Do debate de ontem sobre o casamento homossexual fica uma certeza: moderados como eu vão passar muito mal. Há um grande radicalismo em ambos os lados e, tal como na questão do aborto, parece-me inevitável que os insultos e o ruído se venham a sobrepor às discussões ponderadas e racionais. Com efeito, a julgar por exemplo pela prestação de Isabel Moreira – uma constitucionalista histérica, de dedo em riste e intolerante como raras vezes vi no mundo académico – vamos assistir a um circo deprimente.
Prós & Contras
José Gomes André,

Essa senhora de que fala teve uma intervenção lamentável.
Discordo em absoluto. A Dra. Isabel Moreira teve uma intervenção ao seu melhor nível; é incapaz de fazer melhor…
Recomendo a leitura da posição do Manuel João Ramos, homem insuspeito de esquerda, e lúcido. Aqui, http://sorumbatico-longos.blogspot.com/2 009/02/o-fim-do-casamento.html
Meu amigo, as posições moderadas são sempre as mais difíceis. Formamos um clube? 2/crise-vista-do-coracao-da-russia-e-das.h tml
O que mais me impressiona é que a crise entra-nos pela casa dentro, o Sócrates levanta um “tema fracturante” e o povo vai atrás a discutir. Deixo-te uma modesta sugestão vinda das estepes:
http://ovalordasideias.blogspot.com/2009/0
mas sois todos masoquistas?
Certíssimo: “constitucionalista histérica”. Irritantemente histérica… Com a postura dessa senhora, todas as causas perdem razão.
Para defesa da própria – cujo facies ante a opinião alheia dispensa comentários… -, devia ser-lhe aplicada, a título perpétuo, a proibição de voltar a aparecer na tv, para falar seja do que for.
Não vi o debate, mas não me surpreende a sua constatação. A sociedade portuguesa hoje em dia é isto: Zero de moderação, zero de raciocínio, 100 por cento de intolerância.
Não vi, tal como nunca vejo, o programa em questão. E francamente lá vem mais debate estéril: uns porque sim e outros porque não naquele fraccionismo vão que meramente distingue radicais de conservadores. Os “middle-grounds” fazem tanta falta neste país…
Primeiro dou a minha opinião. O problema que vejo nos homosexuais é o de serem discriminados por um preconceito. Se eles querem – através de uma lei que lhes permita “casar” – acabar com um preconceito, sou a favor. Mas o problema é que quem defende o casamento homosexual, apenas parece querer ter uma “coisa” igual ao casamento entre homem e mulher. Querem ter os mesmos direitos e até o mesmo nome. Ora, já é permitido, através da união de facto, duas pessoas do mesmo sexo constituirem familia. Então porque querem agora que haja uma nova lei que faça com que se chame a essa união de facto, casamento?
Agora a questão política. Dizem que os homosexuais são mais sensíveis, mais inteligentes e mais astutos. Ora sendo assim, não conseguem eles ver que Sócrates apenas introduz esta questão agora no seu programa de governo, para ir buscar os votos dos homosexuais ao BE e ao PCP? Ainda há meses Sócrates se recusou a discutir este assunto, e agora já é uma das suas maiores bandeiras?
Para finalizar, duas notas em relação ao Prós e Contras da RTP:
– a intervenção (sempre infeliz) de Fernanda Câncio. Ela, jornalista, tentando (ao melhor estilo socretino) ficar por cima num tête-a-tête com um advogado, pergunta a este, com ar paternalista, se ele já leu o código civil… enfim. O problema é que ela se julga mesmo…
– incrível a coincidência de pela 20ª vez, o tema do programa da televisão pública, seguir o programa e as questões levantadas pelo PS e José Sócrates…
“Há um grande radicalismo em ambos os lados e, tal como na questão do aborto, parece-me inevitável que os insultos e o ruído se venham a sobrepor às discussões ponderadas e racionais.”
Claro, mas o objectivo é mesmo esse. Isto reforça a ideia de desonestidade política desta proposta neste preciso momento. São as bombas de fumo. Estará o Sócrates genuinamente interessado no cerne desta bichice?