Por falar em episódios degradantes


José Gomes André,

No Parlamento recorre-se a linguagem de bordel e solicita-se pancadaria para resolver diferendos. No Twitter, o director do Público envolve-se em chalaças com um blogger. Quando este lhe pergunta o porquê de o jornal ter escolhido Sócrates como alvo, José Manuel Fernandes responde: "[O Público] não escolhe. É quem se põe a jeito. Já foi o Santana, o Isaltino, o Saleiro. Agora o que está a dar é o Loureiro e o dito cujo." Belas expressões de uma pessoa com esta responsabilidade…

E como se comporta a oposição neste debate público elevadíssimo? Brinca às petições ou pura e simplesmente desata a fazer traquinices. Exagero? Só um exemplo surreal: Tiago Azevedo Fernandes,  militante do PSD e dinamizador do site A Baixa do Porto, registou o endereço www.sócrates2009.com. Nesta brincadeira de hacker adolescente, encontramos uma página com uma das casas "projectadas" pelo primeiro-ministro e o slogan: "A Força da Mudança para um Portugal mais Fino". A que se segue o comentário profundo: "Hmmm, pensando melhor…" — e os links para o site oficial do PSD e para o Construir Ideias. Mas que fantochada é esta? Como é que esta gente tem a lata de falar em credibilidade? Ah, e tal, era só uma graçola? Então juntem-se às Produções Fictícias e deixem de nos vender que têm um projecto político sério para o país.

[P.S. Post corrigido. O meu pedido de desculpas aos leitores e aos visados pela informação incorrecta que constava do texto inicial].

35 comentários em “Por falar em episódios degradantes”

  1. Sabe, José Gomes André? Tudo isto até tem piada, é engraçado, diverte-nos. O que, em altura de depressão, não é de somenos.
    Mas todos temos que escolher um caminho. Eu posso debitar banalidades, roçar a brejeirice, dizer tolices, porque, a não ser nas coisas que faço e têm de ser bem feitas, porque é a minha vida, não me levo a sério no que vou escrevendo por aqui e noutros sítios. Distingo os planos, renunciei a parecer um tipo com sentido de Estado, como fica bem dizer-ser e, sobretudo, parecer-se. O drama é quem se leva a sério, que tem cargos sérios e que não tem a noção do ridículo. Que está no Parlamento, no Governo ou na direcção dum jornal com a mesma ligeireza com que debita banalidades num blogue.
    Daí a minha grande preocupação. Os que andam na ribalta são fraquinhos. As alternativas que se empertigam não oferecem muito melhor. Em suma: estamos feitos.

    1. O seu comentário é excelente, caro Joaquim, em especial a parte em que escreve “O drama é quem se leva a sério, que tem cargos sérios e que não tem a noção do ridículo. Que está no Parlamento, no Governo ou na direcção dum jornal com a mesma ligeireza com que debita banalidades num blogue.”. É este total desprezo pelas funções políticas e esta falta de dignidade profissional que enfraquece este regime político e este país a cada dia que passa…

      A questão evidentemente não é o uso de palavrões (quem os não diz?) ou o estilo “chico de almada” das intervenções políticas, mas sim o momento, o local e o contexto em que surgem. Mas quando os comentadores oficiais (Luís Delgado, Mário Bettencourt Resende, entre outros) vêm desvalorizar o sucedido, está tudo dito…

  2. Hoje na AR
    Conversa azeda entre Eduardo Martins e Afonso Candal na AR

    José Eduardo Martins, partner da Abreu Advogados assessorou a Iberdrola do seu amigo Pina Moura no concurso para a construção e exploração do Complexo Hidroeléctrico do Alto Tâmega. A proposta da Iberdrola foi ganhadora e a Iberdrola investe 1.700 ME em quatro barragens.
    Quantos negócios não fizeram o Dr. Martins apoiado nas informações privilegiadas da AR e que levou para o seu escritório?
    José Eduardo Martins, da comissão Politica da Ferreira leite, Vice-Presidente do Grupo Parlamentar do PSD, membro da Comissão da AR para o Acompanhamento das Questões Energéticas e membro da Comissão de Poder Local, Ambiente e Ordenamento do Território.
    O Eduardo Martins é o lado negro do PSD e dos negócios do ambiente. Aquele que vai enterrar a Manuela. Um vendilhão. Arrogante, e que tem vergonha das suas origens humildes, de talhante da lapa. Um pobre coitado, rico com negociatas á esquerdo é a direita.
    O Zé Eduardo anda sempre onde anda o dinheiro. Espero que a MFL acorde e meta o zeze Martins a um canto, a contar gramas de fiambre.
    Já agora o Almeida podia ajudar na máquina registadora e a corte deles, na fila da sopa dos pobres. Pobre Manuela, nas mãos destes.
    Ver o Artigo do JN de Paulo Morais de 4 de Fevereiro: “Os senhores deputados andam, pois, a tratar de vida; da sua e daqueles a quem devem obediência. Muitos deles estão associados aos grandes escritórios de advogados que dominam o circuito legislativo em Portugal. Chegam mesmo a utilizar o Parlamento como delegação do seu próprio escritório, tendo em vista o acesso aos meandros do Poder que o cargo lhes permite.

  3. Peço desculpa por esta intromissão, mas goastaria de dar a minha opinião, como dona de casa e mulher do povo.
    Portugal está transformado numa enorme tenda de circo.
    Os “ilustres palhaços” vivem à custa do humor negro e da bandalheira; perderam todo o sentido do decoro e principalmente da boa educação.
    Ressalvo que gosto e tenho carinho pelo verdadeiro Circo e pelos verdadeiros palhaços que me fazem rir com as verdadeiras e sadias palhaçadas.

  4. Os professores costumam organizar visitas de estudo ao parlamento, para mostrar aos alunos como funciona a democracia e como se decidem as coisas no nosso país… Espero sinceramente que não andassem por lá ontem…

  5. Significativo parece-me ser o silêncio dos indefectíveis defensores do PSD que neste blog e noutros se divertem, do alto do trapézio, a atirar pedras aos vidros como crianças que gastam o seu tempo num jogo.
    O episódio, degradante, é certo, foi protagonizado pelo Sr Martins mas desenganem-se, amanhã será um qualquer deputado de uma qualquer outra bancada.
    Perguntem-se antes, o que é que vamos fazer?

            1. O blogue não é meu. É de todos quantos cá escrevem e também de quantos cá entram para comentar, desde que o façam com civilidade. Como é óbvio, nunca responderia a ninguém dessa maneira. Nem ninguém por cá admite que alguém use “argumentos” desses.
              Capice? Tenha um bom dia.

    1. O nosso blogue deve ser um arco-íris. No outro dia, destacavam-nos como um excelente blogue de esquerda. Agora, somos um antro de “indefectíveis defensores do PSD”. Como é, afinal? Isto é tudo um bando de revolucionários ou de reaças?

      1. Provavelmente, nem uma coisa nem a outra. Se me ler com atenção não me referi à orientação editorial do blog (nem sei se a tem), mas que há indefectíveis isso há, leia o Sr Gorjão por mero exemplo. Se o blog for um arco-íris então tanto melhor, é mais agradável ver o céu com essas cores do que toldado de cinzento. De resto também há lugar no universo para indefectíveis, que na blogosfera são maioria; difícil, difícil é ser-se independente e pugnar por ideias não formatadas.

  6. Totalmente de acordo como o que Coutinho Ribeiro escreveu no 1º comentário, ou seja: «Quem não quer ser lobo não lhe veste a pele.»
    Mesmo quem anda pela blogosfera ou pelo Twitter (ou pela vida…) sem ter de provar nada a ninguém (nem a si próprio), usa o chá que bebeu em pequenino. O problema é que há muitos que já só beberam coca-cola

  7. Caro José Gomes André,

    enquanto Director Editorial da Plataforma Construir Ideias (http://www.construirideias.pt/), gostaria de deixar aqui uma rectificação factual ao seu post: O Tiago Azevedo Fernandes não tem qualquer ligação com esta plataforma nem teve ou tem qualquer tipo de colaboração com a dinamização do seu site.

    Peço-lhe que corrija a informação errada que prestou no corpo do seu post.

    Obrigado,

    vasco Campilho.

  8. Num debate na AR, os deputados Afonso Candal (PS) e José Eduardo Martins (PSD) envolveram-se numa acesa discussão. Tudo terminou com um troca de palavras imprópria que em nada dignifica os deputados.

    Afonso Candal, acusou objectivamente o deputado do PSD, de ter uma determinada opinião, devido aos interesses pessoais no assunto. José Eduardo Martins revoltou-se e, fora de si, proferiu os impropérios.

    1. Afonso Candal devia preocupar-se com os interesses dos portugueses, já que foi para isso que o elegeram, e não com os hipotéticos interesses pessoais de qualquer deputado.

    2. José Eduardo Martins, mesmo ferido na sua honra, deveria ter pedido a palavra para defesa da mesma, em vez de gritar palavrões. Atitude que em nada dignifica a AR.

    Para mim, este tipo de episódios são – a par da corrupção dos políticos, da sua profissionalização e da falta de sentido de missão – uma das grandes razões para que a nossa democracia se degrade de dia para dia.

    1. Caro Tiago Azevedo Fernandes, lamento a informação errada sobre a sua relação com o Construir Ideias. Já estou a rectificar. Cumprimentos! (p.s. pelo menos aqui não foi censurado!)

        1. O ‘Abrupto’ não publicou a sua opinião? E admira-se? O Sr Abrupto não responde aos leitores dissonantes, é um ser superior, quase um deus. Há quem faça política assim.

  9. Eu também fui censurado no Abrupto. Mandei um poema da minha autoria sobre a primavera e o malandro do JPP não publicou!

    Vamos abrir uma petição contra a censura no Abrupto e criar um blogue com ecos no Twitter, no Facebook e no Borda d’Água para publicarmos todos os textos censurados pelo Abrupto?

    1. É verdade. Quando há muito tempo descobri que o endereço estava livre, registei-o. Ofereci-o de graça, sem qualquer contrapartida, ao Pacheco Pereira. Ele não quis. Eu fiquei com ele, e tem lá um link para o Abrupto. Algo de errado nisto? Ou uma boa ocasião de um anónimo ter estado calado? 😉

      1. O que me parece é que alguém que tem por hábito registar a seu favor dominios, blogs, petiçõe etc nos nomes de figuras públicas conhecidas, não é um simples inocente.

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