Faço a segunda incursão do ano à Feira do Livro de Lisboa, que tem registado boa afluência. Este ano ainda mais justificada pela abertura de novos espaços para comer, uma praça de táxis situada mesmo ao lado e pavilhões modernos, muito funcionais. Há também obras em inglês e castelhano: editoras internacionalmente conhecidas, como a britânica Penguin e a espanhola Planeta, marcam lugar na Feira, que é um local de convívio e múltiplos (re)encontros.
E há sobretudo os preços tentadores. Costumo ir lá ‘pechinchar’ – e nunca me arrependo. Nesta segunda incursão trouxe seis livros pela módica quantia de 19 euros. Quatro de ficção: A Truta (Roger Vailland), S (John Updike), Lamentos da Vida (Dorothy Parker) e Ultramarina (Malcolm Lowry). Uma recolha de crónicas e ensaios jornalísticos de Truman Capote, Os Cães Ladram. E A Face Oculta de Kennedy, do jornalista Seymour M. Hersh, galardoado com o Pulitzer. Repito: tudo isto por 19 euros. E ainda há quem diga evitar a Feira por os livros serem “muito caros”…
Além dos já mencionados, trago duas outras obras que adquiri fora do circuito da pechincha. Mas qualquer delas vale mesmo a pena. The First Forty-Nine Stories, recolha do essencial de contos de Ernest Hemingway (da Arrow Books), e Essays, de George Orwell (Penguin). O Hemingway ficou-me por dez euros, os ensaios completos de Orwell custaram-me quinze. São obras essenciais em qualquer biblioteca. E – até por isso – nada caras também.



Estou cheio de ouvir (ler) coisas sobre a Feira! Ninguém vem ao Atlântico Norte?
Neste momento, os livros do António Manuel seriam obrigatórios.
Não vi o António, mas já o tenho (o livro).
Pedro, vim agora da feira. Tenho que lhe agradecer por ter falado aqui do livro do Evelyn Waugh, um punhado de pó. Já o comprei 😉
Obrigado.
Cruzámo-nos por lá, Daniela. Evelyn Waugh é autor de um dos mais deliciosos romances britânicos do século XX: O Ente Querido. Espero que este esteja ao mesmo nível (aposto que sim).
Também encontrei livros baratos, mas só reparei da segunda vez que lá fui.
Eu vou à feira sobretudo para comprar livros muito baratos, Leonor. E acabo por comprar sempre mais do que pensava. Este ano voltou a acontecer.
Eu também faço isso todos os anos. Adoro trazer de lá um saco cheio de livros por pouco dinheiro, dá-me o maior gozo. E encontro sempre coisas boas. Mas este ano ainda não fui à feira… mea culpa.
Ana, acaba hoje em Lisboa. Se não te apressas, só terás mais para o ano. Ou então terás de ir ao Porto.
E vou mesmo ao Porto, já no próximo fim-de-semana. Mas ainda vou tentar ir amanhã à de cá. Hoje fui a Lisboa com essa intenção, mas acabei numa conferência no Museu do Oriente e acabei por já não ir.
Também lá voltei hoje pela segunda vez e achei que este ano a feira está em grande. Preços excelentes, verdadeiros preços de feira, o que não se via nos últimos anos. Imensa gente a comprar e não só a aproveitar o dia para passear, ou espreitar as bancas.
Hoje as minhas compras foram os clássicos e perdi-me nos alfarrabistas, na Assírio e na Relógio D’Água, com preços e edições tentadores. Vim de lá satisfeitíssima, apesar da multidão.
Nos dois dias que feirei, acho que comprei uma mini-biblioteca.
Uma falha a apontar; em todos os pavilhões há o pagamento por multibanco, mas não existe nenhuma caixa em todo o recinto da feira e faz falta.
Viu alguma Pedro?
Não vi, Patti. Mas fiz compras em vários pavilhões e todos tinham o terminal MB operacional. De resto, fiz o que é costume: abasteci-me antes de lá chegar. Mas não foi preciso gastar numerário: o cartão foi suficiente.
Caro Pedro, e aos meus não compra só porque são poemas de imperdoável juventude tardiamente publicados? Há pecados piores…
Passaram-me ao lado, Eugénia. Não reparei neles.
Caro Pedro,
Não tem mal a passagem ao lado. No “outro blogue” estão à disposição.
A ver se me dá para escrever uma coisa mais estridente e com elevado valor comercial – quer dizer, literário. Uma estrutura tipo assim:
1 Rapariga complexa conhece rapaz torturado.
2 Sexo tórrido.
3 Quotidiano obstaculiza a relação. Descrições do quotidiano com alguns palavrões.
4 Mais sexo tórrido – mas agora de ambos com outros. Um grande sacrifício para se lembrarem mais um do outro.
5 Rapaz torturado – para mostrar paridade e valores contemporâneos – muda quotidiano para que se encaixe no da rapariga complexa.
6 É demasiado tarde. (Final infeliz para dizer que é literário.) Ou é na altura certa, “enquanto der”. (Final feliz para ser light ou pop.)
Enfim, é melhor começar já.