Inflação é a subida generalizada de preços e há empresas (as que não sofrem decréscimo de procura por causa dos aumentos e não são obrigadas a erodir margens) que veem os seus lucros aumentar. Destas, as energéticas (petróleo, gás, carvão e refinaria) dão nas vistas porque vendem bens que são de origem suspeita e conseguem fazer os seus lucros crescer para lá do simples efeito mecânico da inflação. Isto é, juntam culpa ao pecado que o lucro, salvo prova em contrário que (segundo Jerónimo e o economista Eugénio Rosa) nunca foi produzida, é.
A senhora Leyen e a União Europeia não têm dúvidas: é necessário um imposto excepcional, com critérios a definir, para permitir que os lucros extraordinários, que foram obtidos com a punção a todos os clientes pela via dos preços mais altos do que deviam ser, sejam redistribuídos não por quem os pagou mas pelos mais pobres do espectro dos consumidores.
Os critérios do imposto extraordinário serão, por exemplo, um terço do acréscimo de lucros sobre a média dos últimos três anos, quando aquele a exceda em mais de 20%; as receitas pertencem a cada Estado; e de que forma é que a evolução da taxa de inflação (não) será tida em conta nestes cálculos fica por conta de artigos dos próceres da Academia, que demonstrarão, se forem de esquerda, que a cobrança deveria ser muito maior, e, se forem de direita, menor.
Em Portugal semelhante imposto já existe, tendo entrado em vigor em 2014 e sido renovado sucessivamente desde então. Tentar saber, todavia, qual é a respectiva taxa, é exercício só acessível a especialistas, além de inútil, porque aparentemente não incide directamente sobre resultados, convindo ainda não esquecer o próprio IRC nem derramas, para não falar do regime do cálculo do lucro tributável, que é em si uma ciência cujos meandros são mais intrincados do que as leis que regem o comportamento das partículas no interior dos átomos.
De resto, discutir taxas de IRC em Portugal é exercício para ingénuos, interesseiros e ignorantes, que o campo de minas que é a legislação fiscal leva a que, muitas vezes, a taxa de imposto real seja superior à que se propagandeia. Parece, e é, estranho, mas isto decorre de o plano de contabilidade e as suas regras imperativas não terem, como deviam, o propósito de traduzir a situação real das empresas e o seu lucro efectivo, mas antes o de aumentar por todas as formas a porção que o Estado abocanha.
Para o público as empresas têm despesas e receitas e o lucro é a diferença entre esses dois agregados. Mas não é assim por causa do mecanismo das amortizações, das dívidas incobráveis ou tardiamente pagas, das contribuições autónomas, do IVA e de inúmeros outros – os fluxos financeiros não são a mesma coisa que a conta de exploração. Não vou dar aqui um curso de contabilidade para totós, mas acreditará o leitor que uma taxa efectiva de IRC de 86% é possível? É – já me aconteceu porque as despesas que originaram o agravamento eram do tipo que o legislador (que no âmbito fiscal é invariavelmente um patife esquerdista que trata os contribuintes como se também o fossem) considera não necessárias para a actividade.
A primeira dúvida que ocorre é esta: De onde vem a legitimidade da União Europeia, e da senhora Leyen, para criar impostos, num pano de fundo em que, como sucede no momento com a Hungria, já se permite dar ou não dar fundos consoante o Estado que os recebe encaixa ou não encaixa no modelo de aluno bem-comportado? E logo a senhora Leyen, que é alemã, portanto originária do país que criou, para si e outros, boa parte dos problemas, por ter exportado para a Rússia a poluição. À boleia de uma propaganda acéfala a favor das energias alternativas, que não o são no actual estádio de desenvolvimento científico e tecnológico, uma verdade inconveniente.
Mas há mais:
O suposto carácter excepcional do imposto tenderá, como acontece com todos os impostos excepcionais, a evoluir para permanente e mais exigente porque as empresas se adaptarão, com tempo, lançando mão de artifícios tendentes a desnatar proveitos, e a trituradora insaciável de recursos que o Estado é habituar-se-á ao suplemento;
As empresas deste tipo não tencionam fazer haraquíri e contam-se entre os grandes investidores nas energias em odor de santidade. Pense-se o que se pensar sobre os reais malefícios dos combustíveis fósseis, e as limitações dos corrupios no alto dos montes e das outras energias limpas, bem como os inconvenientes do transporte privado movido a electricidade, a pressão da opinião pública é demasiado grande e logo há mercado para tecnologias que não são ainda realmente competitivas. Esse mercado veem-no os jornalistas, que vendem tragédias anunciadas porque a tranquilidade não vende, os políticos oportunistas, com perdão da redundância, porque engenheirar o futuro dá votos, gurus da idioteira universal como Guterres, cientistas que avaliam os danos que o progresso causa nisto e naquilo da sua especialidade, mas não avaliam os que as mudanças que preconizam implicam porque não sabem nem querem saber, toda a esquerda porque é amante das bandeiras da bondade e parte da direita porque aprecia o consenso. As empresas, claro, não andam a dormir, e este novo imposto, desgraçadamente, ajuda a que tenham menos recursos para investir naquelas coisas que as pessoas que o defendem acham que elas deviam defender;
Os cidadãos são iguais perante a lei. Seria bizarro que, agora que os bancos já recomeçam a pagar juros pelos depósitos (mecanismo que a inflação veio restaurar e que aliás só foi suspenso por se ter inventado que os recursos não vêm do aforro mas de decisões de um comité de economistas e políticos pagos a peso de ouro para serem guardiães da abundância milagrosa), houvesse juros a taxas menores quanto mais se depositasse. Pois bem: este novo imposto quer dizer que quem, em vez de depositar, comprou acções destas empresas, se esqueceu do risco Estado: este é que decide quais são as empresas boas, e aberta a porta dos lucros excessivos é apenas uma questão de tempo até que a pesada mão do Fisco e da justiça vá atrás das outras, que não são energéticas mas calhem estar a ganhar rios, ou até mesmo regatos, de dinheiro – um escândalo;
A União Europeia alterou há tempos o seu modelo de relacionamento com a China, que é agora vista com alguma desconfiança, senão mal disfarçada inveja, porque cresce muito e parece ganhar em todos os tabuleiros e a Europa não. A mesma China que concorda sorridentemente com todas as medidas que o Ocidente toma para, em nome do ambiente, do futuro verde e da concórdia universal, pear a sua economia, enquanto a deles vai em roda livre.
Não é certo que a medida venha a ser aprovada, e não é impossível que, se for, venha com tantas condicionantes que sirva para alguns discursos moralistas empolgantes, alguma prosa ditirâmbica da comunicação social cegueta e alguma satisfação do cidadão europeu que vai tomar café no seu Tesla, mas para pouca receita. Entre nós, as empresas do sector, com a característica cobardia do empresariado português, já vão dizendo que “estão dispostas a falar”.
A ver se se dá um jeitinho. Eleitor aldrabado é eleitor contente, e empresário moderno aprecia o diálogo com o poder muito e a concorrência pouco.

Que empresa de energia é que lhe pagou esta prosa? O que escreve é um estendal de ideias feitas e lugares comuns.
Primeiro, a inflação não é necessariamente a subida generalizada . No caso ela é sobretudo exógena. Daí a dificuldade das políticas do BCE.
A que propósito é que a China é para aqui chamada? Ela compra ou vende energia à UE?
Von der Leyen? Não aprecio. De onde lhe vem a legitimidade? De ter sido proposta pelo Conselho Europeu e aprovada pelo Parlamento Europeu. Chega?
Já existe em Portugal um imposto dessa natureza desde 2014 e ninguém deu por nada? Então porquê só agora o barulho? O que é que se passou para que uma situação calma, de oito anos, que deixou toda a gente a dormir, deixe agora tanta gente alvoroçada?
Que eu saiba, o grande problema actual é o spot market, o papel do gás no mecanismo de construção de preços europeu. Aqui, desconfio e só isso, que toda esta loucura serve para que as renováveis não vão à falência.
Os bens de energia são de origem suspeita? Desconheço. Julgava que eram legais e legítimos.
Os cidadãos são iguais perante a lei? Diz tal coisa o artigo 13 da CRP, ou assim era. Mas as empresas não são pessoas singulares, são pessoas colectivas. Que eu saiba, a EDP não vota. Influencia, nisso acredito. Seguramente que sem votar vota muito mais que eu.
Que coisa é essa do Tesla e dos adjectivos e verbos associados?
Já agora, impostos e juros são diferentes, conceptualmente. Se a empresa não rende, que feche. Num mercado tão regulado como o da electricidade logo aparece outra. Pode suceder é que tenha apostado errado.
Repito: foi a EDP que lhe encomendou o post? É que toda esta conversa é muito bonita mas desconfio que na próxima primavera meia Europa está em convulsão e não há Meireles, Graças ou outros que consigam explicar à populaça porque é que ela deve continuar a aguentar, que é só para seu bem. Não nos tome como ceguetas.
De resto, e para que quando escreva não faça do que escreve uma espécie de cozinhado roupa velha, faça favor de ler e de 0or em prática O Discurso do Método de Descartes.
Não sei quem seja, mas se é IL estamos falados. Poupe nos advérbios e nos adjectivos e estenda-se na argumentação.
Muito obrigado pelo seu contributo, Albino Manuel. Acabrunhado pela pertinência dos seus argumentos, e pela autoridade e consistência do seu discurso, confesso: sim, o post foi encomendado pela EDP, aguardo a todo o momento o respectivo pagamento. Tenho conseguido angariar um respeitável pé-de-meia através deste processo (fazer posts encomendados, ao serviço de interesses inconfessáveis), mas nunca nenhum leitor me tinha desmascarado. Conforta-me a ideia de que na próxima primavera, com meia Europa em convulsão, estará cá o Albino para explicar à populaça porque é que ela deve continuar a aguentar, que é só para seu bem. Da outra meia ainda deve restar gente a quem me possa dirigir, desde que me paguem.
Gabo-lhe a paciência e boa educação para ter lido sequer o comentário do sr Albino. Confesso que a partir da parte em que ele escreveu “No caso ela é sobretudo exógena.” sobre a inflação acabei logo aí a leitura. Não percebe nem quer perceber que boa parte da inflação é resultado da política do próprio BCE ao ter mantido durante demasiado tempo as taxas de juro cá bem em baixo o que facilitou o crédito e dinheiro em circulação excessivo, nem que a UE ao ter apostado demasiado na transição energética para tecnologias imaturas também se colocou a jeito indo agora a correr atrás do gás cujo preço disparou naturalmente com a procura (ninguém os mandou fechar centrais nucleares a torto e a direito por exemplo). Enfim é como o nosso querido pm, a culpa é sempre externa e ele fez sempre tudo bem.
Não é exógena? Então como explica o aumento do preço da energia em 2022? Está à vista e qualquer relatório de uma qualquer organização económica internacional o diz. De certo modo é como o choque petrolífero dos anos setenta após o embargo de petróleo. Foram anos de estagflação.
Havia já tendência de aumento da inflação? É bem possível e aceito. Só que nada se compara ao que sucedeu desde o conflito na Ucrânia.
Eu? Explicar à populaça o que deve aguentar? Não serei eu de certeza e duvido que haja político que o consiga.
Também não me parece que as EDP deste mundo sejam populaça.
Nem sequer me pronunciei sobre a bondade do tal imposto. Não tenho conhecimento. Gostaria, isso sim, de perceber em palavras simples como é construido o mecanismo de preços da electricidade na UE. Do que leio, admito que sem perceber patavina, vai tudo parar ao preço do gás, por sinal a disparar. Se estiver enganado, expliquem. Cheira-me a subsídio às renováveis, muito populares por cá, tanto como as hidráulicas, enquanto os de Léon deixarem passar a água.
“Primeiro, a inflação não é necessariamente a subida generalizada . No caso ela é sobretudo exógena. Daí a dificuldade das políticas do BCE.”
Vamos lançar biliões em quantitative easing para tapar a dívida de 2008 e mais biliões de compras de dívida e mais biliões durante o covid mas os factores são “exógenos” …haha!
Entretanto a taxa do BCE é 1/9 da inflação porque os juros ultra baixos criados pelo mesmo BCE levaram ao endividamento sem controlo dos países com regimes populistas como Portugal. Logo o BCE não pode combater a inflação sem os juros da dívida de vários países dispararem por aí acima.
Portugal populista e outros como a Itália poderiam ter reduzido a dívida, mas escolheram não.
Agora a dívida vai ser reduzida pela Inflação. O BCE quer inflação é isso que é preciso entender.
Esqueceu-se de meter a palavra “marxista” aí para o meio, lucklucky.
Oh anónimo essa era para eu dizer, nem o marxismosinho nem nada. Tá bem a conversa era sobre capitalismo.
Seguindo sua disciplina, sem pretender oferecer um curso de economia para totós, a inflação é a desvalorização do dinheiro. Se as commodities (gás, petróleo…) sobem é porque o valor do dinheiro diminuiu.
O preço das coisas é influenciado pelo que os compradores pagam ou aceitam pagar. Há vários anos a esta parte as pessoas discutiam, vulgo regateavam, nas lojas e nos mercados com os vendedores o preço das coisas, e o preço era estável e o dinheiro mantinha seu valor.
Hoje vamos à loja ou aos supermercados e comemos o preço que pedem. Ninguém regateia, e diz-se que não há alternativas.
Se em Portugal os condutores optarem por deixar o automóvel em casa por causa dos preços do combustível, ao fim de 3 meses teríamos os preços regularizados. Se os distribuidores não venderem também não compram aos produtores.
Portanto, os fornecedores aumentam preços porque podem e não porque necessitam fazê-lo e tampouco por causa da inflação.
Durante a pandemia assistiu-se em todo o mundo ao aumento dos preços, porque os custos aumentaram. Porém o aumento deveu-se à desvalorização do dólar, e agora do euro.
Mas a inflação está a aumentar porque as políticas passadas de emissão de dinheiro para cobrir os défices gerados pela especulação bancária e financeira estão agora a reflectir-se.
E para os USA, em particular, submeter a EU a suas políticas agressivas de manutenção/valorização do dólar através de operações militares levadas a efeito um pouco por todo o mundo seria ouro sobre azul se a Rússia, China, Irão, India e até mesmo a Arábia Saudita não lhes tivessem cortado as vazas.
Entretanto Putin baixa as taxas de juro (7,5% agora), o rublo é a moeda que mais valorizou a nível mundial, tem excedentes de produção agrícola, baixa a taxa de desemprego para 3%, tem o Donbass sob controlo e, depois do referendo no Donbass para se juntarem à Federação Russa, declarará guerra à Ucrânia para acabar com as tosses de uma vez por todas.
E nós andaremos a chorar por migalhas que não matarão a fome até mesmo aos pobrezinhos.
“Mas a inflação está a aumentar porque as políticas passadas de emissão de dinheiro para cobrir os défices gerados pela especulação bancária e financeira estão agora a reflectir-se.”
Haha. Os estados tiveram receitas recordes de impostos devido aos grandes resultados da “especulação bancária e financeira” !
Talvez o Vento possa explicar a subida da Dívida Política de 60% do PIB para 125% da Republica Populista Portuguesa sem tomar em consideração os juros a quase zero do BCE e FED…fico à espera…
Luck, eu não queria chamá-lo totó. Mas posso continuar a ajudá-lo. Se reparou a inflação começou a disparar não durante os aumentos da dívida, que continuou com Passos. Por outro lado, o meu caro quer ir buscar valores que o Cavaco gosta de referir, sem dizer que o aumento descontrolado da dívida iniciou com ele e também por ter sido “o pai do monstro”, refiro-me ao peso do estado na economia. Mas a dívida também (re)inicia com a entrada de Portugal na CEE.
As receitas recordes que cita relativamente aos impostos estão desproporcionadas do endividamento posterior que tiveram que submeter-se para controlar a queda. Assim, se o meu caro Luck pensa que a receita que obteve no passado lhe garantirá o presente e o futuro, desengane-se.
Voltando ao estado primário do comentário, se você pensa que a emissão de dinheiro sem indexação sólida de seu valor não acarretava custos futuros, então, pense bem porque está a “mamar” agora dessa teta.
Por fim, o único tipo decente em matéria de gestão e independência da nação foi Salazar. O seu erro foi não compreender o que viria depois, podendo ter formado melhor a população. A ignorância está à vista ainda hoje, vinda em particular dos neocons e neolib que encontraram grandes virtudes no plano estalinista.
Já agora: Putin continua a ganhar terreno no Donbass. Sobre a mentira ocidental deixe-me dizer-lhe ainda o seguinte: Kharkiv oblast representa 2% do que os russos e aliados conquistaram em 6 meses. E Kupyiansk não está nas mãos dos ucranianos. Deixe-me agora falar-lhe de mortos:
cerca de 6 mil militares russos e aliados contra 100 mil ucranianos, assim: 60.000 mortos e 40 mil inutilizados.
Numero de efectivos: 200 mil russos e aliados contra um exército de mobilizados ucranianos de 500.000 soldados, com as reservas, 750.000.
Se um pequeno grupo de russos e aliados já fizeram o que fizeram, imagine o que não acontecerá depois do referendo. Mas imagine também o que está agora a acontecer e que não lhe conto.
A Rússia percebe de economia, foi esta a comparação que também pretendi fazer.
Ó Vento, tu tens um poster do Putin em tronco nu no teu quarto?
Posso enviar um para ti e mais uns quantos para as mulheres de tua família que queiras indicar.
O continuo caminhar para o Totalitarismo , neste caso da UE nem se pode chamar “democrático”.
Sobre o facto da Comissão Europeia junto com os EUA de Obama, Biden e do Partido Democrata- o hiato Trump não mudou as coisas por ser curto – terem activamente torpedeado a exploração de combustíveis fosseís é activamente censurado.nos jornais dos regimes Socialistas Ocidentais.
Os problemas com a energia existiram sempre mesmo sem guerra na Ucrânia.
Porque os problems têm sido criados pelo centro politico no Ocidente. Por cá têm sido criados pelos jornais Expresso, Publico, TVI, RTP, SIC etc.
Centro é um eufemismo para esconder o extremismo energético e não só apoiado por quem controla a narrativa.
Socialista era a sua mãe.
outro pzp
Não sou padrasto do lucklucky.
Permito-me três comentários.
– Também não sei porque esteve toda a gente a dormir durante oito anos (descontado o facto de “toda a gente” ser apenas o sector energético que tem a facilidade de repercutir impostos no preço de venda) mas terá sido no mesmo local onde tem hibernado um tal Albino Manuel que tão patentemente ignora os antecedentes e filiação política de José Meireles Graça. O facto de criticar um dos melhores estilos de escrita que conheço, será matéria de apreciação pessoal mas, desconfio, de marcante mau gosto.
– O imposto sobre lucros extraordinários vem embrulhado numa protecção às famílias que é evidentemente pretexto e falso. Se se pretendesse proteger as famílias, subsidiavam-se as facturas – como Inglaterra faz com as empresas – não se punha o Estado a duplicar serviço, primeiro na recolha, depois na distribuição.
O gato escondido é que se o Estado taxa lucros inesperados (injustos ou o que for) então teria de subsidiar prjuízos inesperados (injustos ou o que for). Como ninguém acredita que o Estado passe a regular os resultados daas empresas, a verdade que resulta é mais um pretexto para engordar o Estado e atacar as empresas. Ou seja, aplicar a ideologia de esquerda com os conhecidos efeitos de afastar o investimento e agravar a pobreza.
De resto, era possível fazê-lo de forma, não direi virtuosa mas menos gravosa. O novo tributo ficaria latente e só seria efectivado se a empresa distribuísse esses lucros “excessivos”. Prevendo que as empresas se esquivassem lançando os lucros a reservas livres, o imposto também se tornaria efectivo se essas reservas não fossem reinvestidas num período de 3 anos, à semelhança do que acontece com as mais-valias de venda de imobilizado.
– A actual crise vem pôr a nu os custos de termos abdicado da nossa soberania e os custos de aceitarmos um regime interno e externo baseado na ideologia.
Na actual situação, se independente, Portugal deveria aprofundar a relação com a Inglaterra – mesmo indexar o escudo à libra – e fazer uma política de aproximação aos EUA, idealmente com vista a um futuro alargamento da NAFTA, a única zona de comércio livre com excedentes alimentares e energéticos.
E igualmente, tentar uma aproximação à Arábia Saudita, que poderia responder a várias necessidades nacionais. Desde logo capital para investimento em geral e em particular para turismo de luxo. Depois, tem as 2ªs maiores reservas mundiais de hidrocarbonetos. E, “the last but not the least” está na primeira linha na dessalinização e na ponta de investigação em painéis solares com nanotecnologia. Pergunto-me se os politicamente correctos saberão que a quase totalidade de painéis solares que se vendem na Europa são fabricados na China.
Primeiro defende que os nossos impostos sejam usados para subsidiar as empresas de modo a que continuem a ter lucros extraordinários quando o que faria sentido era sim impor controlos de preços, mas falar nisso pelos vistos seria uma afronta ao grande capital, ainda maior que a afronta de taxar os lucros extraordinários.
E a seguir, defende que Portugal se aproxime de um país 1000 vezes pior que a Rússia (mas que felizmente tem menos poder militar, senão faria com todo o Médio Oriente o que está a fazer com o Iémen). Se a Rússia prende opositores por se manifestarem com cartazes em branco, a Arábia Saudita decapita-os.
Emigre você para a Arábia Saudita.
Responder a anónimos é de evitar. Responder a esquerdistas (tipo vulgata marxista como é o caso) é tempo perdido. Responder a mentirosos às vezes justifica-se para repor a verdade.
O exemplo inglês que dei, era isso mesmo. Um exemplo de como se pode obter um resultado (no caso manter as empresas competitivas subsidiando a factura energética) sem implicar recolha de impostos primeiro e distribuição de subsídos depois. Nem a mais enviesada leitura permite concluir que eu estava a defender a atribuição de subsidios a empresas sobre lucrativas.
P,S. – O que a Arábia Saudita faz ou deixa de fazer no Iémen não deveria impedir Portugal de obter apoio tecnológco e financeiro saudita para dessalinização ou painéis solares. Tal como o que os chineses estão a fazer aos uighurs e aos tibetanos, não impede Portugal de importar painéis solares (e muito mais) da China.
Acresce que a Arábia Saudita no Iémen está a travar uma guerra com o Irão por interpostos iemenitas. Não duvido que o Anónimo preferisse importar petróleo dos ayatollahs mas. azar, acontece que eles não têm mais nada que possa interessar. Nem sequer capital.
E, para onde é que o Anónimo vai emigrar? Irão ou China?
Interessante o whataboutismo do Chico. Como se criticar (e bem) o regime jihadista da Arábia Saudita implicasse um apoio à república islâmica do Irão. E a China, com todos os defeitos que tem, não é uma teocracia. Ao contrário desses dois países, na China as mulheres podem mostrar o cabelo.
“Um exemplo de como se pode obter um resultado sem implicar recolha de impostos primeiro e distribuição de subsídos depois.”
“subsidiavam-se as facturas”
Subsidiar faturas é o quê?
Igualmente ridículo é que Portugal saia do euro para se tornar numa colónia inglesa. A boa submissão ao imperialismo britânico sempre presente.
Antes a Inglaterra do que a Alemanha…
Antes a Alemanha que a Inglaterra. Não foi a Alemanha que fez um referendo há 6 anos a dizer que os meus compatriotas não podiam lá viver. Não é a Alemanha que tem as fronteiras com o meu país encerradas. Não é a Alemanha que proíbe os familiares do chefe de Estado de se casarem com pessoas católicas. Já não estamos em 1945. Nos dias de hoje a República Federal da Alemanha é um exemplo para o mundo. O Reino Unido nem por isso.
Não houve “whataboutism” nenhum. No Iémen defrontam-se chiitas e sunitas, os primeiros apoiados pelo Irão, os últimos pela Arábia Saudita. Quando menciona a Arábia Saudita sem referir o Irão, está de facto a apoiar este último. Tal como os “artistas” que pedem a paz na Ucrânia, sem mencionar a diferença entre invasor e invadido, agressor e agredido, estão de facto a apoiar a Rússia.
Independentemente de violência e barbárie dessa guerra – há anos foram usados gases – a Arábia Saudita está num patamar ético superior ao Irão pois pretende evitar um governo chiita que traria imediatas consequências transfronteiriças. Enquanto o Irão está a instrumentalizar um governo chiita para desetabilizar a área, tal como o Hezbollah no Líbano ou os palestinianos. Pode-se dizer que a Arábia está à defesa e a jogar em casa, ainda que uma defesa proactiva de vizinhança, e o Irão ao ataque e muito longe de casa.
Essa sua conversa não engana ninguém. A Arábia Saudita é ou era, aliada dos EUA, o Irão inimigo. Isso é que conta.que o resto é cristalino
Ódio aos EUA, ao “grande capital” aos lucros das empresas, é tudo farinha do mesmo saco. Basta ler duas linhas que o resto é cristalino.
Francisco, a propósito de agressor e agredido e de alguma honestidade de pensamento e expressão do pensamento, deixe-me apresentar-lhe Robert Parry, falecido há relativamente pouco tempo, que também acompanhou uma guerra que ao contrário do que muitos pensam não começou com a entrada dos russos em suporte de seus compatriotas no Donbass em Fevereiro de 2022. raine-through-the-us-looking-glass/
Antes de prosseguir com o assunto, deixe-me dizer-lhe que o direito internacional consigna a autodeterminação dos povos e a sua liberdade em escolher seus rumos.
Em 2014 Robert Parry ( que foi também o que despoletou a controversa realidade Irão-Contra) escreveu sobre a Ucrânia:
https://consortiumnews.com/2014/04/16/uk
Em 2015 continuou o tema (ver a crónica abaixo da imagem de Peter Sellers): bert-parry-ready-for-nuclear-war-over-uk raine/
https://consortiumnews.com/2021/12/08/ro
Deixo ainda o vídeo-doku “Ukraine on Fire” de Oliver Stone em 2016, para que o veja com calma e olhar limpo: 3/ukraine-on-fire-an-oliver-stone-docume ntary-2016/
https://www.redvoicemedia.com/video/2022/0
Nota: recomendo ainda que não fique pelo que aqui anexo em matéria de evolução do conhecimento nesta matéria. Busque outras fontes e cruze informação e acontecimentos.
Para concluir deixo-lhe a seguinte pergunta: acredita mesmo que um país falido como Portugal fosse motivo de atracção para que outros países aceitassem a indexação da moeda à sua?
Já há tempos tinha constatado que, sobre a Ucrânia, só podíamos concordar que discordamos. Assim não vou contrariar os seus argumentos mas apenas apresentar os meus.
A Rússia é o maior país do mundo mas tem uma baixa densidade populacional. A defesa das suas fronteiras é sempre problemática. Já com Pedro o Grande, depois com Catarina, estavam definidas 9 vulnerabilidades, zonas planas entre lagos e montanhas, por onde exércitos podiam chegar a Moscovo e S. Petersburgo. Ficou célebre a frase da Catarina de que a Rússia ou cresce ou morre. O império soviético controlava todas as 9 vulnerabilidades mas depois de 1991 a Rússia, já só controlava 4. Em 2008 Putín já controlava 6. A Ucrânia era a 7ª o corredor báltico a 8ª, a planície polaca a 9ª.
Por outro lado a Rússia, cultural e politicamente, oscilou sempre entre o europeísmo e o eslavismo mas este último foi largamente dominante, como é actualmente.
Com a Rússia pró-eslava, a geopolítica é indiscutível. Catarina disse-o e fê-lo, Putín não o disse mas tentou fazê-lo. Não interessa quem começou e quando. Eu acho que foi em 2002 na Chechénia, depois em 2008 na Geórgia, no assassínio do candidato europeísta ucraniano, dando lugar ao pró-russo que seria apeado em 2014 forçando a Rússia a ocupar a Crimeia e a enviar as suas Forças Especiais desfardadas para o Donbass, de onde nunca saíram.
A única questão a discutir, variem o que variarem os cenários, é se a Europa, a curto ou médio prazo, está disposta a ceder além da Ucrânia e da Geórgia, a Moldávia (e a Bielorússia se/quando cair Lukashenko) a Finlândia se não os 3 países Bálticos e uma significativa fatia da Polónia.
O caso americano é mais simples. Desde os anos 20 que os tratados de geo-política aceitam que a Rússia será sempre um competidor dos EUA. De competidor a adversário e a inimigo, isso já dependerá de circunstâncias e de políticas. Mas ningém percebe nada da política americana no Médio Oriente incluindo a 2ª invasão do Iraque e a não intervenção de americanos e curdos quando o Estado Islâmico ocupou os campos petrolíferos de Mossul se não tiver presente que manter os preços do petróleo baixos (com vantagem para a Europa mas isso era outra conversa) fazia parte da mais alargada política de conter a Rússia.
Agora que até a Alemanha parece disposta a passar frio e que os americanos estão militarmente comprometidos na Ucrânia, parece-me inútil se não insano discutir quem fez o quê e quando na Ucrânia. Parecer-me-is mais útil discutir como é que a Europa deixou as coisas irem tão longe, se de facto não queria submeter-se aos objectivos russos mas essa discussão não a querem os políticos e muito menos a senhora von der Leyen.
Francisco, você não me apresentou versão alguma. A questão colocou-se em sua afirmação sobre “agressor e agredido”. Se fosse insano você não teria abordado o tema.
Eu não discuto cenários. Se reparou, nisso que você afirma estarmos em desacordo, eu só tenho apontado certezas; e a concretização dessas mesmas certezas estão à vista.
No resto, respeito o seu exercício intelectual enquanto tal.
Porém dou-lhe uma versão simplificada do que tem sido a diplomacia americana no médio-oriente: a diplomacia americana nesse local é a mesma que a máfia usa para atingir seus propósitos. E usa agora a nato – porque pode – como jagunços para alcançar esses mesmos objectivos. Os nomes que aponta, por respeito para comigo mesmo, não me merecem considerações algumas. O que a mim importa saber é: Quem governa na Casa Branca? Que a casa branca governa a Europa, isso já sei.
Abraço
Vai emigrar para a Arábia Saudita? Tenha é cuidado com o deus a que reza em público…
Submissão nenhuma. Saindo do Euro nunca o novo escudo teria credibilidade financeira se não estivesse indexado a uma divisa forte. Não sendo o Euro, o dólar era inconveniente, o franco suiço inútil. Na prática a Libra, dado o volume de negócios e de emigração era apenas a solução lógica.
Depois Portugal estaria em boas condições para captar parte do turismo de luxo inglês. Aquele que vai para as ilhas gregas, para Itália e para as costas do Adriático.
É que, goste-se ou não, com a Europa a olhar para Ocidente, para o Atlântico, Portugal é o rosto da Europa (basta olhar o mapa). Mas com a Europa a olhar para o “hinterland” para a Rússia e a Transcaucásia de onde lhe viriam a energia e as terras e metais raros, Portugal é a cloaca da Europa. Claro que muitos anónimos medrariam nesse tráfego.
Já temos turistalha que chegue. Não precisamos de mais. E os ingleses não nos querem no país deles, porque os haveremos de querer por cá? Fiquem por lá a chorar a rainha.
“Na actual situação, se independente,… … …”.
Sem dúvida algo a poderar. Quiçá uma das melhor hipóteses para Portugal agora que esta UE/Alemanha já está a ter, ela mesma, suficiente sarna para se coçar.
Em vez de atirar poeira para o ar com aeroportos de papel melhor seria ver os PSD, IL, CDS e Chega a estudar este (saudoso e equilibrado) tema, NAFTA….
questão de tempo verbal:
preferia que dissessem já fizemos
“que no âmbito fiscal é invariavelmente um patife esquerdista que trata os contribuintes como se também o fossem”
Parece que alguém ficou triggered…
O PR dos EUA Nixon transitou a fonte do poder político do ouro/dolar para o fiat/dolar, mais precisamente o Petro/Dolar. Energia é poder político.
Sim, vivemos agora numa simbiose misto de Petro/Dolar e Opec+, não esquecendo que o topo da piramide, o poder político, é ocupado pelas mesmas entidades. Não, Biden não vive lá, só tem direito a umas (invejáveis) migalhas.
Gadafi, o Líbio, militar de profissão, tinha crude. Sonhou um ouro/Gadafi/África. Tal como outros ficou pelo caminho.
Putin, o russozinho, polícia de profissão, tem crude, LNG e carvão. Andava a sonhar com o “seu” ouro/Putin. Também está pronto para finar. Em algum túnel debaixo da estrada?.
Xi é impessoal, como a China. Herdeiro de milenar saber político e milhões de subditos, não sonha nem com ouro/Xi nem com dinastia Xi.
Sabem que tudo lhes! vai cair no regaço. E erro alheio.
Curioso o caso da Índia. Ultrapassou, em riqueza, quem os introduzio, com reconhecida propriedade, no Sec. XX, o Reino Unido. E são também são aos milhões. Curiosas culturas.
É só mais um exemplo em como o comentário está tomado pelas grandes empresas monopolistas ou quase monopolistas. Mais um exemplo de alguém que está a soldo dessas empresas ou é um chamado idiota útil.
A soldo, já esclareci aí para cima que estou a soldo.
Devia haver mais blogs de esquerda. Só que, regra geral, os eleitores de esquerda têm que trabalhar para pagar contas e não têm tempo para blogs.