Pensamento da semana


Pedro Correia,

 

O país tripartido que emergiu das legislativas de Maio volta a bipolarizar-se nas autárquicas, cinco meses depois. As notícias da morte do bipartidarismo eram manifestamente exageradas.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO DE OPINIÃO durante toda a semana

146 comentários em “Pensamento da semana”

  1. Não sei se é uma comparação válida. Por parte dos eleitores, as autárquicas não têm nada a ver com as legislativas.

    Mas mesmo assim, e relativamente a 2021:

    O Chega ganha 500.000 votos

    O PSD ganha 20.000 votos e algumas câmaras históricas ao PS

    É incompreensível que o PS tenha ganho em Coimbra, depois da gestão que foi feita e que culminou com a re-introdução do “metro” (na verdade são autocarros) e algumas alterações no traçado dentro da cidade. A única coisa que explica o facto de aquela tipa que quando era ministra e geria os projectos aos quais as empresas do marido se candidatavam ter ganho é a propensão das pessoas de Coimbra para a trafulhice e o compadrio. É ali que nasce todo o “familialismo” (que é um fenómeno sociológico, não é uma constatação jornalística)

    O PS perde mais de 100.000 votos e todas as câmaras importantes, tirando Almada e Loures (e mantém estas duas exclusivamente por mérito pessoal dos presidentes e apesar das guerras que a esquerda montou contra o presidente da câmara de Loures)

    Enfim, o Portugalinho de sempre. Parabéns e vão todos para o caraças.

    1. Desfecho eleitoral nos dez concelhos mais populosos do País.

      PSD venceu seis:
      Lisboa
      Sintra
      Gaia
      Porto
      Cascais
      Braga

      PS venceu três:
      Loures
      Almada
      Matosinhos

      Vitória de uma lista suprapartidária (mas com apoio do PSD) em Oeiras.

      1. Exmo. Pedro Correia, não sendo eleitor por Coimbra vou lá regularmente e na verdade o Presidente José Manuel renovou a cidade com canalizações subterrâneas para grande parte da cidade para longos anos e transportes.Claro que as grandes obras chatearam muita gente durante anos.
        Exigiu trabalho, aquilo que o povo gosta!
        Não prometeu 1.000 casas subsidiadas.
        . Por vezes o povo é mal recomendado.

    2. Vale o que vale, deste mandato saem obras… e obras. O actual (ex) será o menos culpado, mas para o zé sobra um estaleiro e uma solução de transporte que… coiso. E o zé vota naquilo que vê.
      (Desgraçado do autarca que investe no saneamento)
      Verdade seja dita, entre Machados e Encarnações Coimbra estevd entregue aos bichos.

      1. Um estaleiro intransitável. Inferno até para quem a visita – quanto mais para quem aí mora ou trabalha.
        Com os autarcas que escolheu nas últimas décadas, quase sem excepção, Coimbra tornou-se cada vez mais irrelevante. Têm a mania das grandezas pretéritas e alimentam-se disso, sem perceberem o mundo em que vivem.
        O apogeu disto foi Machado, que chegou a reivindicar um aeroporto para Coimbra. Totalmente dissociado da realidade – e das prioridades.

          1. Efeito tiririca.
            O passado tem dito que é igual ao litro.
            A única diferença, a ver se faz diferença, é que o desempate já não é feito por cdu ou bloco.

  2. O partido que tem o segundo maior grupo parlamentar na Assembleia da República foi criado em 9-4-2019.

    Tem a velha idade de existência de 6 anos e alguns meses.
    Com esta idade, é só – o segundo maior representante eleito pelo povo português para o parlamento do país.

    A primeira vez que concorreu a eleições autárquicas foi em 2021:

    2021: 208232 votos 19 vereadores 0 câmaras.
    2025: 654011 votos 137 vereadores 3 câmaras.

    Com estes resultados em legislativas e autárquicas em apenas 6 anos de vida, é o descalabro, vai de derrota em derrota até……..

    Aguardemos as presidenciais.

      1. O Ventura e os seus apoiantes, parecem o Álvaro Cunhal e os comunistas,perdem,mas no fim da noite ganham sempre…

        1. Desta vez os comunistas reconheceram o resultado miserável. Depois de terem perdido mais onze câmaras:
          Évora
          Setúbal
          Grândola
          Alcácer do Sal
          Benavente
          Monforte
          Serpa
          Sobral de Monte Agraço
          Vidigueira
          Viana do Alentejo
          Santiago do Cacém

          Deixaram de ter qualquer câmara a norte do Tejo (a última foi Sobral, que votava comunista desde 1979).
          Deixaram de ter qualquer capital de distrito. Acabam de dizer adeus a Évora (onde ficaram em terceiro) e Setúbal (onde ficaram em quarto).

          1. Sobral de Monte Agraço, a minha terra terra maldita e parada no tempo, em boa hora mudou, o que me surpreendeu foi ter ganho o PSD.
            No entanto tem tudo para desenvolver.
            Uma vila que está igual à 30 anos.

            1. A gestão comunista gosta de ter as terras paradas no tempo. Daí o corte radical com as novas gerações.
              Hoje o Partido Comunista e o seu fictício apêndice “verdes” só controlam 12 das 308 câmaras portuguesas. Até nova e definitiva varridela, daqui a quatro anos.

            2. Vila Franca de Xira é um bom exemplo. Uma pessoa vai lá ao Domingo e está tudo fechado por imposição da Câmara. Gostava de saber se esse poder sobre propriedade privada, lojas, restaurantes, é constitucional. E se é não deveria ser.

            3. Ahhh. Bom então eu estava equivocado. Tinha a ideia de que o executivo era do PCP.

      2. Triplicou os votos em relação às autárquicas anteriores. Já nas europeias, quiseram fazer-lhe o funeral, pois compararam com as legislativas anteriores.

  3. Do mal, o menos…

    Podem dar-se as voltas que se quiser: o Chega saiu derrotado, isso é indisfarçável. Felizmente para a Democracia.

    1. Não há volta a dar: O PSD emerge como grande vencedor.
      Vence em votos.
      Vence em mandatos.
      Vence em número de câmaras municipais.
      Vence em número de juntas de freguesia.
      Triunfa (pela primeira vez) nos cinco concelhos mais populosos do País.
      Passa a liderar a Associação Nacional de Municípios.
      Passa a liderar a Associação Nacional de Freguesias.

      Parafraseando o outro, se isto não é vitória, onde está a vitória?

      1. Concordo, Pedro. O PSD foi, sem qualquer dúvida, o vencedor da noite de ontem. A “bipolarização” está de volta, o que motivou uma indisfarçável derrota do Chega e, sob esse ponto de vista, considero estes resultados autárquicos francamente positivos.

        Mas, e ainda assim, confesso que isso também não me deixa muito descansada. Por vários motivos, passei a olhar para a dita “bipolarização”, habitualmente protagonizada pelo PSD e pelo PS, com uma certa desconfiança, tantas foram as desilusões que me suscitaram esses dois Partidos Políticos ao longo dos últimos anos. Bom, em relação ao PS talvez não tenha chegado a ser real desilusão porque, na verdade, nunca confiei nos seus últimos líderes, mas pelo menos no início concedi-lhes o benefício da dúvida Veremos como se comporta o Governo de Luís Montenegro e se as trapalhadas de vária ordem não se repetem, como sucedeu nos últimos Governos do PS. A bem de todos, espero que não se repitam.

        A ética republicana não pode ser um conjunto de palavras vãs, sem efeitos práticos. Convirá não esquecer que os titulares de cargos políticos, onde se incluem os membros do Governo, estão sujeitos ao escrutínio do exercício das suas funções, a obrigações declarativas e a códigos de conduta, legalmente estabelecidos. E até existe uma Lei que aprovou o regime do exercício de funções por titulares de cargos políticos e altos cargos públicos (Lei nº 52/2019, de 31 de Julho). Temos boas Leis, mas e o resto? Veremos…

        1. O “rural” Montenegro (Marcelo ‘dixit’) consegue hoje ter mais lugares no parlamento do que qualquer outro partido, lidera o Governo nacional e os governos regionais, passa a liderar em municípios e freguesias.
          Como a democracia é feita de freios e contrapesos, talvez o “contrapeso” venha do escrutínio presidencial que se avizinha.
          É a democracia a funcionar. Está de boa saúde por cá – melhor do que em muitos outros países europeus, vale a pena reconhecer.

          1. Em termos de “ruralidade” o José Luís Carneiro bate aos pontos o Montenegro. Percebe-se que o Carneiro tenta lutar desesperadamente contra a postura que passa de alguém das “berças” que lidera um partido. Este PS vive o mesmo problema que o partido Democrata nos EU. Não consegue um “front man” capaz de mobilizar as massas. Enquanto isso vamos ter que aguentar o sorrizinho trocista e deveras irritante do Montenegro. Será que sou só eu que acha que o Montenegro quando fala está sempre a troçar de algo ou de alguém? Há ali uma sobranceria irritante sobre tudo e todos que um dia irá cair, quando encontrar um adversário à altura. Nessa altura ele irá falar com ar sério e eu vou gostar dele.

            1. A sua resposta diz mais das suas preferências do que o meu comentário.

            2. Um “front man” a breve trecho será dificil, mas as circunstancias talvez lhe acabem com a sobranceria irritante, como refere. O orçamento de 2026 já dá alguns indicios, a não ser que venha alguma “borla” que ajude.

            3. Valha a verdade: as derrotas de Lisboa e Porto e Sintra (as que mais custaram ao PS) são sobretudo de Pedro Nuno Santos, não de José Luís Carneiro, que já apanhou o comboio em andamento.
              Carneiro nunca escolheria Alexandra Leitão, que era braço direito de Santos. E ele próprio pensou candidatar-se ao Porto, sem grande confiança em Pizarro.

        2. Eu insisto: não se pode extrapolar um regresso à “bipolarização” a partir das autárquicas — e muito menos quando o Chega conquista mais meio milhão de votos do que em 2021. O Chega não ficou mais pequeno. Ficou maior.

          1. Quem extrapolou foi Ventura.
            Quem fez ligação imediata entre legislativas e autárquicas foi Ventura.
            Quem previu a conquista de 60 câmaras (depois diminuiu para 30) foi Ventura.
            Quem baixou de 1,430 milhões de votos em Maio para 650 mil em Outubro foi Ventura.
            O Chega é Ventura. Como voltou a comprovar-se.
            Em Janeiro haverá novo teste.

          2. O Chega ganhou 3 Câmaras Municipais. Acha que isso corresponderá às reais expectativas que o querido líder teria para estas eleições? Não me parece. Reparou no seu ar de “mimimi” ontem à noite? Estava bem espelhada a sua desilusão, nem sequer conseguiu disfarçar. Talvez seja melhor voltar a ser acometido por algum pseudo piripaque, pode ser que a vitimização daí decorrente lhe valha alguns votos. Na realidade, estes resultados estão a milhas do que se esperava no interior daquela agremiação. E ainda bem.

            1. A questão não é essa. A questão é estarem a congratular-se por uma derrota sectorial do Chega. Se pensam que o bicho está a morrer parece-me que mais adiante vão ter algumas desilusões…

            2. Já gastou a do piripaque, agora só se pagar a alguém para fingir que lhe vai às fuças… Deve ser o plano B.

            3. E entretanto, para ajudar a passar o tempo agradavelmente, podemos ir lendo o Mithá Ribeiro, ex-ideólogo da pocilga e adorador entusiasta do Grande Porqueiro, agora tão ressabiado que vomita sapos em jorro… Não há nada pior do que um amor traído, eheheh.
              O que ele escreveu no “Observador” é de rebolar de gozo. Eu li duas vezes, e só não li mais outra porque aquilo é comprido e porque é um bocado repetitivo – já se sabe, o azedume é sempre pouco criativo.

            4. Talvez tenha encontrado o iceberg da sua feia falua… Que o Mithá está mesmo zangado, se já não soubéssemos o alarve que é até tínhamos peninha dele. Disse numa entrevista na televisão, com voz embargada q.b., que “o Chega também é meu filho”! Parecia uma versão pai-alienado da “Comunhão de Bens” da Ágata, eheheh.

              Dá-lhe Mithá!

            5. Pois é, Zebra, um homem despeitado pode tornar-se muito conflituoso. Parece que estamos a assistir a uma telenovela mexicana onde o melodrama, o amor, a traição, os dilemas, a sedução, a vingança, a tragédia, o sentimentalismo intenso e exagerado ou os crimes passionais, têm presença obrigatória…

              De tanto implorar pelo colo, pelo carinho, pela atenção e pelo amor do Chega, Mithá Ribeiro cada vez mais se assemelha a uma personagem de um melodrama, vítima de rejeição e de abandono, injustiçado e sempre muito queixoso…

              Vir agora fazer o papel de “encornado” ou de “virgem enganada e ofendida” é só ridículo e muitíssimo risível… Na realidade, estão muito bem uns para os outros. E tudo isto espelha indelevelmente a “matriz ideológica” daquela agremiação…

            6. E sendo o Mithá o fornecedor dos gâmetas doutrinários para fecundar a tal de matriz ideológica de uma súcia de delinquentes e esquisitos, comandados por um oportunista delirante, bem se percebem as dores na testa… É bem feita: pensava que os ia usar e afinal foram eles que o mastigaram e cuspiram. Força Mithá!

  4. E como de costume, todos ganharam! Uns porque assim, outros porque assado, outros porque “resistem”, etc. Até a Mortágua amenizou o desastre com “um resultado modesto”. Já está a precisar de entrar numa outra flotilham na nossa esperança de que fique por algures de vez. Digo eu e mesmo alguns, muitos bloquistas.
    Boa semana!

    1. Mortágua funcionou como “aliada objectiva” de Moedas – para usar o jargão marxista.
      Cada vez que dividia o palco com a candidata socialista em Lisboa fazia o PS perder votos.
      Alexandra Leitão só teria hipóteses mínimas se a caudilha do BE tivesse permanecido embarcada até ao fim da campanha.

  5. Isto está tudo ao contrário: nunca jamais nos passou pela cabeça que o PS ganhasse a câmara de Viseu.
    O que passou-se?

      1. Se tivesse concorrido em coligação como Carlos Moedas em Lisboa tinha ganho, foi surprendente mas era de algum modo esperado devido ás candidaturas de CDS e IL e do CHEGA que teve quase o dobro dos votos de CDS+IL.
        Percebo o ponto de vista do Pedro Correia sobre o bipartidarismo mas isso é um desejo não uma realidade por mais que o Pedro Correia queira.

        1. A política não é feita de ses. Ruas, com a soberba típica de alguns dinossauros autárquicos, preferiu ir sozinho.
          Acreditou no mito: «Em Viseu é impossível a direita perder.» Enganou-se.

  6. Lembro-me de raciocínios idênticos após as eleições para o Parlamento Europeu, em Maio de 2024, quando o Chega teve 9,79 % e 386.705 votos (depois de, nas legislativas de Março desse ano ter tido 18,07 % e 1.169.836 votos). Passado um ano, vieram novas legislativas e teve 22,76 % e 1.437.881 votos. Creio que o bom senso manda evitar extrapolações a partir de resultados de eleições totalmente diferentes (à vezes, até no mesmo acto eleitoral: basta ver os resultados em Carnide para a Câmara Municipal e para a Junta de Freguesia). Reconheço que o primeiro a quem falta isso é o Ventura, mas porquê imitá-lo?

    1. Foi precisamente Ventura quem se apressou a “nacionalizar” a eleição autárquica ao tentar transpor, logo em Maio, a maioria que o partido dele obteve então em 60 concelhos para este escrutínio de Outubro. Depois baixou a fasquia para metade. Acabou por ter só um décimo dessa metade.
      Poucochinho, como diria António Costa – que muito fez para o crescimento do Chega.

      1. Foi até o que fez mais, não tenho dúvida nenhuma. O povo não perdoou o desperdício da maioria absoluta que lhe confiara, ainda por cima a defender com tiques de autocrata gozão as nódoas corruptas e incompetentes de que se rodeou. Quase (?) deu cabo do PS – mas acabou por conseguir o que de facto almejava. Um traste.

        E o Ventura que se cuide: estou em crer que foi uma mensagem muito forte a que esse mesmo povo lhe enviou, a ele Grande Líder em pessoa e em mão-própria. Afinal, se personalizou a campanha aparecendo em todos os cartazes, tantas vezes até mais destacado do que o próprio candidato!, foi também nele que não votaram, não pode haver outro entendimento. Chama-se sair o tiro pela culatra, ou ir buscar lã e sair tosquiado, é fenómeno conhecido.
        Também muitas vezes o primeiro abanão deixa os pés de barro dos ídolos tão fragilizados que nunca mais se recompõem completamente – veja-se o “caso Robles”, no BE, por exemplo. Talvez tenha sido esta a primeira entorse da agremiação chegana.

        1. Ventura até hoje não venceu nada.
          Concorreu a uma autarquia e perdeu.
          Concorreu a uma eleição presidencial e ficou em terceiro.
          Concorreu a quatro eleições legislativas e não ganhou nenhuma.
          Permanece em estado de virgindade absoluta nesta matéria.

    2. não ligue , evidentemente que tem razão , os tipos dos partidos confundem desejos com realidade, que é que quer ? e têm sonhos húmidos com a possível derrota do chega , a recuperação dos tachos obnubila-os.
      as autárquicas são eleições pessoalizadas , os candidatos do chega , na maioria , são perfeitos desconhecidos.

  7. Discordo , pelas seguintes razões:

    “n” listas são coligações, não são puro ps vs psd. Várias câmaras foram ganhas por independentes, algo que não se vê a nível parlamentar.
    Ainda só vi por alto, mas o psd sai como vencedor, pois ganhou “as mais importantes “. Perdeu os ditos bastiões, se calhar também só lhes faz bem. E aos concelhos.
    As notícias da Cheganização eram algo exageradas, o Bloco morreu e ninguém lhes disse, a CDU para lá caminha. Sobrevive, presumo eu, porque (ainda) são competentes na gestão autárquica.
    Nas minhas (ex) terrinhas, PsD venceu de goleada sem surpresa, e o PS reconquistou uma província PSD, com alguma naturalidade. Não que as gestões autárquicas alternadas de um e outro tenham sido algo de jeito…

        1. Leio neste blogue várias críticas ao poder local democrático. Alguns parecem preferir o tempo em que os autarcas eram designados por despacho governamental.
          À luz da Constituição de 1933, o presidente da câmara era nomeado livremente pelo Governo, e simultaneamente chefiava a administração municipal e era o representante do Governo na autarquia. Regime de centralização autoritária sem autonomia local.
          A intervenção do Governo chegava ao ponto de poder dissolver os corpos administrativos.

          1. Pois, isso não sei. Pessoalmente sou adepto do poder local, e sempre distingui do nacional. Se calhar porque fui criado numa freguesia pcp, sendo que meu pai (anti pc) votava sempre neles para a Junta, mas não para a Câmara.
            O que não invalida que aqui na terrinha laranja, rosa ou cor de burro quando foge tenha sido igual.

  8. As eleições autárquicas de 12 de outubro de 2025 foram a comédia trágica usual, um desfile de velhacos a fingir que renovam o país quando só querem manter o tacho. O PSD abarbatou 136 câmaras enquanto os socialistas ficaram com 127.
    Carlos Moedas repetiu a pantomima da reeleição com um resultado magrinho e com a certeza de que a cidade é um caso perdido.
    No Porto, a maioria das câmaras foi reconquistada pelo PSD/CDS/IL, decorando a árvore podre deste sistema com as mesmas velhas folhas mortas da política de sempre.
    O Chega fez a sua estreia em São Vicente, na Madeira, comprovando que o populismo rasteiro já não é só uma sombra à espreita — é uma praga a alastrar em territórios onde a política se tornou um jogo sujo e sem árbitros.
    A abstenção, com 40,72%, continua a ser o hino silencioso da resignação e do desdém com esta farsa eleitoral.
    A única verdade crua nesta merda toda é que isto não é democracia, é um teatro decadente: os mesmos rostos que prometem revoluções locais são os que assinam cheques em branco para manter o festim das negociatas, dos privilégios e do enredar nas teias do poder. O português, já farto, assiste a tudo a rir para não chorar porque sabe que, no fim, quem ganha mesmo é a corrupção, a ausência de ética e a hipocrisia manipuladora.
    Em suma: as eleições foram a confirmação de um país preso na teia de uma democracia que perdeu o sentido, um espetáculo onde a esperança é refém do atraso, e a voz do povo é a abstenção — o único voto que verdadeiramente incomoda os autarcas com mandatos vitalícios de fachada.

        1. Não preciso de olhar: eu conheço Alexandra Leitão.
          Magrinho foi o resultado da “frente de esquerda” em Lisboa.
          PS, BE, Livre e PAN, coligados, tiveram agora menos votos do que quando concorreram separados há quatro anos.
          Péssimo negócio para o PS, andar de braço dado com as manas Mortágua.
          Ainda está a sofrer os efeitos da pesada herança de Pedro Nuno Santos.

          1. O PS pode ter tido menos votos em coligação que o total anterior, mas para quem já tinha levado com a extrema unção, até foi um óptimo resultado.
            Conseguiu bloquear a maioria de direita e remeteu o Chega para o lugar dele pode-se dizer que o objectivo foi cumprido.
            Aguardemos serenamente até à eleição presidencial. Pode ser que aí o resultado já não seja magrinho.

            1. Oito pontos percentuais abaixo de Moedas, mesmo com recurso ao Livre, ao BE e ao PAN como “reforços”, não é desfecho magrinho: é esquelético.

        1. Nunca vi um partido que “ganha”, e aqui incluo o Bloco dos bons velhos tempos, a defender que foi uma vitória manchada pela abstenção e que na realidade reduzida parte da população lhes deu mandato popular. Já quando os outros ganham, a abstenção influencia a “legitimidade popular”.

          1. Neste caso é claro.
            Venceu o PSD: 135 câmaras, Associação Nacional de Municípios, Associação Nacional de Freguesias.
            No fundo está o Chega: 3 câmaras.
            Atrás de PSD, PS, independentes, comunistas e CDS.
            Mais abaixo só o BE, que em todo o país apenas conseguiu eleger um vereador, em Lisboa, à boleia do PS.

            1. Não sei o que isso tem a ver com o que escrevi. Apenas referi que quem perde refere a abstenção (que matematicamente costuma ser o mais votado) como ums mancha na vitória dos outros, quem ganha nunca o faz. Como as arbitragens. Aludindo a essa referência no 1⁰ comentário.

            2. PCP e Chega reconheceram (como não?) que os resultados ficaram muito abaixo das expectativas.
              BE não disse nada. Nem pode. Está ligado à máquina.

  9. Se a candidata do PS fosse loura e de olhos azuis tinha ganho a brincar ao Moedas com maioria absoluta, mas como era baixa e rechonchuda as hipóteses baixaram drasticamente, o que permitiu este bi partidarismo Lisboeta.

  10. Vencedores? PSD, sem duvida. Os outros perderam todos, mas… aqui vou eu. O Chega não pode ser comparável, nem às legislativas nem às anteriores autarquicas, o Chega ganhou mais que o que tinha mas menos do que queria.
    Outro foi a IL, com tanta coligação, ninguém sabe bem o que vale, mas lá está, em autarquicas não é facil partidos não instalados (anos de vida) terem sucesso.
    Quanto ao CDS-PP, ficou flat, nem ai nem ui. Sobrevive.
    A esquerda foi uma hecatombe, tirando o PS qua ainda se safou (embora derrotado), o resto foi por ali abaixo em queda livre.

    Foi isto, a mim nem aquece nem arrefece. Quando muda é para ficar tudo igual, já me chega de anos de vida para saber o que a casa gasta.

    1. Foi a primeira vitória eleitoral do PSD em 16 anos.
      E a primeira vitória em 40 anos do PSD em autárquicas quando também ocupa o Governo nacional e os governos regionais. A anterior tinha sido em 1985, com Cavaco Silva.

          1. Tá bem abelha! Mas pronto, as laranjas também são verdes antes de serem… laranjas.

            Afinal 15 a 20 anos são a métrica adequada aos seus fenomenos.

            Claro que só acontece porque os eleitores são todos uns parvos.

            1. É dissolver o povo e convocar eleições para escolher outro.
              Podem ser eleições marteladas, como no narco-estado da Venezuela. A clique central do partido decide.

            2. Isso de o povo ser parvo é afirmação oriunda de uma ilustre PSD quando o Costa ganhou a maioria absoluta, nunca se esqueça a origem da memorável frase.

            1. Pois foice, mas viveu que se fartou. E teve direito a um belíssimo funeral, creio que um dos mais concorridos, se não o mais concorrido, da história moderna portuguesa. Deixou por aí muita invejinha funerária.

  11. sao sempre possiveis diferentes versoes sobre o mesmo ato. Além do “preso por ter cao, preso por nao o ter “.
    Uma versao, portanto vale o que vale, fica assim confirmado que a terceira força é mesmo uma força de protesto, isto é, a base nao acredita que o autarquismo seja util para a conquista do poder.
    Ademais, como existe uma corrente que sustenta que o autarquismo é o cerne da corrupçao, nao pretendem contribuir para o alimentar, limpando-o/varrendo quando tiverem o poder governamental.

    1. Pedia-se um bocadinho de coerência a Pedro Correia. Se diz que o Chega foi derrotado por ter perdido “grosso modo” metade dos votos das legislativas, deve também dizer que o PCP foi o grande vitorioso pois teve “grosso modo” o dobro dos votos das legislativas.
      Claro que se comparar legislativas com legislativas, o crescimento do Chega é extraordinário para um partido com seis anos.
      Até Pedro Nuno Santos – é verdade, li co os meus olhos, criticou os que embandeiraram em arco com a “derrota” do Chega lembrando que esse é o percurso normal de partidos novos e citou como exemplo o “Rassemblement” de Marine Le Pen que adquiriu forte expressão nacional e só muito depois a teve em autárquicas- Até o Pedro Nuo Santos, repito, porque devia envergonhar muita gente

        1. Quanto ao seu comentário, recomendo outro autor de cabeceira. PN Santos não serve.
          “Daria um bom líder do BE”, como ontem disse o ministro das Finanças em entrevista à SIC.

  12. Pois, proponho um pensamento para a próxima semana: a quantidade de comentários claramente anti-semitas aqui despejados esta semana, e na passada e na outra… Alguns puros dejectos, utilizando, com uma capa de «esquerda», a linguagem mais básica dos pogroms e de Hitler. Alguns comentadores utilizaram o estilo Monthy Python para lidar com tal aberração, mas os dejectos aí estão. Uma aberração que nunca se vai.

  13. O Chega saiu derrotado porque o querido líder não pode ser candidato a todas as câmaras. Mesmo com a sua fotografia em toda a propaganda, do lado do desconhecido, foi o que se viu.
    Estou consciente que uma parte do eleitorado do Chega corresponder aos insatisfeitos com a manifesta incapacidade de os dirigentes políticos encontrarem soluções para os problemas do país. Realmente o tempo dos grandes líderes acabou. O que é preocupante é haver gente que acredita que o Mac Ventura é o grande líder que nos faz falta.
    O resto do seu eleitorado é composto pelos saudosos do tempo da outra senhora, pelos tacanhos que têm orgulho em dizer que são racistas, e principalmente pelos ressaibiados da vida triste que levam e que procuram sempre apontar o dedo aos outros pela sua nulidade e insucesso. Espero mesmo que este país assuma de vez o bipapartidarismo, tirando partindo de algumas pessoas de valor que compõem o PSD e o PS. O resto, são nulidades. Estar na mesa do café a encontrar e a apontar problemas, qualquer um e capaz. Assumir o poder e encontrar soluções para os problemas, só está ao alcance de alguns. Há muita gente que para se convencer que pisou na merda, tira o sapato, cheira e por vezes na dúvida, até prova. Nas câmaras ganhas pelo Chega e nos 60 carroceiros que estão no parlamento, se encontrará a prova de isso mesmo.

    1. Ventura até hoje não ganhou uma eleição.
      Perdeu nas autárquicas de 2017 em Loures, ainda no PSD – ficou em terceiro.
      Perdeu nas legislativas de 2019 – ficou em sétimo.
      Perdeu nas legislativas de 2022 – ficou em terceiro.
      Perdeu nas legislativas de 2024 – ficou em terceiro.
      Perdeu nas legislativas de 2025 – ficou em segundo.
      Perdeu nas presidenciais de 2021 – ficou em terceiro.
      Perdeu nas autárquicas de 2021 – não elegeu nenhum presidente de câmara
      Perdeu nas autárquicas de 2025 – elegeu três presidentes de câmara, ficando em sexto.

      Estes são os factos.
      O resto, são choradeiras de “vitórias morais”. Para as quais não há paciência, tanto na política como no futebol.

    2. Para resolver os problemas é necessário que as pessoas comuns os queiram resolvidos.
      2 pequenos exemplos de 2 dos temas mais fundamentais da atualidade:
      1 – já toda a gente sabe que não temos médicos suficientes para todos os serviços de todos os hospitais. A solução poderia ser centralizar serviços. Pergunta, alguém quer centralizar serviços? Os profissionais estão interessados nisso? E, mais importante, os cidadãos querem isso? Não, os profissionais resumem todos os problemas a salários e recusam trabalhar em várias unidades da área e os cidadãos querem ter todos um hospital ali ao virar da esquina só que não há dinheiro nem médicos para isso.
      2 – Toda a gente clama pela cada vez maior carga fiscal. Mas alguém está disposto a cortar subsídios, reorganizar serviços e alienar empresas públicas crinicamente deficitárias? Não e sim. Não, se lhes tocar ao seu umbigo e sim, se a pimenta for parar ao rabito dos outros. Ora algum governo pode reformar alguma coisa com esta mentalidade geral da população!? Não!
      Toda a gente se farta de chorar sobre isto e aquilo mas ninguém quer mudar depois nada que vá contra os interesses próprios. Ora assim esqueça o Mac Ventura, o John Montenegro, o Wil Carneiro e seja lá mais quem for. O tuga, tirando a parte da imigração onde existe factualmente uma maioria que quer uma mudança e em que está de acordo com o caminho, não consegue ter um consenso em rigorosamente mais nada. O tuga não tem a mínima noção de civismo e de cidadania mas apenas e só de nepotismo e umbiguismo, portanto, a não ser que seja Deus nosso senhor a vir cá abaixo, nada vai mudar substancialmente.

  14. Tal como eu “achei” em comentários anteriores neste post, Rui Ramos no Observador:

    O abalo das eleições legislativas de Maio foi tão grande, que a oligarquia política não resistiu a lançar uma mão enganadora às autárquicas de Outubro. Quer-nos agora convencer que afinal nada aconteceu em Maio e tudo está como antigamente. O PS não é o terceiro partido da Assembleia da República, mas o segundo maior partido em presidências de câmara, depois do PSD. O Chega não é um partido com 60 deputados, mas apenas um partido com 3 presidentes de câmara. O velho “bipartidarismo” está, portanto, de excelente saúde. Para confirmar a ilusão, os comentadores do regime reformaram até a condescendência com que falam do mundo autárquico. Habitualmente, é com os dedos a apertar o nariz que aludem a um pantanal provinciano e piroso de rotundas supérfluas e de “dinossauros” que saltam entre concelhos e partidos. Agora, foi com os olhos húmidos que se entusiasmaram com a sétima esfera da “política de proximidade” e dos “homens bons” da nação. As legislativas foram apenas espuma. As autárquicas é que deram a verdadeira medida do sentir do país.

    É verdade: houve também quem notasse que o Chega quadruplicou a votação autárquica de 2021 e que só não ganhou mais presidências de câmara por umas centenas de votos. Mas esse não é o ângulo mais interessante. O ângulo mais interessante é que PS e PSD, apesar de ainda controlarem câmaras municipais e juntas de freguesia, isto é, o aparelho de Estado local e as suas verbas do PRR, não conseguiram usar esse poder para impedirem um partido recente e tratado como um inimigo público por toda a classe jornalística de se tornar o segundo maior partido na Assembleia da República. Se os velhos partidos têm tanta implantação local, se são tão próximos da população, se compreendem tão bem o país e o país tem tanta estima por eles, porque é que falharam em Maio? Estavam então distraídos, e voltaram agora a estar atentos? Visto assim, o resultado destas eleições de Outubro devia deixar os fãs do velho sistema partidário ainda mais preocupados. Parece que o poder em Portugal já não pode o que podia.

    Iluda-se quem quiser. Não, o velho sistema partidário não está bem. Como podia estar, depois de os governos do PS, com a colaboração da restante esquerda e com oposições quase sempre tíbias do PSD, sujeitarem o país às maiores rupturas, decepções e incertezas da sua história recente? Puseram-nos, tolhidos de impostos e regulações, a empobrecer relativamente, de modo que o PIB per capita português, que equivalia a 50% do americano em 2010, equivale hoje a 33%. Aboliram as fronteiras, quadruplicando a população residente estrangeira em apenas 7 anos, para 1,5 milhões. Importaram o wokismo americano, para negar as identidades e os valores que são a base da coesão da sociedade portuguesa. Que admira que o conjunto dos partidos históricos (PSD-PS-PCP-CDS-BE) descesse de 80,8% dos votos em 2022 para 59,5% nas legislativas deste ano, o valor mais baixo desde 1975? Não foi o “populismo” dos novos partidos. Foi a falta de visão, o erro e a incompetência dos antigos.

    O velho sistema partidário, culpado da crise, não se deveria julgar seguro nas autarquias. Depende aí de grupos locais, capazes de lhes levar os votos e as câmaras quando mudam de partido, como agora Maria das Dores Meira fez ao PCP em Setúbal. A aparente força do PSD e do PS significa apenas que os políticos locais ainda acham conveniente usar as cores dos velhos partidos, porque são estes que mandam no governo, e é do governo que o poder local depende num dos Estados mais centralizados da Europa e que menos recursos disponibiliza às autarquias. Se um dia o “bipartidarismo” perder o governo, não se aguentará nas localidades. Os pés do colosso bipartidário são de barro.

    1. É impensável um texto de Ramos sem a palavra “oligarquia”. Como se comprova também neste.
      Na política, como no futebol, nunca faltaram os ideológos das vitórias morais – capazes de olharem para três câmaras e verem nesse nicho um resultado superior à conquista de 135, incluindo Lisboa e Porto.
      Como aqui também fica comprovado.

      1. Não creio que a ideia do texto do RR (e a minha) sejam menosprezar a vitória do PSD. É apenas alertar para o facto de que escamotear que o Chega, efectivamente, não teve um mau resultado, é um erro de leitura. E portanto um erro de estratégia também.

        1. Ramos tem fetiche com a palavra “oligarquia”.
          Até já publicou um livro com esse termo em título:
          https://www.wook.pt/livro/a-conspiracao-oligarquica-rui-ramos/23276440?srsltid=AfmBOop7-UO2CBfTtLTK5fDb210RHZObRxyMOro_L31yTEjvynugmvGJ

          Alguns outros exemplos.

          6 de Janeiro de 2017:
          https://observador.pt/opiniao/o-dinheiro-dos-portugueses-e-o-poder-dos-politicos/

          26 de Setembro de 2017:
          https://observador.pt/opiniao/as-eleicoes-de-andre-ventura/
          (um panegírico a André Ventura)

          14 de Setembro de 2018:
          https://observador.pt/opiniao/a-conspiracao-oligarquica/

          28 de Maio de 2021:
          https://observador.pt/opiniao/a-oligarquia-nao-quer-que-lhe-gritem/

          21 de Junho de 2024:
          https://observador.pt/opiniao/o-grande-fracasso-das-oligarquias-europeias/

          12 de Julho de 2024:
          https://observador.pt/opiniao/a-caca-oligarquica-as-bruxas-da-justica/

          17 de Janeiro de 2025:
          https://observador.pt/opiniao/e-os-outros-sabemos-o-que-pensam/

          23 de Maio de 2025:
          https://observador.pt/opiniao/nao-aprenderam-nada-nem-vao-aprender-agora/

          Etc, etc, etc.

          1. Pulido Valente usava “indígenas” na mesma acepção que RR usa “oligarquia” — no fundo, é a “choldra” do Eça.

  15. Os apoiantes do Chega andam todos de burka. Ou seja, andam com o velho barrete português enfiado até ao pescoço.

    1. Politiquice à Ventura, que vai de treta em treta. Três dias depois da dura derrota eleitoral nas autárquicas, tentando arranjar um foco de diversão, lembrou-se de legislar contra a burca, algo inexistente em Portugal.
      E assim consegue, por enquanto, manter a “chama” mediática acesa. De três em três dias, tira da cartola uma nova treta.

      1. E os seus apoiantes lá vão comendo gelados pela testa…. e fora do prazo. Na verdade uma boa parte do povo português sempre gostou de uma boa polémica rasca. São as conversas dos bancos de jardim ou dos cafés da esquina. Básicamente gente desocupada e resaibiada com a vida.

  16. Eu não teria assim tanta certeza. É muito mais difícil a implantação no poder local do que no legislativo. Basta ver que o BE, por exemplo, chegou a ter uns 20 deputados na AR e existe há muitos anos, mas não tem câmara nenhuma (nem nunca teve que me recorde). Ou o Livre que também vale zero a esse nível assim como a IL é praticamente zero. Ou seja, é muito mais difícil “destronar” os partidos ditos tradicionais no poder local como aliás o comprova também o facto da CDU continuar a ter ainda algum peso autárquico (ainda que menor que em 2021) apesar de já quase nem existir na AR e, mais ainda, as 7 câmaras do CDS.
    Depois o chega só não sai destas eleições como um vencedor porque se deslumbrou com as legislativas e cometeu a asneira de vir dizer que iria ter umas 30 câmaras. É que ainda assim passou de 0 presidências para 3 e aumentou muito o número de autarcas e freguesias.
    Claro que o maior vencedor acaba por ser o PSD por ser quem mais câmaras e freguesias tem assim como pela conquista da maioria das maiores cidades com destaque para Lisboa e Porto.
    Menção muito honrosa para o CDS que passou com distinção na prova de vida ao aumentar para 7 as presidências de câmara.
    Concluindo, as notícias da morte do tripartidarismo são elas sim exageradas. Basta olhar para as várias sondagens em termos de legislativas e presidenciais que colocam o chega com significativas intenções de voto, perceber a especificidade das autárquicas que o próprio chega não percebeu e olhar para os apenas 6 anos de existência do chega que, quer se queira ou não, são muito escassos para atrair muita gente de peso a qual entra gradualmente num partido assim ele comece a ter acesso aos meandros do poder o que, neste caso, apenas aconteceu mesmo há menos de 1 ano. Eu teria muito mais cuidado em festejar já a morte do “tripartidarismo” até porque mesmo não gostando do Ventura, sei admitir que em esperteza e faro político dá 10 a 0 a esmagadora maioria da concorrência embora também falhe como falhou ao elevar tanto a fasquia nas autárquicas.

    1. Bloco teve Salvaterra, se bem que acho que foi por osmose.
      Mas realmente as leituras nacionais de resultados locais são inviesadas.
      Por exemplo, o Isaltino venceria mesmo indo pelo Partido da Terra ou mesmo pelo POUS.

    2. O eleitorado do Chega já existia muito antes da formação da agremiação. Se no tempo das descobertas maritimas portuguesas, houvessem partidos políticos, o ventura seria o velho do Restelo. O falar barato e o discurso rasteiro estão enraizados na sociedade portuguesa. O querido líder aproveitou estacaraterística nacional e reuniu os votos daqueles que durante anos se abstiveram nos actos eleitorais, – os votos dos velhos comunistas descontentes com a inépcia do pcp e saudosos dos tempos em que se podia dizer: “estes pretos vieram para a nossa terra” , – é bom não esquecer que em si, a ideologia marxista é deveras racista, – muito do eleitorado do velho CDS, saudoso do tempo da colonias e da glória do império, e do tempo em que não haviam funcionários, apenas existiam criados, – dos votos de muitos jovens que nunca viveram o Portugal isolado, atrasado, colonial e opressor, jovens esses que sem termo de comparação, acham que Portugal não presta e que finalmente chegou um homem que diz as verdades (como se verdade fosse sinónimo de solução), – os votos dos frustrados com as suas vidinhas medíocres, que perante o seu insucesso, invariavelmente apontam o dedo aos governos, como sendo estes os exclusivos culpados da sua nulidade. Basta ouvir o discurso desta gente em qualquer espaço público, para constatar que a falta de bestunto é gigantesca.

      1. Não creio que os cerca de 1,5M de eleitores que votaram no chega nas legislativas se enquadrem todos nessa sua análise.
        Depois você acaba por cair na armadilha da atualidade que é a de insultar e pintar quem não vota como você como se fosse um mentecapto e, pior ainda, praticamente um inimigo a abater. Numa democracia não existem inimigos mas sim pessoas com ideias e preferências diferentes e, por vezes, absolutamente antagónicas às nossas. Não aceitar isso e partir para esta bipolarização ridícula em que uns são cam3los comunas por tudo e por nada e os outros burr0s fachos, cultivando um certo ódio entre os 2 grupos pode muito bem ser o início do fim da democracia ou de, pelo menos, uma fratura perigosa da coesão da sociedade. É bom que se perceba isso rapidamente antes que a cabecinha das massas de ambos os lados fique demasiado envenenada e cheia de preconceitos altamente tóxicos. Divididos seremos sempre mais fracos (posso não ser comunista nem do chega mas não acho que quem é seja mais burr0 ou l3rdo que ourra pessoa qualquer). Pense naquela experiência das formigas. Elas até conviviam bem umas com as outras no frasco até que algo de fora o pôs a abanar. Se calhar não é muito diferente o que nos estão a fazer agora. Menos fel, preconceito e insultos e mais diálogo precisa-se com urgência.

        1. Tanto a extrema direita como a extrema esquerda são certamente inimigos a abater – sempre. Basta abrir olhos para a situação de alguns países no mundo. Depois de tomarem o poder, é o diabo para os tirar de lá. Não basta ser um partido político, para se fazer parte da comunidade democrática. Basta ler a história.

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