Pensem comigo…


Cristina Ferreira de Almeida,

 

Em consequência da gravação divulgada sexta-feira pela TVI, José Sócrates emitiu um comunicado dizendo que vai processar os autores da difamação. Metade dos meios de comunicação social entendeu que ele ia processar a TVI, a outra metade decidiu que ele ia processar Charles Smith. A quem interessa a falta de clareza? José Sócrates quer que pensemos que ele admite que a TVI forjou a gravação? Que foi a polícia inglesa? Que é Charles Smith o autor da difamação? Ou que não lhe compete a ele decidir? Aproveitando a confusão, Charles Smith veio declarar que nunca injuriou nenhum político e que tudo isto é uma campanha antiga. Ao não negar ser o protagonista da gravação e ao lançar esta declaração no vazio, Charles Smith pretende o quê? Que pensemos que a gravação é forjada? Que, sabendo que não é considerada prova na investigação, pensemos que também ele é vítima da campanha negra? Colar-se a Sócrates para não ficar como o mau a fita? Estou confusa. Sinto-me parva. Deve ser esse o objectivo.

5 comentários em “Pensem comigo…”

  1. I Parte

    Com tanta poeira no ar
    neste caso fedorento,
    estas declarações fazem pairar
    mais um novelo bolorento.

    Para o mexilhão respeitável,
    vivendo dignamente,
    isto é insustentável
    com tanta gente deprimente!

    II Parte

    Seja corrupção escondida,
    seja corrupção visível,
    temos uma cultura perdida
    e de leitura incompreensível.

    A forma é diversa
    e as suas razões igualmente,
    não passa de gente perversa
    agindo imoralmente.

    O mexilhão trabalhador
    esforçando-se honestamente,
    repudia o incumpridor
    que enriquece ilicitamente!

  2. Eu estou a começar a ficar farta de tudo isto, o que deve ser também o objectivo de tanto baralha-e-volta-a-dar. Tenho a sensação de que estão a gozar comigo, não sei porquê. Ou sei?

  3. É exactamente esse o objectivo deles, Cristina. Esta gentinha trata sempre de fazer umas meias-declarações o mais dúbias possível, como convém, para depois poderem dizer e desdizer à vontade aquilo que disseram e até o que não disseram. Eles, sim, são os verdadeiros parvos que julgam que somos todos uma cambada de lorpas que nunca sabemos ouvir nem interpretar nada nem ninguém. Olhe, sabe que mais? Andamos a ser gozados por esta gentinha há mais de 30 anos e vai sendo mais que tempo de os portugueses fazerem de uma vez por todas, um escrutínio sério à qualidade da sua classe política, sob pena de continuarmos “ad eternun” neste marasmo em que nos encontramos. Temos neste ano uma ocasião de ouro para o fazer. Saibamos nós aproveitá-la…

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