Presidenciais (22)


Pedro Correia,

As sondagens valem o que valem: convém, de qualquer modo, não as perder de vista. Mas há outros indicadores interessantes numa campanha que nos podem dar pistas sobre tendências de opinião dos eleitores. Um deles foi ontem divulgado pela empresa MediaMonitor, que avalia as audiências televisivas. Na comparação das entrevistas dadas pelos candidatos presidenciais à RTP verifica-se que Fernando Nobre atraiu maior número médio de espectadores, cabendo o último lugar a Defensor Moura – não só em audiência média mas também em quota de audiência.

Fica aqui o registo, para consulta dos leitores:

 

                                                   Audiência média                    Quota de audiência

Ferrnando Nobre                          9,6%                                           22,4%        

José Manuel Coelho                    9,4%                                           23,3

Cavaco Silva                                     9,2%                                           21,7%

Manuel Alegre                               8,8%                                            20.6%

Francisco Lopes                           8,7%                                           20,2%

Defensor Moura                           8,4%                                           19,3%

 

Estes dados desmentem de algum modo a relevância concedida pela maioria dos comentadores televisivos a Defensor Moura enquanto manifestam o seu irreprimível desdém por Nobre. Acontece que o cidadão comum, à revelia destes comentadores, revela interesse por alguém com o percurso de vida, a capacidade de iniciativa, a militância cívica e a independência do fundador da AMI.

São sinais que justificam alguma atenção à margem do ruído da campanha.

15 comentários em “Presidenciais (22)”

  1. Registo que segundo esse indicio Cavaco fica muito mal colocado. Outro elemento, talvez mais interessante, tem a ver com os efeitos do tratamento da imagem, dado pela imprensa escrita. Fiz um exercício com o DN e o resultado é…
    … o esperado!

  2. Caro Pedro,
    Venho partilhar uma suspeita em relação a Fernando Nobre, cuja obra (a AMI) muito admiro.
    Declaro já que se trata de uma suspeita, que reputo de séria e grave, dados os factos, públicos, em que a situação assenta.
    Há muitos anos que o Colégio Moderno – CM (que pertence à Família Soares, como é sabido), realiza uma festa/concerto de Natal, com e para os alunos do colégio e seus familiares.
    Tal festa/concerto sempre foi gratuita para quem nela participa, no palco ou na plateia, tanto mais que toda a “actividade de palco” (apresentação, declamação de poesia, dança, desporto, canções, teatro, música) é assegurada pelos alunos, com a colaboração dos professores e outros auxiliares do referido colégio.
    Acontece que para a festa/concerto de Natal do CM, realizada em Dezembro de 2009, na Aula Magna, foi exigida a quantia de 5€ a cada aluno ou familiar que quisesses participar na festa, do lado da plateia. Apenas ficaram excluídos do pagamento de 5€ os alunos que participassem no palco em alguma das muitas actividades que eli foram exibidas.
    Foi dito pelo CM que os 5€ por aluno ou pessoa (que não conferiam o direito a qualquer lugar marcado na Aula Magna) reverteriam a favor de uma “instituição de solidariedade”.
    Ora, no dia do concerto (creio que a 21 de Dezembro de 2009, mas a data pode confirmar-se!), esteve na 1.ª fila Fernando Nobre, ladeado por Maria Barroso e Isabel Soares, tendo esta última subido ao palco, quase no fim da festa, para dizer que os 8 000€ reunidos com a venda dos bilhetes seriam entregues à AMI, a cujo presidente cedeu a palavra.
    Fernando Nobre subiu ao palco da Aula Magna, agradeceu o cheque e a respectiva quantia e discursou.
    Não, sobre o Natal. Não, sobre a solidariedade. Não, sobre a AMI.
    Apresentou-se e deu abundante conta da proximidade das suas relações com a Família Soares, de quem se sente discípulo, “quase filho”.
    E falou de juventude, de Pátria, de educação e de tudo o que, em seu entender, o País precisa para progredir.
    Foi estranho o discurso e o momento do discurso que, em certos momentos, arrebatou calorosas salvas de palmas.
    Ainda se estava longe das presidenciais…
    O referido discurso de Fernando Nobre só se percebeu com o anúncio da sua candidatura à presidência da República, já ia avançado o ano de 2010.
    Como só aí se percebeu para onde foram os 8 000€ da “campanha solidária” para que foram levados a contribuir alunos e familiares do CM.
    Tratou-se, afinal, do ensaio de lançamento de uma candidatura à Presidência da República, aproveitando o calor da época natalícia e uma sala cheia de alunos e suas famílias, ali levadas, ao engodo, a pretexto do Natal.
    Obviamente que não disponho de dados para “provar” que os 8 000€ foram para a AMI…, o que, no entanto, basta para a suspeição, dado que em Dezembro de 2010 se realizou, como sempre e mais uma vez, a festa/concerto de Natal do CM e não houve lugar – como em todos os Natais, com excepção do de 2009 – ao pagamento de qualquer bilhete ou contributo para a realização da referida festa na Aula Magna, que sempre foi inteiramente realizada pelos alunos e professores.
    Por ter assistido “involuntariamente” ao que acima descrevi, perdi a admiração e o respeito que tinha no cidadão Fernando Nobre.

  3. Hello???!!!!!
    Onde pára o meu comentário anterior?
    Ups…! Cometi, pelo vistos, Delito de Opinião capital!

  4. Pedro, caríssimo,
    Estamos conversados.
    Espalharei a mensagem…vou andar por aí…(tendo presente os “ensinamentos” do caso da Ensitel)

  5. O Sr. José Manuel Coelho, vítima da petulância e da foleirada intelectual da Srª Judite de Sousa, deu baile a esta jornalista e no fim desprezou-a olimpicamente, como se espera dum homem decente.

    Realmente foi a entrevista mais interessante, quer do ponto de vista sociológico, quer do ponto de vista politico.

  6. Sr. Pedro Correia, só queria esclarecer estas dúvidas: o Presidente da República, tem de ser político? E pode ser
    catequista?, tudo simultâneamente?
    Agora, gostava de deixar aqui, parte de um discurso de encerramento, proferido por José Hermano Saraiva, em Alcobaça, na comemoração do VII Centenário das Cortes de Leiria, em 1954, que terminava assim:

    “Para que cada um se interrogue e em si descubra quanto é
    efémero e secundário aquilo que pode dividir e inimizar os
    portugueses, em comparação de tanto que os aproxima e
    reúne.
    É, meus senhores, o mandamento de que a Pátria, obra de todos, feita por todos, para todos foi feita. Dentro dela
    todos são precisos, e nenhum se considerará de mais, ou como tal será julgado.
    É para condensar numa palavra quanto neste instante nos enche a alma, a lição de que, hoje e sempre, todos não somos de mais para continuar PORTUGAL.”

    Eu digo, Obrigada, Dr. José Saraiva!

  7. “Acontece que o cidadão comum…revela interesse por alguém com o percurso de vida, a capacidade de iniciativa, a militância cívica e a independência do fundador da AMI”

    O apoio dado indirectamente à candidatura de Fernando Nobre por Mário Soares é que não funcionou como uma mais valia, muito pelo contrário…

  8. Mantenho a opinião Pedro.
    Fernando Nobre vai ser a surpresa nestas eleições.
    Até pode ser o “Alegre de 2011”.
    Defensor Moura?
    Poucos, muito poucos mesmo!!, votos conseguirá para além de Viana do Castelo.
    E ele nem se importa.
    Ele está na campanha apenas com um objectivo – dizer umas coisas que Alegre não pode dizer.
    A votação é algo de secundário.

      1. Houve outros “ecos públicos mínimos” neste seu post.
        Considero absolutamente notável que tenha sido levantada uma “suspeita” sobre a angariação de fundos para a campanha eleitoral de Fernando Nobre a propósito deste seu post e não haja quem comente.
        E o comentário poderia ser do estilo “é grave”; “isso deve ser averiguado”; “terá sido assim, visto que se afirma que foi um acto público”; “sofre de Alzheimer quem assim comentou”…etc.
        Talvez o Pedro Correia, na qualidade de DO principal e de editor do post em questão, devesse ter feito aguma advertência … ou outro tipo de comentário ao comentário em questão.
        Pelo seu silêncio e relutância (?) em publicar a “suspeita” (foram feitas insistências…), ficamos com a sensação de que este silêncio é incómodo para si, Pedro Correia.
        Este blog – como qualquer outro – também deve ser lido pelo que omite.
        E quanto a omissões, “este” silêncio é gritante.

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