Se há coisa detestável é a clubite futebolística. Equivalente ao extremismo na política.
Este pensamento acompanhou o DELITO DE OPINIÃO durante toda a semana
Se há coisa detestável é a clubite futebolística. Equivalente ao extremismo na política.
Este pensamento acompanhou o DELITO DE OPINIÃO durante toda a semana
E ao fundamentalismo na religião.
E a outras coisas. Mas o que me interessa é o paralelismo político.
Equivalente e, como se vê nas claques, muitas vezes conectada.
Muito mesmo. A tal ponto que por vezes nem se distinguem.
Área de serviço da Mealhada, 2 da manhã. De um lado, André Ventura. Do outro, Vítor, membro da velha guarda dos Super Dragões.
Ambos esperam que o rapaz da caixa acabe de registar os cafés.
André: (Ajeita a gravata, olhando para a tatuagem ‘Morte aos Mouros’ no pescoço do Vítor) É impressionante como a clubite cega. Vocês não têm visão de Estado.
Vítor: (Mexe o café com um palito) Ó boneco. Qual é a diferença da clubite? Os teus assobiam na Assembleia e os meus no Dragão.
André: Não confundas a Estrada da Beira com a beira da estrada, meu caro. Nós movemos massas por um ideal. Pela Pátria, por Deus, pela Família!
Vítor: Epá, não me faças rir, tu moves massas contra os ciganos e eu movo massas contra os lisboetas. A diferença é que a minha malta paga quotas e a tua chupa a subvenção do Estado.
André: (Olha em volta para ver se a CMTV não está escondida em algum lado) Isso são calúnias dos jornais! As pessoas que estão connosco são pessoas de bem, revoltadas com a corrupção!
Vítor: As tuas “pessoas de bem” são os meus gajos da claque. Quando tu sobes ao palanque a dizer “vamos varrer esta escumalha toda”, estás a puxar o cântico. Porque a letra é exatamente a mesma de um “FCP, allez, allez”.
André: (Ajeita o cabelo, subitamente fascinado) Admito que a forma como capitalizam o ódio cego é… didáctica.
Vítor: Claro que é, ó cartilheiro. A política hoje é o futebol dos anos 90. Tu pegaste na cartilha do desporto e meteste-lhe uma bandeira de Portugal em cima.
André: (Ignorando o insulto, com os olhos a brilhar) Diz-me uma coisa… Quantos gajos arranjas, assim de repente, para encher a rotunda do Marquês numa “manifestação espontânea” contra os impostos?
Vítor: Depende. Com bifanas e cerveja paga? Meto-te lá três mil gajos em duas horas.
André: Fantástico. Olha… não queres ser cabeça de lista por Braga nas próximas eleições? Só precisas de berrar “Vergonha!” três vezes por semana e assinar um papel. Tens imunidade parlamentar.
Vítor: Imunidade? E isso dá para entrar no estádio com petardos?
adorar cegamente o serra sete não é considerado clubite… celebrar o jogo miserável do lionélio na final do mundial não é considerado clubite… celebrar, como se tivesse dado um título, uma derrota do clube preferido contra uma equipa estrangeira não é considerado clubite…
clubite, como dá a entender a historinha da ia do google das 5.24pm, é uma coisa que só existe a norte do Mondego.
Eis um comentário que vomita clubite. A fingir que não.
é exatamente isso que eu quis dizer.
acrescentar que dizer que há clubite no Delito de Opinião é o mesmo que dizer que o Pedro Correia publica alguns comentários através de heterónimos.
a fingir que sim.
Que estupidez.
Este “Rafael” mente da cabeça aos pés. Ou de cabo a rabo.
A ver-se ao espelho.
Concordo e subscrevo, Pedro.
São farinha do mesmo saco, Dulce. Há até quem acumule, fazendo gala de extremismo político-clubístico.
Por isso mesmo faz falta o Es a Nossa Fe
Analise sem clubites e com apenas o que de bom ha no futebol
Respeito pela opiniao contraria e apreco pelo adversario
Paixao sem extremismo
Teve o seu tempo. Passou. Outros que o façam ou refaçam. Se quiserem e puderem.
Quando voltar a apetecer-me escrever sobre o Sporting, será aqui. Aliás já o fiz. Mas sem obrigação alguma.
Sabe que eu uma vez dei uma espreitadela ao “És a Nossa Fé”? Verdade. Só para meter o termómetro, digamos assim, e ver se o clima por lá também era temperado, como por aqui.
Foi, por coincidência, quando o Pedro publicou um texto, a meu ver memorável, sobre aquele ataque de sportinguistas cegos de clubite “futsalística” a portistas – que por pouco não morreram assados dentro do automóvel…
Memorável porque é do mais difícil de encontrar, quem consiga manter a imparcialidade quando está em causa um verdadeiro amor… à camisola, no caso.
Nada fácil, Zebra. Garanto-lhe. Tal como cumprimentar os clubes rivais quando venciam taças e campeonatos.
Mas prefiro assim.
E eu também o prefiro assim, já podemos fundar um clube, eheheh.
Apetecia-me responder: nunca serei membro de um clube que me aceite como sócio. Mas, em nome da verdade, não posso fazê-lo.
Como já não há lugar em baixo, respondo-lhe por cima: pois não, teria que ser marxista; o que suponho que não seja, nem em versão groucho…
Ah!
“És a Nossa Fé!”
Distinta fauna. Lampiões, lagartos e morcões.
Isso é que era.
Imorredoura saudade.
(2012-2025). RIP
Um paralelismo entre a clubite futebolística e o extremismo político. No entanto, em muitos casos, um une o outro e vice-versa. Todos nós conhecemos gente excessivamente entusiasmada pelo mesmo clube mas em lados opostos da barricada na política.
Eu conheço bastantes – e poderia até declinar nomes. Mas a minha intenção não é apontar ninguém a dedo. É só demarcar-me disto. E já basta.
Ainda assim a politiquice fica sempre por cima com neves ou nevoeiros seja no prolongamento ou nos penaltis.
Caro Pedro Correia
Sábias palavras estas. O extremismo ou radicalismo, seja qual for o seu género é deplorável e só trás males ao universo.
Um abraço!
Obrigado, Rui.
Concordo, ipsis verbis, com o Pedro…
É lamentável que seja assim, mas é…
… mas cada vez mais raro.
Clubite é ouvir comentários televisivos sobre uma cena em campo que, para uns, é “agressão”, “empurrão”, “puxão descarado da camisola” e, para outros é “jogo intenso”. Clubite é “um centímetro” ser “razão forte” para se anular um golo e para outros ser “absurdo” ter sido anulado um golo por um centímetro… E por aí fora.