José Sócrates, que lidera um governo minoritário, tinha toda a conveniência em chamar a São Bento os líderes dos partidos da oposição, procurando sensibilizá-los para a necessidade de haver respostas conjuntas à grave crise económica e financeira em que o País mergulhou. Seria até uma excelente ocasião para o efeito, neste dia em que a Assembleia da República suspendeu a agenda de trabalhos devido a uma inédita greve dos funcionários parlamentares. No entanto, deixou o líder do principal partido da oposição tomar a iniciativa. O encontro de hoje na residência oficial do primeiro-ministro ocorreu na sequência de um telefonema de Pedro Passos Coelho a Sócrates. Como se Passos já fosse o primeiro-ministro e o líder socialista tivesse sido remetido a uma cura de oposição.
Enquanto o PSD de Passos Coelho trava um ameno diálogo com Sócrates, dispondo-se a encontrar soluções de convergência com o Governo para reduzir o gigantesco défice português, o PSD de Manuela Ferreira Leite continua a conduzir um inquérito parlamentar destinado a demonstrar que o chefe do Governo é um indivíduo que mente, não tem carácter nem merece confiança. Uma situação de pura esquizofrenia política, bem reveladora das duas faces que os sociais-democratas persistem em exibir aos portugueses.
Mas a esquizofrenia não se reduz ao PSD. O PCP, partido leninista, deixou José Pedro Aguiar-Branco roubar-lhe a bandeira do leninismo na sessão solene comemorativa do 25 de Abril. Os comunistas já não são o que eram: há quanto tempo não ouvimos Jerónimo de Sousa citar Lenine?
Na mesma sessão, o Presidente da República optou por tecer longas considerações sobre o mar, apontando-o como “novo desígnio”, como se o País não estivesse em risco de naufragar e vivêssemos todos bem aconchegados num doce Portugal dos pequeninos. Crise? Qual crise? Porreiro, pá.


De notar que essa greve dos funcionários parlamentares é uma coisa verdadeiramente espantosa.
Pouca gente sabe, pelos vistos, que os ordenados desses “trabalhadores” gozam de um bónus de 80% sobre os dos demais funcionários públicos… Isto é, cada um deles ganha quase o dobro do que recebe um colega com lugar idêntico em qualquer Ministério.
Curiosamente, ou talvez não, a comunicação social “ignora” este facto, a todos os títulos escandaloso mas que se mantém desde o tempo em que a AR, por vezes, funcionava até altas horas da madrugada. O que actualmente já não acontece, mantendo-se no entanto o estatuto de excepção.
Estatuto esse que nem por isso impede greves como a de hoje. Um escândalo a juntar a tantos outros…
Agora entendo porque o PM , conversou hoje com Passos Coelho, devia querer socializá-lo. Se calhar levou a dele………avante!
Também acho um escândalo, esta greve dos funcionários parlamentares. Sobretudo pelo momento em que ocorreu.
.. com tantos alertas, provas provadas, ratings, informações, relatórios e calendários 😉 é incrivel como deixamos que continue ao leme do barco.
(de volta, com saudades) :))
Que boa surpresa – a visita, não a crise. É um gosto ver-te de novo por cá, Catarina.
:)) Obrigada *
A farsazinha * a que hoje assistimos, em São Bento, vem provar três coisas. A primeira: o Bloco Central está de regresso. A segunda (que dá razão a Vasco Pulido Valente): qualquer que fosse o vencedor das eleições internas do PSD, seria um líder de transição. Passos Coelho provou-o, hoje. A segunda?
José Sócrates aprecia coelho ao pequeno-almoço.
“espectáculo”…José Sócrates aprecia coelho ao pequeno-almoço…
Curiosa análise a sua, que mistura política com gastronomia. A propósito: inclui o Presidente da República no seu conceito de “bloco central”?
Lenine já nem devia ser citado.
O que é uma anti-estalinista primária?
Se o partido é leninista, não deve ter vergonha de citar Lenine. Mas o PCP parece ter vergonha de citar o “mestre”.