As redes sociais estão a mudar a sociedade e continuarão a fazê-lo. Tal e qual como a televisão o fez, a rádio, o telégrafo, a imprensa, a escrita, a roda, o ferro e o fogo. Os relacionamentos entre as pessoas, e também entre o cidadão e o estado, irão mudar igualmente.
Pelo contrário, os crimes continuarão ter as mesmas motivações: o ciúme, a raiva, a inveja, a fúria e todo o resto do catálogo das paixões humanas.
E isto é assim. As sociedades mudam, mas a natureza humana permanece.
Este pensamento acompanhou o DELITO DE OPINIÃO durante toda a semana

Só permanece o que existe.
O que não existe, são apenas palavras e ilusões que evanescem.
Logo, pelo Post, percebe-se que, isso a que se chama ‘sociedade’, é uma ilusão imaginada pela mente humana.
Apenas existe o ser-humano. E essa existência é uma ‘relação’, não é uma ‘coisa’.
Caro Paulo Sousa…
Podia escrever que tem toda a razão em relação às redes sociais, em relação aos relacionamentos entre as pessoas, em relação à relação entre as cidadãs, os cidadãos e o Estado, em relação às motivações para os crimes
e que “As sociedades mudam, mas a natureza humana permanece.”,
mas poderia ser mal interpretado e entendido como mera bajulação.
Em relação à bajulação, popularmente designada por “graxa”,
ao contrário de outras pessoas que comentam no DELITO DE OPINIÃO,
não pratico. Referi o DELITO DE OPINIÃO, por ser verdade e como mero
exemplo. O que acontece aqui, acontece em muitos outros blogues
existentes em blogs.sapo.pt.. Elogia-se o autor ou a autora, na esperança
de se ser aceite pelo grupo já instalado, o que no caso do DELITO DE OPINIÃO
é bastante reduzido. Refiro-me ao grupo das pessoas que comentam,
mas também ao autor, à autora e ao conjunto das pessoas autoras.
Receber elogios é sempre agradável.
Receber críticas não é.
Em relação às autoras e aos autores, pessoas competentes e esforçadas
(espero que o esforço esteja a compensar), têm a faculdade de impedirem
a publicação de comentários, das pessoas que usam uma parte do seu tempo
para comentarem no DELITO DE OPINIÃO, através da “moderação” (censura).
Duas dessas pessoas decidem de uma forma completamente arbitrária…
Veja o que o “jpt” escreveu para e em relação a mim numa (torpe) resposta
ao comentário que fiz ao texto dele intitulado “Ao Chiveve”. Infelizmente,
há pessoas assim. Para se entender o tipo de pessoa que ele é, basta ler alguns dos textos que ele tem escrito, nos vários blogues que criou ou onde foi / é co-autor. É muito mal-educado e destoa completamente da maioria das pessoas co-autoras do DELITO DE OPINIÃO.
E algumas das respostas que ele deu a pessoas que fizeram comentários
discordantes em relação ao que ele escreveu? Só lendo… Nota-se que há ali
uma frustração em relação a alguma situação da vida dele. Quando alguém
o contraria descarrega em cima dessa pessoa, o que é lamentável. Como ele
escreveu que não ía aceitar a publicação de mais comentários meus aos textos
dele, só para o chatear (Nota – Tem de haver reciprocidade, não é?), continuo
a comentar, ocasionalmente, textos dele. Claro que ele não os publica…
Não os publica, mas lê-os.
Eh! Eh! Eh!
Outro que podia melhorar é o Pedro Correia…
À semelhança do outro, responde de uma forma arrogante e mal-educada
a algumas das pessoas que comentam no DELITO DE OPINIÃO.
Basta que não sejam concordantes com o que ele escreveu.
Com algumas pessoas já embirrou. Não aceita, de ânimo leve, comentários
de pessoas com opiniões políticas diferentes. Apesar disso, talvez a pensar
no número de comentários (Nota – Quantos mais melhor, não é?), responde
quase sempre. Tudo por um lugar cimeiro na lista dos blogues que são mais
comentados em blogs.sapo.pt.
Quanto mais polémica melhor. É bom para os resultados na tal lista…
Outra coisa que podia ser feita era uma promoção eficaz do DELITO DE OPINIÃO.
Abrir contas em todas as redes sociais e fazer a transferência automática
de tudo o que é publicado no DELITO DE OPINIÃO. Isso iria aumentar, de forma
significativa, o número de pessoas a comentar e, por conseguinte, o número
de comentários. Contactar, seguir e subscrever todos os blogues seria útil…
Refiro-me apenas aos blogues de blogs.sapo.pt.
Na coluna da direita estão poucas redes sociais. Há mais…
Para além do que escrevi, neste comentário, pouco mais há a acrescentar…
Apesar do que escrevi, considero o DELITO DE OPINIÃO um dos blogues
mais interessantes de blogs.sapo.pt.
Seria uma pena se deixasse de existir…
P. S.: É apenas a minha opinião…
Cumprimentos.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT
Costuma-se dizer que quando a porta da igreja está aberta até os cães entram. Não que considere o blogue ou os leitores nesses termos, mas a ideia é que quando se escreve para o público e o público pode responder, continuamos numa relação desigual, pois enquanto uns cantam, outros dançam. Comentários desagradáveis, muitos idiotas, escritos em maiúsculas, a linkar outros sites, muitos de desinformação, replicações de propaganda russa e afins, nada disso deixo passar. Quer dizer, às vezes passam. Textos imensos, que exigem atenção para saber se passam ou não, o mais fácil é manda-los fora, alguns até passariam se lhe desse mais atenção, outros que deveriam ser eliminados, acabam por passar, apenas por um clique descuídado no ecrán do telemóvel. Por exemplo, qual o objectivo de publicar o endereço seu email? Quer receber mensagem de amizade? Provavelmente, só por isso, já lhe eliminei comentários.
Deixei passar este texto, em que é desagradável para o jpt e com o Pedro Correia, mas facilmente o teria eliminado. Quer debater ideias? Ou pessoas? E aproveita a caixa de comentário de um autor para escarnecer num outro? Como é que classifica essa táctica?
Pode responder, ou apenas tentar, pois a decisão será minha. Os blogues são assim.
A caravana passa, Paulo.
As regras são claras, Pedro. A internet é larga e o que não falta é sítio onde estacionar. Aqui não ganhamos pelos cliques nem pela quantidade de comentários e isso dá-nos a possibilidade de escrever, e de responder, bem ou mal, o que nos carrega. C’est la vie…
Eu deixei de comentar nos posts de alguns autores do DO que não publicam coisas desagradáveis e que persistem nos mesmos erros. O sr. Paulo, que só publica comentários aceitáveis na percepção dele, é um dos casos.
Há coisas que ele não iria perceber nunca se não fosse esta vez sem exemplo em que eu, com espírito de sacrifício, volto aqui pela última vez a um post dele para lhe explicar uma coisa de modo a que fique bem claro:
Os comentadores do DO também têm regras.
E a minha regra é nunca voltar comentar ou a ler sequer os posts de quem alguma vez, sem uma boa razão, não publicou um comentário meu. É o caso do Sr. Paulo Sousa.
Adeus.
Algures nos comentários deste postal expliquei os critérios que uso para não publicar alguns. O normal é que passem, mas não passem todos. Provavelmente esse dito comentário não cumpria alguma daquelas regras.
Caro Paulo Sousa…
Tudo o que escrevi é a minha opinião,
mas é também a realidade…
Sei que, por vezes, a Verdade custa…
Só lhe fica bem defender o “jpt” e o Pedro Correia,
certamente seus amigos para além do DELITO DE OPINIÃO.
Por acaso até fui bastante comedido, tendo em conta
o que é facilmente verificável.
Vá ler a resposta do “jpt” ao meu comentário ao texto
dele intitulado “Ao Chiveve”. Como é que reagia?
Leia outros textos dele no DELITO DE OPINIÃO,
em blogues dele, os comentários que as pessoas
têm escrito e as respostas grosseiras que ele tem
dado quando os comentários não lhe agradam.
Quanto ao Pedro Correia…
Digamos que o cubo dele tem muitas arestas…
Creio que me faço entender…
Basta ler alguns dos textos dele e, sobretudo,
as respostas dele aos comentários que não
lhe agradam. Claro que esse procedimento
faz subir o número dos comentários…
Algumas das comentadoras e dos comentadores
não se ficam e isso é bom.
“Quem não se sente, não é filho de boa gente.”.
E os comentários a subirem…
Creio que este “Pensamento da semana”
irá ultrapassar os cem comentários,
o que até não será muito, tendo em conta
que as pessoas podem comentar, durante toda a semana, o texto, os comentários das outras pessoas e as respostas que forem dadas aos comentários.
Não retiro uma vírgula ao que escrevi.
O “Pensamento da semana” não é sobre
as redes sociais? O que é uma rede social?
Não é um espaço instalado na Internet,
onde há (ou não) um tema e se comenta?
Então? Qual é o problema?
Não fui eu que fui mal-educado…
Um conjunto de blogues, alojados na mesma
plataforma até tem algumas semelhanças
com uma rede social. Até o DELITO DE OPINIÃO,
um dos blogues mais bem feitos e interessantes
de blogs.sapo.pt, poderia ser equiparado a uma
rede social se tivesse dimensão para isso…
Mas, infelizmente, não tem. Lamento.
Certamente que todas as pessoas co-autoras
do DELITO DE OPINIÃO preferiam ter mais pessoas
a comentarem… Mais pessoas a comentarem
aumentam o número de comentários.
O comentário é a recompensa que gratifica
autores e autoras. Mesmo os que são de crítica
construtiva, como o que eu escrevi antes deste.
Se eu quisesse fazer um comentário destrutivo,
não tinha colocado elogios ao excelente blogue
intitulado DELITO DE OPINIÃO…
Qual é que é o problema de eu deixar
o meu correio electrónico?
Nenhum.
Serve para qualquer pessoa que leia um blogue, este ou qualquer outro
onde participei ou participo, contactar-me
se a pessoa quiser. Algumas das pessoas
que participam nos blogues são bastante
inteligentes e eu procuro os meus pares.
A minha intenção é criar uma associação
só com pessoas muito inteligentes.
Sabe o que é a MENSA?
Se não sabe, na Internet tem muita informação.
Claro que as redes sociais vieram mudar a sociedade.
Também servem para isso… As sociedades podem
regredir, estagnar ou evoluir. As redes sociais permitem
que pessoas que se conhecem troquem impressões,
que se reencontrem, que familiares que vivem longe possam
contactar, que pessoas desconhecidas se tornem conhecidas,
que pessoas tenham negócios legais sem terem necessidade
de alugarem um escritório ou uma loja (existem muitos casos).
As redes sociais também têm outras utilizações legais. Como
a sociedade (as diversas sociedades) não é (não são) perfeita
(perfeitas), as redes sociais, em particular, e a Internet, em geral,
também podem ser utilizadas para a execução de vários crimes.
Cumprimentos.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT
Tirando a tentativa de graxa mais descarada, não acrescentou nada ao que já tinha dito.
Já está desactualizado: :::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: :::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: :::::::::::::::::::::::::::::::::: O outro senhor diz que não volta, este APENAS :::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: ::::::::::::::::::::::::::::::::::::
…”É APENAS a minha opinião ” …
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
Cumprimenos
Caro Paulo Sousa…
Aquilo que eu escrevi é a Verdade…
Todos os meus comentários foram e são escritos
ao abrigo do Artigo 37.° (Liberdade de expressão e informação)
e do parágrafo 6. do Artigo 35.° (Utilização da informática)
da CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA PORTUGUESA.
P. S.: Depois de ter lido a sua resposta ao meu comentário,
escrevi uma longa resposta ao que entendeu escrever
mas não foi publicada, suponho que por excesso de caracteres.
Retirei alguns parágrafos. A minha resposta ficou truncada.
Verifiquei que já dava para publicar. Fiz a tentativa para ser
publicada. Não foi.
Cumprimentos.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT
Não me recordo disso, mas expliquei como é que isto funciona.
Outro que podia melhorar é o Pedro Correia…
À semelhança do outro, responde de uma forma arrogante e mal-educada
a algumas das pessoas que comentam no DELITO DE OPINIÃO.
Basta que não sejam concordantes com o que ele escreveu.
Isso não corresponde à verdade.
O que não falta são comentadores arrogantes e de
neurónios queimados. Chego à conclusão que andam
a tomar substâncias nocivas para eles próprios e para
os que eventualmente os leiam.
E para cúmulo ainda se riem convencidos de um humor e
inteligência superior.
Enfim… segundo parece são assim as redes sociais.
Os meus parabéns, senhora Kika.

É uma moça carregadinha de predicados.
E ainda moi Je desconhecia que a psicanálise fosse a sua praia.
Nem sabe como fiquei arrepiada só de pensar que pudesse ser psicanalisada por si.
Tenha cuidado, veja lá não soçobre a tão imensurável peso.
Só a natureza humana é que não mudou; mesmo a dos homens
Não leu com atenção a posta inicial:
_ a natureza humana não muda.
Cumprimentos
Caro João Barros da Costa.
Diz a uma determinada altura “Em relação à bajulação, popularmente designada por “graxa”,
ao contrário de outras pessoas que comentam no DELITO DE OPINIÃO,
não pratico.” E isso enervou-me porque sendo eu leitora e comentadora neste blog, assim sem meias medidas fui apodada de graxista. Se, por exemplo, dissesse “ao contrário de algumas pessoas que comentam no Delito de Opinião”. Mas não, não teve essa delicadeza, o senhor que se auto-proclama bem-educado e sem mais aquelas mete tudo no mesmo saco.
E eu pergunto-lhe, uma vez que me conhece o suficiente para me chamar graxista, qual o meu interesse em bajular quem quer que seja.
E sobre o blog e seus autores, a minha opinião é a de que é um blog culto, de temas diversificados que de um modo geral interessam a quem o lê. A mim interessa-me sempre e se nem sempre comento é porque não sou só senhora do meu batom e saltos e também sou senhora das minhas limitações, sobretudo quando os temas incidem sobre política e guerra. De resto considero o Delito de Opinião um blog de utilidade pública com autores e alguns leitores/comentadores de elevada cultura.
Motivo pelo qual, repudio e contradigo tudo quanto por si foi dito.
Fique Bem e votos de uma boa semana
Cara Matilde dos olhos verdes…
Eu escrevi de, não escrevi das…
De pessoas, significa de parte das pessoas.
Das pessoas, significa de todas as pessoas.
Cumprimentos.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT
Subtileza generosa: :::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: :::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: ::::::::::::::::::::::::::::::::::”Esta é APENAS (!) a minha opinião …”
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
Cumprimentos
Pois estão…
Com a diferença da ubiquidade, velocidade e alcance globais nunca antes visto, a juntar o facto da “ferramenta “, ao contrário da roda, estar nas mãos de meia dúzia.
Não ajuda o facto de nas redes sociais o humano estar a lidar com algo que desconhece, quase ao nível do divino, e que o controla de modo inconsciente
Na lista podia incluir também a pólvora, a aviação ou a energia nuclear. As redes sociais são um factor mas não o factor.
Estou perfeitamente consciente de que quando um tipo inventou um machado para rachar lenha, meia dúzia imaginaram logo modos de facilmente abrirem cabeças ao meio.
Mas as redes sociais estão um patamar acima do humano (até porque nem todos os actores são humanos) porque têm capacidade de nos moldar, sendo omnipresentes (ao contráriopor exemplo da tv). Falamos de um objecto desenhado objectivamente para ser viciante, cujas consequências no próprio intelecto ainda estão por estudar, convinha a sociedade e quem governa estar atenta.
a CS comunista e certos políticos de esquerda continuam a viver no século xix.
sobre Almirantes:
L’amiral
L’amiral Larima
Larima quoi
La rime à rien
L’amiral Larima
L’amiral Rien
Jacques Prévert
São mais dois pensamentos do que um.
As redes sociais têm problemas graves e talvez o mais grave não tenha solução. Ou tenha apenas soluções mais graves do que o problema. Não sei quantos sábios seriam necessários para conseguir uma regulamentação que não fosse lesiva de liberdades e direitos. Mas sei, sem margem para dúvidas ou hesitações, que esse número de sábios seria muito superior ao dos que possam hoje existir.
Pode afirmar-se que as redes socais têm mais compromisso com a verdade do que imprensa escrita e televisões. Também têm mais falsidade é certo, mas não parece possível suprimir a falsidade sem reduzir a verdade. E também é verdade que essa redução da verdade publicada, é hoje do interesse conjugado de governos e meios de comunicação tradicionais. Será difícil não acontecer. Aliás, já começou a acontecer.
A segunda ideia é que a natureza humana não muda. Ou muda muito pouco ao longo de muito tempo. A esse respeito a esquerda afirma-se pelo idealismo. Cria um ideal e pretende mudar a natureza humana para que se enquadre nesse ideal. Ao invés, a direita é pragmática. Parte das pessoas que existem e tenta melhorá-las na moldura de um quadro moral(*).
Nunca me pareceu difícil a opção.
(*) – Que na Europa é o cristianismo. Ou ainda é.
” entre o cidadão e o estado” muda pouco , lá por a comunicação ser digital , continua a ser o leviatã monstruoso. vê , nem o estado muda de natureza

O estado só muda no nível de invasão da vida do cidadão. Um ditadura mais ou menos autoritária, não é igual a uma democracia rezoavelmente decente.
o problema é encontrar uma democracia razoavelmente decente. assim de repente lembrei-me dos carros electricos e da intrusão nas escolhas dos cidadãos. até parece que não vivemos no meio de milhentas proibições estúpidas e interditos.
Viver à mesa do orçamento pode dar um ilusório conforto, mas o preço (imolar a capacidade de ser livre e de produzir riqueza por iniciativa própria) é inaceitável.
🤦♂️ A Falácia do “Isto é Assim”
Dizer que a sociedade muda, mas a natureza humana “permanece”. Só impressiona quem nunca leu nada para além da contracapa dos livros de autoajuda.
É claro que o ciúme, a raiva e a inveja continuam a existir.
As emoções básicas são as mesmas. O que muda é a escala, a velocidade e a impunidade com que se manifestam.
Antigamente, a inveja ficava na aldeia e gerava um envenenamento.
Hoje, a inveja propaga-se no mundo todo e gera uma campanha de cancelamento, ciberbullying em massa, ou a ruína da reputação de alguém a 10.000 km de distância.
A roda mudou a sociedade, sim, mas não deu a 100 milhões de pessoas a capacidade de gritar “és um otário” para o Presidente ou para a vizinha. E a televisão não lhe deu a oportunidade de se tornar um influencer da treta a vender meias. A mudança não é só nas relações “cidadão-estado”, é no grau de idiotice e narcisismo que se exibe publicamente.
Comparar a invenção da roda (que nos permitiu transportar coisas e construir cidades ) com o Instagram é uma ofensa à Engenharia.
Sim, os crimes continuam a ter as mesmas motivações. Mas o crime digital, a manipulação de eleições por bots russos e a propaganda extremista viral que destrói vidas e democracias não são apenas “ciúme” ou “fúria”. São a aplicação dessa natureza humana imbecil a uma infraestrutura global que a amplifica até à histeria.
Tudo isso são consequências das que mudam a sociedade. São piores ou tem mais impacto que as anteriores? Não concordo. Não inclui a pólvora na lista, que poderia ter também outros saltos tecnológicos. As redes sociais são um flagelo especial por são do nosso tempo.
As redes sociais são algo que nos ultrapassa. Ou à maioria.
Poucos sabem ao certo o que é “o algoritmo”, como funciona ou quais são os objectivos.
Na verdade, as redes sociais nada inventaram em termos de conceito, mas o alcance e a velocidade fazem delas um caso inédito. Com vantagens claras em termos de comunicação, de mensagem e informação. Como em muitas invenções, o problema está no dinheiro. É preciso monetizar, e o único negócio é tráfego. Gerar tráfego. Quantidade, não qualidade. A partir daí, vale tudo. Mas não deixa de ser estranho ver tanta gente preocupada com vícios (ou adições, como se diz agora) a drogas, álcool e jogo, e não com FB ou Instagram. Se calhar porque eles próprios o são. E muitos nem o sabem.
🤦♂️ O Algoritmo
Então não é que hoje de manhã o trânsito na Segunda Circular parou. Não por um camião de mercadorias essenciais ou por um acidente com vítimas. Não, que isso não interessa.
Parou porque um indivíduo, um ser pensante decidiu que a melhor forma de conseguir tráfico, de viralizar – esse novo nome da parvoíce – era… estacionar o carro no meio da faixa central e filmar-se a chorar. A chorar!
O Algoritmo não quer qualidade, quer cliques.
E o choro vende. Desde que não seja o nosso.
E por que raio é que o trânsito parou? Perguntam vocês, almas ingénuas. Parou porque os 400 carros que vinham atrás também tiveram a ideia brilhante de parar nas faixas laterais para filmar o Totó a chorar, para terem conteúdo.
Resultado: um engarrafamento de duas horas. Quatrocentos atrasados a produzir conteúdo descartável e um imbecil a chorar por causa do algoritmo que lhe tinha “cortado o reach”.
E é este é o nosso vício. Não é a heroína, é a validação. E estamos todos na agulha. Uns a injetar lágrimas, outros a injetar likes. É tudo a mesma merda, só que o Instagram não dá overdose, dá-nos a convicção de que somos importantes. E isso é que é o verdadeiro estupefaciente.
Ao pé do que descreve, a invenção da pólvora não passa de uma nota de roda-pé.
O narcisismo e a validação (americanismo para necessidade de reconhecimento) sempre foram características humanas. As redes limitam-se a explorar isso. Não foram desenhadas por nerds com zero capacidade de entendimento social, bem pelo contrário. O algoritmo consegue juntar-nos a outros parecidos, no fundo tudo se resume a uma gigante base de dados, o dito consegue agrupar-nos consoante os atributos em comum, pois sempre nos sentimos confortáveis perto dos nossos.
Concordo, excepto no final, onde adicionaria:
As sociedades mudam, a natureza humana permanece, mas expressa-se de novas formas.
Um exemplo? A nossa atenção.
Para quem tiver paciência e tempo para ler: “The most important change in the expressive environment can be boiled down to one idea: it is no longer speech itself that is scarce, but the attention of listeners. “
https://leiturasimprovaveis.blogs.s apo.pt/is-the-first-amendment-obsolete-1 23350
Boas Leituras
Muito bem pensado, Paulo. Acrescentava apenas a ganância, essa desgraça de força que move mundos.
Mais essa, sim, Dulce. O catálogo é extenso.
Sim, e até sobretudo a ganância, que não só conseguiu alcandorar-se ao lugar cimeiro dos Sete Pecados Imperdoáveis individuais, atendendo ao número incomensurável das suas vítimas, sem qualquer concorrência possível por parte dos outros seis pecadilhos; como se estabeleceu definitivamente no estatuto de paradoxo socialmente aceite, de dissonância cognitiva universal interiorizada.
Mas a natureza humana que permanece é, de facto, sempre recorrente no mesmo limitado cardápio de ganância, inveja, ira, orgulho, luxúria, gula e preguiça; baixas paixões bem conhecidas e estudadas, por serem tão velhas como o próprio homem, mas nunca vencidas.
E ainda bem que o cardápio é limitado, que para mal já basta assim.
O ocidente e o cristianismo.
Essa é apenas uma expressão da tal “estrutura mental universal” de que falava C. Lévi-Strauss: os “sete pecados” são como, digamos, a música; todos os humanos minimamente organizados em sociedade, todas as culturas de todos os tempos, os reconhecem, à música como à ganância, ira, gula, preguiça, inveja, vaidade, luxúria, porque fazem parte integrante da estrutura mental universal – ainda que os respectivos “mandamentos” regulatórios possam ser até diametralmente diferentes ou inexistentes, ou a música de uns mais não seja do que desagradável ruído para outros.
Uma coisa são os “Sete Pecados”; outra são os “Dez Mandamentos”. Uma coisa é a chamada “natureza humana”; a outra são as diferentes construções sociais, mais ou menos evolutivas, mas sempre circunstanciais.
O cristianismo é a base das referências morais do ocidente, que foram exportadas noutros tempos para o mundo. O que refere como “todos os humanos minimamente organizados em sociedade” deriva exactamente disso.
Não é bem isso. Creio que não me expliquei com clareza, permita-me que tente fazê-lo melhor: em grupos humanos pré-cristão (até muito pré-cristão, com mínimos de organização social) é perfeitamente possível encontrar essas características individuais transversais, que posteriormente seriam definidas como da “natureza humana” ou ainda mais pejorativos “pecados mortais”: a ganância, a luxúria, a inveja, a gula, etc. Quanto mais organizados e afluentes os grupos, logo menos dependentes de uma estrita colaboração entre os seus membros para sobreviverem, mais essas características inatas ao ser humano se tornavam notórias. Não é difícil imaginar, sei lá, sumérios, aztecas ou egípcios antigos, a serem gananciosos, concupiscentes ou invejosos; nem é preciso imaginar, em muitos casos existem relatos, até pormenorizados.
Agora, outra coisa são os “mandamentos”, ou seja, o que cada sociedade define e impõe como comportamentos-tabu, ou simplesmente desviantes, e respectivas punições. E aí a regra é a multiplicidade de soluções “culturais”, desde o puro e simples sadismo revanchista até uma certa tendência amolecedora de tudo se justificar por tudo se compreender…
Por exemplo, roubar não é um “pecado mortal”, mas sim a ganância. “Não roubarás” é um mandamento, que visa regular o comportamento ganancioso. Sociedades houve, e há, em que o roubo é punido com amputações, ou até a morte; noutras, a devolução ou a compensação basta; noutras esmiuçam-se motivações e métodos para se aferir do justo castigo… Em qualquer caso, sempre se procede de acordo com os valores dominantes em cada respectiva cultura, normalmente até que estes sejam substituídos por melhores alternativas – coisa a que se chama evolução social. Pelo menos os condenados a amputações e outras práticas bárbaras acham, de certeza, que é evolução social.
Continuando no mesmo exemplo, na grande maioria das sociedades conhecidas, em comum apenas a ganância ser mal-vista e o roubo punido. E digo “na grande maioria” porque existem sempre alternativas na imensa variedade humana, algumas até verdadeiramente surpreendentes…
Sobre o cristianismo enquanto gigante a cujos ombros treparam todas as ideologias humanistas (ou cripto humanistas), já por aqui me expressei.
O cristianismo e seus valores de igualdade, fraternidade e solidariedade são o melhor que a civilização humana conseguiu elaborar, e neles se fundamentaram e continuam a fundamentar as sociedades mais humanistas, logo mais civilizadas, que o mundo já conheceu: as europeias. Que, apesar de todas as suas profundas incoerências e inépcias evitáveis, continuam a ser um modelo de desenvolvimento para todas as sociedades que prezam o primado da lei, dos valores democráticos que não se esgotam no voto, e do bem comum.
E também há aquelas que não prezam nada disso, as que invejam a concórdia europeia ou que temem o alastrar do conceito europeu de “condição humana”. Sociedades que continuam a remoer nas “diferenças culturais” para justificarem atentados à vida e dignidade dos seus próprios nacionais, em nome de um seu suposto desejo masoquista de “servidão voluntária”; e para explicarem a perpetuação de sistemas autocráticos e brutalmente repressivos, que serão mais “adequados” aos perfis culturais de determinados povos.
E há quem vá nesta conversa, e até a dissemine com verdadeiro proselitismo, mesmo não vivendo, nem considerando emigrar para uma dessas “reservas culturais”; mas sim aqui, refastelado neste epicentro da “cultura consumista”, onde se pode ter a língua comprida sem risco de a cortarem…
Se o ‘social’ não existe enquanto coisa (excepto para Durkheim e seguidores), então, como as ‘redes de comunicação entre os seres’ pode ser ‘social’?
É um erro lógico e de raciocínio. “Redes sociais” é mais um daqueles «nomes »que não correspondem à «coisa nomeada».
Todos estes comentários aqui escritos a propósito deste Post são a cópia dos que Aristóteles compilou nas “Ágora” e nas “Pnyx”. No “Organon”, apresentou a solução para lidar com eles.
Em março de 2013, a prestigiada revista “Scientific American” publicou um dossier sobre a evolução da criatividade (“Evolution of Creativity: the rise of the innovative mind”). Nesse conjunto de textos, Mark Thomas (University College London) escreveu:
— “It’s not how smart you are. It’s how well connected you are” (ibidem, p.28).
De facto, Lewis Dean (Physiological Society in London), no mesmo dossier, mostrou o seguinte resultado.
— “Dean and his team design an experimental puzzle box, with three sequential and incrementally difficult levels. Then they presented it to groups of chimpanzees. Only one of the 55 non-human primates reached the highest level after than 30 hours of trying. The human children worked collaboratively (talking among themselves, offering encouragement and showing one another the right way to do things). After two an a half hours, 15 of the 35 human children reached level three.” (ibidem, p. 29)
Trata-se de «comunicação em rede …entre indivíduos». Não se trata de «comunicação social» nenhuma.
Quem defende o que defende, não deve estar rodeado de muita gente.
“It’s not how smart you are. It’s how well connected you are”
Não seja tão intransigente.
Se não houvesse ‘diferença’, como poderia haver seres-humanos?
A Bíblia Sagrada (73 livros) é a confirmação irrefutável.
Do resto parece-me ser na arquitetura, saúde e solidez da sociedade que a natureza humana conseguirá o melhor controlo da perversão. O menor grau ou volume de maldade, selvajaria e crime.
bem , eu acho as redes sociais óptimas , deram-me acesso a pesoas que difundem sabedoria ancestral e me passam mezinhas de “olhai os lírios do campo” . estou imensamente grata , a minha tribo está na internet e sabe imenso de alecrim alho e malagueta e jejum , poupam-me imenso dinheiro. e adoro aqueles grupos de “paga em dinheiro” ( fiquei a saber que não estou sozinha) , diz não à identificação digital e mais grupos a rejeitar a modernidade orwell. as redes sociais são muito boas para quem rejeita Poder , suponho que são péssimas para quem quer lucrar e conquistar.
A aldeia global tornou-se mais próxima. É um aspecto interessante e positivo do fenómeno, mas também permitiu agrupar alguns lunaticos que isolados eram inofensivos e em grupo ganham destaque e voz. O exemplo clássico são os terraplanistas.
mais , o que as redes sociais me proporcionam e me fazem poupar : há uma senhora , que sigo , que se dedica a espiolhar, de graça( multiplicando os seus talentos,) os ingredientes de tudo o que compramos no super , aditivos , conservantes e bla bla bal . resultado , vou cada vez mais à praça e menos ao hiper., embalados não compro quase nada e uso vinagre e lixivia para limpar. e agua oxigenada . e bicarbonato. larguei os dove e passei-me para sabonetes de glicerina , pedra alúmen, que dura , dura , e lavo o cabelo só com água e alecrim há uns 3 anos ( aprendi nas redes sociais… ) tudo barato. as redes sociais , de facto , devem ter imenso inimigos.
eu rio , mas é trágico. a raiva que senti quando li que as marcas por causa do sucesso de sites como o vinted de vendas entre particulares iriam abrir seções de venda de roupa em 2ª mão? nem vos passa.
e a senhora tem imensas seguidoras , pois , mulheres , que passam a informação a amigas , o que irá resultar numa mudança de hábitos durante um tempo , o tempo necessário para os hiper abrirem bancas na praça
as redes sociais fomentam a rejeição das corporações e a poupança em tretas , graças a Deus , suponho que é um daqueles casos do feitiço se virar contra o feiticeiro.
O exemplo da vinted é incrível pela poupança de recursos e pelo conceito que reutilização que permite. Como em tudo na vida abre a porta aos bandidos que roubam malas nos aeroportos para ali venderem o saque. Há sempre alguém que irá usar boas invenções para fins preversos.
fomentam a rejeição das corporações
As influencers discordam
Perverso…
“As time goes by” , em suma…
O Rick concordaria…
JSP