A lei de financiamento dos partidos foi aprovada por todos (excepto pelo deputado António José Seguro). Acesa polémica, ao concluir-se que a lei significa um retrocesso no que deve ser a transparência do financimento partidário que, tanto quanto se sabe, pode muito bem ser um dos cancros da vida política portuguesa e um meio para o enriquecimento ilícito de alguns.
Lê-se, agora, que Manuela Ferreira Leite anunciou que o PSD está disponível para ajustar a lei, se houver interpretação de que as recentes alterações têm efeitos perversos. Assinala-se. Mas lamenta-se que os partidos aprovem leis sem que, antes, tenham o cuidado de ver até onde elas nos levam. Para, depois, as alterarem quando a turba reage.
Sei que pedir leis bem feitas nos tempos que correm é pedir muito. Mas é no mínimo exigível que os deputados saibam o que aprovam. Ou também é pedir muito?

Caríssimo , acho tudo isto uma EXTRAORDINÁRIA COMÉDIA … é o que me ocorre dizer… não me permito utilizar uma expressão mais vernácula que traduziria melhor o que me vai na alma.
Reflectindo em bom Português. O custo actual das campanhas deve ser tão elevado que exige que os partidos recorram a meios expeditos de financiamento. A indignação pela tentativa de tornar legal o actual ilegal, deve fazer no entanto os partidos ponderar se não seria mais correcto prescindir de muita da propaganda lixo que a já ninguém influencia e que inevitavelmente acaba nalguma daquelas mal afamadas centrais de compostagem – como a da infelizmente mal tratada central da Cova da Beira.
Afinal, não é necessário actuar no lado da despesa?
A versão vernácula seria bem merecida, Ariel.
É cómico, sim.
Não é o custo das campanhas que está alto – é o custo de vida de quem as faz.
Como a lei é impopular (caiu genericamente mal na opinião pública), agora é que vem a disponibilidade ‘a posteriori’ para repensar! É uma nova fórmula de dizer ‘nim’!
Ora, batatinhas!
É. Legisla-se primeira e pensa-se depois.
Pois é claro que o PSD e aliás todos os outros partidos estarão disponíveis para alterar a lei do financiamento partidário.
Estão disponíveis porque ficaram surpreendidos com a reacção escandalizada de uma boa parte dos opinion makers (blogosfera incluída) ao regabofe do financiamento partidário que aprovaram.
E estão receosos de que a divulgação do caso cheire a esturro às pessoas em geral.
Não esperavam que a questão tivesse divulgação e não anteciparam o assado em que se meteram.
Mas o que retenho é mais uma vez uma realidade triste: eles não estão disponíveis para alterar a lei por ela ser uma pouca vergonha; eles dispõem-se a alterar a lei porque a que aprovaram dá “mau aspecto” e especialmente em tempos de eleições isso é de evitar ao máximo.
O que faz legitimamente recear que amanhã, se detectarem que está toda a gente distraída, são capazes de aprovar leis tão más ou piores do que esta.
É isto que mais chateia: esta malta da política não aprende, comete repetidamente os mesmos erros e repetidamente tenta emendá-los da pior maneira, abrindo caminho para os voltar a cometer na primeira oportunidade.
É por estas e por outras que deixei de votar: é que nem sequer lhes dou confiança para ir lá botar o voto em branco – não voto porque essa rapaziada não merece que eu saia de casa ou desista de uma tarde na praia, nem sequer para votar em branco.
Eu também acho que é melhor não pôr lá os pés do que ir lá votar em branco. Não ir é mesmo o desprezo total.
Há muito que vaticinei aqui que este ano serão batidos todos os recordes de abstenção. Estou agora mais convencido do que nunca. Com algum proveito para os partidos da ‘margem’ esquerda.
Paciência.
Reutilizando uma expressão recuperada por aí, chama-se a isto fazer o mal e a caramunha!
🙂
Nem mais.
Já não me lembrava desta expressão, mas é isso mesmo…
Pedir leis bem feitas é pedir muito? Valha-nos Deus, então. Se começamos a ficar satisfeitos com a mediocridade, ou pelo menos a resignar-nos a ela, não sei onde isto irá acabar…
Pois, parece que sim, Ana. Eu sei que estou um bocado repetitiva mas no ensino, os caso sucedem-se. E andamos nós a pagar isto.
E o mais grave é que todo este desgaste acaba por levar-nos a contentarmo-nos com o menos mau, por acharmos que só existe o pior como alternativa.
Mas é que é exactamente isso que acontece, Ana. É a velha máxima que diz que “o Bom é inimigo do óptimo”, só que ao contrário: – Aqui é, «O mau é inimigo do pior».
Agora trasnplantem a tendência para quem tem de lidar com leis todos os dias e que teme usar uma que deixou de estar em vigor no dia anterior…
Vai acabar no buraco que colocou lá mais para cima, Ana.
Poucos dias depois de os seus deputados terem aprovado esta lei em São Bento, sem qualquer voto contra, o PSD já vem ensaiar o habitual flic-flac, certamente por lhe ter constado que o diploma pode vir a ser vetado por Cavaco Silva. Chama-se a isto ética política. Chama-se a isto coerência inabalável. Um perfeito retrato da liderança de Manuela Ferreira Leite.
Chamemos, pois, o Pacheco Pereira, porque a senhora pode não ter sido bem interpretada.
Tens razão. O hermeneuta que se aproxime para nos ajudar a interpretar…
Não há uma única lei que o governo queira implementar, que venha ao encontro das populações, pois TODA a oposição vota contra. Mas aqui, TODOS votaram a favor. Afinal o governo de maioria faz leis para todos. Já estava a ficar decepcionado com isto, ao fim de mais 4 anos…..