A “comunicação social” que berra a toda a hora contra o populismo é a mesma que adopta os temas, o tom e até a linguagem populista mais rasteira. Em incessantes – e talvez fracassadas – tentativas de multiplicar cliques e audiências. Cúmplice fervorosa daquilo que diz detestar.
Apregoa uma coisa e pratica outra, com despudorada hipocrisia.
Este pensamento acompanhou o DELITO DE OPINIÃO durante toda a semana.

Bem pensado
Duas faces da mesma moeda.
O abandalhamento da democracia está alarvemente apadrinhado por escrivas de sachola a roçar o analfabetismo e carregadores de microfones que se envergonham das baboseiras que expelem.
O Guardião da Moral
“Boa noite, caros telespectadores. Hoje, neste bastião da decência, recebemos o homem que ameaça a nossa democracia.”
É assim que começa o pivô do Jornalismo de Referência™. Tem a voz embargada de gravidade institucional e o sobrolho tão franzido que parece estar a tentar partir uma noz entre os olhos. O homem odeia o populismo. Mas odeia muito mais ficar atrás nas audiências.
O cenário é dramático. Luzes baixas, música tensa. De um lado, o nosso jornalista íntegro; do outro, André Ventura, com aquele sorriso de quem acabou de entrar num casino onde sabe que as slot machines estão todas viciadas a seu favor.
Jornalista (com ar de nojo profundo): “Dr. André Ventura, o seu populismo rasteiro envergonha o Estado de Direito. Dito isto: é verdade que os ciganos andam a roubar os subsídios para comprar Mercedes? Diga tudo, mas faça o favor de falar para a câmara 3, que é a câmara que transmite direto para o nosso TikTok.”
Ventura ajeita a gravata. O canal começa a passar em rodapé em letras garrafais amarelas: “VENTURA QUER CORTAR O RENDIMENTO SOCIAL DE INSERÇÃO AOS CIGANOS. SAIBA TUDO. VOTE NA NOSSA APP (0,60€ + IVA)”.
Ventura: “Com certeza, senhor jornalista. Nós sabemos muito bem que andam aí uns a viver à custa de quem trabalha para…”
Jornalista (interrompendo, indignadíssimo, com a mão no peito à Defensor da Pátria): “Isso é uma falácia perigosa! Uma pouca vergonha que este canal condena em absoluto! Mas, por favor, diga isso um bocadinho mais alto, que isso gera um engagement brutal no Twitter.”
Jornalista (num tom solene, quase a chorar pela Liberdade): “Para terminar, senhor deputado, não tem vergonha de apelar aos instintos mais básicos do ser humano? Não vê que essa linguagem de tasca destrói a elevação do debate político?”
Ventura: “Eu falo para o povo.”
Jornalista: “Que horror… Por falar em horror, veja a seguir na nossa reportagem especial o vídeo da rixa à facada no Martim Moniz. Fiquem connosco, mostramos tudo, não podem mesmo perder!”
A emissão corta para intervalo. O jornalista arranca o microfone de lapela, desmancha a cara de choro e vira-se para a régie, a espumar de alegria:
“Arrebentámos com isto, carago! Batemos o recorde do mês! E digam ao marketing para fazer um reel com a parte em que nós quase andamos à porrada. A malta adora odiar este gajo, é uma mina!”
E assim se salva a democracia. Com muito princípio e uma hipocrisia invejável.
Temos aqui mais um exemplo de que a diferença entre Populismo e Democracia/Social é tudo o que os utilizadores da expressão não concordam mas o povo, do qual eles se excluem concorda.
Quando os jornais indicam que algo se torna “grátis” -por exemplo transportes públicos- pelos vistos não é populismo dos jornalistas quando na verdade o título não populista seria: transportes publicos passam a ser pagos pelos contribuintes(e/ou pela divida).
A importancia da virgula.
NÃO TENHA PIEDADE
NÃO, TENHA PIEDADE.
Vírgula. Com acento.
E com a IA, já nem se dá ao trabalho de…trabalhar. É meter os ovos e a farinha na machina, um pintelho de salsa, por requinte, et voilá!
IA e automação mudam tudo. E não só no jornalismo. Tudo mesmo.
Ignorar estas evidências é tentar parar uma fenda num dique com a mão.
Notícia de hoje:
https://eco.sapo.pt/2026/09/09/liberais-pressionam-governo-a-acelerar-testes-nos-carros-autonomos/
Caro Pedro, sem dúvida.
Apenas pretendi dizer que, para um jornalismo preguiçoso, a IA só acrescenta mais desleixo.
Parece-me!
É verdade. Direi antes, alargando o conceito de “preguiçoso”: para um jornalismo incompetente.
Cliques e audiências talvez sejam um propósito, mas creio que o medo de perder o poiso, a manutenção do privilégio e serviço ao dono são as principais razões dessa despudorada hipocrisia. No entanto nunca colocar a patológica burrice como justificativa para tal comportamento.
Do resto, é espantosa a incapacidade dos agentes políticos reconhecerem o óbvio e agirem em conformidade.
Governar pelas e para as minorias, contra o bem colectivo, é o substracto ideal para enraizar o populismo. A “comunicação social” regala-se em hidratá-lo!
Cliques e audiências, só a pensar nas redes ditas sociais, é também o que explica o miserável comportamento do Chega, que após ter sido derrotado na votação parlamentar de ontem encerrou os trabalhos com um festival de grunhice raras vezes visto no hemiciclo de São Bento. Sessenta aos gritos “demissão!”, durante bem mais de um minuto, e a baterem furiosamente na madeira.
Devem ter gerado muita “tracção” no tique-toque.
O dr Aguiar branco não está á altura do cargo.
“A “comunicação social” que berra ” , ou seja , os jornalistas já não prestam para nada.
Comunicar e berrar são verbos com sentido antagónico.
O Luis Neves foi ex-diretor da PJ, não pode fugir as perguntas, é certo, que depois do avençado é tudo nivelado por baixo..
Espero que a PJ divulgue rapidamente o resultado do inquérito ao suposto assalto do gabinete de Ventura na AR.
Para o País saber se houve mesmo assalto ou se não passou de nova aldrabice do Chega para enlamear o Estado de Direito.
Pedro Correia…
Espera que a futura ORDEM DOS JORNALISTAS
sirva para “pôr ordem na casa”…
O André Ventura não é “populista”.
É objectivo e diz a Verdade…
Vai ser Primeiro-Ministro.
Tem o meu apoio…
João Barros da Costa
Ventura é um demagogo.
Em linguagem menos erudita, é um aldrabão.
É a sua opinião.
João Barros da Costa
Pois é.