No derradeiro debate parlamentar da legislatura, Sócrates apareceu com os olhos na pré-campanha eleitoral e disposto a provar a qualquer preço a lisura do seu governo. Interpelado por Paulo Rangel sobre a continuidade das funções institucionais de Carlos Guerra, o mais recente arguido no caso Freeport, o primeiro-ministro surpreendeu: Carlos Guerra escreveu uma carta ao ministro da Agricultura a dar-lhe conta da condição de arguido e a colocar o seu actual lugar no ministério à disposição; Jaime Silva já lhe agradeceu a carta e a disponibilidade e já vai substituí-lo.
Pouco depois, os repórteres apanham Jaime Silva, recém-chegado de Bruxelas e ausente da Assembleia da República. Do caso, o ministro da Agricultura diz que sabe o que veio nos jornais e que vai convocar Carlos Guerra para uma reunião.
Sou capaz de entender um repetido tique de Sócrates com a boca, enquanto estava sentado a ser interpelado por Rangel e mostrado pelo operador de câmara. A resposta que inventou foi logo a seguir.

Politica em estado puro.
A mais pura das impurezas.
Um mentiroso contumaz.
A única resposta possível é repetirmos-lhe a lição de 7 de Junho, mas ainda mais expressivamente.
Nunca se sabe.
Duas versões
e bem diferentes,
são medonhas as aversões
a estes políticos incoerentes.
Nem sabem mentir
pois logo são apanhados,
é uma forma de transvestir
estes políticos definhados.
Definhados? Oxalá.
Como este senhor foi presidente do Instituto da Conservação da Natureza, Sócrates aproveitou a deixa e decidiu-se mesmo pela conservação da ‘sua natureza’: – a de inventor compulsivo de notícias sobre factos que ainda não aconteceram…
Sócrates a protagonizar a ‘caxa’ jornalística.