Confesso que continuo a não perceber quais as verdadeiras intenções de Putin. Espera ele realmente anexar a Ucrânia? Mas a que preço (para ele próprio e o seu país)? A sua demência impedi-lo-á de perceber que uma guerra mundial destruiria a Rússia e que ele próprio dificilmente sobreviveria? Ou pretende suicidar-se, mandando o planeta pelos ares?
Também continuo a não perceber qual o papel da extrema-direita nisto tudo. Leio sobre relações cordiais que o Kremlin tem vindo a estabelecer com a extrema-direita europeia, incluindo apoio financeiro. O certo é que estes partidos, que tudo aproveitam para andar nas parangonas, têm estado estranhamento calados.
Este pensamento acompanhou o Delito durante esta semana.

O Putin tem a mais simples das orientações que pode haver em política: poder.
O que possa acrescê-lo é o seu programa, o que possa diminui-lo é o seu alvo.
Frustrá-lo por todo o modo, é tudo que há a considerar.
Também não percebo o papel da esquerda e da extrema-esquerda nisto tudo: o certo é que estes partidos, que tudo aproveitam para andar nas parangonas, têm estado estranhamento calados.
:ı
Quanto à extrema-direita, acho que é mais claro: Putin e o Kremlin apoiam (e apoiam-se em) grupos neo-nazis que têm ramificações em toda a Europa e estão activos no médio-oriente e em África como forças para-militares. Há pouco estive a ler sobre o tal Grupo Wagner… e é bastante claro quem é que no meio de tudo isto é “nazi”. Acho que a nossa intuição chega para perceber que Putin não é louco: é um autocrata misantropo, hiper-soviético, que pretende comandar uma sociedade militarizada e policiada. Digo hiper-soviético porque além do totalitarismo expansionista e o modelo de miséria-para-todos que caracterizava o comunismo de leste, apoiado no controlo e no saneamento da sociedade, Putin acrescenta-lhe a violência extorsionista como ferramenta oficial do estado russo.
Os cobardes escondem-se, à esquerda e à direita.
Mas, no que respeita à esquerda, é mais fácil de adivinhar os motivos.
Hirogato
Eu não percebo é as sanções económicas à Russia!! Não sei se são para destruir a Rússia ou a UE! Não queremos oligarcas Russos, não queremos oligarcas chineses, só oligarcas de Meca!! O al-Ocidente… Meca power… Grande NATO!! A islamizacao da Europa tem o apoio militar da NATO… Só não quer é Russos ou chinocas, mas se forem whaabis já podem…
CONTRADIÇÕES
Quem veio muito recentemente a publico ameaçar com a 3ª guerra mundial foi o Senhor Presidente da Ucrânia, e parece que todo o mundo ignorou esse anuncio de tamanha atrocidade, tendo sido apenas abordado por um comentador televisivo mas de forma bondosa e condescendente.
Durante alguns dias foi veiculada pelas nossas TVs a ideia de que as tropas russas estavam com muitas dificuldades em avançar, pelo que até já recorreriam a equipamentos caducos em armazéns de velharias.
De repente foi anunciado que estavam a utilizar misseis hipersónicos altamente sofisticados e precisos que voando a baixa altitude, num estalar de dedos atingem alvos a grande distância conseguindo furtar-se ao abatimento por meios de deteção e defesa.
Finalmente referir não haver duvidas sobre a condenação do agressor, continuando a bater-lhe com todas as armas possíveis, mas sem descurar atabalhoados e contraditórios jogos de evasivos enganos para quem se atreva a iludir com pau de dois bicos.
Com essa retórica toda… deves ser da Península de Setúbal.
Zelensky está desesperado, o seu país a ser destruído, o seu povo a ser assassinado. Penso que lhe podemos perdoar certos excessos.
Eu acredito que as verdadeiras intenções de Putin sejam as que ele proclama: submeter a Ucrânia, obrigando-a a abrir mão da Crimeia e do Donbass e obrigando-a a aceitar um estatuto de neutralidade.
A Ucrânia já aceitou a neutralidade, mas ainda não renunciou ao Donbass e à Crimeia.
Pois é!
Falta tão pouco para voltarmos a ser felizes… pelo menos enquanto o Putin não quiser mais umas coisinhas para o seu impériozinho..
Está visto qual a intenção de Putin: forçar os países da NATO/EU a aumentar os seus orçamentos na Defesa.
E cá temos isso, outra vez a corria aos armentos como já não via há muito.
Os mais suscetíveis a teorias conspirativas até dizem que isto foi tudo arranjado a partir do ponto com a eleição de um judeu na Ucrânia e o seu interesse no alargamento da NATO
Será que ele ficaria realmente satisfeito com isso?
A extrema-direita errou. Via enormes semelhanças em Putín, na recusa da agenda LGBT++, na coragem de colocar a religião na Constituição, etc.. Para a extrema-direita Putín era um conservador nacionalista e encontravam-se ambos, daí os financiamentos, na oposição à UE. De uma maneira geral queriam uma Europa das Pátrias, em que naturalmente haveria lugar para a Pátria russa.
Erraram tanto como Merkel ou Draghi que viam a Europa num globalismo económico em que a Rússia era naturalmente parceira.
Agora que Putín se revelou, não um nacionalista mas um imperialista, não um parceiro de negócios mas um gangster psicopata(*) estão calados, espero eu, por estarem envergonhados.
Mas, na minha opinião, a maior indignidade moral, encontra-se naqueles que odeiam e culpam os EUA por tudo o que de mau acontece no mundo e, nesse ódio, viam Putín. como um aliado e agora, manhosamente, relativizam o facto brutal da invasão ou, sem réstea de vergonha, aproveitam para atacar a extrema-direita como forma de fazer esquecer o seu próprio passado.
(*) O psicopata define-se pela incapacidade de sentir empatia pelo sofrimento alheio.
Atendendo ao grau de violência exercida sobre os adversários e ao espírito de clã que os une, acho mais adequada a classificação de gangsters do que de cleptocratas ou oligarcas.
ainda não percebi se estão enganados ou se nos querem enganar
En un brindis propuesto durante el banquete realizado por el Club Columbia de Indianápolis, Indiana, el ex presidente Benjamin Harrison dijo entre otras cosas: «Ni aquí ni en ningún sitio puedo desplegar argumentos en contra de la expansión territorial; pero no pienso, como piensan muchos, que la expansión territorial sea el sendero más seguro y satisfactorio para lograr el desarrollo de nuestra nación.
… En su intervención durante el brindis «Siglo veinte», el senador Albert J. Beveridge dijo entre otras cosas: El siglo veinte será el siglo americano. Los americanos han decidido dominarlo. El progreso americano le otorgará su color y sus objetivos. Las hazañas americanas lo harán memorable. La civilización no se olvidará jamás de Shanghai. La civilización jamás abandonará Hong Kong. Ya nunca las puertas de Pekín volverán a cerrarse a los métodos del hombre moderno. Ha comenzado la regeneración física y moral del mundo, y las revoluciones nunca dan un paso atrás
John Dos Passos; Paralelo 42
Os extremos tocam-se.
Os Mickey Mao andam caladinhos porque são tão responsáveis
por estes crimes contra a humanidade como os seus lacaios russos .
Tudo começou com o vírus para nos enfraquecer física, mental e economicamente.
Depois da Ucrânia, será Taiwan . A presença em África já é notória .
A seguir avançam para toda a Europa, mas entretanto vamos levando com vírus cada vez
mais contagiosos .
Para uma ignorante como eu tudo isto é cristalino.
O vírus não nos enfraquece só a nós, também aos próprios russos (ninguém sabe o que se passa na Rússia, quanto a isso, mas a situação deve ser desesperante) e chineses. E se os chineses criaram o vírus para enfraquecer o resto do mundo, porque não tomaram precauções no seu próprio país, antes de o lançar? E porque começaram no seu próprio país? Não seria possível espalhá-lo na Europa, primeiro, aproveitando para nos culpar pela doença? Arriscaram a surgir como culpados aos olhos do mundo?
Cara Cristina Torrão, está recordada que quando a pandemia
se instalou no ocidente os Mickey Mao tiveram segundo eles
pouquíssimos casos ? Mentiram? neste caso talvez não.
As vacinas já estavam prontas assim como na Rússia.
Hoje ,quando leio que estão várias cidades confinadas algumas
com 17 milhões de habitantes ,na minha opinião é só para “pagode” ver.
Não acredito em nada que esses ditadores sanguinários apregoam.
Tenho a minha opinião e se estou errada , talvez viva o tempo necessário
para conhecer o que realmente se está a tramar aos olhos do mundo inteiro.
Cumprimentos
Penso o mesmo a pandemia foi só o inicio para enfraquecer o Ocidente. Chineses e Russos são aberrações com ambições imperialistas.
É agradável não nos sentirmos sozinhos.
Faltou incluir os ianquis que são os mais imperialistas
São?
Duvida?
Sim.
Veja-se Iraque, Líbia, Síria (também lá estiveram os russos, a defender os seus interesses e os da próprio Síria) Sérvia e Kosovo. Foram os imperialistas americanos que desencadearam a “Primavera Árabe” . Foram ainda os imperialistas americanos e os imperialistas russos que
Iraque, Líbia, Sérvia, Kosovo, Síria (também lá estiveram os russos (a defender os seu interesses e os da Síria), Afeganistão ( a seguir aos russos) por duas vezes e desta última com consequências catastróficas.
Em Angola e Moçambique interessados nas riquezas dessas duas antigas províncias ultramarinas portuguesas, conjuntamente com a URSS, só que aqui engaram-se. Os russos levaram a melhor e nasceram 2 países comunistas que entraram em guerra civil. Hoje em Moçambique ainda à guerra (terrorismo) e o pior é que do lado Moçambique há muitos terroristas (30% da população moçambicana é muçulmana e está radicada a maior parte no norte (Niassa e Cabo Delgado).
A solução vai ser à americana (veja-se Coreia, Vietnam (hoje reunificado).
Os imperialistas chineses, espertos, estão em todas. Vá ao Google e vê que em Angola em 1974 Luanda tinha 500.000 mil habitantes, hoje tem cerca 5 milhões e 2 condomínios fechados um para as elites angolanas (o povo está na miséria) e outro para os chineses (estão em todo o lado -na minha “vila” há mais de meia centena de estabelecimentos chineses. Cá a China já esta na banca, em várias empresas. Os chineses estão em todo o lado ladoaté nos USA., Eles vão ser os do Mundo..
P.S. Portugal também foi imperialista (o mundo dividido em duas parte (Tratado de Tordesilhas).O n/impário foi derrubado em 1974.
O teclado do meu computador está “maluco”. Corrijo e ignora as correcções. Noutro lado conjuga o verbo haver mal, noutro bem. Tenho de o reformar.
Os comunistas afinal “ comem “criancinhas
ao pequeno-almoço. Duvida?.
eu também , Kika.
Segundo o que leio, os diabos vermelhos
desde o início que acusam os USA .
«Ausonio escribió versos … como revela su extensa y aburrida composición sobre el Mosela
Magris; Danúbio
La carezzevole vista mi riportava all’aspetto e alla bellezza
di Bordeaux, la mia patria: tetti di ville
20 sulle rive declivi, colline verdi
di vigne, e di sotto il corso ameno
della Mosella che scorre con mormorio lieve8
.
Salve, fiume lodato dai tuoi campi e dai tuoi coloni9
,
cui i Belgi devono le mura degne dell’impero10
vortex, o postal sobre o Mosela e os vinhos era outro
segundo li por aí ,o objectivo do putin é que a ucrânia reconheça a independência de duas zonas no donbass , tal como o pigdelmonte catalão pretendia que a espanha fizesse com a catalunha ; ora , o presidente da ucrânia , tal como o governo espanhol relativamente à catalunha , já disse que não e não. e temos guerra , lá pela ucrânia . felizmente a os usa e a nato não se puseram do lado dos catalães , porque se não , era mesmo aqui ao lado que também tínhamos uma.
Desculpe, mas isso não tem pés nem cabeça. Putin invadiu um país soberano. A questão da Catalunha é uma questão interna espanhola. Isso que refere só teria alguma razão de ser se, por exemplo, a França reclamasse a Catalunha para si e invadisse a Espanha por causa disso.
Por favor ponha mais tabaco nisso
Cumprimentos
Isabel
e esqueci-me : o presidente da ucrânia não só disse não , não ,à independência como também proibiu os partidos separatistas…se os espanhóis fizéssemos isso , caía o carmo e o trindade ( a trindade?)
Não é bem assim. Ucrânia está sob Lei Marcial e há partidos pró-russos a trabalhar contra a Ucrânia e contra o esforço do país para sobreviver. Os partidos foram suspensos, não foram proibidos.
No estado de emergência também muita coisa foi suspensa cá, depois voltou.
Não tentem demonstrar que Zelensky é fascista ou bandoleiro como os comunistas, porque não é.
Confesso que continuo a não perceber quais as verdadeiras intenções de Putin.
A intenção inicial de Putín era clara: substituir o governo da Ucrânia por um que lhe fosse favorável, tornado a Ucrânia uma nova Bielorússia. Exactamente o mesmo que ensaiara em 2014 comprando o presidente Yanukovytsch e que falhou pela reacção popular, ratificada pelos partidos que votaram a deposição de Yanokovytsch por 328 votos contra zero.
Agora, pela força militar, acreditava que o presidente Zelensky fugiria – como era já tradição ucraniana – e que lhe seria possível apoiar um governo fantoche apoiado por pró-russos, que os havia e há na Ucrânia.
O erro de cálculo só se explica por Putín viver numa bolha e inculcar medo aos seus colaboradores que assim têm a tendência de só lhe dizer o que quer ouvir.
Militarmente, essa primeira intenção, traduziu-se num relativamente rápido avanço sobre Kiev.
Este primeiro objectivo parece estar agora nas mãos dos mercenários contratados para se introduzirem em Kiev e assassinar Zelensky, que, ao que parece, já escapou duas vezes.
Constatado o erro, Putín mudou o objectivo para tornar a Ucrânia economicamente dependente da Rússia, vedando-lhe o acesso ao mar, essencial às suas exportações.
Militarmente essa segunda intenção traduziu-se por um lentíssimo avanço sobre Kiev, com as duas principais colunas atrasadas por problemas logísticos – combustíveis e alimentação – consequência do desvio de meios para a costa leste, Mariúpol, Kherson e Zaporizhzhia, para depois atacar Odessa
Esta estratégia de recurso sofreu forte contrariedade pela acção militar ucraniana que, informada em tempo real pelos satélites americanos da localização das colunas de reabastecimento – que não previam necessidade de fortes escoltas de tanques – fez fortíssimos estragos o que deixou o exército russo com novas dificuldades de reabastecimento e o obrigou a proteger as colunas, ocupando assim forças de combate, que faltaram nas frentes.
O reconhecimento do problema dos envios de armamento para exército ucraniano, via sobretudo Polónia, era um problema sério e obrigou a nova mudança estratégica. Bloquear ou dificultar as entregas de armamento aos ucranianos, para que bombardeou e atingiu com míssseis, todas as possíveis instalações militares no Oeste, até aí poupado pela guerra. Mediaticamente, apenas tivémos conhecimento do grande bombardeamento à base militar onde estavam os voluntários – incluindo 4 portugueses – da “Legião Estrangeira” e que terá causado 35 mortos e muitas dezenas de feridos, além de, como seria de esperar, a debandada de muitos desses voluntários. Como corolário dessa estratégia, iniciaram-se os bombardeamentos a cidades próximas da Polónia como Lviv, e já começaram as ameaças à Polónia
Acontece que os recursos militares russos não são ilimitados e repartidos por três frentes, ainda menos. Isso, se tiver tempo, fica para outro comentário, aí incluindo a intenção actual de Putín.
O Ocidente alarmou-se com a possibilidade da China enviar armamento à Rússia e parece que aquela ainda hesita mas há notícias de origem asiática de que já estaria a enviar ajuda alimentar. Sem confirmação independente, diz-se que uma subunidade russa se rendeu aos ucranianos, depois de lhes terem sido distribuídas rações de combate com etiqueta de 2005. Já não se pode duvidar daquela ridícula imagem de um tanque russo a ser rebocado por um tractor agrícola ucraniano por ter ficado sem gasolina. Tudo indica que a logística russa está a falhar e considero muito significativo que a Rússia tenha trazido unidades chechenas para o cerco a Kiev – têm efeito psicológico por estarem associadas a violência extrema – mas mais ainda que tenha pedido à Geórgia e à Bielorússia que colaborem militarmente.
Especialista militares – nada a ver com os majores-generais televisivos – tinham a opinião que o limite para uma invasão deste tipo, considerados os recursos russos, era de duas semanas e, de facto, os bombardeamentos estão a aumentar mas o progresso no terreno a abrandar. Após Mariúpol e, previsivelmente Odessa, começa a ser duvidoso que os russos possam conquistar Kiev ou talvez, as ruínas de Kiev.
Respondendo a uma pergunta da autora, Putín não pode nem quer anexar a Ucrânia. Além de uma guerrilha que poderia ser pior do que a chechena, teria que ser a Rússia a pagar a reconstrução. Também a autora tem razão quando diz que Putín não pode recuar. Mesmo que saia com um acordo directo com Zelensky ou, possivelmente, com um seu sucessor se for eliminado, o Ocidente não levantaria grande parte das sanções nem libertaria as reservas congeladas.
Um especialista cuja competência não sei avaliar, estimou o custo da reconstrução em 500 mil milhões de dólares. As reservas congeladas do Banco Central Russo são 600 mil milhões. Este é o cenário de Putín. Uma guerra que pode tornar-se crónica e o enorme risco de ser a Rússia a pagar a factura.
Sabemos como raciocina Putín pela questão Iraniana. O Ocidente – França e Alemanha – tentaram acelerar o acordo nuclear com o Irão para que este volte ao mercado e o seu petróleo ajude a superar a actual crise energética. Não creio que os americanos tenham saltado de alegria mas, de facto, a única oposição ao levantamento das sanções ao Irão foi da Rússia, que exige como condição, que as suas futuras relações económicas com o Irão fiquem excluídas das sanções ocidentais.
Presumo, por isso, que Putín vá procurar um acordo multilateral na Ucrânia, garantindo o levantamento de grande parte das sanções e, sobretudo, descongelando as reservas.
Como consegui-lo?
Levando a destruição da Ucrânia ao limite, bombardeando escolas, hospitais e supermercados, até que a Ucrânia prefira um mau acordo à continuação da guerra; e que a comunidade internacional seja pressionada pelas opiniões públicas horrorizadas, a sancionar o mesmo.
Seria ainda interessante especular sobre o que fará na possibilidade, diria probabilidade, das coisas lhe correrem mal.
As forças armadas russas são consideradas as segundas do mundo, com os impressionantes efectivos de mais de um milhão no activo e outro tanto de reservistas. Contudo tem fragilidades estruturais e sobretudo organizacionais e políticas.
O maior problema é evidentemente o suporte económico. A Rússia tem uma economia inferior à italiana e pouco superior à espanhola. Assim enquanto a Europa incorreu no desagrado americano por não dedicar 2% dos orçamentos à defesa e o dos EUA é de 3,7% o orçamento de defesa da Rússia – inclui forças territoriais, forças de fronteira e alguma força policial subtraída ao ministério do Interior e colocada sob supervisão directa de Putín – atinge os 4,3%.
Depois a organização militar que é tradicionalmente fragmentada. Já na segunda guerra mundial, Stalín mantinha os comandos independentes, ao que parece por acreditar que os generais teriam melhores desempenhos competindo entre si e só quando viu os alemães a ameaçar Moscovo criou um comando unificado. Na Ucrânia a Rússia não tem um comando unificado no exército e muito menos entre o exército a força aérea e a a marinha.
Depois a própria natureza do regime russo leva a que os comandos, a começar pelos intermédios, tenham receio de fazer avaliações negativas o que evidentemente afecta a qualidade da decisão dos comandos superiores e, no limite, leva o Kremlin a erros de avaliação. Aconteceu com Zelensky, o comediante – como dizia Putín – mas que afinal não fugiu, com os ucranianos, que se uniram em volta do governo em vez de o atacarem pelas consequências da guerra, que era o esperado. Sobretudo com a população de origem russa e de língua russa, cerca de 20% na Ucrânia mas cerca de 80% no Donbass. Ora a realidade é que no Donbass, os russos ainda não dominam Mariúpol nem Zaporizhzhia e levaram uma semana a dominar Kherson, onde ainda ontem o exército russo teve de usar granadas de atordoamento e disparar rajadas para dispersar uma multidão que os invectivava a ir para casa e a perguntar o que estavam ali a fazer.
Acontece também com os próprios soldados russos que acreditavam que iriam ser recebidos de braços abertos e o contraste com a realidade já levou a algumas deserções – não há informação fiável pois a origem é sempre ucraniana – e, sobretudo, obrigou os comandantes da unidades blindadas a colocarem-se na cabeça das colunas para forçar o seu avanço e aí já há baixas confirmadas incluindo um comandante de regimento de blindados, há pouco tempo publicamente condecorado por Putín, pelo seu desempenho na Síria.
Ainda na esfera política, os efeitos da corrupção, que corroem os valores orçamentados. Como exemplo mais evidente, as colunas russas param sempre durante a noite porque não têm, pelo menos a maioria, equipamentos de visão noturna. É curioso que foi exactamente equipamento de visão noturna uma contribuição portuguesa para o exército ucraniano.
Há sinais de que as coisas podem ainda piorar. Inicialmente, a relativa lentidão de um exército de tal forma superior, era dito dever-se ao desejo russo de não causa baixas civis nem graves destruições. Hoje essa desculpa está completamente desacreditada e a única conclusão é que as forças russas não avançam mais depressa porque não são capazes.
A utilização de bombas termo-báricas – as piores e proibidas por convenção internacional que a Rússia não assinou – podem ser sinais de que as existências de bombas menos cegas estejam a faltar. Tal como o uso de mísseis hiper-sónicos – em primeira análise uma péssima alocação de recursos caríssimos – pode igualmente denunciar dificuldades logísticas de reposição, sobretudo depois da abertura a oeste.
Dizem analistas americanos, não governamentais e normalmente credíveis, que a Rússia pode ter já perdido 40% das aeronaves – aviões, helicópteros e drones – na Ucrânia. De drones pouco sei mas os Stinger que os americanos enviaram aos ucranianos, a arma que entregue aos talibãs, fez a Rússia sair do Afeganistão, custavam em 2019 menos de 120 mil dólares enquanto um helicóptero de combate (Apache) pode custar de 65 a 130 milhões. Mas o que é certo é que, visivelmente, a força aérea tem tido uma actuação muito inferior à esperada numa guerra desta envergadura e em que não há oposição ucraniana nos céus.
(a continuar)
Caro Francisco,
Muito obrigada pela análise factual e sóbria que apresentou. Informação séria é previsa.
Fique bem,
Catarina Silva
Não sou comentadora nem especialista em nenhum assunto. Não sei se o Putin é louco, é um tipo com poder. Talvez pretenda voltar a ser a URSS. Mas os tempos são outros. Inocentes nesta história toda não haverá e nós aqui estamos a ver i que nunca pensámos ver:uma guerra destrutiva em directo igiual às centenas de filmes do género a que já assistimos com emoção. Ponho-me no lugar destas infelizes pessoas que fogem, com um futuro incerto e um regresso ao que tinham talvez impossível. Para nós, por enquanto é o aumento de preços…
Verdade, Maria J Rodrigues. E, por muito que o aumento de preços nos incomode e ponha muitas famílias em dificuldades, já nos podemos considerar sortudos se esta guerra, para nós, ficar por aí.