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Sem dúvida! O homem é um tratado, um verdadeiro ‘case study’, um Robin Hood dos tempos modernos que só rouba aos ricos para dar a si próprio, em suma, o maior burlão português de que há memória.
O trocadilho entre Alves e Vale (dos Reis), até se faz bem, mas o “Homem de Lisboa” ao pé deste Vale e Azevedo era um aprendiz. Só digo mais uma coisa: Que belo romance dava a vida deste burlão, sem necessidade de ficcionar quase nada [até porque a grande mulher por trás deste ‘grande homem’ deve ser tão vigarista como o marido]. Quem se inspira e escreve a estória?
acho que o realizador Fonseca e Costa já comprou os direitos. Diogo Infante como Vale, Carla Matadinho no papel da mulher do Vale e Nicolau Breyner a fazer de bola de futebol.
Este comentário, mais uma vez saiu anónimo (treta de não ter blog no sapo). E eu que odeio a palavra anónimo.
Não entendi essa do Vale Reis.
A do Vale Reis eu acho que entendi (a idade não há-de trazer só desvantagens, rsrs ). Realmente o Alves dos Reis deve andar às voltas na tumba preocupado com o facto de poder sair do 1º lugar do ranking do maior burlão português!
Balhamedeus! E aquele ar que a toda a hora parece da pessoa mais inocente do mundo… É assim que se tornou eficaz. A convicção é o que lhe…vale!
:)))
Também pensei no Alves Reis (não tem ‘dos’), mas pareceu-me pouco evidente. Se for, está bem engendrada, sim senhor.
Só porque sou teimosa e confio nas minhas convicções
(e porque a cultura geral implica muito sedimento):
miau.pt – ID. 6940038: «BIOGRAFIA de ALVES DOS REIS» – Leilões … ffer_id=6940038 – 75k –
«BIOGRAFIA de ALVES DOS REIS» (ID. 6940038). THOMAS GIFFORD. O HOMEM DE LISBOA. LIVROS DO BRASIL. LISBOA, S/D. 428 pp. BOM ES mais. …
https://www.miau.pt/leiloes/leilao.jsp?o
Sim, sim. Tenho isso tudo e bastante mais. «O Homem de Lisboa» (que tem duas traduções, lançadas por duas editoras em português) é um mero romance de terceira categoria, uma fracota história de ficção baseada no caso. Mesmo a fraquíssima série televisiva concebida pelo Moita Flores chamou-se «Alves dos Reis».
Tudo isso e bastante mais sobre Artur Virgílio Alves Reis.
Mas aproveito para fazer uma observação: Alves Reis praticamente nunca sacou a ninguém; estabeleceu um plano delicado e detalhado para obter uma fortuna sem que alguém ficasse mal.
Acho que o Alves Reis merecia este reparo.
É justo o reparo como justa é a correcção do “dos”.
Agradecida!
:))
Dar uma golpada com “um plano delicado e detalhado para obter uma fortuna sem que alguém ficasse mal”, é mais ou menos como falar de nuvens de algodão doce…
Ficou mal ele e ficaram mal todos os cúmplices, como é óbvio.
Teria de reler de novo o livro “Homem de Lisboa” para o recomendar, mas na altura gostei muito…
Por acaso não. Ficou mal ele; apenas alguns dos outros pagaram com penas leves por se terem aproveitado (repito: alguns, poucos).
Não recolherá nada que interesse n’«O Homem de Lisboa» (v. o que escrevi acima). Se quiser mesmo tudo, com imenso interesse e todo o rigor, poderei recomendar-lhe. Com todo o gosto.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Artur_Virg%C 3%ADlio_Alves_dos_Reis
Poucos?! Ok….
Obrigada, caro João Carvalho, mas não obrigada. A troca de ideias online para mim perde o interesse a partir do momento em que uso o Google. Daí para a frente, basta ter “net skills” para “sermos” todos intelectualmente brilhantes e dotados de uma memória iluminada para o detalhe. [Digo eu, claro].
Em quem ?
Nele ou na Carolina!
Sim, realmente há diferenças assinaláveis entre um e outro.
Alves dos Reis [fui eu que o disse e como não estamos a falar de um “de” ou de um “e”, não me parece que os “dos” e os “da” acrescentem ao diminuam nada ao nome de alguém] é considerado nos manuais o maior burlão português. Pode haver, (há sempre) diferenças assinaláveis, mas – julgo eu – que era de burla e não de métodos ou impacto social que se falava…
PS: Tenho quase a certeza que no “Homem de Lisboa”, que já li há mais de 25 anos, o nome surge como Alves dos Reis.
Pois surge. Aí e em diversos outros lugares. Sempre sobre Artur Virgílio Alves Reis.
Sempre sobre Artur Virgílio Alves DOS Reis. Pois.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Artur_Virg%C 3%ADlio_Alves_dos_Reis
Wikipedia? Quis ser engraçada?
Serviço público à memória nacional:
«O português Alves dos Reis realizou uma das maiores fraudes monetárias mundiais: a falsificação de notas de banco de 500 escudos, com a efígie de Vasco da Gama, em 1925, num montante que correspondia, segundo algumas estimativas, a cerca de 1% do PIB português naquela época.
Artur Virgílio Alves dos Reis (1898-1955) nasceu em Lisboa e conseguiu ser colocado num cargo da administração colonial angolana, graças à exibição de um falso diploma, supostamente obtido numa escola inglesa que não existia. Encetou então uma série de burlas, tanto em Angola quanto em Portugal, tendo quase chegado a adquirir, graças a esse tipo de processos, uma posição maioritária na Companhia de Ambaca, antes de ser preso, na cidade do Porto, por desfalque.
Posteriormente, este Homem de Lisboa, recorrendo a mais subterfúgios, realizou a célebre fraude das notas de Quinhentos Escudos Falsos, produzidas pela mesma casa britânica que imprimia o papel-moeda do Banco de Portugal, e alegadamente destinadas a circular em território angolano.
Munido de tais “fundos”, criou o Banco de Angola e Metrópole, sob o pretexto de “assegurar” o “desenvolvimento” angolano graças à emissão de ainda mais moeda, desta feita escritural. Acabou, no entanto, por ser novamente preso pelas autoridades portuguesas, ainda em 1925, e cumpriu pena entre 1930 e 1945».
Quem disse «a falsificação de notas de banco de 500 escudos» não faz a mais pequena ideia do que caso. Alves Reis nunca falsificou papel.moeda. Ele foi o maior burlão português de que há memória, talvez um dos mais audaciosos do mundo, mas não um mero falsificador de dinheiro.
Deve ser ainda do obscuro Thomas Gifford.
O “Homem de Lisboa” não é uma obra-prima, mas lê-se com agrado. E é, sem dúvida, uma bela história dum tipo audaz.
Lê-se, mas não mais do que isso. Só que não é biográfico (creio que nem era o objectivo, de tal mdo é grosseiro em relação aos factos). Mas a verdadeira história de Alves Reis não precisava de ser ficcionada, porque é empolgante quanto baste.
Por sinal, a segunda vez que foi publicado em português saiu bem melhor. A tradução da primeira é indescritível. Não sei qual foi a ordem de saída nem se estou certo, porque não tenho nenhuma à mão, mas acho que uma foi da Livros do Brasil e a outra da Europa-América.
Já com pretensões de rigor, «A Grande Burla – O Caso Alves dos Reis», de Murray Teigh Bloom, ficou ainda muito aquém: deixa muito a desejar. Há obras rigorosas sobre a vida e o caso de Alves Reis, uma delas publicada há bem pouco tempo e amplamente documentada.
Só mais um detalhe a corrigir: ele cumpriu pena entre 1925 e 1945. É que ele foi preso em 1925 e a condenação a 20 anos de prisão (ou prisão e degredo por mais tempo, em alternativa), em 1930, tomou em consideração, como é óbvio, o tempo de prisão que já tinha. Saiu em Maio de 1945, exactamente no dia do armistício que culminou a II Guerra Mundial.
Estou em erro, ou há um livro factual recente de Francisco Teixeira da Mota sobre o assunto? Creio que sim, que abordou o assunto pela via do processo judicial.
Exactamente, Joaquim. Teixeira da Mota faz essa abordagem e vai mais longe, para dar conta d’«a biografia de uma personagem apaixonante» e da realidade que a envolve. Sei do que falo porque a vida de Alves Reis me fascina há muito e reuni diversas obras e documentação ao longo de anos, o que já me permitiu escrever e publicar várias coisas sobre ele.
O livro de Francisco Teixeira da Mota, “Alves Reis – Uma História Portuguesa” (Oficina do Livro, 2007) é muito bem documentado e muito interessante na exposição.
A título de curiosidade, digo-te que a revista mensal ‘Topos & Clássicos’ trazia há tempos uma reportagem sobre um imponente e desportivo Hispano-Suiza, que fôra matriculado em Portugal nos anos 20 e que hoje se encontra numa colecção estrangeira. Achei vagamente “familiares” o carro e algumas referências em diagonal no artigo e andei a cheirar o caso. Pude então concluir que foi um carro do Alves Reis, embora me pareça que quem o importou teria sido um dos seus colaboradores mais próximos, o José Bandeira. Engraçado, não é?
Também me lembro do carro. Achei graça à imagem do carrão e das malas de grande classe de que fala o “Homem de Lisboa”…
Não sei se seria o mesmo («O Homem de Lisboa» não é fiável em nada). Este Hispano-Suiza é um ‘grand sport’ que tinha feito uma corrida em França e que foi depois comprado para cá.
Pois, João, talvez não seja. Mas no livro, Alves Reis compra um carro desses, mandado fazer por encomenda. É claro que aquilo é ficção, por isso, não sei até onde confiar.
BIBLIOGRAFIA:
* BLOOM, Murray Teigh, The Man Who Stole Portugal, London: Secker & Warburg (1966)
* BULL, Andrew Bull, Alves Reis and the Portuguese Bank Note Scandal of 1925 The British Historical Society No. 24: pp 22-57 (1997)
* KISCH, T., The Portuguese Bank Note Case London: Macmillan (1932)
* WIGAN, Henry, The effects of the 1925 Portuguese bank note crisis, Working Paper No. 82/04, London School of Economics, Department of Economic History (2004)
* GIFFORD, Thomas, Quinhentos Escudos Falsos (thriller financeiro baseado no caso de Alves Reis; original: Man from Lisbon)
* REIS, Artur Alves, O Angola e Metropole, Dossier Secreto, ed. do autor, Lisboa. (O caso contado pelo próprio)
* TILLOTSON, John, The Portuguese bank note case, Manchester Faculty of Law Working paper n. 13 (1992)
* HONRADO, Alexandre, Alves dos Reis – Uma Burla à Portuguesa, Edições ASA, Porto (trata-se duma banda desenhada, baseada no caso, mas com alguma ficção à mistura)
* MOTA, Francisco Teixeira, “Alves Reis – Uma História Portuguesa”, Público/Contexto (1997)
LIGAÇÔES EXTERNAS:
* The Effects Of The 1925 Portuguese Bank Note Crisis, Henry Wigan, Department of Economic History, London School of Economics, February 2004.
* A case of perfect counterfeiting
Fonte: Wikipédia 🙂
Como já disse antes (e nem sei por que é que estou a repetir-me), o lapso é comum. Como toda a gente sabe, o Google é um útil recurso sem ser ‘ciência exacta’ e qualquer um de nós pode plasmar na Wikepedia, se a informação genérica for correcta e preencher alguma lacuna. O advogado Francisco Teixeira da Mota é não só o autor que mais sabe sobre o tema, mas também o mais documentado.
De resto, eu possuo toda a bibliografia sobre Alves Reis; há muito tempo que tenho todas as fontes (muitas delas nem fontes são) que mencionou e que domino outras que nem deve saber que existem.
E fico por aqui, sabe porquê? Porque eu limitei-me a prestar uma simples informação marginal sobre um lapso que é muito vulgar; e prestei-a sem qualquer outra razão que não fosse eu possuir muita informação e documentação sobre o assunto, mas fi-lo a título de curiosidade.
O meu espanto, a única coisa que estranho, é essa sua teimosia. Mas não vou esperar para entender nem perder mais tempo com pormenores. As polémicas que me prendem não são sobre preposições nem são consigo.
Não se aborreça comigo, João Carvalho. Combinamos o seguinte, como Portugal é um quintal onde mais tarde ou mais cedo nos conhecemos todos, se algum dia calhar sermos apresentados serei a primeira a pedir-lhe para me contar tudo o que sabe sobre a criatura e terei todo o prazer em ficar horas a ouvi-lo [e acredite que eu sou uma excelente ouvinte] agora o detalhe do com “dos” ou sem “dos”… enough is enough 🙂
É muito – mas mesmo muito – difícil eu aborrecer-me com alguém.