Pelo bom português


André Couto,

Nos últimos dias o João Carvalho tem denunciado situações onde o nosso português é tratado a pontapé na comunicação social, em especial nas principais televisões.

Esta é uma preocupação constante que tenho. Ainda mais preocupado fico quando percebo que tal acontece no seio daqueles que são os comunicadores mais influentes do dia a dia. Convenhamos que a maioria da população não lê os refinados textos de opinião que vêm nos jornais, mas que o mesmo não acontece com a comunicação em massa que lhes chega dos principais jornalistas portugueses, aos quais amiúde mal conhecemos a cara e o nome.

O jornalismo é cada vez mais feito por estagiários, pessoas com a qualificação mínima exigida e que não foi previamente trabalhada em sedes de inferior impacto. Para além disto os nossos exames nacionais são cada vez mais básicos e elementares e a exigência diminui a olhos vistos. Mesmos nas Universidades é cada vez mais comum encontrar estudantes que não sabem estruturar uma frase ou compor um texto com cabeça, tronco e membros.

Urge intervir neste campo, sob pena de o bom português passar a ser característica de uma elite intelectual…

3 comentários em “Pelo bom português”

  1. Dizes muito bem. Ainda por cima, referes que «o jornalismo é cada vez mais feito por estagiários, pessoas com a qualificação mínima exigida», mas convenhamos que completaram cursos superiores em jornalismo ou comunicação, coisa que no meu tempo nem havia.

    Realmente, os exames são cada vez mais fracos e o grau de exigência cada vez mais baixo. Por isso é que se sai das universidades sem se saber estruturar uma frase e (pior) sem sequer se saber interpretar um texto alheio, por muto escorreito.

    Agravam-se os tratos de polé de que sofre o português falado e escrito. E, quando a base cultural que é a nossa língua caminha assim…

  2. Acontece que nem sempre os estagiários que escrevem um Português correcto são os melhores jornalistas; aliás, é difícil encontrar pessoas que reúnam as duas características. Quando me compete decidir, escolho sempre os que têm o sentido da notícia, mesmo que façam erros ortográficos. É mais fácil aprender Português do que saber distinguir uma notícia. Acreditem. Até porque, quando se cometem erros, há sempre alguém que vem corrigir.

    1. Não, não há sempre alguém que corrija: são sempre os mesmos a dar os mesmos erros; a diferença é que vão chegando outros a fazer o mesmo e pior.

      O problema da escolha entende-se. O ideal é aquilo que, pelos vistos, é difícil: conciliar as duas qualidades. Será difícil, mas é exigível que quem vive do que escreve saiba escrever.

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