Pensamento da semana


Pedro Correia,

 

Certos políticos portugueses – e seus epígonos,  por efeito mimético – são hoje incapazes de abrir a boca sem fazer contínuas alusões a “guerras culturais”, quase todas de importação. Os seus ídolos também são importados – mesmo os daqueles que adoram bater no peito em proclamação de fé nacionalista. E até o vocabulário que usam vem de outros quadrantes geográficos. Dizem-se “soberanistas”, mas só da boca para fora.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO DE OPINIÃO durante toda a semana

52 comentários em “Pensamento da semana”

      1. Soberania é essencial. Sem ela não há democracia. E de facto a democracia acabou em Portugal no dia em que Cavaco assinou o tratado (RENDIÇÃO) de Maastricht (UE e €uro).

        Ou são soberanistas (como o PCP), ou são vende-pátrias.

        É uma pena não haver reais soberanistas sem serem os comunistas em Portugal. Eu votaria neles.

        Precisávamos de um Lula ou de um Ramaphosa ou de um Putin ou de um Pezeshkian ou de um Maduro. Mas se tiver de ser comunista, então venha de lá um Xi, pois sempre é melhor do que qualquer traidor/vende-pátrias dos auto-proclamados “democratas” Liberais.

        Soberania não é treta, é essencial.
        O que é treta é chamar “democracia” à obediência cega a ordens vindas de fora (Bruxelas e Washington).
        E parcialmente da Jerusalém ocupada, a tal de “única democracia do Médio Oriente”…

        “israeli Major General Yifat Tomer-Yerushalmi, who was accused of leaking videos showing israeli soldiers (Europeus nazis invasores) torturing and sexually assaulting Palestinian (Semitas nativos) prisoners, has reportedly gone missing.

        Search operations are underway in the HaTsuk Beach area near Tel Aviv (na Palestina colonizada).

        Israeli media now reports that a “SUICIDE” NOTE was “found” in her abandoned car, not at her home.”

        in: DD Geopolitics via Telegram
        https://t.me/DDGeopolitics/164591

        Na tal de “democracia” ocidental, não se usam janelas, usam-se outros métodos…

        1. Só um putinheiro intoxicado de propaganda moscovita pode invocar o narcotraficante Maduro como exemplo de “soberanista”.
          Sabujo do Kremlin. Lacaio do social-fascismo russo.

  1. Estive a ver há pouco na CNN aquele programa inominável (que agora se chama O Princípio da Incerteza). A quantidade de disparates que Pacheco Pereira e Alexandra Leitão disseram em menos de 50 minutos é perfeitamente inacreditável — sobretudo aquela insistência em estatísticas que nunca ninguém viu de que “Portugal precisa de imigrantes”. De onde é que vem isto? Por que motivo é repetido nas televisões de forma incessante há quase 5 anos?

    E como é que esta gente passa por ser a inteligência influente do País? Inacreditável.

    1. Isso é pergunta para ser feita às confederações e associações patronais: já as ouvi todas, sem excepção e muitas vezes, a implorar por mais imigrantes sob pena de os seus sectores económicos paralisarem. Então o turismo, a restauração, a agricultura e a construção civil até fazem dó, sempre à míngua de “colaboradores”… E não é por serem esquisitos, qualquer um lhes serve.

  2. O político, esse paladino da”soberania”, acordou um dia e o inimigo era o woke de importar.
    Vem então para a televisão, a gaguejar palavras como “todes” e “elu” , e proclama, com o peito cheio, que essa “aberração importada” é o fim da língua de Camões, uma traição à Pátria e uma “declaração de guerra cultural” contra a bifana e o Santo António.
    Realmente ver um gajo, que usa T-shirts feitas por crianças no Bangladesh, vota em Bruxelas no que lhe mandam, a berrar por “Portugal aos Portugueses” com um sotaque de um comentador da Fox News traduzido para brasileiro.
    É a verdadeira “soberania” de quem nem sequer é capaz de inventar uma merda nova para embirrar, tendo de importar o ódio já ensacado dos think-tanks americanos.
    Se querem ser soberanos, comecem por controlar a vossa própria raiva. Assim, são só uns epígonos da treta.

    1. O soberanista da treta chama “Isto” a Portugal.
      Em frases como “Isto não é o Bangladesh”. Antes de encomendar para o jantar doméstico uma pizza (tipicamente portuguesa) transportada por um imigrante desse país.

      1. O curioso é que o soberanista, como não viveu no tempo de Salazar, confunde os três Salazares com a Santíssima Trindade, achando que, ao rezar pela pátria, vai conseguir ressuscitar a ditadura sem saber que até o Espírito Santo lhe daria uma chapada se estivesse vivo.

          1. Onanista mental sem dúvida nenhuma, é sintoma básico do narcisismo maligno. E se não é burro imita muito bem, pelo menos zurra alto que se farta, com abundância de perdigotos.

            Ele sabe lá o que seja isso da “guerra cultural” ou das outras cretinices que debita em rajada. O que ele não quer é o vácuo, o silêncio, daí as asneiras e palhaçadas constantes para preencher o espaço e impor-se à atenção.
            É exactamente a técnica daqueles miúdos que dizem palavrões e fazem disparates para que se repare neles; como funciona, vão escalando no asneiredo e nas cenas tristes. Não têm mais para oferecer, oferecem o espectáculo da sua nulidade e grunhice.

            É um tipo cansativo em todos os aspectos, até pelo abuso de exposição. Parece sempre cheio de speed e merda na algibeira, como dizia a canção.

            Mas talvez se espalhe ao comprido no delírio de querer ser presidente; as palavras e os actos birrentos, exibicionistas e meio lunáticos, não cumprem os mínimos olímpicos de “gravitas” necessários para tal campeonato, pelo menos não ao gosto da larga maioria dos portugueses – incluindo muitos dos seus apoiantes.

      2. Era, em 71, com George Harrison e Ravi Shankar, Russell e preston, ringo star e Bob Dylan, … .
        Foi o 1º destes grande concertos, e ainda hoje eu sou Bangla Desh.

        1. A alusão explícita ao Bangladeche, e a cançoneta javarda que serviu de mote aos cartazes, com Ventura a atingir um nível Inédito de derrapagem moral, confirma que, no Chega, é sempre possível descer mais baixo.

          1. Realmente não percebo porque é que o Ventura vai buscar o Bangladesh.
            Podia ter ido buscar a Cova da Moura, o Martim Moniz, ou a Assembleia da República, que é onde está a verdadeira fauna.
            Mas é melhor respirar fundo e não pensar muito nisso, senão ainda começamos a achar que o Bangladeche é logo a seguir a Algés.
            O Ventura é o tipo de líder que, se fosse um pneu, era sempre o que rebentava na autoestrada da decência.
            E o Chega é o buraco na estrada que garante que a viagem é miserável.

  3. Este pensamento está cheio de palavras complicadas, difíceis de entender. É um verdadeiro pensamento filosófico.

        1. “O que se herda de pais, não é apenas o corpo, mas também a alma.”
          Está visto que o Platão tinha razão.

            1. Por acaso é um progresso “A República – O Mito da Caverna” se fosse escrito agora era em fotocópias.

  4. Quem não é ‘soberanista’ não é Pessoa.
    Pois a ausência de ‘fronteira’ determina a inexistência de todos e quaisquer ‘seres’ ou ‘coisas’.
    Não ser ‘soberanista’ é uma impossibilidade para quem tem um ‘nome’.

    1. Pessoa não era “soberanista” – palavra que, aliás, ele nunca usou.
      Pessoa (nome próprio, com P maiúsculo) dizia-se patriota. E a pátria dele era a língua portuguesa.

      1. Não me refiro a Fernando Pessoa.
        Refiro-me à pessoa humana. Àquilo que é necessário para se constituir como ‘pessoa’ (ter um ‘nome’, uma ‘identidade’, reconhecer-se a si-própria).

          1. Concordo.
            Mas a questão extravasa o que F.Pessoa escreveu e pensou.

            A necessidade de uma ‘fronteira’ para qualquer coisa ou ser se constituírem é um ‘soberanismo’ que é constitutivo da sua própria Existência.

            É nesse sentido que repercuti a questão do ‘soberanismo’.

            E, quando analisamos o que ocorre dentro dessa ‘fronteira’, em nenhuma coisa, ser ou agregado social verificamos que não há nenhuma coisa ‘pura’. Mas, outrossim, uma «miscigenação, simbiose, parasitismo, imbricação e mistura». Logo, contrárias a esse desejo ideológico de ‘pureza’ (seja de raça, ou de quaisquer outra substância única).
            Daí, ter estabelecido no meu comentário uma relação entre a ‘soberania’ e a ‘pureza’.

            A questão é antiga. Remete, na filosofia, para o debate entre o «todo e a parte» e o «uno e o múltiplo». Em matemática, entre o «integral e o factorial», entre a «singularidade e o conjunto», entre o «número e o campo» (entre a álgebra e a topologia; entre o «quadrado e o círculo»), entre o «finito e o infinito», entre o ‘0’ e o ‘1’.

            1. É verdade.
              Talvez seja por isso, também, porque páro aqui no seu “Delito …”.
              Sobre essa fronteira que constrói o ‘eu’, de facto, nada melhor exemplo do que o exercício pessoano da heteronimidade.

              O Pedro Correia fez-me recordar o primeiro encontro que tive com o saudoso, e infelizmente ido, Paulo Cunha e Silva (ver na wikipédia), em junho de 2013, por ocasião da tomada de posse da ‘Comissão Cultura e Desporto’ do Comité Olímpico de Portugal, para a qual fomos os dois convidados. Não nos conhecíamos pessoalmente, e na primeira frase que trocámos, Paulo Cunha e Silva diz-me: “Já vi que é mais um pessoano, ora, já somos dois”. Como se houvesse um algo imaterial (impronunciável) que nos identifica de imediato.

              Há alguns textos de que particularmente gosto. Por exemplo:
              — P. Bourdieu, 1989, “A identidade e a representação: elementos para uma reflexão crítica sobre a ideia de região”, in “O Poder Simbólico”, coleç. ‘Memória e Sociedade’, Difel, Lisboa, pp.107-132.
              — Paul Veyne, 1988, “O Indivíduo atingido no coração pelo poder público”, in «Indíviduo e Poder», coleç. ‘Perspectivas do Homem, Edições 70, pp. 9-23.
              — Paul Ricoeur, 1988, “Indivíduo e Identidade Pessoal”, in «Indivíduo e Poder», coleç. ‘Perspectivas do Homem, Edições 70, pp. 65-85.
              — Francoise Dolto, 1988, “O aparecimento do Eu gramatical na criança”, in «Indíviduo e Poder», coleç. ‘Perspectivas do Homem, Edições 70, pp. 87-103.
              — Achille Weinberg, 2016, “Ma chienne, mon portable, et moi”, in «Nature/Culture: la fin des frontières?», Sciences Humaines, numéro spécial, n.º 281, mai 2016, pp. 34-41.

            2. Muito bem, na verdade. Por acaso também estou a ler um livro bastante interessante, “O Caso Clínico de Fernando Pessoa” de Mário Saraiva. Não explicito referências para poupar espaço, mas terei todo o gosto, a pedido. Boa continuação!

            3. Concordo, totalmente.
              Em cada ‘pessoano’ a única multidão é a sua heteronimidade. Tal como num romancista ou ficcionista são as personagens que inventa e imagina, ou num cientista as hipóteses que formula.

  5. É o efeito redes e internet.
    Quem nunca apanhou um sotaque, uma expressão… usar o bordão brasileiro sempre funcionou.
    Muita coisa mudou quando campanhas e carreiras políticas passaram a ser geridas por agências de publicidade.

    1. É o efeito da importação absurda das “guerras culturais” do Brasil mas sobretudo dos EUA. À esquerda e à direita. Com dois pólos óbvios: o Chega e o que resta do BE + a ala esquerdista, pós–socrática, do PS.

      1. O uso de vocábulos de outros quadrantes (em maioria anglo-americanos, e brasileiros) é fruto da influência desses quadrantes, via net. A resiliência chegou cá por cabo submarino, e sem youtxubi não jogaríamos andebol na quadra.
        (nem falando na práctica dos contractos)

        PS: os efeitos das guerras também chegam via mercado laboral, quem já foi a uma entrevista ou trabalha numa multinacional sabe do que falo.

  6. Tal como certos epígonos, e seus Epígonos: é tão custoso, mentalmente, rodar o antebraço e apontarmos para o Epígono.

    (Sorry: ele há dias de sorte…)

  7. Portugal está a precisar de um golpe de estado
    e de uma revolução. As revoluções são cíclicas.
    Os “epígonos” e os “soberanistas” são bem-vindos.

    Sugestões para nomes de partidos a criar:

    1. Partido Nacionalista
    2. Partido Por Portugal
    3. Partido Revolucionário Português

    P. S.: Acções e não palavras…

    Cumprimentos.

    João Barros da Costa

    JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT

      1. “Tanto disparate (…).”?
        Explique-se.

        É crime gostar de Portugal?

        Ser patriota é crime?

        Ser nacionalista é crime?

        Vá ver quantas revoluções
        ocorreram em Portugal
        desde o Condado Portucalense
        até hoje.

        P. S.: Acha que está tudo bem?

        Cumprimentos.

        João Barros da Costa

        JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT

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