Como portuense "expatriado", sigo com interesse a vida da minha cidade que, ao contrário de alguns, nunca reneguei. Não escondo que gostaria de ver Elisa Ferreira à frente da Câmara. É uma pessoa competente, honesta e afável, que ainda por cima ama a cidade.
A sua candidatura leva, por isso, um selo de garantia adicional, que Rui Rio nunca poderá exibir porque, notoriamente, não gosta do Porto e pouco mais tem feito por ele do que esbulhar o seu património.
Resta saber se os portuenses quererão Elisa Ferreira a liderar os destinos da cidade. Se a recusarem, estarão, provavelmente, a contribuir para que o Porto se continue a afastar de um lugar de centralidade que, por mérito próprio, deveria ocupar no Norte da Península Ibérica, ganhando mais peso no contexto do país.
Não gostaria de ver o Porto remetido a um papel secundário, prolongando o extertor de uma cidade que, desde Fernando Gomes, não voltou a ter um presidente de câmara que a projectasse para o exterior.
Os portuenses estão muito insatisfeitos com Rui Rio, mas isso não significa que pretendam eleger Elisa Ferreira.
O Porto está cansado de ter autarcas que utilizam a Câmara como trampolim para um lugar que sonham ocupar em Lisboa ou na Europa. Elisa Ferreira já foi Ministra (com excelente desempenho) e já teve a sua experiência europeia, pelo que a Câmara do Porto não lhe servirá para catapultar ambições. No entanto comete, em minha opinião, um erro que poderá ser grave, se não o souber explicar aos portuenses: vai candidatar-se ao Parlamento Europeu.
Os portuenses não costumam perdoar estas coisas e dentro do PS local há também quem não apoie Elisa Ferreira pelas mesmas razões. A unanimidade que foi transmitida no dia da apresentação da candidatura é fictícia. Há muito boa gente, no PS Porto, que tentou, até à última hora, impor à concelhia um candidato alternativo. Não me parece que estejam dispostos a empenhar-se na candidatura da independente Elisa Ferreira. A ausência de Francisco Assis na cerimónia foi, aliás, uma mensagem nesse sentido.
Por estas duas razões, o PS arrisca-se a perder uma autarquia que facilmente ganharia com um candidato consensual e que mostrasse desapego por Bruxelas.
Acresce que Rui Sá e mesmo Teixeira Lopes são dois candidatos de peso e Rui Rio coligou-se com o PP. Por tudo isto, as eleições autárquicas no Porto prometem uma luta acesa, com a vitória a decidir-se por escassa diferença de votos.
Uma vantagem para Elisa Ferreira, que terá mais facilidade em estabelecer pontes à direita e à esquerda do que Rui Rio, cujo estilo “quero posso e mando” convive mal com acordos pós-eleitorais.
Na hora de votar, os portuenses também não deixarão de equacionar a situação interna do PSD, pois após as legislativas Rui Rio também será candidato à sucessão de Manuela Ferreira Leite.

Uma nota breve em relação à entrevista de ontem, se me permite, em despropósito relativamente a este post.
As opiniões que exprimiu colam-se à realidade e reflectirão experiência de vida.
Programa novas oportunidades para empresários – muito bom – eu acrescentaria, e Escolas para Pais, a ver se o paradigma muda finalmente.
“esbulhar”?!
Ó Carlos…
Onde estão os elementos de prova de que Rui Rio tem vindo a “esbulhar” o património do Porto?
Trata-se de uma acusação ou mero fruto da ignorância do significado das palavras?
Num caso ou no outro, oxalá o assunto não deixe de ser tratado na sede adequada, os tribunais. É que não há direito que persista tanta irresponsabilidade à solta…
Não sei se ela vai lá, Carlos. A malta não grama o Rui Rio mas grama votar nele, carago!
Que maluqueira! Só faltava o Tribunal. Tomaram-lhe o gosto.
E já agora, nem todos acham giro votar no senhor “só eu sou honesto”. Há mesmo quem recuse mudar o seu local de voto, até conseguir derrubar o dito.
Isto de ser do Porto e viver no Porto tem que se lhe diga.
O Assis, Carlos, fez uma campanha vergonhosa. Passou-a entre Estrasburgo e Bruxelas. Acredito que a Elisa dará o litro.
Como o Carlos sabe já, estou- até ver…- totalmente desencantada com os partidos, mas ela apresenta-se como independente- será?
O que queria mesmo dizer é que alguém que a conhece bem, e está nos antípodas do P.S., me afiançou ser ela uma boa pessoa, honesta, o que no actual panorama político português não é de desprezar…
Independentíssima, claro.
Nem outra coisa seria admissível…