Pechinchar na Feira


Patrícia Reis,

  

 

Faço a segunda incursão do ano à Feira do Livro de Lisboa, que tem registado boa afluência. Este ano ainda mais justificada pela abertura de novos espaços para comer, uma praça de táxis situada mesmo ao lado e pavilhões modernos, muito funcionais. Há também obras em inglês e castelhano: editoras internacionalmente conhecidas, como a britânica Penguin e a espanhola Planeta, marcam lugar na Feira, que é um local de convívio e múltiplos (re)encontros.

E há sobretudo os preços tentadores. Costumo ir lá ‘pechinchar’ – e nunca me arrependo. Nesta segunda incursão trouxe seis livros pela módica quantia de 19 euros. Quatro de ficção: A Truta (Roger Vailland), S (John Updike), Lamentos da Vida (Dorothy Parker) e Ultramarina (Malcolm Lowry). Uma recolha de crónicas e ensaios jornalísticos de Truman Capote, Os Cães Ladram. E A Face Oculta de Kennedy, do jornalista Seymour M. Hersh, galardoado com o Pulitzer. Repito: tudo isto por 19 euros. E ainda há quem diga evitar a Feira por os livros serem “muito caros”…

Além dos já mencionados, trago duas outras obras que adquiri fora do circuito da pechincha. Mas qualquer delas vale mesmo a pena. The First Forty-Nine Stories, recolha do essencial de contos de Ernest Hemingway (da Arrow Books), e Essays, de George Orwell (Penguin). O Hemingway ficou-me por dez euros, os ensaios completos de Orwell custaram-me quinze. São obras essenciais em qualquer biblioteca. E – até por isso – nada caras também.

 

 

ADENDA: Quero lá voltar para comprar os livros do António Manuel Venda e do José Mário Silva, entre outros.

14 comentários em “Pechinchar na Feira”

    1. Cruzámo-nos por lá, Daniela. Evelyn Waugh é autor de um dos mais deliciosos romances britânicos do século XX: O Ente Querido. Espero que este esteja ao mesmo nível (aposto que sim).

      1. Eu também faço isso todos os anos. Adoro trazer de lá um saco cheio de livros por pouco dinheiro, dá-me o maior gozo. E encontro sempre coisas boas. Mas este ano ainda não fui à feira… mea culpa.

          1. E vou mesmo ao Porto, já no próximo fim-de-semana. Mas ainda vou tentar ir amanhã à de cá. Hoje fui a Lisboa com essa intenção, mas acabei numa conferência no Museu do Oriente e acabei por já não ir.

  1. Também lá voltei hoje pela segunda vez e achei que este ano a feira está em grande. Preços excelentes, verdadeiros preços de feira, o que não se via nos últimos anos. Imensa gente a comprar e não só a aproveitar o dia para passear, ou espreitar as bancas.

    Hoje as minhas compras foram os clássicos e perdi-me nos alfarrabistas, na Assírio e na Relógio D’Água, com preços e edições tentadores. Vim de lá satisfeitíssima, apesar da multidão.
    Nos dois dias que feirei, acho que comprei uma mini-biblioteca.

    Uma falha a apontar; em todos os pavilhões há o pagamento por multibanco, mas não existe nenhuma caixa em todo o recinto da feira e faz falta.
    Viu alguma Pedro?

    1. Não vi, Patti. Mas fiz compras em vários pavilhões e todos tinham o terminal MB operacional. De resto, fiz o que é costume: abasteci-me antes de lá chegar. Mas não foi preciso gastar numerário: o cartão foi suficiente.

  2. Caro Pedro,

    Não tem mal a passagem ao lado. No “outro blogue” estão à disposição.

    A ver se me dá para escrever uma coisa mais estridente e com elevado valor comercial – quer dizer, literário. Uma estrutura tipo assim:

    1 Rapariga complexa conhece rapaz torturado.
    2 Sexo tórrido.
    3 Quotidiano obstaculiza a relação. Descrições do quotidiano com alguns palavrões.
    4 Mais sexo tórrido – mas agora de ambos com outros. Um grande sacrifício para se lembrarem mais um do outro.
    5 Rapaz torturado – para mostrar paridade e valores contemporâneos – muda quotidiano para que se encaixe no da rapariga complexa.
    6 É demasiado tarde. (Final infeliz para dizer que é literário.) Ou é na altura certa, “enquanto der”. (Final feliz para ser light ou pop.)

    Enfim, é melhor começar já.

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