inclusão de PPC um erro: antes pelo contrário. Se ele lá estivesse também a asneira seria ainda pior.

    1. Meu caro, a sua opinião – muito respeitável – é contraditada por muitos sociais-democratas e muitos analistas políticos. O tira-teimas acontecerá às 19h de 27 de Setembro – e nos dias imediatos. Quem não congrega o partido não consegue congregar o País.

      1. Não me parece, caro Pedro, que PPC tenha contribuído fortemente para congregar o partido. Ou sequer tentado. Parece-me mesmo que muito antes pelo contrário.

          1. Tenho imenso respeito pelas suas opiniões e partilho muitas delas, caro Pedro Correia; Mas esta não partilho de todo. Cabe tanto aos líderes congregarem como cabe a quem não o é não torpedear constantemente o líder. PPC faz mais pela divisão do PSD do que todo o PS. Quanto a mim, devia voltar às suas empresas e por lá ficar. Ou fazer um outro partido, com quem dele gosta.

            1. No dia em que isso sucedesse, meu caro Luís, o PSD estaria um partido morto, sem sinais vitais. Um partido vivo tem de reunir diversas sensibilidades: foi assim com Sá Carneiro, foi assim com os outros líderes que marcaram o PSD. Para monolitismo e unicidade bem basta o PCP.

            2. Entre o oito e o oitenta, caro Pedro, há uma quantidade infinita de números, de possibilidades. O PSD há muito é dois partidos. Não viria grande mal ao mundo se eles se separassem.

              Muito mais vem de essa permanente desculpabilização de quem não é líder e ataca quem o é; e demonização dos líderes que – finalmente! – se comportam como tal.

              Sobretudo – perdoar-me-á decerto a qualificação – quando os ataques vêm de PPCs, Menezes e quejandos (não posso soletrar, perdão).

  2. As listas do PSD têm um balanço negativo para o PSD e acima de tudo têm um balanço negativo para o País; mas não são desprovidas de méritos.
    É uma lista clarificadora a vários níveis. Expõe de forma evidente para que serve e o que é a JSD. Na mesma linha vamos ter oportunidade de ver e conhecer uma das maiores faces da JSD: Pedro Passos Coelho.
    É possível que PPC, apesar da capa liberal pró-empreendedorismo, se vai revelar uma lula burocrática.
    Há dias postei isto: Está a vista o liberalismo em Portugal. Passos Coelho: um burocrata ou um liberal? (http://pensasmal.blogspot.com/2009/08/esta-vista-o-liberalismo-em-portugal.html)

  3. Diria que o António Preto de Passos Coelho é o Angelo Correia.

    Mais sofisticado no transporte das malas, mas nem por isso menos negro.

    Venha o diabo e escolha.

    1. Para a sua teoria ter aplicação prática só falta um pequeno pormenor: os tribunais acolherem-na. Que eu saiba, AP é arguido num processo-crime por fraude e falsificação; desconheço que o mesmo se passe com AC. É uma pena que a realidade atrapalhe as nossas teorias, não é verdade?

  4. Pedro Correia diz “Quem não congrega o partido não consegue congregar o País. “

    Sucede que o partido estava meio esfrangalhado, nas mãoes de Menezes e companhia e o partido escolheu Ferreira Leite para lhe dar rumo. Sendo que Passos Coelho não só não aceitou a derrota que o partido lhe ofereceu como tentou por todos os meios, alguns dos quais bem torpes por sinal, diminuir e fragilizar Ferreira Leite. Ou seja, também ele tentou esfrangalhar o partido.

    Também acho mal a escolha de António Preto, mas acho bem que Manuela Ferreira Leite pense pela sua cabeça, marque a sua posição pelas ideias e propostas como tem feito, e também pela diferença de estilo em relação ao estilo de marketing e publicidade dominante por imposição do nosso Chavez de trazer por casa. Discordo totalmente do estilo adoptado por Passos Coelho, simples mimetização do plastificado Sócrates e só não discordo do conteúdo das propostas de Passos Coelho porque elas inexistem. Aliás, por isso o partido não o escolheu.

    Manuela Ferreira Leite fala para o País, mais do que para o partido. E com razão.

  5. Já todos percebemos que, por si, o país dará ouvidos a Sócrates.

    Mas olhe que se calhar era melhor pensar bem antes.

    Veja por exemplo que diz Helena Matos no Blasfémias, a propósito de António Preto:

    “Anda para aí tudo escandalizado com o facto de Manuela Ferreira Leite ter incluído António Preto nas listas. A princípio também fiquei sem entender a razão dessa escolha mas já pensaram que o António Preto fazendo jus ao nome pode ser vítima duma campanha negra? De aleivosias? De cabalas?… Ou só só o PS é que pode ser vítima de tais coisas? Como bem se sabe não partilho da teorias das cabalas. Logo acho que José Sócrates não deve ser líder do PS tal como o senhor António Preto não deveria ter sido incluído nas listas por MFL. Já os apoiantes das teses da cabala e da campanha negra o mínimo que se espera é que se solidarizem com o candidato António Preto.”

    1. Quase que só Socrates é que não é arguido, nem sequer ouvido, no processo do Freeport.

      De resto, todos à volta de Sócrates são arguidos ou já foram ouvidos.

      E isso reveste-se de alguma estranheza, pense bem.

      1. Estou completamente esclarecida e preocupada. Eu, pessoalmente, que até tenho uma família grande, a maioria deles nem sei bem por andam, tenho que me por a pau, não vá algum deles meter-se em sarilhos ser constituído arguido.

  6. Quando for ministra de alguma coisa não aceite cunhas dos seus familiares. E se algum lhe disser que sabe de um caso de corrupção e pedir a sua intervenção, comunique imediatamente ao MP, porque com essa familia vastíssima pode de facto ter agum azar.

  7. Nesta história a única coisa que me incomoda realmente é a questão do António Preto.
    Não vejo uma única boa razão para incluir PPC.
    Parece-me lógica a sua exclusão, e não é por PPC não ser arguido em qualquer processo que o sujeito é mais angélico (ou menos “angélico”, não resisto à graçola).
    Como já foi dito, não lhe conheço uma ideia; apenas um modo de fazer política que se me afigura execrável.

      1. Não, não conheço, e nesta caixa de comentários parece-me que não sou o único.
        Mas pode ser que seja em resultado de uma falta de atenção idêntica à sua em relação a MFL.

          1. Convenci-me de que estávamos a trocar cromos.
            Nunca me passou pela cabeça esclarecê-lo do quer que seja.

            1. 🙂

              como vê, não me enganei quando presumi que não estava realmente interessado em mais nada senão trocar cromos.

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