Por Baco e Dionísio!


Carlos Barbosa de Oliveira,

Com o fim de semana à porta lembrei-me que, depois da tensão dos últimos dias, poderia escrever sobre o vinho, para animar as hostes.

Já experimentou pedir num desses bares que animam a noite lisboeta uma garrafa de vinho? Se nunca o fez, experimente! Vai ver a cara da pessoa a quem fez o pedido e sentir-se como um bêbado que se enganou na porta da taberna.

Na noite lisboeta corre a insípida cerveja, o social whisky, o altaneiro gin, a democratizada vodka, ou o empertigado rum.

Volteiam no ar os “shots”, integra-se, sorrateiro, o absinto, acampou a folgazona caipirinha, mas a entrada está vedada ao vinho.

Sendo entre todas estas bebidas, com excepção de algumas cervejas, a de mais baixo teor alcoólico, o vinho foi proscrito da noite (com a quase honrosa excepção das casas de fado) e deixou de ser considerado “bebida socialmente correcta” – a não ser que venha seguido dos qualificativos Porto ou Madeira, esses sim com direito a acompanhar outras bebidas estrangeiras.

Mas se o leitor for daqueles que não desistem à primeira e obstinadamente procurar beber vinho num desses locais de culto da noite lisboeta, fica desde já avisado de dois pequenos pormenores: a oferta é reduzidíssima e os preços avassaladores.

Na Bíblia podem encontrar-se 450 citações sobre o vinho, todas elas em defesa do precioso néctar, considerado bebida sagrada que todos devem ter direito a usufruir.

Então, por que razão anda por aí gente a querer tirar-nos esse direito?

4 comentários em “Por Baco e Dionísio!”

  1. Subscrevo.

    É precisamente por isso que às vezes dá vontade de convidar uma ou duas pessoas para virem cá a casa, com pouco dinheiro compra-se uma ou duas garrafinhas de um vinho (alentejano, sempre alentejano) muito aceitável, junta-se uma chouriça lá da terra, uma músiquinha porreira, uns cigarros e voilá! Gasta-se menos de metade do dinheiro que se gastaria no Bairro Alto, e passa-se uma noite excelente!

  2. “E depois, a essa água clara, pela chama e doçura interior da alma, transformá-la nós mesmos, incansavelmente, em vinho. Friedrich Nietzsche …”

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