
Foi recentemente divulgado que a pintura New York City I, de Piet Mondrian, que está há 77 anos exposta, se encontra pendurada de cabeça para baixo. Esta interessante descoberta foi levada a cabo por uma historiadora de arte, Susanne Meyer-Büser, nascida 18 anos após a obra do pintor holandês, datada de 1941, ter a sua primeira exibição ao público em 1945 no MOMA, em Nova York. Foi também divulgado que a pintura tem marcado presença em várias exposições em diversos museus por todo o mundo ao longo dos anos, sempre pendurada de cabeça para baixo. Sabendo nós que a imagem dos objectos que vemos fica invertida na retina de nossos olhos, é pertinente pensar se todas as pessoas que admiraram o quadro terão problemas de visão, ou que haverá, como é costume, alguém que se destaca e cuja visão consegue alcançar mais longe do que a de todos os outros.
(Imagem Google)
Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana.

Era fácil de ver que o quadro estava invertido. Qualquer pintor sabe que a esquerda e a direita têm pesos diferentes no nosso olhar, e portanto não poria a linha vertical azul na parte direita do quadro, e sim na esquerda. O quadro assim é bonito, invertido fica descompensado.
Será que no mundo inteiro só o balio seria capaz de, à primeira vista, apontar imediatamente o erro em que todos os grandes conhecedores de arte laboraram durante 77 anos?
Tiro-lhe o meu chapéu! Será que sabe se a foto que aqui coloquei é a do antes ou a do depois?
É o nosso comentador X- Files. A verdade está lá fora… e só o balio a conhece.,
haha
Eu não disse que o balio é um tudólogo? A estética para ele não tem segredos. Abençoado seja!
Nem de cabeça para baixo
zé do pino, sou eu!
Nem tudo o que é invertido é mau, zé. O quadro, por exemplo, vale milhões.
…talvez por estar invertido?
[<)]
Exactamente. Não entendo todo o sururu . Então o que é invertido não é o que vale mais?
Tendo a concordar.

Mas, permita-me que confesse. O humor é, deveras, mais importante.
Dizia Schopenhauer que o humor é a única qualidade divina que temos. Endeusemo-nos pois por alguns instantes.
Talvez a Susanne estivesse imbuída dessa qualidade divina…
Sim, é possível. Também pode ser excelsa na sua profissão, pode ser clarividente ou apenas muito arguta. O reconhecimento Mundial é uma meta muito sedutora para qualquer um.
Penso que foi bastante subtil. Para ter reconhecimento tudo é bem-vindo.
Foi tudo feito com calma e luvas de pelica. Primeiro tem-se a ideia , que fica a marinar. Depois de estar no ponto, cozinha-se em lume brando e aproveita-se o aroma para mostrar que a deia é legitimamente saborosa . Depois serve-se bem regada, acompanhada e condimentada a todos os que a poderiam por em causa. Provaram, comeram, concordam que é excelente, pronto, prova provada. Basta abrir a janela e gritar ao mundo, baixinho, explicadinho, mas com vigor.
E continuamos a expor a obra invertida, porque sim e por causa da gravidade.
Adorei.
Crónica gastronómica, que levaria qualquer “estrugido” ao estrelato Michelin.
A Susanne, qual mestra dos pincéis, trocou as tintas e disse…
E afinal, para, depois do spotlight, acabar tudo com o Bardo: “Muito Barulho por Nada”.
Deem-lhe 1/4 de volta em cada estação e nada de substancial fica alterado
“O espessamento da grade deve estar no topo, como um céu escuro”, explicou a investigadora e também curadora de arte. “Assim que falei na minha interpretação a outros curadores, percebemos que era muito óbvio. Estou 100% certa de que a imagem está ao contrário.”
Esta foi a explicação da curadora. Mas se em vez do Céu escuro fosse o movimento nas estradas? Afinal é NYC…
Qualquer bosta tem sempre inúmeros ângulos de visão. Mondrian é que a sabia toda.
ao
Mas qual o correcto? Hum? O comentador balio já disse de sua justiça e o ao? Tem receio de encher chouriços?
Realmente é só uma questão de ponto de vista porque o quadro está bem pendurado, o mundo é que está ao contrário.
Exactamente. E até ver, só a ilustre Susanne Meyer-Büser e o comentador balio conseguiram dar a “volta ao mundo” e ver a realidade que os outros não conseguem ver.
O balio tem razão, não é à toa que a linha azul do metro é do lado esquerdo.
Bem visto, sim senhor.
Um quadro ou um pano de cozinha?
Para pano de cozinha, é muito caro, mas nunca se sabe qual a fonte de inspiração. A explicação da Doutora que descobriu a inversão foi “O espessamento da rede deve estar no topo, como um céu escuro”. Quanto à mim, fiquei na mesma, porque sempre liguei o quadro, devido ao seu título, a arranha-céus, vigas, ruas e avenidas paralelas e a perder de vista. A rede não me diz nada.
A imagem postada não corresponde à obra em questão.
A sério? Se calhar está de cabeça para baixo ou de través. Por favor esclareça-nos!
Da maneira mais simples: a obra em questão termina (afinal começa) com 5 linhas horizontais.
A última (ou primeira) é de cor negra.
A confusão advém do facto de se tratar de uma série de quatro quadros, e de ter havido alteração na sua nomenclatura (numeração).
Pois sim, mas eu retirei a imagem de fonte fidedigna, e creio que de cabeça para baixo ou não, a obra em questão é a que aqui apresentei.
https://www.piet-mondrian.org/new-y ork-city.jsp
Não tão fidedigna como isso, se reparar no disclaimer em letra miúda no fundo da página. 500/1328/0/45/0/0ef3f30_joh113-germany-a rt-mondrian-1028-11.jpg
Mas pode comparar com a foto da curadora junto da obra:
https://img.lemde.fr/2022/10/28/0/0/2786/3
Pois, mas não refere qual a obra. São tantas e tão parecidas e nem um pequeno disclaimer , nada. É uma foto junto a um quadro que foi publicada no dia 28 deste mês. Este link ainda tem menos rigor do que aquele que eu referi. Não digo que sou o arauto das certezas, mas em buscas na net, em cada 100 imagens , 90 são iguais à que publiquei. Já vi imensas fotos da Susanne Meyer-Büser, junto a vários quadros, todos diferentes e fiquei convicta que o que se pretendia seria a foto de uma perfeita desconhecida que foi catapultada para a fama por dar um parecer que pode estar completamente errado. É confuso. Eu vi o quadro no MoMa .Juraria que era este… mais três quase iguais…
O artigo a que a foto pertence: 022/10/30/un-mondrian-accroche-a-l-enver s-depuis-77-ans-en-allemagne_6147886_324 6.html
https://www.lemonde.fr/culture/article/2
Estou em crer que tem razão. Vou tentar substituir pelo correcto, mas tenho que encontrar o correcto, porque até o MoMa , estará equivocado?
E do site do museu: on/artists/piet-mondrian
https://www.kunstsammlung.de/de/collecti
Vai até ser interessante …
Será que os eco-terroristas, quando se lembrarem de se colar a este quadro, o vão fazer de cabeça para baixo?
Este quadro não deve ser muito apelativo para os eco- terroristas, mas de cabeça virada já eles andam há muito tempo.
Os australianos é que se fartam de rir com a história: “Há séculos que aquela malta desenha os mapas ao contrário e ninguém diz nada. Agora descobrem um quadro invertido e ficam todos atrapalhados…”
Pois, mas estar invertido ou não baseia-se numa opinião com uma explicação que faz sentido para meia dúzia de pessoas, fotos da casa de Mondrian onde se pode ver o quadro pendurado, mostram – no como está exposto, supostamente de cabeça para baixo.
A arte abstrata, se não houver apontamentos do artista, num diário ou no esquiço do desenho, por vezes é difícil de saber qual a posição correcta. Algumas obras são mais directas em relação à correcta posição, caso de Rotko por exemplo, mas outras caso de Mondriaan ou Kurt Weil já é mais difícil. Outro exemplo é do socialconstrutivismo dos anos 10 e 20 na URSS e Malevich tem alguns trabalhos que são bem confusos em relação à sua correcta posição.
Um pequeno reparo. Pieter Cornelis Mondriaan nasceu na localidade de Amersfoort, na Província de Utrecht, por isso não é um pintor holandês, mas sim neerlandês ou dos Países Baixos.
Obrigada pelo apontamento. Por altura do seu nascimento, a família de Mondrian ( só tem um a) ainda não sabia que a Holanda se passaria a chamar Neerlandês, por isso chamar-lhe holandês não está incorrecto.
Maria Dulce Fernandes.
(Het Mondriaanhuis Amersfoort is museum en geboortehuis van Piet Mondriaan), e se visitar a Casa Museu de Piet Mondriaan, em Amersfoort, na Província de Utrecht, dos Países Baixos, vai chegar à habitual conclusão de nestas coisas não acreditar nos americanos.
Também concluirá que o pintor nasceu em 1872 e naquele ano, depois de uma imposição napoleónica, já estavam em pleno as Províncias Unidas dos Paises Baixos (Frísia, Groninga, Gueldres, Holanda, Overissel, Utreque e Zelândia).
Como sabe, a Holanda era como o nome comercial dos Paises Baixos, por Amesterdão ser na Província da Holanda e todo o comércio ser feito a partir do porto daquela cidade.
Piet Mondriaan será sempre conhecido como um pintor holandês, mas neerlandês é mais correcto.
Conheço razoavelmente bem a Holanda tenho família lá. É um país bom para se viver e para se morrer.
Eu vivi por lá mais de vinte anos e a família por lá está.
Eu tenho saudades de andar a passear, Den Hague, o Madurodam, o gelo de Zandvoot a comer haring e bitterbalen com cerveja, Scheveningen e os mexilhões, Amesterdão e os canais, o mercado das flores, Haarlem e os bares à noite, amalucar no Efteling, ir aos flea markets e comer nos turcos a melhor pita shawarma do mundo. Comer uma fatia de bolo levar horas a rir sem parar e sem cusa aparente… há muito tempo e muitas saudades também.
Eu, por ser frequentador, por cá, de lotas de peixe, ia muitas vezes ao mercado/bolsa das flores de Aalsmeer, em Amesterdão. Ficava paralisado a ver todo aquele ambiente do negócio flores ali chegadas de todo o mundo. Apreciei a disputa, electrónica, na compra de umas rosas, cor de rosa, chegadas do Quénia nesse dia, que foram arrematadas à quinta oferta de compra.
Todo aquelo gigantesco negócio de flores é feito por computadores e sistemas electrónicos sem problemas e dali saiem para o destino do comprador automaticamente.
Fascinante, pelo movimento, cheiro e cor.
Também assisti a um leilão de flores na minha primeira visita há quase 42 anos. Não era electrónico. Tinha um leiloeiro mas foi muito engraçado de ver exactamente pelo movimento, pela interacção das pessoas, pelo colorido, dos lotes e pelaa rapidez com que se faziam as transacções. E os perfume eram inebriantes.
podiam tê-lo posto de costas que não se perdia nada
Ou de lado . Ele tem imensos e muito parecidos. O neoplasticismo é isso, e vale milhões, seja em que posição for.
Afinal, é nesta imagem que está ao contrário ou na outra apresentada em 31-10-2022?
A primeira imagem, retirada do site do pintor não se tratava de New York City I, que supostamente é a que está de cabeça para baixo. Esta sim, depois de muito vasculhar para garantir a autenticidade , é a que está e estará exposta de cabeça para baixo e é a verdadeira New York City I. Francamente também não vale grande coisa, apesar de ser de valor inestimável.
Só mesmo num tempo em que tudo está de cabeça para baixo e os valores completamente invertidos, é que vêm agora com esta “descoberta”
Não sei se foi descoberta se foi uma opinião que pegou e deu os seus minutos de fama e projecção internacional a quem de direito. Porque parece que existe uma foto da casa do pintor ainda ele era vivo em que se vê o quadro na parede e na mesmíssima posição que agora foi considerada pelos eruditos da arte, de cabeça para baixo, António.
Bela homenagem nacional da França ao falecido Pierre Soulages, apaixonado pelo negrume.
O Soulages também terá quadros invertidos? Gosto bem dos seus quadros. Também sou fascinada pelos tos escuros.
Convenço-me que esta é a posição correcta do quadro. Mas, se não fora, haveria assim tanta diferença?! São linhas de cor diversa – segmentos de recta – em intersecção geométrica. Surge-me como uma falsa questão. Uma daquelas de quem, esgotado o assunto, atira uma novidade para a fogueira, atitude do “pode ser que pegue”. E parece que pegou. Julgo não ser fama que se deseje. Mas há estranhos apetites.
Bom dia, Dulce
Viva, Beatriz. A explicação da curadora que ” descobriu” o engano foi a seguinte:
“O espessamento da grade deve estar no topo, como um céu escuro”, explicou a investigadora e também curadora de arte. “Assim que falei na minha interpretação a outros curadores, percebemos que era muito óbvio. Estou 100% certa de que a imagem está ao contrário.”
Acredito, tal como a Bea diz, que o “pode ser que pegue” , pegou e houve notícia e os desejados minutos de fama mundial. Um bom dia para si também.
Este quadro a mim faz-me lembrar as grades que cercam o meu face-book. Pois não consigo, de lá, deitar o nariz de fora. E, nesta posição, o quadro está a demonstrar que as grades se encontram reforçadas na base, por altas cartolas, respeitabilíssimas…
Este quadro a mim lembra-me a democracia em Portugal!
Na realidade o FB ficou demasiado rigoroso e não num bom sentido. Bloquearam-me uma foto que ilustrava um texto, e cujo título ( da foto) era ” Estas gajas são umas cabras”. A verdade é que na foto estavam duas cabras a olhar para o “passarinho”. Reclamei, claro e repuseram-na.
Curiosamente, e talvez influenciada pelo título da obra, sempre lhe reconheci NYC, com as ruas e as avenidas em grade, as vigas dos arranha-céus, e a confusão de almas é trânsito que vai cá por baixo. Esta foto não está na posição correcta e recentemente descoberta. Creio que o quadro se manterá em exposição sem alterar a posição, já que os curadores temem o efeito da força da gravidade.