Presidenciais (20)


Pedro Correia,

 

 

“A situação é séria, mas o Governo disse de uma forma muito clara que está a fazer tudo quanto está ao seu alcance para evitar o recurso ao fundo de estabilização europeu.”

 

“Eu acredito que o Governo está a fazer tudo [para evitar a ajuda externa].”

 

“O primeiro-ministro comunicou-me – e eu não posso deixar de acreditar – que haverá uma execução orçamental muito rigorosa. (…) Isso seria um indicador muito positivo.”

 

“Se for aprovada uma moção de censura na Assembleia da República, o Presidente da República terá de convocar rapidamente o Conselho de Estado e ouvir os partidos políticos representados na Assembleia da República para tomar uma decisão ponderada. (…) Gostaria que não ocorresse uma crise política no País. O País, para resolver os seus problemas, não devia ter crises políticas.”

 

“Juntar a uma crise económica uma crise política é da maior gravidade.”

 

“Eu apelo sempre à responsabilidade de todos. O País está numa situação bastante séria e exige a responsabilidade de todos os intervenientes.”

 

Declarações de Cavaco Silva na entrevista de ontem à RTP. Declarações que chegam e sobram para se perceber quem é o candidato que mais convém a José Sócrates nesta corrida presidencial. O homem que raramente tem dúvidas foi categórico: quem espera vê-lo autorizar ou incentivar o fim prematuro da actual legislatura para a construção de um “bloco de direita” pode esperar sentado. Com ou sem FMI a vasculhar-nos as contas públicas.

Pelo menos nesta matéria Cavaco tem o mérito de falar claro. Passos Coelho certamente tomou boa nota do recado. Até porque o candidato que ele apoia para Belém fez também questão de salientar, nestas declarações a Judite Sousa, que anda sem tempo para ler as entrevistas do líder do PSD.

13 comentários em “Presidenciais (20)”

  1. Pedro,
    Acredita, pelos vistos, em Cavaco Silva.
    Pois eu, esticando um dedo, só digo a CS:”Morde aqui a ver se eu deixo!”
    Só é enganado quem quer.
    Então, não é ele o que está melhor preparado para resolver os problemas da economia portuguesa?
    Ou, afinal, quem a vai resolver é o governo e o FMI? A ele, CS, fica o papel de cicerone: abrir e fechar as portas para o FMI passar.
    MA fez bem em sugerir a interrupção da campanha eleitoral para CS ter tempo de exerecer a missão de bom aluno e subserviente que para si chamou…
    E, já agora, desde quando é que CS prefere Socrates a um qualquer PSD, sendo que está em condições de fazer o triptico: uma maioria, um governo, um presidente?

  2. A não ser que José Sócrates deseje secretamente que o mandem embora antes do estrondo e dos estilhaços da derrocada final.

  3. Já não há dúvidas que Cavaco Silva é o Presidente «ideal» para Sócrates.
    É o candidato do «sistema», como diz o outro.
    Business as usual….

  4. E serviria de alguma coisa o PR destabilizar ainda mais o país?

    O que precisamos neste momento é de uma atitude positiva e não um esfregar de mãos colectivo como o PSD tem vindo a demonstrar nos últimos dias. Para esses “companheiros” Cavaco mais do que se demarcar, mandou um recado com as letras todas.

  5. Reconheço que a minha bitola de esquerda não é igual à mais comum em Portugal, sem dúvida sou de esquerda na América do Norte, não vejo Cavaco como um homem de direita e há muitos que por cá que também não o vêem assim.
    Apesar de cá me situar naquilo que chamam de direita, nunca tive dúvidas que mesmo não apreciando minimamente Sócrates, o que mais convém a ele é a vitória de Cavaco.
    O meu problema é que as alternativas fortes ainda eram mais à esquerda…

    1. Cavaco nunca se disse de direita nem nunca teve uma prática favorável à direita clássica, como aliás se viu neste seu mandato em Belém. Estranhamente, há 25 anos que tem a direita portuguesa no bolso. Como se vê também nesta campanha presidencial.

      1. Para a direita portuguesa, Cavaco Silva é o candidato possível; nenhum outro candidato conotado com principios ideológicos de direita, teria a minima hipótese…
        O grosso do eleitorado português é basicamente de esquerda e as medidas que têm vindo a ser tomadas só vão sendo aceites por ser o partido socialista que está no governo.

        1. Fernanda, creio que a frase ficou incompleta. Ficará melhor assim: “as medidas que têm vindo a ser tomadas só vão sendo aceites por ser o partido socialista que está no governo” e porque o Presidente da República as promulgou sem pestanejar.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *