Pensamento da semana


Pedro Correia,

 

Ao confundir legítima defesa com assassínios meticulosos e premeditados, à mercê da sanguinária “lei de Talião”, o Governo de Israel protagoniza em Gaza uma catástrofe moral, sem paliativos de qualquer espécie. Actos de barbárie que menorizam e quase banalizam o hediondo crime inicial, cometido pelo Hamas naquele infame dia 7 de Outubro de 2023.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO DE OPINIÃO durante toda a semana

82 comentários em “Pensamento da semana”

  1. O Hamas abriu o inferno em Outubro, mas Israel decidiu ficar como senhorio do próprio inferno e meter lá a população toda. A moral morreu soterrada pela artilharia; sobrou só o cálculo frio de quem confunde vingança com justiça e cadáver com estatística.

      1. A moral morreu soterrada pela artilharia.

        Na verdade, na guerra nunca houve muita moral. Por exemplo, na Idade Média o ideal guerreiro eram as batalhas campais, nas quais valentes e bem adestrados cavaleiros exibiam a sua arte matando os cavaleiros inimigos; porém, na prática, a maior parte da guerra consistia em raides contra o território inimigo e em cercos a cidades, ambas atividades que dizimavam sobretudo população civil.

        1. No fundo, a única diferença entre o século XII e o século XXI é que agora temos drones a filmar os massacres em 4K.

          1. “a única diferença entre o século XII e o século XXI “
            Não é a única. Agora mata-se com mais eficiência e em maior quantidade.
            No século XII quantas espadeiradas seriam necessárias para matar ou destruir o mesmo que agora com uma bomba (nem quero falar no nuclear).

  2. O que sempre me impressiona é o coral de referências ‘às autoridades de Gaza’, ao Hamas ‘como representando o palestinianos de Gaza’ , e tudo se passa como não se tivessem por dever primeiro proteger os que dizem representar e conduzem a tais provações.
    A Israel só condeno não ter criado um efectivo e seguro sector, alargado progressivamente que acolhesse quem quisesse afastar-se da pata do Hamas; solução que o Ocidente haveria de decididamente impor e participar, uma vez que a agenda dos colonizadores israelitas acolitados pelo ridículo imperador em Whashington é uma efectiva limpeza étnica.
    É tempo de autocratas, e Trump ambiciona sê-lo, e essa é denúncia que importa promover!
    Quanto ao Hamas é canzoada desprezível.

    1. Trump, tal como na Ucrânia, não deteve acção bélica nenhuma na Palestina. Pelo contrário, limitou-se a deitar gasolina na fogueira, nomeadamente quando surgiu como “empreendedor imobiliário” a promover a putativa futura “Riviera” do Mediterrâneo Oriental, cheia de arranha-céus e odaliscas.
      Coisa obscena. Como pode este sujeito ser membro do partido de Lincoln, Teddy Roosevelt e Eisenhower?

        1. Eis, sem dúvida, um trumputinista fervoroso que adora o aroma do napalm ao amanhecer.
          Espero que Trump e Bibi lhe reservem ao menos um quarto para serviçais com vista para o pátio das traseiras no futuro Resort Gaza livre da populaça árabe.

          1. Tome lá o Napalm de volta: Royan cidade Francesa ou seja do pais a libertar. Um dos primeiros usos de napalm.

            15 de Abril 1945 392nd Bombardment Group

            The target area was the same as the day previous but, this time, a new Napalm bomb was carried in a mixed load with 100# weapons. At 0300 hours, (33) aircrews were briefed and at 0600, all bombers began launch. Weather was most favorable again over the target area with the 392nd leading the entire 2nd Air Division and Colonel Johnson, the Commander, flying as mission Command Pilot on his 30th mission. A total of (54) 75-Gallon and (154) 85-Gallon canisters of Napalm was dropped along with (156) 100 pounders to act as a diffuser for the Napalm. Results of the mission were most satisfactory though the new weapons were noted to have very unpredictable falling tangent ballistics. Flak was meager but accurate and (7) bombers came home with some damage. All recovered at base safely around 1330 hours.

            Supremo Comandante Aliado: Eisenhower

            PS: os palestinianos não entravam no Gaza beach club a não ser os que lá trabalhavam.

      1. Bem verdade Pedro. Aqui o único lado a escolher é o das vítimas. As de 7 de Outubro. Os palestinianos, libaneses, sírios, israelitas, e alguns outros que sofreram desde essa data. Os reféns, vivos ou mortos, que ainda estejam em Gaza.
        Quanto aos outros, aos facínoras, mortos (como muitos do Hamas) ou vivos (como outros do Hamas ou no governo de Israel), de facto não há como escolher lados. Eles estão todos do mesmo: o da morte.

  3. Relativizar e igualar os planos é um exercício muito arriscado e enganador.

    Um Estado tem a obrigação de fazer tudo o que estiver ao alcance para defender e proteger os seus cidadãos. Isto não pode ser uma catástrofe moral.

    Catástrofe moral é Pedro Sanches, primeiro-ministro de Espanha, regozijar-se com estragos, desordem, danos e detenções de seus cidadãos, em manifestações (anti-Israel e pro-Palestina) ocorridas no seu próprio país.

    Tudo isto enquanto o Sudão continua secundaríssimo, apesar de proporcionar a maior catástrofe humana.

    Flotilha que pariu para tamanha hipocrisia e cinismo!

    1. Há limites para o “fazer tudo”.
      Putin também invadiu a Ucrânia, deitando às urtigas 80 anos de direito internacional, alegando que “fazia tudo” para “proteger os cidadãos” russofalantes do Estado vizinho. Como Hitler com os Sudetas, etc, etc.
      Se for preciso, este canalha (como o outro) pega fogo à Europa inteira. Bibi presta-se ao mesmo no Médio Oriente, da Síria ao Catar: guerra a mais ou a menos, é-lhe absolutamente indiferente desde que aspire o aroma do napalm ao amanhecer, como dizia o outro. Não há nele um átomo de compaixão humana, o que o torna irmão gémeo da camarilha do Hamas.
      Quando o argumento político estilhaça a autoridade moral, resta a brutalidade do instinto primário e o primado absoluto do mais forte, armado até aos dentes. A “civitas” sem alicerces civilizacionais equivale ao pior da selva.

      1. Os limites do “fazer tudo” são a Lei, quando esta é respeitada e tolerada de parte a parte. Sem este entendimento os limites são a força e a imaginação. Selva, portanto.

        Comparar a guerra de Israel com a da Russia é um exercício onde, para mim, apenas as mortes são pontos de contacto. Israel luta para defesa de existência, a Rússia faz guerra por imperialismo.

        Putin pode dizer o que quiser, tudo mais não será que mera retórica. Só o imperialismo o motiva e a força o desmotiva. Quem lhe acenar com a Lei, o Direito, poder ter a certeza que vai cair da varanda ou levar com um míssil é o destino mais certo.

        1. Falar de lei e respeitabilidade dessa num contexto em que a guerra impera, é a anedota mais hilariante ouvida na minha vida.
          Mas mesmo fora desse cenário. Nunca, em parte alguma, a aplicação de lei é sinónimo de que a justiça foi feita. Por vezes acontece, mas mais por acaso do que por objetividade.

  4. Nao tem mesmo noção do que fala, mas não é surpreendente. Comparemos com o combate contra Bin Laden ou a ISIS? A conquista de Mosul como foi feita?
    Mas como o combate contra a ISIS e Bin Laden foi censurado pela pior profissão que existe, tal como hoje censuram o uso de mísseis com carga de clusters contra cidades Israelitas – imagine-se o que seria contrário- ou o seu uso pela Ucrânia assim como minas anti pessoais a voltarem a serem usadas pelos pelas democracias bem pensantes depois de terem passado duas décadas a dizer que é crime de guerra pelos activistas das redacções.

    Já agora não se ve nada sobre um Governo espanhol que incentiva assédio e intimidação. Diz que é Estado de Direito?

    1. Você aplaude a Lei de Talião, eu considero-a um macabro retrocesso civilizacional.
      Você aplaude os crimes dos “seus”: actos que para si só seriam crimes se fossem praticados pelos da trincheira oposta. Para mim, a única trincheira é a que separa a civilização da barbárie. E um crime é sempre um crime, tenha a cor ideológica que tiver.
      Daí estarmos totalmente em desacordo.

    2. Isto parece escrito por alguém que viu três documentários de guerra no YouTube, baralhou Bin Laden com Mosul e ainda se esqueceu de pôr legendas nas ideias. Denunciar “censura” enquanto despeja clichés sobre rockets e minas soa a discurso de taxista conspirativo às três da manhã. A parte final sobre o “Governo espanhol” é tão vaga que faz lembrar um SMS de ex embriagado: indignado, mas sem ponto. No fim, sobra mais espuma do que substância — e nem isso dá para lavar a cara ao texto.

  5. Quer isso dizer que as “assassínios meticulosos e premeditados” de Reinhard Heydrich, do Almirante Yamamoto, ou de Bin Laden e Al-Zarqawi foram “actos de barbárie que menorizam e quase banalizam os hediondos crimes iniciais” destes senhores (o Holocausto, Pearl Harbour, o 11 de Setembro). E que, se um governo ocidental conseguisse a proeza de fazer a Vladimir Putin aquilo que ele fez (indiscutivelmente) a Dzhokar Dudayev e (alegadamente) a Boris Nemtsov, Anna Politovskaya, Boris Berezovsky, Aleksandr Litvinenko e Alexei Navalny (entre muitos outros), isso seria “uma catástrofe moral, sem paliativos de qualquer espécie”?

  6. Entre o Hamas e Netanyahu que venha o Diabo e escolha…

    Perante o ataque soez perpetrado pelo Hamas em Outubro de 2023, Israel usufruiu naturalmente do direito de se defender, prerrogativa essa, que assiste a qualquer Estado, em situações semelhantes.

    Mas depois disso, Netanyahu, em nome do Estado de Israel, tem vindo a empreender acções que em nada diferem da barbárie imposta pelo Hamas.

    No fundo, Netanyahu e a organização Hamas são “farinha do mesmo saco”: não têm qualquer pudor em matar inocentes e em cometer outros crimes hediondos que, na verdade, nada terão a ver com o Povo Israelita e Palestiniano, que dizem representar. Na realidade, Netanyahu e Hamas acabam por ser “compagnons de route”, unidos por desígnios semelhantes. O pior é que entre um e os outros, existem seres humanos alheios àquelas duas figuras sinistras, ávidas de sangue e de morte.

    O melhor que poderia acontecer ao Mundo seria enviar Netanyahu e todos os elementos do Hamas para um qualquer Planeta bem longe da Terra… De preferência, para o mesmo Planeta…

    1. A legítima defesa é um imperativo moral. E um direito que deve ser exercido com meios proporcionados e para impedir um mal maior.
      Quando esse direito se pratica de modo totalmente desproporcionado, transformando-se num massacre de dimensões inequívocas, a legitimidade extingue-se. E a legítima defesa muda de campo.

      1. Uma nova forma de guerra bárbara nunca vista na História nasceu do jornalismo moderno.

        Ao longo da história os combatentes protegeram mal ou bem as suas populações dos maiores males da guerra, num acto final a rendição de um dos combatentes. Aqui passa-se o contrário.

        A entidade combatente de um dos lados ganha poder politico ao escolher não defender – por causa do jornalismo moderno – a sua própria população.
        A entidade combatente do outro lado perde poder politico – por causa do jornalismo moderno- por ter poucas baixas devido a ter escolhido defender a própria população.

        Esta é a barbarie que o jornalismo moderno ajudou a nascer.. A condenação pelo jornalismo das vidas Israelitas salvas por causa do ódio do jornalismo á civilização.
        Que o jornalismo não negue depois do tipo de guerra que criou.

        O imperativo moral é destruir o Hamas.

        1. A própria ideia de “estado palestiniano” e a existência de um “povo palestianiano” (que na verdade nunca existiu) é uma ideia jornalística, forjada nos gabinetes de imprensa dos partidos comunistas.

          E agora, novamente a reboque do jornalismo árabe e dos franceses ir reconhecer a existência de uma não-coisa e nem sequer terem consciência de que a solução dos 2 estados é precisamente a causa da situação actual… parece-me uma desgraça absoluta.

          Curioso o facto de, mais uma vez, esta situação estar a ser provocada pelos franceses, que pelos vistos estão sempre do lado mais estúpido e mais oportunista da História.

          1. Partidos comunistas esses que foram dos primeiro a reconhecer e apoiar Israel.
            O nome palestiniano pode não ser comum nos anos 1940, mas os árabes da região existiam, ou foram uma invenção? Também não havia “povo israelita”: houve judeus, em boa parte emigrados que fndaram o Estado de Israel. Assim, o sentimento de nação palestiniana não é muito posterior ao que levou à criação do moderno estado de Israel.

            1. Como é evidente. Se já não há filistinos propriamente ditos, daqueles originais em quem Sansão cascava, também só há lusos entre as brumas da memória ou gauleses nos astérixes – mas lusitanos e gaulois somos e seremos, n’est-ce pas? É assim que a coisa funciona nas míticas das nações.

            2. E disso deviam lembrar-se logo em primeiro lugar os israelitas: antes de o serem, foram uma nação sem estado, dispersa pelo mundo, mas com um mito fundacional literalmente a toda a prova…

  7. A vingança indiscriminada atingiu uma dimensão impossível de justificar ou considerar equitativa à agressão inicial. A extinção do Hamas não pode ser conseguida à custa da extinção da população, que tem vindo a ser usada como escudos humanos, não havendo desculpas para a surdez dos políticos Israelitas, imunes e completamente indiferentes a soluções alternativas. Foram quase arrasados no passado recente pelo projecto de um louco, mas tais ignomínias não podem, nem devem, ser passadas a outrém, substituindo-se fornos crematórios por mísseis e artilharia pesada. Matança sem sentido, se é que alguma vez o teve,
    combustível para um futuro imprevisível para a região, quiçá para o mundo civilizado.

    1. Bibi já mandou acender fogueiras bélicas da Síria ao Catar, cortou todas as vias de diálogo, acredita que lhe basta o apoio da Casa Branca para prosseguir nesta alucinante desfilada rumo ao Apocalipse. Absurda e cega crença: o “amigo americano”, se lhe for conveniente, procurará outros aliados. Como tantas vezes já fez noutros tempos e noutras latitudes.

  8. Não é só Gaza. Os palestinianos da Cijordânia estão a ser expulsos da sua terra e aí não há a desculpa do 7 de Outubro.
    Claro que se alguém se rebelar contra o roubo da sua terra e morrerem civis israelitas, toda a gente se lembrará que é um atentado terrorista. Se não houver atentado, então está tudo bem, podem-se construir colonatos à vontade.

    1. Todo o histórico território bíblico é uma tragédia há longos anos anunciada – e consumada por protagonistas vários, criminosos de vários credos e dos mais diversos matizes. Há mais de cem anos que ali se instalou um barril de pólvora.

      Este é tempo de falcões, não de corujas. Muito menos de pombas. Vivemos os tempos mais perigosos desde a II Guerra Mundial: infelizmente alguns alegram-se ao ouvir os tambores bélicos e vitoriam os cavaleiros do Apocalipse. Como em 1914, como em 1939.

      1. eu ao menos, limito-me a atirar pedras verbais às duas bestas do Apocalipse , a da terra e a do mar , eeuu e israel , à espera que à hubris desses bandalhos se siga a castigadora némesis.
        Obrigada por Gaza

    2. o jo esquece-se que durante o Mandato Inglês os judeus (na sua maioria ashkenazy, russos) começaram a comprar terrenos em toda a Palestina, sobretudo na zona onde é actualmente a Cisjordânia.

      A zona com menos propriedades detidas por judeus era precisamente junto ao Líbano, onde os ingleses imaginaram que poderia acolher os árabes e onde seria lógico que um estado árabe poderia ser estabelecido sem complicações territoriais. Na altura não havia ainda a Jordânia (nem a Síria, creio) e seria possível que o Reino Árabe se pudesse estender para leste até Bagdad e transformar-se num país próspero, mesmo com um deserto no meio. Acontece que os franceses, sábios como sempre, e das acções dos quais normalmente só resulta batatada, invalidaram essa opção, obrigando os ingleses a começar a empurrar o assunto com a barriga até que a ONU, que consegue ser mais estúpida ainda do que os próprios franceses, se sai com a ideia de 2 estados em territórios onde a maioria dos terrenos já tinham sido comprados por judeus para estabelecer colonatos à maneira dos soviéticos.

      A borrada começa aqui. E pelos vistos, agora que já há muito mais gente estúpida do que havia na altura, parecem estar prontos a querer repetir a façanha e reconhecer um estado a um povo que não existe, não tem cultura nem instituições, só hospitais improvisados para serem fotografados pela imprensa pró-islâmica, e que como tal não tem possibilidades de construir um país próspero. Serão sempre dependentes, ou de ajuda internacional ou do dinheiro, das armas e do ódio que vem do Irão comunista e fascista.

  9. Saúdo o teu post Pedro. Evitei escrever sobre este assunto depois do meu post sobre o 7 de Outubro porque qualquer comentário meu seria sempre acusado de ser do “meu lado” ou algo de semelhante.
    Que o Hamas é liderado (e em grande parte constituído) por facínoras criminosos e anti-semitas da pior espécie, não restarão dúvidas a qualquer pessoa que pense. Que Netanyahu está nisto só a tentar manter-se no poder para evitar cadeia para ele e família e não lhe interessa muito quantas vidas (seja lá onde for ) sejam perdidas, parece-me igualmente óbvio. Que os fascistas que o apoiam (sim, fascistas, os seus actos e palavras denunciam quem e o que são) estão em busca da erradicação de não judeus do território de Israel, seja em Gaza, seja na Cisjordânia, isso está documentado.
    Só que estes são “apenas” facínoras (eu sei que me repito, mas não gosto de lhes chamar monstros, são muito humanos) que têm ódio em excesso mas que, se deixados à sua sorte, lutariam com paus e pedras quando se acabassem as armas e munições. De certa forma, piores são os que lhes possibilitam a possibilidade de continuar a fazer o que fazem. Os EUA (Biden antes, Trump agora), o Irão. Outros em volta.

    Os números do exército israelita apontam para à volta de 200 mil vítimas entre mortos e feridos. 10% da população de Gaza. E são números de certeza muito por debaixo (como por debaixo – de escombros – estarão os que não foram ainda contados). Os sobreviventes são também vítimas, pelo menos morais ou psicológicas. E Israel poderá eliminar o Hamas, mas acabará por criar um exército de um milhão de palestinianos que estarão dispostos a tudo para matar judeus no futuro. É isto que a barbárie causa. Mais barbárie.

    1. Coisa rara, concordo com as premissas (apesar de discordar da conclusão, porque esse “exército” já existe há muito). O meu corolário é diferente: é o de que é muito provável que, após as próximas eleições, os fascistas (Smotrich e Ben Gvir) percam importância, e que o abjecto Bibi perca o poder e até vá preso, ao passo que é impossível que o Hamas perca o controle de Gaza, salvo se for erradicado (coisa que, aliás, nunca interessou ao abjecto Bibi, e aos fascistas, bem pelo contrário: foram Bibi, os fascistas e o Hamas, actuando em conjunto, que destruíram o processo de paz, assassinando Rabin, derrotando Perez, prendendo Barghouti, e reduzindo Abbas à irrelevância). Dito isto, depois do 7 de Outubro (e sem prejuízo de concordar a 100% que “não aconteceu no vácuo”), não consigo exigir a nenhum governante israelita, por execrável e fascista que seja, que páre a guerra antes da libertação de todos os reféns (ou recuperações dos seus restos mortais) e da erradicação do Hamas. Seja porque é assim que as guerras funcionam (Gaza é um local aprazível comparado com Berlim, Tóquio, Dresden, Wurzburgo, Hiroxima ou Nagasáqui) e o Hamas não é o ANC: no preciso momento em que houver um cessar-fogo começará a planear mais uma operação de captura de reféns, para libertar os seus membros capturados nesta guerra. Tal como foi preciso gramar com o Estaline para libertar os alemães dos Nazis, é preciso gramar com o abjecto Bino para libertar os palestinianos do Hamas, o que, ao contrário do que sucederá, mais cedo ou mais tarde, em Israel, não vai lá com eleições e negociações (não sou o JPT deste blogue – clarifico porque, neste ponto, creio que discordamos bastante).

      1. Pode soar a curioso, mas concordo com basicamente tudo (e aquilo com que não concordo não é muito relevante). O mais importante para mim é ressalvar que a libertação dos reféns (dos quais grande parte eles estarão já mortos) não pode ser jogada em troca da morte de mais umas centenas de palestinianos. No entanto nem isso estaria em discussão, dado que o Hamas parecia pronto a libertar os restantes em troca de um cessar fogo (de que necessitam para suprimir os grupos armados que começam a surgir) até ao momento em que Netanyahu, desinteressado no mesmo, atacou os negociadores no Qatar.
        Não discordo minimamente que o Hamas deveria desaparecer, mas há que ser realista: mesmo que todo e qualquer elemento do grupo fosse morto nesta guerra, haveria um milhão de palestinianos em Gaza prontos a levantar-lhes a bandeira para ressuscitar os seus objectivos. Mesmo sem um único actual membro para os motivar. A radicalização foi feita por outros.
        É isto que sucede quando se promove o vácuo. Sem Hamas e sem alternativas ao mesmo (que é aquilo que Netanyahu andou a planear há muitos anos) o governo israelita pode justificar a guerra. Tocou no seu texto num ponto importante: Barghouti. Com ele, talvez fosse possível fazer alguma coisa, mas as histórias sobre ele só surgem quando é preciso fazê-lo sofrer para manter os palestinianos furiosos. Se ele fosse libertado, mesmo em regime condicional, talvez se pudesse fazer alguma paz e, quiçá, construir alguma coisa em Gaza. Mas a cada dia que passa ele vai-se tornando menos um homem e mais um destroço humano, cujo valor é apenas simbólico. O que só serve a Hamas e aos radicais israelitas.
        Nisto sofrem hoje os palestinianos. Amanhã voltarão os israelitas a sofrer. É tão inevitável como as estações. E dura há décadas numa continuação de séculos.

        1. O Hamas e Bibi têm de ser eliminados para haver alguma hipótese de este ciclo cessar. Infelizmente, têm de ser um de cada vez, e o Hamas, necessariamente, primeiro (pois já mostrou como actua perante os “pacifistas” Rabin, Peres e Barak – e daí a sua relação simbiótica com Bibi). Quero acreditar que Bibi irá a seguir, pois os israelitas não perdoarão o que deixou acontecer em 7 de Outubro. Aí, haverá uma nova janela de oportunidade, esperando que, desta vez, não haja um novo Hamas (daí a sua derrota ter de ser total e traumática, como as da Alemanha e do Japão na 2.ª Guerra Mundial) e um novo Yigal Amir.

          1. Não subscrevo nem deixo de subscrever. Não tenho respostas nem soluções, não sou esperto o suficiente para isso. Nem sequer para dizer qual o mal menor. Simplesmente não o sei.

            Esqueci-me de adicionar isto no meu último comentário o que, infelizmente, tinha sido o aspecto mais importante que queria lá colocar…

            1. “Saber” ninguém “sabe”, mas podemos “ter uma fé”, sustentada no facto de um acordo de paz ter estado prestes a concretizar-se, não fossem uma selvagem ofensiva bombista do Hamas, o incitamento à violência por um abjecto demagogo, e as balas de um jovem fanatizado (por esta ordem, o que é importante para a análise do caso presente).

      2. Não têm mesmo noção do que falam.

        Só deixo aqui uma pergunta:
        A Autoridade Palestiniana do Abbas paga a qualquer Palestiniano que mate Judeus?

        É que quando as fontes de informação são a pior profissão que existe: jornalismo….

        1. Não percebo. Acha que os árabes da margem ocidental do Jordão devem assistir a uns lunáticos religiosos roubar-lhes a terra e a dignidade sem fazerem nada? Era isso que faria no lugar deles? Acha que os lunáticos religiosos do Hamas são maus, mas os lunáticos religiosos saudosos do Dr. Baruch Goldstein são bons? Acha que o Pedro Sanchez é mau por usar os palestinianos para distrair os lorpas da sua corrupção, mas o Bibi é bom por usar os palestinianos para distrair os lorpas da sua corrupção? Já que sabe tanto, acha que, a longo prazo, é viável um estado judeu que não consiga um “modus vivendi” com o mar islâmico que o rodeia? E acha que esse “modus vivendi” é possível com o método Bibi: a fingir que 5 milhões de árabes não existem e podem continuar indefinidamente a viver em reservas, ou fazer as malas e ir viver para o Golfo? Não lhe parece que, pela mera acção da aritmética, sem esse “modus vivendi”, mais século, menos século, Israel se juntará ao Reino de Jerusalém, ao Condado de Edessa, ao Condado de Tripoli e ao Principado de Antióquia, e os seus habitantes, aos 6 milhões de mártires da Shoah?

    2. > Que Netanyahu está nisto só a tentar manter-se no poder para evitar cadeia para ele e família e não lhe interessa muito quantas vidas (seja lá onde for ) sejam perdidas, parece-me igualmente óbvio. Que os fascistas que o apoiam (sim, fascistas, os seus actos e palavras denunciam quem e o que são) estão em busca da erradicação de não judeus do território de Israel, seja em Gaza, seja na Cisjordânia, isso está documentado.

      Você leu isto nos jornais, calculo — ou tem fontes directas dentro de Israel? Leu nos jornais, umas coisas escritas por jornalistas de esquerda com fontes em “jornalistas” árabes que são veiculadas pelo gabinete de imprensa do PCP. Portanto deve estar certo.

  10. Dicotomia : um Estado que se defende do aniquilamento e defende e protege a sua população – ou um grupo Terrorista Islâmico “branqueado” por toda a ” esquerdalhada ” do mundo dito ocidental…
    Quanto ao canalha infame, o Sanchinflas aqui do lado, nada que espante de um arrivista ignaro, incompetente e corrupto ( um SUCIAlista tipico, enfim…) que viveu anos e anos a expensas dos negócios ” prostibulares del suegro” , que tem a mulher , o irmão, Ábalos, Koldo, Garcia Ortiz ( chefe do Ministério Público lá do sítio ) imputados , Santos Cerdán ( deputado e ex-Secretário Geral do PSOE ) em prisão e ainda alguns ministros a ser investigados. Não é um Governo , é uma quadrilha , à la Bombero Torero.
    Vai-se aguentando graças aos erros crassos de 78, que permitem a chantagem de Bildus, Podemos,Junts , Ercs, Pnvs e ,até, do minúsculo e ridículo Bng .
    Cede a tudo e prostitui-se, prostituindo o Estado Espanhol , a troco de lhe permitirem ir-se mantendo em Moncloa e ir adiando , não evitando, a fatal condição de réu .
    Para a realidade espanhola, é da mais elementar precaução
    evitar o esfregão em que tornou o “El País” e o esgoto abjecto que é RTVE , e tentar obter informação de meios não afectos , melhor dito dependentes/financiados , pelo Regime.
    JSP

  11. Jamais ceder aos terroristas !
    Israel é um estado livre e democrático ao contrário dos seus vizinhos que vivem na idade média.
    Israel desde que nasceu vive em guerra que não começou e tem o direito e o dever de se proteger.
    Com terroristas não pode haver condescência estejam onde estiverem.

      1. Vindo de uma mulher isso é muito revelador do quão perto estamos da obliteração total.
        Não se dialoga com terrorista, eles só (e os que os apoiam) só aprendem duma maneira, bombardeá-los até ao Inferno.
        Infelizmente as quintas colunas estão presentes em todo lado mas também serão as 1ªs a ser obliteradas pelos invasores terroristas.

    1. “Israel é um estado livre e democrático” Muito bem, se é livre e democrático tem o direito de fazer o que quiser (será a democracia a funcionar) incluindo matar e destruir, sobretudo os que ainda não perceberam que deviam praticar a democracia (sobretudo aquela ao estilo de Israel).

  12. Desde o início se percebeu, quem quis perceber, que não há “guerra”, há uma expedição punitiva com o único intuito de destruir. Quando Israel quer quebrar o Hamas usa os tais “ataques cirúrgicos “, não anda a explodir edifícios.
    Mil, dez mil, um milhão de vítimas, refugiados ou estropiados, são meros números estatísticas, nunca existiu uma linha inultrapassável ou uma proporcionalidade. Inicialmente defensores de Israel agiam como se matar 1000 civis tudo bem, 1001 é que seria condenável.
    Em ambos os lados há demasiada gente pouco interessada na resolução do conflito, enquanto assim for será à lei da bomba.

  13. Já agora, podíamos parar de fingir que existe isso do Direito Internacional. Leis que não são reconhecidas, e muito menos cumpridas pelos fortes, não constituem Direito do que for.

    1. O direito internacional proporcionou a vastas regiões do mundo 80 anos de paz, progresso e prosperidade – sem par na história da vida humana.
      Renegar esta conquista civilizacional em nome de cartilhas ideológicas ou de modas políticas passageiras é uma rematada estupidez.

      1. O direito internacional é uma formalidade dos fortes para manter os fracos em sentido sob o signo da “lei”. Os EUA mandaram abaixo um barco em águas internacionais porque sim. Os russos voam constantemente em céus de outros países. Israel bombardeou uma nação soberana, Qatar. Direito internacional, fica onde?

        1. Direito internacional não desapareceu porque os EUA, a Rússia ou Israel o violam; ele continua a ser precisamente o mecanismo pelo qual essas violações são registadas, contestadas, arrastadas em tribunais e dissecadas em resoluções que lhes custam milhões em diplomacia, sanções e credibilidade. Só os ingénuos ou os ressentidos acham que poder sem lei é sustentável.

  14. “O Estado de Israel, bem ou mal, passou a considerar que a auto-defesa não era suficiente para neutralizar as ameaças e adoptou uma doutrina diferente, considerando que só a destruição ou enfraquecimento das ameaças garantiam a protecção dos seus cidadãos (daí que os comentários sobre a desproporção da reacção israelita ao ataque do Hamas estejam fundamentalmente erradas, a guerra de Gaza não é uma retaliação pelo ataque do Hamas, mas uma tentativa do Estado de Israel neutralizar uma ameaça real à segurança dos seus cidadãos).”
    (Henrique Pereira dos Santos no “Corta-fitas”.)
    Felizmente ainda se encontram pessoas lúcidas e com bom senso mas a desproporção para os sonsos de pouco préstimo (disfarçados de poetas às vezes), os idiotas úteis (em sentido lato), os activistas do umbigo ( inclui “as”) e os que não sabem que há mais para além do que sabem, é de tal forma avassaladora que conduz ao desespero e estimula a desistência.

    1. O anti-semitismo e o anti-sionismo são um dos muitos encantadores pontos de contacto entre a extrema-esquerda e a extrema-direita (ou até a direita tradicional, em países como a França, a Espanha ou a Irlanda). Foi o anti-islamismo (fruto da imigração) que mudou esse posicionamento tradicional.

      1. Na minha (limitada) perspectiva, o anti-semitismo é muito mais transversal, da extrema esquerda à extrema direita, e pouco terá a ver com posicionamentos políticos. É como o racismo (seja de que tipo for), quando existe não depende do posicionamento político.
        O que se terá passado no pós-guerra foi o alinhamento de Israel com os EUA (por motivos óbvios) e de muitos países árabes com a URSS (algumas vezes por motivos ideológicos, noutras por conveniência). Isto terá ajudado a associar o anti-semitismo com o comunismo (já o estava por motivos óbvios com o fascismo). O centro (incluindo mais à esquerda ou direita) nao precisava de se pronunciar, dado que um estado judeu lhes resolvia as dificuldades: era simultaneamente justo e conveniente.
        Só mais recentemente isto tem mudado.

  15. Barbarie!!!??? É uma palavra fofinha para o que está a acontecer em Gaza!!! A palavra que melhor se adapta a realidade de Gaza, é genocidio !!! Mas nao sei porquê o jornalismo em Portugal anda a branquear o que a democracia israelita está a fazer, como a UE. Putin ao pé de Netanyau é um anjinho!!! O que se diria se o Czar Putin deixasse kiev em ruinas

  16. Israel está em guerra com o Hamas. É sem dúvida uma guerra muito desigual:
    – Israel é uma democracia e tem que dar conta das suas acções aos seus cidadãos, enquanto que o Hamas é uma ditadura terrorista que controla e se apodera dos recursos internacionais enviados para Gaza, sem dar contas a ninguém.
    – As investidas em Gaza por parte de Israel, tendo como alvo as instalações militares do Hamas (escondidas debaixo dos hospitais e das escolas) provocam a morte a muitos palestinianos, enquanto que os terroristas do Hamas visam deliberadamente raptar, violar, torturar e matar os civis israelitas.
    – Israel constrói abrigos para a sua população enquanto que o Hamas constrói túneis para os seu guerrilheiros, e impede a população de Gaza de os utilizar.
    – Os soldados Israelitas usam uniformes que permitem a sua identificação, enquanto que os terroristas do Hamas se escondem atrás das suas mulheres e crianças.
    – Israel distribui comida aos habitantes de Gaza, enquanto que os terroristas do Hamas negam comida aos reféns que têm em seu poder (e também os matam de numerosas outras formas).
    E poderia continuar…
    A estupidez da comunicação social (e das acéfalas boas almas que populam o ocidente) faz com que a morte real ou imaginada (sim, reportadas pelo insuspeito ministério da saúde de Gaza) de cada palestiniano seja um trunfo para o Hamas.
    Quanto a mim, à excepção de ataques deliberados a civis, todas as investidas de Israel em Gaza ficaram automaticamente justificadas na infame investida de 7 de Outubro. A guerra termina com a rendição incondicional do Hamas e o retorno de todos os reféns a Israel. Ambas as condições dependem apenas do Hamas.
    Parafraseando Douglas Murray, um dos meus jornalistas/autores preferidos, quando se está perante um incêndio não se extingue apenas 70% do fogo. Extingue-se o incêndio na totalidade.

    PS- Os palestinianos inocentes, se existirem, tiveram o azar de ser governados por bestas terroristas. Assim como os alemães inocentes tiveram o azar de serem governados por um louco como o Hitler, durante a Segunda Grande Guerrra. Só no bombardeamentos a Dresden terão morrido cerca de 20 mil civis alemães. Será que esses bombardeamentos foram injustificados? Talvez fosse melhor ter deixado apenas 20% de nazis na Alemanha… 🤔
    PS2- vou ligar o Iron Done para me defender dos ataques dos numerosos anti-semitas que populam por aí…

    1. Náo é uma guerra. É um genocídio. Enquanto matam uma população à fome, snipers matam pessoas pelo crime de procurarem comida
      Já todos percebemos que o Bibi se está a borrifar para os reféns. Esse seu PS mostra bem o pensamento sionista. Defendem alegremente o extermínio de uma população.
      Israel são os nazis dos Sec XXI

      1. todos menos os que acham que têm uma costela judaica , ou que são judeus, e partilham uma natureza especial diferente da alma dos comuns mortais ou goyns.

      2. É curioso que ao longo de 2 anos de guerra em Gaza, e mesmo sendo conhecido que o Hamas teria cerca de 50000 combatentes antes do 7 de Outubro, ainda só tenham morrido civis inocentes e o chefe deles que levou com um míssil na pinha lá no Irão… Ainda não morreu um único combatente do Hamas.

  17. Este é um tema verdadeiramente doloroso para mim, indefectível apoiante que sempre fui do direito à existência e à defesa do Estado de Israel, nos termos de partilha do território decididos pela ONU e aceites por Israel.
    Isso apesar de conhecer, por exemplo, o teor da “Carta aos Editores” publicada no “New York Times” cerca de dois meses antes das primeiras eleições israelitas, subscrita por Einstein e Hannah Arendt (entre outras 27 personalidades judaicas). Nela alertavam para a natureza do Partido da Liberdade, de Begin, que consideravam muito semelhante, na sua organização, métodos, filosofia política e apelo social, aos partidos nazi e fascista – definidos pelo método e não pela etnia -, já que também propunha os conceitos de ultranacionalismo, misticismo religioso e superioridade racial.
    Mas o certo é que Begin não ganharia essas primeiras eleições, em Janeiro de 1949, nem as sete eleições seguintes, pelo que logicamente se concluía que tal ideário era encarado como uma anomalia pela grande maioria dos israelitas.
    Só em 1977, Begin e o renomeado Partido Likud alcançaram o poder, começando então a avolumar-se a bola de neve sangrenta que rolava em direção ao objectivo do Grande Israel, proposto pelo programa do Likud logo em 1977: “Entre o Mar e o Jordão, apenas existirá a soberania israelita”.
    Rabin, o falcão tornado descrente dos benefícios de uma guerra sem fim à vista, seria assassinado por um judeu ultranacionalista – e não por um terrorista afecto ao ideal da Grande Palestina, como muitos parecem supor.

    Agora, quando vejo imagens que me parecem tiradas de um qualquer filme B de invasão alienígena, com os inumanos bípedes e armados até aos dentes a acabarem com os miseráveis sobreviventes de todas as idades, caçando-os entre os escombros; e oiço uma retórica justificativa estúpida e ignóbil, a roçar o satânico – lembro-me da “Carta aos Editores”, que bem poderia ter sido escrita pessoalmente pela mítica Cassandra…

    E também me lembro de ouvir o José Mário Branco, em 1997, no seu poema “Shalom Palestina (carta a Hannah Arendt)”, e ter pensado que os homens de causas, como ele sempre foi, tendem a exagerar um bocado.

    Israel tornou-se uma caricatura aberrante de si mesmo, um Povo Eleito que em pleno século XXI leva a sério a dita “eleição” – uma teocracia supremacista, portanto.
    E todo este frenesim de morte e destruição sem que se perceba claramente o que pretendem de facto os israelitas: chacinar crianças, inocentes em sentido absoluto, aos milhares, e participar no Festival da Eurovisão?!

    O que Israel está a praticar impunemente perante os nossos olhos é imperdoável.
    Quanto a mim, parafraseando o Simon Wiesenthal em “Os Girassóis”, só posso dizer que ninguém pode perdoar em nome das vítimas.

    1. > Israel tornou-se uma caricatura aberrante de si mesmo, um Povo Eleito que em pleno século XXI leva a sério a dita “eleição” – uma teocracia supremacista,

      Não concordo. Israel é uma democracia, que funciona, apesar de manter também um lado organicista e religioso — mas que está mais confinado a tribunais que têm uma jurisdição específica. Mas Israel tem gente de todo o mundo e é tão racista como os moradores da Av. de Roma.

      Se você for para a Av. de Roma fazer barracas e atirar pedras e mísseis para as janelas dos burgueses, eles também arranjam uma maneira de correr consigo. Não sei se já reparou que já não se pode estacionar na Av. Roma e arredores. É só para “moradores”, que não compraram a rua tanto quanto sei, mas conhecem gente na CML. Portanto, o resto dos lisboetas não pode usar a maior parte das ruas da freguesia de Alvalade. É só para os ricos que lá moram. Os ricos não gostam que os pobres os chateiem, com os seus perfumes baratos e com os seus gostos vulgares. Podem ir lá limpar a casa, mas depois à noite têm de sair e voltar lá para Loures ou coisa assim. É racismo? Não sei, mas é o mundo que os socialistas e os sociais-democratas estão a construir aqui em Lisboa. Muros, arame farpado e guardas armados? É só esperar mais uns anitos.

  18. O objectivo é exterminar os palestinianos. E vão conseguir. À vista de todo o mundo. Os bárbaros não são (apenas) aqueles povos invasores e lá muito de trás.

    1. Há barbaridades cometidas por todas as ideologias, todas as etnias, todas as crenças, todas as trincheiras políticas.
      Não faltam, infelizmente, “inabaláveiis” princípios de geometria muito variável que aceitam e até aplaudem atrocidades, desde que sejam cometidas por gente da mesma trincheira contra a trincheira oposta.
      Esta caixa de comentários é bem a prova disso.
      Não aprendem quase nada com aquilo que vamos escrevendo há mais de 16 anos.

      1. Na minha opinião, não existe nenhuma característica humana mais difícil de cultivar do que a honestidade intelectual. Entre outros escolhos, talvez porque reconhecer o erro das nossas convicções seja penoso em muitos aspectos, enquanto os fanatismos, mais ou menos “iluminados”, encontram sempre tribos onde se acolhem, são reconhecidos e gratificados.
        A honestidade intelectual é um anelo solitário, de quem não consegue ser de outra maneira, nem que o preferisse.

    2. > O objectivo é exterminar os palestinianos. E vão conseguir.

      Deixe lá, o objectivo do António Costa também foi extinguir os portugueses quando importou um milhão estrangeiros, sem contar com a tropa fandanga que vem dos PALOPs. E vai conseguir.

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