Num país onde os direitos dos cidadãos são espezinhados diariamente, onde muitas garantias constitucionais (com destaque para o direito ao trabalho) não passam de letra morta e onde as liberdades – nomeadamente no plano económico e social – estão sob ameaça permanente, há um candidato presidencial que tem como uma das suas principais bandeiras (a outra é a regionalização) a defesa dos direitos dos animais. Dir-se-ia que é um candidato fora do sistema, alguém apostado em tornar visível uma causa específica por falta de outro meio de acesso a uma tribuna pública. Nada disso: este paladino dos animais, Defensor Moura, é deputado do PS – o partido do poder – e co-responsável, através do seu voto no Parlamento, pelo Orçamento do Estado para 2011 – o mais restritivo e penalizador de que há memória num quarto de século em Portugal.
Este deputado que sonha ser Presidente e que parece preocupar-se mais com o bem dos bichos do que com o bem da gente podia adoptar, como lema de campanha, aquela frase célebre do clássico de Orwell: “Quatro patas bom, duas patas mau.” Vinha mesmo a propósito.


Aqui há gato.
Aqui há lebre de um ‘animal feroz’.
Caro Pedro, permita-lhe chamar-lhe a atenção para o seguinte:
Não há dúvida de que os humanos estão à frente dos outros animais. Mas considero perigosa a assumpção de que não nos devemos preocupar com os animais, enquanto haja gente a ser desrespeitada, a passar fome ou qualquer outro tipo de injustiças. Porque, se nos preocuparmos só com isso, os animais continuarão a sofrer. E eles sofrem, tal como nós.
Não faço ideia de quem seja Defensor Moura (além de que é candidato), vivendo no estrangeiro, esta campanha passa-me mesmo ao lado. Mas acho sempre oportuno que alguém nos chame a atenção para os direitos dos animais. Porque nada justifica que eles sofram e que ninguém se preocupe com eles, pelos simples facto de haver humanos que também sofrem.
Claro que também não sou a favor que se prejudiquem os humanos, em detrimento dos outros animais, à semelhança de alguns fundamentalistas (o fundamentalismo é sempre condenável, seja a que nível for).
Deve-se procurar, sim, conciliar as soluções para os dois tipos de problemas. Porque nós somos mais felizes e entendemo-nos melhor a nós próprios, quando entendemos os animais.
Não ponho minimamente em causa o que escreve, Cristina. Mas acho caricato que um candidato presidencial eleja no topo das suas prioridades, estando o País como está, a defesa dos direitos dos animais. Se fosse um candidato para levar a sério, diria que isto é quase insultuoso.
Sim, tudo não passará de mais uma estratégia para chamar a atenção para a sua pessoa…
Concordo com a chamada de atenção da Cristina, mas a observação feita pelo Pedro coloca a questão dos direitos dos animais na perspectiva correcta. Nós estamos a meio de uma campanha eleitoral para a presidência da república, não há espaço para temas dessa natureza. Neste contexto, o candidato Defensor Moura ficou mal.
O ps tem 3
sem contar Sócrates
que vota Cavaco
Ainda hoje o ex-ministro e eurodeputado Correia de Campos, membro da Comissão Política do PS, tornou público que não vota Alegre. Não se passa um único dia sem que um ilustre socialista se demarque do candidato oficial do partido.
Pois a mim parece-me muito bem, dada a raridade da situação. As pessoas fazem sempre parte do programa. Já os animais sofrem haja crise ou não. E ainda há tanto por fazer…
Se os animais votassem, talvez fossem mais criteriosos na escolha dos humanos que os representariam.
Nada mais a acrescentar 🙂
É sempre bem-vinda por aqui, como sabes.
Defensor de Moura foi impedido de se recandidatar à câmara de Viana pelo próprio PS.
Diz-se que a gestão da câmara era feita com o lema “Um Homem (Ele), um Voto (O dele)”.
É o perfeito parolo. O que ele gostava era de ser “estrangeiro”.
Caro Pedro,
Desculpe, mas creio que não percebeu – como aliás a grande maioria dos Portugueses, o que lhe serve a si de atenuante! – a mensagem de Defensor de Moura!
Por três ordens de razões, entre muitas outras:
1.ª) o “rei” dos animais não é o Homem?; Direitos Humanos = Direitos dos Animais; se preferir uma outra fórmula matemática (cujo símbolo não localizo nas teclas do computador) enuncia-se assim: Direitos dos Animais compreende Direitos Humanos;
2.ª) o candidadto não se chama (de baptismo!) Defensor?;
3.º) e defensor de quem? Da Moura! Este é o candidato que dá um lugar de destaque às mulheres…!
A rematar uma frase de Norman Thomas, que bem pode ser aproveitada por este candidato Defensor, no caso de o resultado eleitoral lhe parecer “escasso”: “Não sou um defensor de causas perdidas, mas sim de causas que ainda não foram ganhas.”