
Meio Portugal continua a arder: cerca de 275 mil hectares calcinados, correspondentes a quase 3% do território nacional.
Vejo imagens do incêndio na Gardunha com um nó na garganta. Imagens que me são familiares desde a infância: Alpedrinha, Castelo Novo, Alcongosta, Souto da Casa, São Vicente da Beira. Dez aldeias do concelho do Fundão ameaçadas. A impotência das pessoas (que alguns repórteres improvisados designam “populares”, com indisfarçável desdém classista) perante o macabro anel de fogo que a todo o momento ameaça destruir-lhes os parcos haveres reunidos em décadas de esforço ininterrupto.
No conforto dos estúdios climatizados, legiões de teleteóricos debitam soluções mágicas para este terror que nos assombra Verão após Verão: de repente, os tudólogos tornam-se também especialistas no combate aos incêndios agrícolas e florestais. Enquanto o vedetismo mais desbragado floresce graças ao drama: há os “enviados especiais aos fogos” com direito a apelido em caixa alta, ao encontro dos “populares” que falam português com cerrada pronúncia beirã, levando alguns editores televisivos a legendar o que dizem.
Sinal, entre tantos outros, de que existem dois países dentro do País.
Oiço com atenção os repórteres em diferentes canais. Há uma enorme diferença entre os que aterram lá de pára-quedas sem nada saberem e aqueles que têm ligação à terra, à província e à escassa gente que ainda lá mora. Os primeiros nunca ouviram falar num aceiro, numa cumeada, em corta-fogos, em máquinas de arrasto. Não distinguem giesta de tojo nem carvalho de castanheiro. Os segundos sabem tudo isto. E valorizam a intervenção dos aviões Fire Boss no combate ao inferno das chamas no mato deixado ao abandono – anfíbios e versáteis, aterram em pistas curtas, são mais úteis nestas operações do que os Canadairs de que tanto se fala a propósito ou despropósito.
Se há jornalistas que merecem Prémio Gazeta são estes profissionais da reportagem pura e dura que trabalham com conhecimento e sensibilidade, sem horários e quase sem descanso. Tantas vezes esquecidos nas promoções internas das empresas onde trabalham. Eles são a “malta da ferrugem”, operários do ofício de relatar notícias.
Nenhum deles se imagina vedeta: vedetas são os que aproveitam estas tragédias para exibições de obsceno narcisismo defronte das câmaras. Nenhum deles se imagina herói: heróis são aqueles portugueses em desespero a quem eles dão nome e voz.
Leitura complementar:
O pesadelo (17 de Setembro de 2024)
“La culpa es del eucalipto”. Bulos y medias verdades que avivan la tragedia de los incendios. (Maria Guerrero, El Confidencial)

Num país pequeno como o nosso ter mais de 100 incendiários e mais não sei quantos suspeitos de pôr fogo dá que pensar. Estes imbecis não são todos maluquinhos e isto anda aqui coisa. E agora mais dinheiro da comunidade Europeia e do Governo esta-se mesmo a ver o que vai dar…
Esse raciocínio conspirativo vale só para Portugal ou também para Espanha (que enfrenta agora os maiores incêndios do século), França, Itália, Grécia, Croácia e Bulgária?
Não é apenas um raciocínio conspirativo, há factos que comprovam mão criminosa. E provavelmente também vale para outros países, mas o que nos interessa é o nosso, e no nosso, já está provado que não é apenas um raciocínio conspirativo, mas um facto consumado. E mesmo nos casos em que é apenas conspirativo, explique-me como é que começam dois fogos na mesma localidade, no mesmo dia, há mesma hora, e com distâncias de 5,10, 15 km?
Passou de Ricardo Costa a Pedro G ou são “dois em um”?
Nem uma coisa nm outra
Melhor assim.
Subscrevo !
A autoridade de quem sabe do que fala (Jornalismo) deve ser ouvida principalmente pelos jornalistas (pivot´s) que se calhar nunca puserem o pé no “mato”.
Nesta hedionda feira de horrores algo que me choca profundamente são os comentadores bombeiros que provavelmente também nunca puseram o pé no “mato” nem sabem o que custa estar horas e horas ao relento a fazer esforços fisicos / psicológicos titânicos para tentar salvaguardar os haveres de quem infelizmente necessita.
São os bombeiros das regiões afectadas quem melhor conhece o terreno mas infelizmente o comando está em Lisboa e nada percebe ou não quer perceber as dificuldades que existem a nível de terreno, densidade florestal, onde estão os pontos de água (se é que ainda os há).
É de facto muito grave que desde a adesão á CEE o interior de Portugal tenha sido esquecido e as pessoas que lá vivem o tenham de fazer sem bancos, sem médicos, sem CTT sem vias de comunicação de qualidade ou transportes mas enquanto se houver dinheiro dos nossos impostos e da UE para torrar em obras faraónicas como aeroportos e tgv que só irão (talvez) servir uma minoria, Portugal não tem futuro. Eu sei que o interior rende poucos votos e por isso foi ostracizado por todos os partidos nos ultimos 30 anos mas tem de se pensar e sobretudo agir de maneira diferente do que foi feito até aqui mas temo que nada vá ser feito.
As televisões mandam noviças do jornalismo para a linha da frente dos incêndios fazer reportagens e depois não levam máscara e estão sempre a falar aos soluços por causa da fumarada.
As sílabas tónicas tornam-se sílabas tóxicas. O fumo, como é sabido, causa graves danos à saúde.
Pensava eu que aquilo dos “populares” era só embirração minha ! Que raio, não podem ser “pessoas”, “habitantes”, enfim…
Obrigado e abraço
(Quanto ao resto do post, chapeau)
Fora do eixo Chiado-Principe Real, e em maior extensão fora da linha Lisboa-Cascais, para uma certa casta de repórteres as pessoas comuns viram “populares”. O adjectivo traveste-se de substantivo depreciativo e desdenhoso, ganha contornos pejorativos.
Esta má prática perpetua-se. Não deixa mal as pessoas: deixa mal o jornalismo.
Abraço, Fernando.
Lisboa-Cascais é redutor. Parque das Nações-Quinta da Marinha seria melhor. E Chiado-Príncipe Real, deixa de fora a Lapa e parte das Avenidas Novas.
Quanto aos populares, acho bem. Uma vez que, para a imprensa em geral, André Ventura é o único populista, haja muitos populares.
Parque das Nações é onde vive o André Ventura.
Num T1 de 30m2, que afinal são 50 e depois passa a 80 e o infinito é objectivo.
Ele é um relativista. Considera que tudo é relativo, a começar pela verdade.
Eles chamam populares aos que na cabeça deles são saloios, labregos ou campónios. Se virem uma mulher gorda, no campo, com uma bata, é uma popular. É verdade que os saloios também se põem a jeito, mas que os jornalistas os tratem como tal é uma vergonha absoluta.
Quando não estou em Lisboa, eu moro numa aldeia (que por acaso ardeu este ano) e não sou campónio. Se me viessem com essa dos populares e não sei quê havia logo molho. Sorte a deles, não falo com jornalistas nem para as câmaras, mas por acaso tive pena porque já tenho aqui um responso preparado para quando isso se proporcionar.
Não faça como o Cristiano Ronaldo que pegou num microfone e atirou-o ao charco.
Este ano oiço cada vez mais no espaço público um discurso que é de resignação. A indignação está dar lugar ao sentimento de que “não se pode parar o vento com as mãos”: as alterações climáticas, os pirómanos, a desertificação, tudo isso existe, tudo isso é triste, tudo isso é fado. Somada à nossa tradicional inépcia era só mesmo o que faltava este baixar de braços…
Era mesmo só o que faltava, Teresa. Mas temos de saber resistir a isso, não irmos nessa onda.
Apenas três notas:
1ª- há tantos anos que há fogos em Portugal mas nunca ouvi nenhum tudólogo falar em triângulo de fogo, porque será?
2ª- a maioria da área ardida é terreno de lítio, porque será?
3ª- fogos daquela dimensão e com aquela velocidade de propagação só com acelerante, será assim tão difícil identificar a origem?
Não há incêndios de Verão sem teorias da conspiração. Rima e é verdade.
Este ano a conspiração centra-se no lítio. Caso para perguntar se os pavorosos incêndios que têm devastado três províncias espanholas – Ourense, Zamora e Leão – também se deveram ao lítio.
Em Espanha já ardeu o equivalente a 38 vezes a cidade de Barcelona: pior incêndio do século, o pior desde 1994. Na Galiza, o pior de sempre.
Veja o boneco e perceba que o causa é climática numa dada zona da península. ue-arde-na-bulgaria-8539073
https://corta-fitas.blogs.sapo.pt/e-porq
Entenda primeiro o que é o triângulo de fogo e depois então olhe para o boneco.
Triângulo de fogo – combustível, comburente e calor * é um conceito genérico e para gestão de fogos florestais, inútil. O combustível fino (por não haver controlo, limpeza de matos, pastorícia ou fogo controlado) a temperatura, a humidade e o vento (há quem fale na regra dos 30, temperatura acima de 30º, humidade abaixo de 30% e vento acima de 30 km/h) é que são determinantes nos fogos florestais. Com essas condições preenchidas, qualquer ignição pode provocar um grande incêndio. Essas condições adversas existiam no noroeste da península. É isso que o boneco mostra) e nada tem a ver com triângulo de fogo, muito menos com lítio.
Se pouco ou nada sabe de fogos florestais além dos telejornais e das bocas nas redes sociais, não se arme em entendido porque só faz figuras tristes.
O seu discurso sobre o “triângulo de fogo” é tipo aquela conversa de café sobre física quântica depois do terceiro fino — parece sábio, mas afinal é só espuma. A “regra dos 30” não o transforma em Sun Tzu dos incêndios, nem uma lista de meteorologia o faz bombeiro filósofo.
E esse “boneco mostra” soa a versão infantil de “eu li no Reddit”. Se na próxima for para dar lições, ao menos traga fósforos, que com tanta prosápia já só falta mesmo a ignição.
Porque uma coisa é certa: arrogância não apaga fogos — só inflama a parvoíce.
Resposta típica de quem se julga moral e intelectualmente superior pelo que divaga sem um único argumento.
O senhor não presta. Não é nada que não se soubesse já mas, às vezes, é bom ir relembrar.
Lê-se nas suas palavras aquela inveja miudinha — aquela que não chega a ser ódio, mas também não chega a ser opinião. É tipo massa mal cozinhada: nem dá para provar, nem dá para deitar fora sem sujar a pia.
Quando diz que eu “não presto”, pensa que ofende. Mas não, amigo, não presta é a sua tentativa de retórica.
E depois essa pose de superioridade ofendida… Lembra-me aquelas pessoas que vão a museus só para dizer ao lado dos quadros: “Eu também fazia isto”. Fazia, mas não fez. Nem fará.
Portanto, se me permite o conselho: guarde a sua indignação de papelão. Porque para me atingir verdadeiramente precisa de algo mais forte do que frases ocas. Precisa de talento. E isso, ao contrário do seu ego, não se compra no chinês.
Continuo a dizer, a floresta arde quando queremos, é simples e explico. Se nada fizermos e deixa andar a coisa, no verão é certinho que arde em grande. A pergunta que faço é porque não arde no Inverno? Ai sim a opção é mesmo nossa. É arder no Inverno, mas em grande, as implicações para as arvores são minimas e no verão nada arde, ou se arder é mensuravel e controlavel.
Sugestão de leitura: rano-catastrofico-2025-peor-ano-incendio s-siglo-xxi-registra-fuegos-voraces-hist oria_1_12541617.html
https://www.eldiario.es/sociedad/ve
Sempre interpretei o populares como um contraponto aos profissionais (bombeiros).
Ressalva para as intervenções musculadas.
Os bombeiros, na sua maioria, são voluntários, não profissionais.
Mudança que já tarda.
Tarda e muito. Outra que também tarda e muito é um emparcelamento a sério, seja a bem, seja à força. É daquelas coisas que há (o programa “Emparcelar para Ordenar”) mas é como se não haja. Tem que se ir por outro caminho, o bizarro respeito pela “propriedade cagagésima” assilvestrada de que ninguém cuida é um dos principais factores de destruição das áreas rurais e da vida de muita gente.
Até porque para lá da evidência da eficácia que o aumento de dimensão das parcelas dos terrenos rústicos traz à prevenção e combate dos fogos (entre outros benefícios), acho que já todos compreendemos a verdadeira desmoralização que é terem que andar uns a limpar o mato das “propriedades” dos outros para evitarem que a sua própria casa arda. É dos lamentos que mais se ouve no meio do caos: eu limpei, mas os outros não. Sendo que em muitíssimos casos esses outros vivem longe, tantos até no estrangeiro, ou nem sequer sabem que a “sua propriedade” existe!
Porquê a manutenção de um estado de coisas tão estupidamente prejudicial?!
E sobre o que o Pedro diz sobre os jornalistas no terreno, não posso senão concordar. Há canais que nem entrevejo, por falta de notícia e de respeito, mas excesso de espalhafato.
Nenhum incêndio florestal filmado de dia constitui espectáculo para puxar audiências. Mal cai a noite, porém, certos canais mudam a agulha e passam a transmitir em permanência as imagens dos fogos – dantescas mas hipnóticas àquela hora.
Há qualquer coisa de obsceno nesta exibição “ad nauseam” das labaredas nocturnas. E – está provado – estimula muitos pirómanos a atear chamas: também querem “dar espectáculo”, não querem ficar para trás.
The show must go on.
Concordo, Pedro. Os canais televisivos foram tomados por um certo “voyeurismo” decadente, impregnado, aqui e ali, por algum “sadismo”, que parece pretender a obtenção de prazer através da desgraça alheia…
Concordo com a sua apreciação. Faz-me confusão que os canais noticiosos passem os dias inteiros a transmitir fogos (como se não houvesse mais nada de interessante ou importante a acontecer no mundo) e pergunto-me se esse espectáculo não é ele mesmo incentivador para os incendiários (potenciais ou efectivos).
Dias – e sobretudo noites. Porque à noite as chamas têm muito mais impacto e prendem muito mais os espectadores aos ecrãs.
“Outra que também tarda e muito é um emparcelamento a sério, seja a bem, seja à força.”
Concordo que seria uma alternativa, que poderia ajudar a uma gestão mais eficaz da floresta, mas parece-me muito difícil de concretizar. Ou muito me engano, Zebra, ou o mais certo seria que essa medida conduzisse a uma putativa “guerra civil”, sobretudo se fosse implementada “à força”.
Conheço bem uma das zonas do país frequentemente fustigada pelos fogos florestais, em concreto o Concelho de Proença-a-Nova, em pleno Pinhal Interior Sul. A população predominante é idosa ou muito idosa e cada vez mais reduzida. A maior parte dos seus descendentes “borrifa-se” para as courelas de pinheiros/eucaliptos, eventualmente recebidas em herança, só se preocupando com as mesmas quando se pretende vender alguns pinheiros ou eucaliptos. Mas se lhes falarem na possibilidade de proceder ao respectivo emparcelamento, “aqui d’El Rei”, que me podem roubar alguns metros de terreno. Com franqueza, não creio que essa população aceitasse tal medida de bom grado. E também acredito que o mesmo se passasse noutras zonas do país.
E podemos considerar que tal relutância será uma manifestação do atraso português, também em termos de mentalidade? Podemos. Mas o que é facto é que esse atraso existe e muito dificilmente permitirá concretizar o emparcelamento que refere a Zebra. É pena que assim seja, mas é a realidade que temos, na maior parte do país… “Malheureusement”.
Será. Deve ser a tal questão da “realidade portuguesa” atávica, que nada consegue alterar.
Mas o “à força” não precisa ser à cacetada, precisa ser implementar com firmeza e decisão programas e políticas que até já estão decididos, e criar condições para impôr outros que ponham fim a este caos. Já se anda com o “Emparcelar para Ordenar” há não sei quanto tempo, já se reviram as áreas relativamente às unidades de cultura, e também se vão fazendo umas publicidades ao registo dos prédios – umas publicidades muito modernaças e a pender para o artístico, na minha opinião, em excesso: não só retira clareza e urgência à mensagem, como não é adequada à grande maioria dos “alvos”.
Há que dar um prazo razoável, e bem informado, para que desapareçam as propriedades “órfãs” e as heranças indivisas – se não têm dono, ou o dono não as quer, que fiquem perdidas a favor do Estado, como aliás acontece com todas as heranças sem herdeiro. Não é nada de novo, que já não aconteça: e bem escusa de vir o herdeiro depois de passado o prazo reclamá-la, a herança perdeu-se, é a lei. Ou as expropriações, noutro exemplo, também não existem e não são aplicadas? Pois são. Estou em crer que com a devida motivação seria uma fervurinha de registos e de partilhas de prédios rústicos e mistos…
Depois, a fase seguinte: proceder à alienação a privados dos ditos prédios, de forma estruturada no sentido da optimização do emparcelamento, ou seja, dando preferência às compras “por atacado” de prédios contíguos.
Muito, mas mesmo muito, se podia fazer. Afinal, nem Portugal é propriamente o Canadá em matéria de florestas (nem em mais matéria nenhuma, eheheh), nem os “populares” do Interior são labregos incapazes de perceber os grandes benefícios que lhes trazem o registo e emparcelamento dos prédios. Claro que há sempre uma minoria de gente mais difícil, ou até estúpida: devem ser os tais que não limpam nem deixam limpar, que nos dão má fama a todos…
E também não é para isso que o Estado existe, para dobrar as manias e os egoísmos a favor do bem comum? Vão fazer o quê, os tais que preferem que antes arda o deles e o dos outros do que abrir mão, mesmo vendendo: pegar nos marcos das extremas e lapidar o GNR que vá lá expropriar-lhes o botaréu?
Também se pode ir aos “populares vs. optimates” da república romana, mas as doses de filmes tipo Ben-Hur e Quo Vadis (ou mesmo Gladiador) têm sido escassas últimamente para se poder injectar essa na conversa, “present company excepted”
É esperar pelas “reprises” da Páscoa.
Tenho dificuldade em entender porque se combate “chamas em mato deixado ao abandono”.
Se é mato sem valor que arde, porque não se deixa arder?
E deixa-se arder, sim. É só matéria inflamável. Prioridade total à defesa de vidas humanas e habitações. Depois, pomares. Os bombeiros não podem nem devem acudir a tudo.
Usar o próprio fogo para gerir o espaço florestal e rural não é um disparate, pelo contrário, mas uma coisa é deixar arder mato “sem interesse” e outra é deixar arder árvores de qualidade e muito pinhal. Quando se deixa arder florestas inteiras apenas para defender o perímetro das aldeias perde-se riqueza, para não falar da (alguma, muito pouca) vida selvagem que ainda temos.
No essencial: nós precisamos de mais árvores e não de menos árvores. Num período da história da Terra em que é visível que existe um aumento nas temperaturas médias, as árvores são a única coisa capaz de manter o planeta habitável — porque as florestas aprisionam CO2, sobretudo as mais antigas. Além da sua capacidade directa de criar micro-climas e evitar a desertificação, porque aumentam a retenção de nutrientes a água nos solos e proporcionam mais dias de chuva, menos calor, etc. A biomassa gerada por uma floresta também é importantíssima e pode ser uma fonte de riqueza energia — e até de financiamento das autarquias locais. Mas sobretudo para nós que vivemos na orla do maior deserto do mundo, ter muitas árvores é absolutamente vital.
Sou do tempo que não havia incêndios, nem helicópteros e apenas alguns bombeiros.
Mas havia incendiários, como sempre, só não havia incêndios,
Havia incendiários sem incêndios? Como era isso?
Era fácil, facílimo, senhor Pedro Correia, o próprio povo apagava a mecha, logo que cheirava a esturro.
O povo era tanto, que um balde de água nas mãos de cada um, resolvia.
Se Pedro Correia nunca viu…paciência!
Mas que havia incendiários, havia mesmo, é que está no nosso adn, incendiar.
No meu tempo, o incendiário tinha medo da justiça popular, e pensava duas vezes.
Agora, neste Portugal sem gente, substituídos por eucaliptos, árvore rara no meu tempo, e doutores, não vejo solução, nem com outro antoninho!
No seu tempo (imagino que há 60 anos atrás) os incendiários tinham uma pena, digamos que extra-judicial. Eram amarrados às arvores no local do incêndio.
Senhor Filipe Costa, há incendiários com motivações de interesses próprios e há piromaníacos.
Estes não pensam se não no espetáculo como o Nero, não pensam duas vezes, os outros pensavam no meu tempo naquele vizinho que tinha caçadeira e no outro que tinha muito mau carácter.
Daí haver uma redução grande nas possibilidades de incêndios, ao contrário desta democracia actual.
Mas agora somos mais evoluídos intelectualmente, discutimos as soluções cientificamente, somos doutores sem calos nas mãos.
No meu tempo pagavam-se propinas, era mais difícil.
Falando do outro tempo, em que «não havia incêndios», eis a memória de uma tragédia ocorrida há 59 anos: io-de-6-setembro-de-1966/
https://serradesintra.net/grande-incend
Bom, bom, era na Idade do Gelo: quem conseguisse fazer uma fogueirinha mandava nos outros todos.
Como as coisas mudam. Nessa altura sonhava-se com “aquecimento global”.
Cuidado com o que desejas, já dizia o Génio ao Aladino.
Mas como o actual aquecimento global conduzirá fatalmente a uma nova Era Glacial, podemos concluir que… isto está tudo ligado! Eheheh.
O eterno retorno. Caso para concluir: a natureza é nietzschiana.
Protecção Civil + Bombeiros = peecisavam de ser todos despedidos.
Não apagam o fogo porque essa é a estratégia que foi definida pelo monhé de Coimbra, depois do fogo do Caramulo onde morreram duas bombeiras. A partir daí (por volta de 2003) os bombeiros nunca mais fizeram contra-fogos nem enfrentam um fogo de frente. Depois é juntar esta estratégia absurda com a esperteza saloia de Sócrates e de António Costa para controlarem o impacto político das más notícias. A Protecção Civil não serve para mais nada se não isso. Aliás, já tivémos ministros ou secretários de estado que vieram da Prot. Civil.
Sobre a estratégia o que há a dizer é simples: como toda a gente com dois dedos de testa ou experiência sabe, o contra-fogo é a única mqneira de apagar uma frente com grandes dimensões. Não há outra hipótese.
Os meios aéreos são um logro absoluto – pouca ou nenhuma água chega ao chão. Só não são um logro para quem anda aenriquecer com as negociatas dos aviões e dos helicópteros.
Um outro grande equívoco é confundir apagar incêndios com a prevenção de incêndios. Uma coisa não tem nada a ver com a outra.
As razões por trás deste nível de destruição são óbvias, mas ninguém as quer admitir. Porque isso seria a admitir a sua incompetência e ignorância absolutas.
Agora as coisas melhoraram. Apareceu o deputado Ventura com um raminho a re-apagar fogos já apagados: basta ele aparecer em cena para as chamas se extinguirem pela segunda vez. E ele nem precisa de suar a camisola.
É um Clark Quente.
E já tinha andado a carregar fardos de palha e garrafinhas de água, a dar o exemplo aos lambões, apesar de ser um sobrevivente de refluxo!
O estar em todo o lado ao mesmo tempo já começa a cheirar a tara patológica. Veja-se os cartazes das autárquicas: está em todos, em todas as terras! Maravilha nunca vista.
Onde ele está mais vezes é nos estúdios da TV, isto apesar de o Chega diabolizar aquilo a que chamam “mainstream media”.
Nos últimos três meses, Ventura foi 12 vezes entrevistado na televisão – mais do que os restantes líderes políticos todos juntos. Só na penúltima, na Now, a entrevista durou 2 horas e 2 minutos (!), mais do que um jogo de futebol na final de um troféu, com prolongamento.
Jornaleiros, comentadeiros, cartilheiros avençados e afins.
Os tudólogos são o inverso do outro, que só sabia que não sabia.
Estes não fazem a menor ideia de que não percebem nada de assunto algum.
É obvio que a culpa é dos jornalistas por mostrarem que, enquanto o país ardia como como há muito tempo não ardia, o primeiro ministro preferiu manter o típico comício de verão e anunciar a grande vitória nacional de,,,voltarmos a ter formula 1!! O jornalismo com certeza que vive uma grande crise de identidade, por força de ter perdido a pedra basilar da sua existência, que é a independência. Mas o cerne da questão, o “bloggeiro” preferiu esconder, que é a manifesta incompetência do governo e toda a estrutura de comando. Foram 2 semanas críticas em que se exigia o empenho e presença a 1000% de todas pessoas com responsabilidades neste país, mas o que o país viu foi um quase desprezo do governo pela tragédia que se abateu mais uma vez sobre pessoas e bens. Não há muito tempo, este mesmo “bloggeiro” crucificou tudo quanto era governante xuxalista pela mesma atitude de aparente desprezo pela mesma circunstância, mas agora o problema ficou claro,,,são os jornalistas!!! Essa raça desgraçada que se tornou mais populista que os políticos em busca das mesmas audiências

Mil por cento é uma calinada, pá. Nem à oral vais em matemática.
“Tantas vezes esquecidos nas promoções internas das empresas onde trabalham”
esquecidos e forçados a baixar o posto. Houve um jornalista da estação publica que ao vir de lisboa para uma delegação teve de abdicar do cargo de editor.
Não me surpreende. E é profundamente lamentável, ainda mais na estação pública.
Punição exemplar para os incendiários, e acabar-se-ia com o problema dos fogos, uma vez que o fogo posto por criminosos corresponde a mais de 90% dos incêndios no país. Seria fácil, se houvesse vontade. A questão é que não há interesse em acabar com os fogos.
“Punição exemplar” é o quê?
Mais de 90% dos fogos por origem criminosa? Tem a certeza? Onde é que foi buscar essa estatística?
É um achismo.
Os incêndios em Portugal têm as suas épocas e devem ser combatidos com mais eficácia profissional, quer numa gestão adequada dos equipamentos quer nos contingentes apropriados dos Bombeiros para cada região.
Não se apagam os fogos florestais, com os políticos de férias ou escondidos nos gabinetes, nem com as televisões e seus comentadores que sabem tudo, também não é com Comissões de Inquérito nem com visitas às áreas ardidas para consolar as povoações.
É preciso planear antecipadamente as estruturas de combate aos incêndios, pelo Poder Político – Governo, Assembleia da República, Câmaras Municipais, Juntas de Freguesias, Proteção Civil e Liga dos Bombeiros – que em conjunto TÊM O DEVER de apresentar as soluções para prevenir e minimizar os desastres dos incêndios que acontecem todos os anos.
Caso contrário, o país continuará a arder e a existirem suspeitas sobre os criminosos de fogo posto e da existência de negócios obscuros, bem como de muita especulação jornalística e de oportunismo político.
A propósito, o Norte está indignado com A. Ventura que nunca visitou a área ardida de Ponte da Barca (estava de férias e fez como Montenegro), até parece, que só Pedrogão é que dá votos ao Chega.
Ventura apareceu hoje a bater com uns raminhos na caruma fingindo que “combatia fogos” numa nesga de pinhal. Tudo só para propaganda da treta nas redes digitais.
Se a demagogia fosse tributável, o líder do Chega já tinha o cobrador de fraque à porta.
De um modo geral concordo consigo. Por alguma legislação que tive de conhecer sobre esta matéria, algum conhecimento que obtive, através do televisão, de uma ou outra personalidade especialista, concluo que existe legislação mais que suficiente, além de minimizarem o efeito dos incêndios, que nunca acabarão, poderá ter alguns efeitos económicos. Existe legislação para a limpeza dos terrenos, para a demarcação da área estritamente florestal; área florestal e não florestal. para fins económicos. É de lamentar que a esmagadora maioria das câmaras municipais não possuam os seus planos diretores para as florestas. No entanto, com alguma criatividade administrativa, poder-se-á contornar tal dificuldade, com a possibilidade de haver situações mais ou menos litigiosas. Estas áreas têm de estar separadas, entre si, por uma área suficiente para que o fogo de uma área não possa sobrar para outra. É um trabalho contínuo, sem princípio, nem fim, pelo menos no que diz respeito à limpeza e manutenção. Meios para tal execução? Se se encarar esta responsabilidade, como o mesmo entusiasmo, como se encara o caminho da seleção nacional de futebol, por exemplo, tudo se resolverá, com altos benefícios para o país. Deixem-se de comissões de qualquer natureza.
Prioridade total: concluir o cadastro das propriedades rústicas, tarefa muito longe de estar concluída e sem a qual será impossível qualquer reordenamento eficaz do território nacional (norte e centro do País).
Nada de substancial poderá ser feito enquanto não se souber quem são os titulares das propriedades. Supõe-se que haverá cerca de 400 mil proprietários de 11,7 milhões de prédios rústicos. Há um cadastro simplificado em 153 concelhos que até hoje só identificou 30% desse total.
Contactei, a primeira vez com alguns mapas cadastrais, em 1975 ou 1976. O trabalho de campo iniciou-se dez anos antes .Esse trabalho incluiu 90% de território a sul do rio Tejo. De início, nesse mapas, a identificação de prédios rústicos foi difícil. Mas, passado algum tempo, tudo voltou à normalidade. Também aqui haviam heranças indivisas e nelas e fora delas não se conheciam os nomes dos proprietários. Então como o trabalho foi executado, mesmo que tivesse durado dez anos? Dizia-se que os funcionários encarregados desse trabalho, quando não sabiam os nome dos proprietários, perguntavam aos proprietários vizinhos, que indicavam um nome. E foi assim que se cadastraram todos os prédios rústicos da zona sul do Tejo. E tenho para mim, que se adotar o mesmo método, ainda que discutível, pode fazer-se o cadastro da propriedade da zona ao norte do rio Tejo, precisamente por ser de menor dimensão. Não pode haver prédios rústicos com inscrição matricial própria com área inferior a 0,5 ha. Os trabalhos do cadastro geométrico da propriedade rustica nunca deviam ser interrompidos.
Agradeço-lhe o testemunho que partilha connosco. Creio que a Sul do Tejo o cadastro estará concluído. O problema é a norte e centro, com cerca de 10 milhões de terrenos rústicos, muitos dos quais ainda sem proprietários identificados devido em larga medida a heranças indivisas que se perpetuaram no tempo.
Concordo consigo: esses trabalhos nunca deviam ter sido interrompidos.