Nos últimos dias o João Carvalho tem denunciado situações onde o nosso português é tratado a pontapé na comunicação social, em especial nas principais televisões.
Esta é uma preocupação constante que tenho. Ainda mais preocupado fico quando percebo que tal acontece no seio daqueles que são os comunicadores mais influentes do dia a dia. Convenhamos que a maioria da população não lê os refinados textos de opinião que vêm nos jornais, mas que o mesmo não acontece com a comunicação em massa que lhes chega dos principais jornalistas portugueses, aos quais amiúde mal conhecemos a cara e o nome.
O jornalismo é cada vez mais feito por estagiários, pessoas com a qualificação mínima exigida e que não foi previamente trabalhada em sedes de inferior impacto. Para além disto os nossos exames nacionais são cada vez mais básicos e elementares e a exigência diminui a olhos vistos. Mesmos nas Universidades é cada vez mais comum encontrar estudantes que não sabem estruturar uma frase ou compor um texto com cabeça, tronco e membros.
Urge intervir neste campo, sob pena de o bom português passar a ser característica de uma elite intelectual…

Dizes muito bem. Ainda por cima, referes que «o jornalismo é cada vez mais feito por estagiários, pessoas com a qualificação mínima exigida», mas convenhamos que completaram cursos superiores em jornalismo ou comunicação, coisa que no meu tempo nem havia.
Realmente, os exames são cada vez mais fracos e o grau de exigência cada vez mais baixo. Por isso é que se sai das universidades sem se saber estruturar uma frase e (pior) sem sequer se saber interpretar um texto alheio, por muto escorreito.
Agravam-se os tratos de polé de que sofre o português falado e escrito. E, quando a base cultural que é a nossa língua caminha assim…
Acontece que nem sempre os estagiários que escrevem um Português correcto são os melhores jornalistas; aliás, é difícil encontrar pessoas que reúnam as duas características. Quando me compete decidir, escolho sempre os que têm o sentido da notícia, mesmo que façam erros ortográficos. É mais fácil aprender Português do que saber distinguir uma notícia. Acreditem. Até porque, quando se cometem erros, há sempre alguém que vem corrigir.
Não, não há sempre alguém que corrija: são sempre os mesmos a dar os mesmos erros; a diferença é que vão chegando outros a fazer o mesmo e pior.
O problema da escolha entende-se. O ideal é aquilo que, pelos vistos, é difícil: conciliar as duas qualidades. Será difícil, mas é exigível que quem vive do que escreve saiba escrever.