Prós & Prós


Patrícia Reis,

 

O Prós & Contras desta noite, na RTP, propõe-se debater o caso Freeport. Começou com uma síntese dos acontecimentos, ao som da Quinta Sinfonia de Beethoven, para dar um ar épico à coisa. Debate? Nem por sombras. Fechada a primeira parte do programa, supostamente a que tem mais audiência, haviam desfilado três intervenientes: o socialista José Dias Inocêncio, que presidia à Câmara de Alcochete quando foi aprovado o licenciamento do Freeport, Rui Gonçalves, que era o secretário de Estado do Ambiente de José Sócrates nessa mesma época, e José Miguel Júdice, ex-mandatário do socialista António Costa em Lisboa, que não tardou a comparar a investigação deste caso a uma história do Tintim e que, dono de um olfacto apurado, ainda há três dias escrevera esta pérola no Público: "Não me cheira que José Sócrates tenha sido corrompido no apelidado ‘caso Freeport’."

Tudo do mesmo lado, pois.

Tudo pró.

Nada contra.

Na estação pública, paga pelo dinheiro dos contribuintes. Em ano eleitoral, a poucos meses de ser escolhido o próximo elenco parlamentar e definida a próxima solução governativa. A esta hora, já tardia, a ERC deve estar a dormir.

 

Ler também:

Debate ou lavandaria? Do João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos.

Prós e Prós, ou a RTP da vergonha. De Ricardo Santos Pinto, no Cinco Dias.

Prós e Prós sobre o caso Freeport. Do André Azevedo Alves, n’ O Insurgente.

12 comentários em “Prós & Prós”

  1. E, na sua opinião, qual seria o “contra”? Contra o quê? Na justiça não há prós ou contras, há a verdade… por muito que lhe custe.

    É esse um dos problemas… não queremos justiça, queremos algo “contra” o PM

    1. Justiça não será certamente uma enxorrada de falsas noticias sobre supostos novos factos sobre um caso que hibernou durante 4 anos!
      Até a mão do senhor foi visada no assunto. Enfim, podemos fechar os olhos a isto, mas convenhamos, seria mais prudente aguardar por resultados da Justiça para depois fazer a festa!

      1. Dou-lhe os meus parabéns por ter uma fé tão inabalável na justiça portuguesa e pensar que o calendário político pode submeter-se aos ditames judiciais. A avaliar pela velocidade a que tem vindo a ser investigado o caso Freeport, de 2005 para cá, a coisa promete.

  2. Tenho estado a trabalhar e com a televisão ligada no programa; uma autêntica vergonha, absolutamente pró e pró. Até o do futebol foi mais democrático, além de ter sido imensamente mais divertido. Neste quase que só o tipo do «Público» é que ainda tem safado um bocado aquilo. Fátima Campos Ferreira tem-se desmultiplicado em comentários idiotas, tipo aquele de qualquer pessoa estar sujeita a ver-se envolvida num caso de corrupção por causa de uma carta anónima. Vai falar o Paulo Morais, provavelmente porque já passa da meia-noite; haja esperança.

  3. Num programa que se chama Prós e Contras (mais valia ter sido Prós e Prós), havia 4 prós e 1 contra. O que não vem sendo hábito. Mas como se tratava do primeiro-ministro… talvez um telefonema do próprio ou de Augusto Santos Silva, tenha feito com que mudassem as regras.

    1 – Um dos prós era o ex-secretário de estado do ambiente de José Sócrates, que disse as maiores bojardas que já ouvi sobre o caso. Para ele tudo era uma cabala montada por jornalistas, políticos, magistrados, advogados e outros. Desconversou, dizendo que os estudos são pagos, por isso não via mal nenhum nos e-mails trocados sobre pagamentos.

    2 – Outro dos prós era o ex-presidente de câmara de Alcochete. Bastava olhar para a cara dele e ver que estava envolvido no caso Freeport até ás pontas dos cabelos, que não tinha. A cara dele deixava antever que não lhe cabia um feijão…

    3 – O terceiro dos prós era um advogado de segunda categoria, á procura de subir na vida. As declarações que teve, sempre num estilo muito “neutro”, deram perfeitamente a entender que quer fazer parte daquela elite de advogados de Lisboa que gravita á volta do poder. E quiçá também a pensar numa candidatura á ordem.

    4 – Para o último dos prós é dificil arranjar adjectivos. É das coisas mais ignóbeis. Um dos advogados que mais ganha com serviços do governo, talvez o líder da tal elíte que gravita á volta do poder. Ele que “virou a casaca” do PSD para o PS quando o governo mudou, para continuar a “mamar”, e além disso quer ser candidato a presidente da república.

    No meio disto tudo – do caso Freeport, e doutros casos de corrupção política – o que é preciso é falar verdade. Algo que muitos apregoam, mas depois não praticam. Felizmente ainda há homens como Paulo Morais (ex-vice-presidente da câmara do Porto) que tem coragem para dizer as coisas como elas são. Foi o único que ontem tentou ajudar a acabar com a corrupção na política.

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