Post uncool


Teresa Ribeiro,

Leio na Sábado que as manifestações lésbicas de mulheres hetero em locais públicos estão na moda. Claro que o contrário seria impensável. O que quer dizer que o contrário seria para levar a sério, inflamando seguramente hordas de polícias de costumes.

Não é, pois, da conquista por parte das mulheres de maior liberdade sexual que estamos a falar quando falamos desta tendência. A tolerância e o aplauso com que nomeadamente a plateia masculina tem acolhido estas ousadias de catálogo reflectem o machismo mais empedernido, ao desvalorizar a sexualidade que não os envolve directamente.

Meninas atrevidinhas a dar beijos na boca? Por acaso a mim chateia-me. Porque enquanto não ombrearem com meninos a gozar da mesma complacência geral são, para mim, um embuste. Não mais que odaliscas a prestar serviço público aos voyeurs admiradores confessos de Safo, essa grande maluca.

8 comentários em “Post uncool”

  1. A complacência (para usar a mesma palavra) não se exige só para os meninos homosexuais, mas também para as meninas lésbicas, pois o que aí muito bem diz é que são meninas hetero que acham graça a comportamentos lésbicos. O que é muito diferente. Não sei se os voyeurs achariam verdadeira graça a um beijo de amor entre duas mulheres que não estivessem ali para dar show, mas que o fizessem simplesmente porque lhes apetecia.

  2. Olá, Teresa.
    Perfeitamente de acordo. Mas não me interessaria nada vê-los também, a eles, a beijar-se… Este país provinciano ainda alimenta fantasias de “voyeur”, do machismo “mais empedernido”, como diz. mas as mulheres portuguesas reforçam esse machismo, sabe? Digam o que disserem, liberdade e igualdade, etc. e tal, as mulheres portuguesas reforçam esse machismo vigente. E este é apenas um exemplo.
    Mas não nos devíamos irritar com isto, sabe? É pura perda de tempo e de energias, que serão melhor aplicadas noutras áreas das nossas vidas,
    como as suas análises cinematográficas, de que gostei muito.
    Um abraço.
    Ana

    1. É isso, Ana. Em última análise este comportamento não é mais que o reforço do machismo que está obviamente presente nestes jogos. Mas irrita-me, porque pretende passar por uma coisa muito prá frentex. E não é!

  3. Completamente de acordo, Teresa. Estas modas não refectem coisa nenhuma de verdadeiramente sério, são meros exibicionismos quase sempre treslidos pelo pagode.

    Além disso, continuo sem perceber porque é que a homosexualidade (ou a heterosexualidade, para mim é igual) há-de ser “um orgulho”. Um direito, sim, claro, mas um orgulho… porquê?

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