
Francisco Pinto Balsemão, falecido na noite de anteontem com 88 anos, era um dos escassos sobreviventes daquele tempo pioneiro em que se instaurou a democracia em Portugal. A democracia genuína, não o regime censitário da monarquia constitucional nem a caótica década e meia da ilusória “aurora republicana” de 1910. Como fundador do PSD – então crismado Partido Popular Democrático – de que era militante n.º 1, integrou o núcleo de protagonistas daquela irrepetível era iniciada com a Revolução dos Cravos e que teve como marco essencial a Constituição, prestes a completar meio século de existência.
A importância de Balsemão começara ainda antes do 25 de Abril como administrador de jornais, sendo ele próprio jornalista. Ao transformar o Diário Popular num periódico ousado e de grande audiência no crepúsculo do salazarismo e sobretudo a partir de 1972, ao preparar a fundação do Expresso, cujo primeiro número surgiu em 6 de Janeiro de 1973, prenunciando a derrocada do Estado Novo e a instauração do liberalismo político que aqui chegou com décadas de atraso.
Hoje, aos olhos de muitos, parece ter sido um percurso linear. Nada mais equívoco. Balsemão acreditou nas promessas liberalizantes de Marcello Caetano, que fora seu professor na Faculdade de Direito de Lisboa, e aceitou integrar – como independente – as listas da União Nacional em 1969. Mas o jogo estava viciado – desde a escassa dimensão do universo eleitoral até à impossibilidade de fiscalização real dos votos pela oposição, passando pelas fortes restrições à liberdade de associação e reunião. Sem esquecer o papel castrador da censura à imprensa.
A Primavera virou Inverno. Balsemão e os restantes membros da Ala Liberal nesse falso parlamento que integrava 100 por cento de eleitos pela UN (Sá Carneiro, Magalhães Mota, Miller Guerra, José Pinto Leite, Mota Amaral, Raquel Ribeiro, Correia da Cunha, Pinto Machado e alguns outros) distanciaram-se do sucessor de Salazar, que se limitara a introduzir medidas de cosmética – a PIDE passou a designar-se Direcção-Geral de Segurança, a Censura derivou para Exame Prémio, a anacrónica UN deu lugar à Acção Nacional Popular – produto igual com rótulo novo.
A guerra sem solução política à vista nos três palcos africanos paralisava o regime e condenou-o à extinção.
Seguiram-se outros desafios, com novas frentes de combate. Balsemão resistiu quando, no frenesim revolucionário, o Expresso chegou a ser rotulado de «voz do fascismo»: foi essencial a luta que travou pela liberdade de imprensa recorrendo até aos seus numerosos contactos internacionais. Como também marcou o País pela legislação que regulou o sector da informação – e que, no essencial, subsiste nos dias de hoje.
Sem esquecer a sua acção como deputado constituinte, eleito naquela gloriosa jornada libertadora de Abril de 1975 em que pela primeira vez todos os portugueses maiores de 21 anos puderam ir a votos. Foi vice-presidente da Assembleia Constituinte. Manteve sólida parceria com Francisco Sá Carneiro no partido e mais tarde, naquele efémero Governo que durou de 3 de Janeiro a 4 de Dezembro de 1980.
Num país em choque pelo desaparecimento simultâneo do primeiro-ministro e do ministro da Defesa, Amaro da Costa, na queda da fatídica avioneta em Camarate, foi Balsemão quem pegou no leme: era o sucessor natural de Sá Carneiro no PSD e no Executivo. O Expresso ficara confiado a Marcelo Rebelo de Sousa: nenhum outro jornal criticou então tanto o Governo.
Era um teste decisivo ao fair play democrático do seu fundador. Superado com distinção.
Permaneceu cerca de dois anos e meio à frente do Executivo – até Junho de 1983. Tempo suficiente para ficar ligado a dois marcos essenciais: a revisão constitucional de 1982, que extinguiu o Conselho da Revolução, último resquício de tutela militar num regime que só a partir daí adoptou a matriz civilista integral das democracias ocidentais. Nascia o Tribunal Constitucional, consolidava-se a divisão de poderes no Estado, deram-se passos decisivos rumo à economia de mercado que a revisão de 1989 iria acentuar.
Foi também um período decisivo para a futura adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia graças à acção de ministros como o titular dos Negócios Estrangeiros, André Gonçalves Pereira, e o da Integração Europeia, Álvaro Barreto.
Com Balsemão a liderar o processo.
Era um senador da república. Chegou a alimentar ambições presidenciais, mas Cavaco Silva cortou-lhe duas vezes o passo: primeiro em 1996 (quando perdeu para Jorge Sampaio), depois em 2006 (quando derrotou Manuel Alegre e Mário Soares).
Ocupava há 20 anos um merecido assento no Conselho de Estado.
Mas foi mesmo no jornalismo que a sua acção se revelou fundamental. Após ter fundado o primeiro semanário português com figurino internacional, voltou a ser pioneiro ao lançar o primeiro canal privado de televisão a nível nacional: a SIC, cuja emissão inaugural ocorreu a 6 de Outubro de 1992. Em Janeiro de 2002 iniciaram-se as emissões regulares da SIC Notícias, primeiro canal televisivo noticioso a transmitir 24 horas.
«Tinha a elegância do risco», como acertadamente observou Rui Moreira em reacção ao seu falecimento. Também nisto protagonizou tempos irrepetíveis. Tempos em que os grupos informativos se algutinavam em torno de um clã familiar e mantinham como líder de referência alguém com manifesta paixão pelo jornalismo.
Com a morte de Balsemão, também isto desaparece: na década e meia mais recente, a paisagem mediática transfigurou-se tanto ou mais do que a paisagem política.
Tanta coisa se perdeu pelo caminho – desde logo uma certa forma gentil, cordata e dialogante de assinalar presença no espaço público. A marca distintiva de Francisco José Pereira Pinto Balsemão.
Vivemos tempos diferentes. Poucos hoje arriscarão dizer que são melhores.
Leitura complementar: A arte de resistir à sedução do poder (16 de Setembro de 2021)

Estamos a ficar sem DDTês…
Sinal de revolução, se olharmos para os preços das coisas.
Há muita gente que não percebe por que motivo as revoluções acontecem — acham que é por motivos ideológicos ou coisa assim.
A de 1974 aconteceu por apodrecimento total do regime. Até ao tutano.
Balsemão percebeu. E não gostou nem se conformou. Impossibilitado de mudar por dentro, agiu por fora ao criar o PPD logo a 6 de Maio de 1974. E fez bem.
O Senhor do Bolo
Há um homem na cidade que tem um bolo. E o bolo, para além de ser um bolo, tem um significado profundo. E a verdade é que o Senhor do Bolo é uma pessoa muito simples. Ele tem o bolo, e ele sabe que, se quiser, pode dar um pedaço do bolo a quem ele quiser, e se não quiser, também não dá. E ninguém sabe como é que o Senhor do Bolo decide quem é que vai receber o bolo. Pode ser o melhor amigo, o pior inimigo, o estúpido, o inteligente, o rico, o pobre… Não interessa. O que interessa é que ele tem o bolo, e o bolo é dele. Ele tem o poder, porque o bolo, no fundo, é uma forma de controlo. E o bolo é dado com tanta arrogância… Como se fosse uma grande coisa. Como se o bolo fosse a resposta para tudo na vida. E é isso que nós acreditamos. Que a vida é sobre o bolo.
E então, o Senhor do Bolo distribui o bolo. E quem recebe o bolo… sente-se bem. Sente-se importante. Porque no fundo, o bolo é uma mentira. E quem recebe o bolo, acredita que o bolo vale alguma coisa, mas o bolo é só uma distração. Uma ilusão que nos impede de ver o resto da realidade. Porque, ao fim e ao cabo, o que é que nós realmente temos na vida, senão o nosso bolo?
Sem qualquer dúvida, morreu o decano de uma “geração maravilha”, não isenta de erros, mas, e ainda assim, capaz de suscitar a adesão de muitos concidadãos a causas verdadeiramente democráticas.
Fica um certo sentimento de “orfandade” e uma certa nostalgia relativa aos tempos em que era possível acreditar em causas e em políticos…
Balsemão fez parte de tempos excepcionais. Tempo de pioneiros, como sublinho no texto. Em que se derrubou uma ditadura, que se construiu a democracia politica, em que se lançaram as bases da nossa íntegração no espaço comunitário europeu. Um período em que os portugueses, no seu conjunto, tiveram mais liberdade e prosperidade do que em qualquer outro da nossa história.
Já restam poucos dessa geração. Temos o dever cívico de lhes prestar homenagem.
O meu profundo pesar. Morreu um Homem grande, um Homem bom.
Um herói da Pátria que na sua incansável batalha, através da oralidade e da caneta, deu à minha geração e a dos meus filhos o conhecimento do significado de liberdade.
O meu eterno reconhecimento.
Que o Céu lhe dê a doce paz.
“Temos o dever cívico de lhes prestar homenagem.”
Pois temos, Pedro. Tem toda a razão.
Mas depois olhamos para os cidadãos deste país e consta-se isto:
“46% dos portugueses com idades entre os 25 e 64 anos tem muita dificuldade em interpretar textos e só consegue compreender textos muito curtos e com o mínimo de informação irrelevante.” (SIC Notícias, citando dados do Relatório “Education at a Glance 2025”, OCDE, divulgado em 8 de Setembro de 2025)…
Dessa forma, torna-se muito difícil que quase metade dos portugueses conheça a História do seu país, mesmo a mais recente, e que reconheça o valor de alguns concidadãos, nomeadamente a coragem e a determinação daqueles que contribuíram para a instauração da Democracia e da Liberdade individual e colectiva… Como poderão homenagear pessoas perfeitamente desconhecidas para si?
Por outro lado, a ignorância, a todos os níveis, de parte significativa da actual geração de jovens portugueses é absolutamente confrangedora, incluindo muitos dos que frequentam ou frequentaram o Ensino Superior. Mas também são muitos desses que vão a correr votar numa agremiação anti-democrática, desejosa de trazer a censura de volta. Muitos deles, nem sequer perceberam ainda o que é censura e quais são as suas implicações…
É lamentável, mas, no fundo, somos um país onde proliferam os ignorantes perigosos. Perigosos pela sua própria ignorância.
Imagino que Francisco Balsemão não olhasse para esta realidade de ânimo leve…
Balsemão remou durante décadas na direcção contrária. E foi bem sucedido, na parcela que lhe coube. Fundou o melhor jornal do país, que subsiste meio século depois, fundou o primeiro canal privado de TV do país, que mantém elevados padrões de qualidade mais de 30 anos depois. Neto único, filho único, rico de nascença, podia ter levado vida de herdeiro playboy em paraísos tropicais, como tantos outros.
Fez o contrário – o mais difícil. Merece ser lembrado também por este exemplo de vida.
Foi perfeito? Ninguém é. Mas no fim pôde orgulhar-se do longo percurso percorrido.
“Tanta coisa se perdeu pelo caminho” e tanta gente excepcional também. Vamos ficando cada vez mais entregues ao Senhor das Moscas…
Sá Carneiro e Amaro da Costa foram os primeiros a desaparecer, ainda tão cedo.
E haveria tanto a dizer acerca desse “desaparecimento”…
Pois haveria.
Errado. O primeiro a desaparecer foi Pinto Leite. Pessoalmente acredito que, com ele vivo, Sá Carneiro e os outros não teriam saído da Assembleia Nacional.
Pinto Leite morreu durante a ditadura, em 1970.
Fez por isso, à sua maneira, mas não esteve entre os fundadores da democracia.
Francisco Pinto Balsemão é um nome incontornável na política nacional, como um dos fundadores do PPD, com Sá Carneiro e Magalhães Mota, mas acima de tudo um dos nomes mais importantes do jornalismo português. Recordo-me que comecei a ler o semanário Expresso desde a sua fundação e a liberdade jornalistica que o semanário sempre defendeu, mesmo nos tempos do célebre “exame prévio”, termo criado para substituir o termo “censura” no consulado de Marcelo Caetano. Depois foi o período do denominado “Verão Quente” em que o jornal manteve a sua linha editroial, sempre de forma perfeita. Depois quando Vicente Jorge Silva criou a célebre revista do “Expresso” a acompanhar o jornal, foi o período mais aliciante do semanário para mim, porque tinhamos dois pontos de vista, por vezes até antagónicos, com o António José Saraiva no Jornal e o Vicente Jorge Silva na Revista, demonstrando mais uma vez como a liberdade de fazer jornalismo em liberdade permitia a divulgação de diversos pontos de vista.
Francisco Pinto Balsemão vai deixar saudades para todos os que amam a liberdade de Imprensa e bem merece ser recordado para sempre na memória de todos.
Os melhores cumprimentos.
A Revista do Expresso nos anos 80, sob a direcção de Vicente Jorge Silva, foi um dos marcos de excelência na história do jornalismo português.
Ainda conservo algumas edições. Resistem ao maior dos testes: o do tempo.
“… medidas de cosmética – a PIDE passou a designar-se Direcção-Geral de Segurança, …”
Essa é uma das “verdades” da história escrita pelos vencedores.
Já antes do fim real do regime – a queda da cadeira – a repressão político-judicial do regime exercia-se selectivamente sobre alguns poucos líderes da oposição (como Mário Soares, exilado para S. Tomé) mas a vigilância e investigações da PIDE, dirigiam-se quase exclusivamente ao PCP. Para isso, dispunham de uma vasta rede de informadores, muitos familiares dos membros do partido e alguns mesmo membros, que eram pagos um um saco azul (*).
A transformação da PIDE em DGS, com a sua submissão ao Tribunal de Contas reduziu esse saco azul ao osso e, simultaneamente, retirou à PIDE uma competência essencial. Para a mentalidade administrativista de Caetano, não fazia sentido uma direcção-geral civil, vigiar as Forças Armadas e essa responsabilidade foi entregue à Legião Portuguesa. Daí decorreram duas anedotas.
1ª A LP, como todos os exércitos ocidentais, tinha 4 repartições do Estado-Maior: 1ª Pessoal e instrução, 2ª Informações, 3ª Operações, 4ª Logística (os exércitos comunistas tinhas uma 5ª para acção política). E quem era até ao 25 de Abril o chefe da 2ª Repartição? Nada mais do que o major Ernesto Antunes, pai do tenente-coronel Melo Antunes, elemento-chave do MFA.
2ª A seguir ao 11 de Março, os brigadas comunistas, mais diligentes do que inteligentes, foram aos arquivos confiscados da LP e vá de prender todos os oficiais. Assim lá foi o major Ernesto Antunes parar a Caxias (**).
(*) Toda a documentação relativa a informadores, tal como códigos e planos de contingência da NATO, desapareceram quando a António Maria Cardoso foi assaltado por uma unidade de Marinha acompanhada de membros do PCP (A Marinha era a única ramo das FA que tinha células comunistas organizadas, no Exército estavam desgarrados e na FA eram quase inexistentes) assim entre os muitos militantes que receberam pensões de reforma por o tempo de clandestinidade ter sido considerado tempo de serviço público, haveria alguns que tinham sido avençados da PIDE.
(**) Honra lhe seja feita, Melo Antunes foi pessoalmente a Caxias libertar o pai).
Boa parte do que assinala sai fora do âmbito deste texto, destinado a evocar Francisco Balsemão.
Tal como escrevi, a “Primavera” caetanista foi um fracasso, excepto na cosmética. Continuou a haver censura, partido único e presos políticos.
Imobilismo.
“As reformas que não se fazem tornam as revoluções inevitáveis”, disse John Kennedy. Como se antecipasse o que sucederia dez anos depois em Portugal. Ao contrário do admirável processo de transição em Espanha entre 1976 e 1978.
A diferença é que os espanhóis tiveram Juan Carlos e Adolfo Suárez, dois verdadeiros reformistas, ambos ainda jovens (38 e 41 anos, respectivamente, em Janeiro de 76); em Portugal, havia Américo Thomaz e Marcello Caetano: o primeiro tinha 79 anos no dia 25/4/74, o outro ia nos 67.
O PR, sem envergadura política nem rasgo de qualquer espécie, funcionava apenas como travão e tampão das “aberturas”. Caetano perdeu em menos de um ano o hipotético ímpeto reformador, que talvez tivesse dez anos antes.
Aquele já não era o seu tempo.
Aquele não era tempo para dilemas hamletianos.
Deu no que deu.
“Como fundador do PSD – então crismado Partido Popular Democrático…”
Foi ao contrário. Fundado PPD, foi crismado PSD em 1976.
Lamento contrariá -lo, mas está certo como escrevi.
“Permaneceu cerca de dois anos e meio à frente do Executivo – até Junho de 1983 …”
Dos apontados marcos, Revisão Constitucional de 1982 com a extinção do Conselho da Revolução e criação do Tribunal Constitucional, considero o primeiro muito positivo mas o segundo negativo. Um Tribunal Constitucional, função normalmente exercida por uma secção do STJ, além do acréscimo de custo, criou uma força de bloqueio e aumentou a quase ditadura de partidos que caracteriza o actual regime (além de ter proporcionado episódios picarescos como a quase revolta quando se tentou mudar o TC para Coimbra).
Balsemão não deixou grande história como primeiro-ministro. Contestado e criticado desde o primeiro dia, desde o Expressa sob MRS ao seu antigo colega do triunvirato fundador do PSD, Magalhães Mota e dos seu grupo dissidente, lembro-me de alguém ter comentado que foi de vitória em vitória até à derrota final. Mas abro-lhe uma excepção.
Talvez pela sua sensibilidade desportiva e lúdica, a ele se deve a navegabilidade do Douro, projeto que admiro sem reservas mas que então não gozava de grandes apoios e tinha forte oposição. Foi uma batalha difícil que travou, creio que quase sozinho.
É verdade.
a navegabilidade do Douro, projeto que admiro sem reservas
Para que serve essa navegabilidade, além de para cruzeiros turísticos?
(É uma pergunta a sério – sei de muitos barcos turísticos a navegar ao longo do rio, mas não sei se algum barco o navega por algum motivo comercial ou industrial.)
Tem sempre vindo a cair e hoje é residual em relação ao tráfego turístico. Muito recentemente a Administração dos Portos, tenta revitalizar o tráfego de mercadorias com apoios de Bruxelas essencialmente por ser um transporte mais amigo do ambiente. Não tenho informação para saber se é um projecto viável se apenas pretexto para obter fundos comunitários.
Desde que o vinho abandonou as barricas e passou a ser transportado em camiões cisternas, não sei que tipo de produtos poderiam ser transportados pelo rio.
Mas não menospreze o turismo. Já existem a navegar barcos hotéis e os volumes têm sempre vindo a aumentar.
Então o Francisco Almeida admira sem reservas algo que, aparentemente, só serve de forma sustentável fins turísticos?
A mim não me admira que a navegabilidade do Douro não tenha pernas para andar (sem a muleta de subsídios europeus, claro), dado que o Douro não dá, nem jamais poderá dar, ligação a outros rios ou canais navegáveis que permitissem a distribução capilar de mercadorias por todo o interior da Península Ibérica.
Rios navegáveis são uma coisa ótima que a Europa do Norte e o centro da América do Norte têm, por serem territórios largamente planos. Tentar transpôr essa coisa para uma zona montanhosa como o Norte de Portugal (e a Espanha) não funciona.
Lenine queria mudar as pessoas, o Balio desejava mudar a geografia. Bravo!
Não é só fins turísticos. é um aproveitamento turístico que visa turistas de classe média-alta e que pode ser exercido fora do pico do Verão, que permite ligações – que já começam a ser exploradas – a quintas históricas. Um bom exemplo do que Portugal precisa.
Mas, claro, o Balio extasia-se com o turismo de dactilógrafas inglesas que gozam uma semana num hotel com preços espremidos pelas grandes operadoras e muito mais baratos do que um português paga, que pagaram o pacote a uma operadora internacional, viajaram em low-cost e abastecem-se num supermercado de produtos estrangeiros que são os que conhecem, para comer na praia e no hotel quando não compram também cerveja estrangeira e gin para se embebedarem nas ruas à noite.. Que, considerando que a balança alimentar nacional é deficitária, fazem sair mais divisas do que as que fazem entrar.
Um bom exemplo do que Portugal precisa.
Não. Portgal precisa de indústrias tecnologicamente avançadas. De uma forma geral, os ganhos de produtividade encontram-se no e são gerados pelo setor secundário (isto é, industrial), ocasioalmente pelo setor primário (agrícola, mineiro, etc). Só muito raramente o setor terciário, do qual o turismo faz parte, gera ganhos de produtividade. O setor terciário é bom a distribuir os excedentes gerados, mas não gera ele próprio grandes excedentes. Dificilmente uma economia se desenvolve baseada no turismo e no setor terciário em geral.
O turismo no Douro é naturalmente bom a espalhar riqueza para sítios do interior do país. Mas, tal como a generalidade das atividades turísticas, não gera grande riqueza. Apenas torna Portugal num apêndice das economas ricas – aquelas de onde os turistas provêem.
Um bom exemplo do [tipo de turismo] que Portugal precisa.
Peço desculpa pela simplificação/omissão. Esqueci-me que também era lido por pessoas com necessidades especiais.
Então, se bem percebi, Balsemão decidiu um mau investimento no terciário distributivo e deveria ter decidido um bom no secundário produtivo,… talvez qualquer coisa como a TSMC de Taiwan ou a ASML de Veldhoven.
Discordo da sua afirmação de que foi “Balsemão quem liderou o processo de adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia (CEE)”, uma vez que tal não corresponde à verdade.
Foi Mário Soares quem desempenhou o papel central no processo de adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia (CEE), primeiro como primeiro-ministro do II Governo Constitucional, em 1977, ao formalizar o pedido de adesão de Portugal à CEE, e depois em 12 de junho de 1985, novamente como primeiro-ministro (IX Governo Constitucional) quem assinou o Tratado de Adesão de Portugal às Comunidades Europeias, no Mosteiro dos Jerónimos, tratado que viria a entrar em vigor a 1 de janeiro de 1986.
Esquecer o papel de Mário Soares, um europeísta convicto que já defendia a aproximação à Europa desde os anos 60 e a sua visão e liderança fundamentais para que o processo de adesão avançasse, não me parece corresponder à verdade histórica.
Citou mal o que escrevi.
«Foi também um período decisivo para a futura adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia graças à acção de ministros como o titular dos Negócios Estrangeiros, André Gonçalves Pereira, e o da Integração Europeia, Álvaro Barreto.
Com Balsemão a liderar o processo». (sic)
Citei mal o que escreveu?
Agora citou bem. Aliás transcreveu.
O problema não está na citação/transcrição.
A questão é que, ao contrário do que afirmou no seu post “Balsemão não esteve na liderança do processo de adesão de Portugal à então CEE”. Foi Mário Soares ponto.
Se me disser que Pinto Balsemão (então Primeiro-Ministro) esteve na liderança da revisão constitucional de 1982, conjuntamente com Mário Soares (líder da oposição), que colocou fim à tutela militar sobre o regime com a extinção do Conselho da Revolução e a criação do Tribunal Constitucional e a limitação dos poderes do Presidente da República, sou o primeiro a reconhecer o papel de liderança de Balsemão.
A humildade de reconhecer o erro só enobrece o ser humano!
Volta a citar-me mal. Eu não escrevi isso que insiste em ler.
É aquilo que se pode dizer como a “leitura/interpretação ad autorem”
É a enunciação de factos.
Já lhe expliquei com toda a paciência, se lhe resta ainda alguma dúvida pode expressa-la.
… era o sucessor natural de Sá Carneiro no PSD e no Executivo …
No PSD, só depois da dissidência de Magalhães Mota(*) que era segundo no triunvirato. No Executivo, apenas como líder do maior partido da coligação, porque, apenas em termos de governo, o sucessor natural seria Freitas do Amaral, vice-primeiro-ministro.
Parece-me oportuno relembrar alguns outros dissidentes ou que integraram depois as listas da Acção Social Democrata Independente e, na maioria, acabaram no PS ou na sua área: Além do referido Magalhães Mota, Sousa Franco, Sérvulo Correia, Oliveira Martins, Jorge Miranda e Marques Mendes (não é o actual candidato) como mais conhecidos.
Todos os partidos tiveram as suas dissidências – até o Chega, fundado há seis anos.
Importa-me, sobretudo hoje, falar de quem ficou e não de quem saiu.
muito bom.
E nestas ocasioes é o que se faz : elogio.
(mas deve haver um lado lunar, sombrio … )
Nenhuma vida decorre sem sombras.
Mas hoje não é dia apropriado para acentuar isso.
A perfeição não existe. É uma quimera.
Dá pensamento da semana.
nao é sobre o tema, mas o mais provavel é que nao conheça, impossivel conhecer tudo .
camaras municipais com presidentes chamados jose, antonio ou flavio .
conta insta :
brunoaleixooficial, analise … 21 10 2025
(esclareço : trata-se de um mapa normal, como quantos sao publicados com as cores dos partidos vencedores, mas nestes caso com os presidentes jose´s … )