Não há silêncio em democracia. Mas também, em democracia, não tem razão quem fala mais alto. Não tem razão quem mais grita. Não tem nenhuma espécie de razão quem substitui o argumento pela arruaça e pelo insulto.
Este pensamento acompanhou o DELITO DE OPINIÃO durante toda a semana

Exactamente!
Boa semana Pedro Correia.
Saúde.
António Cabral
Boas semana para si também, caro António Cabral.
em democracia, não tem razão quem fala mais alto
Em democracia ninguém tem razão: cada qual diz a sua opinião, e é tudo.
Nos debates televisivos aquilo de que os jornalistas e comentadores portugueses gostam é de pessoas a falar ao mesmo tempo, a ver quem fala mais alto.
neste país há várias democracias.
ouvi no estacionamento: hoje há greve da ”disfunção púbica”
Falar mais alto?
Extraordinário, um ataque terrorista em Portugal e nada por aqui. Tal como na pior profissão – o jornalismo- esses a mostrarem o que são na manipulação da linguagem. “inxidente”. Já parece o conflito com o Irão, aos países do Golfo o Irão não ataca, acontecem “explosões”, já os EUA e Israel atacam. Tal como em Gaza Israel ataca mesmo que sejam misseis do Hamas e da Jihad a cair, em Israel temos explosões e ataques de carros.
Fosse um ataque de cocktail molotov contra uma marcha gay, pessoas do Bangladesh etc ou outro grupo hoje circunstancialmente protegidos pela esquerda das redações e teríamos as TV’s e politicos em pé de guerra.
O Presidente Seguro já disse alguma coisa sobre esta violência politica ou vai ficar caladinho?
Pois não. Mas o problema que se coloca é como lidar com os que gritam, fazem arruaça e insultam.
Quem tenta dialogar com boas maneiras, falando e dando a palavra, é pura e simplesmente atropelado: quando se apercebe, acabou o tempo e nem conseguiu abrir a boca; ou sofre tais enxovalhos que paralisa de indignação e espanto… e também não consegue abrir a boca.
Não sendo opção ter um moderador para cada dois retóricos, como nos debates; e ainda menos recorrer a métodos idênticos aos grunhos (isso queriam eles…); nem funcionando a civilidade ou os acordos de cavalheiros; apenas resta a imposição de regras exteriores aos intervenientes.
O interruptor para cortar a palavra e deixar o retórico a falar sem som é um bom começo; outra boa ideia seria usarem um gravador ao pescoço para não se perder nenhuma pérola das alarvidades que bolsem em momentos mais criativos, e que poderia ser usado para distinguir os inocentes dos ainda mais inocentes em caso de ser preciso prova.
Mais radical mas também mais eficiente seria um torque eléctrico, que fosse administrando choques de intensidade variável, do admoestativo ao punitivo, comandado por IA para garantir total imparcialidade. Vi num filme, tirante uns acidentes aquilo até funcionava bastante bem.
O problema verdadeiramente sério consiste no facto de que tudo funcionava bem, até chegarem aqueles para quem o bom funcionamento é não haver funcionamento nenhum.
Porque o que visam destruir é exactamente o diálogo e o debate, para os substituir pelo mais funcional sistema de um a mandar e os outros todos a obedecer.
O problema verdadeiramente sério é como nos livramos desta vérmina, que deixámos instalar-se entre nós e ameaça devorar-nos, em nome de uma pretensa “tolerância democrática” que na verdade tem muito de oportunismo, complacência, comodismo e cobardia.
E fala por último…
Uma Fábula de Lá Fontaine
O cenário é aquele cheiro a mijo de felino e pipocas rançosas. O tratador, que tem um boné com a aba comida pelo tempo, aproxima-se com o balde da fruta.
O Macaco Alfa, um exemplar que acredita piamente ser a reencarnação do Maquiavel com mais pelo nas costas, observa do alto do seu pneu de camião suspenso.
Tratador: (Pousando o balde com o entusiasmo de quem entrega uma intimação das Finanças) “Olha, é o que há. E não me venhas com o olhar de quem vai atirar fezes, que a logística está pior que o SNS.”
Macaco Alfa: (Desce com uma lentidão teatral, ignora a fruta e fita o homem) “Tu ouve-me bem, ó bípede sem graça! Tu entras aqui, num recinto que é tecnicamente uma autocracia de primatas, e achas que esse silêncio submisso te dá autoridade? A democracia, dizem os teus, não é silêncio. Mas tu trazes este balde como se fosses o dono da narrativa.”
Tratador: “A narrativa hoje é vitamina C e calares essa boca. A malta lá fora queixa-se que passas o dia aos gritos. Parece que engoliste um megafone avariado.”
Macaco Alfa: (Solta uma gargalhada que soa a lixa em metal) “Gritar? Mas tu achas que quem fala mais alto não tem razão? Isso é frase de quem nunca teve de manter a ordem num bando de babuínos que passam o dia com o rabo ao sol. Em democracia, dizem eles, o insulto não substitui o argumento. Mas já viste bem o que me trazes no balde? Isto não é fruta, é um insulto botânico.”
Tratador: “São bananas, pá. Amarelas. Tens de as descascar, eu sei que o conceito é complexo para quem passa o dia a coçar os tomates à frente de excursões escolares.”
Macaco Alfa: “Lá estás tu com a arruaça verbal. O ataque ad hominem. É tipicamente humano: quando o argumento falta — porque claramente as bananas estão podres — partes para o achincalhamento do interlocutor. Estás a transformar este almoço numa sessão parlamentar das três da manhã.”
Tratador: “Acabaste? É que o meu turno acaba às quatro e ainda tenho de ir limpar o recinto dos hipopótamos. Aqueles sim, não argumentam. Só abrem a boca e esperam.”
Macaco Alfa: “Claro. O sonho de qualquer poder instituído: o hipopótamo. Grande, mudo e come tudo o que lhe deitam. Queres um país de hipopótamos, mas o azar é que te calhou um antropoide que leu o ‘Príncipe’ e tem o humor de um cronista mal pago.”
O tratador vira as costas. O macaco alfa espeta uma dentada na banana, faz uma careta e murmura para o pneu: “No meu tempo, os animais falavam e, pelo menos, a oposição tinha direito a fruta biológica.”
AR «silêncio que se vai cantar o fado!»
O Ventura, de mão na anca, canta o Fado do 31.
Infelizmente, nem todas as pessoas entendem assim.
A moderação é um eufemismo para a censura…
Muitas pessoas, talvez por falta de argumentos,
utilizam insultos (velados ou não) nas conversas
pessoais ou digitais.
As redes sociais, os jornais, as rádios e as televisões
estão cheias de exemplos.
Educação é elevação.
João Barros da Costa