Fala-se na possibilidade de um Governo coligado com PS e o Bloco de Esquerda. Parece-me improvável, por três razões. Primeiro, para o PS seria uma jogada política arriscadíssima, que, caso fosse mal sucedida, alienaria durante pelo menos uma década o decisivo eleitorado do centro. Segundo, porque não vejo no BE quadros políticos de qualidade e diversidade suficiente para ocupar 4 ou 5 ministérios. Louçã ou Fazenda para a Economia/Trabalho, talvez Miguel Portas. Mas quem mais? A não ser que, num acto de loucura, Sócrates aceitasse que figuras absolutamente menores como Ana Drago ou Alda Macedo se tornassem ministras…
O maior problema situa-se contudo a um nível programático. A abordagem política do Bloco centra-se em três grandes linhas: isolacionismo na política externa (advogando a saída da UE e da NATO); uma oposição à economia de mercado (com defesa de nacionalizações e expropriações; crítica ao PEC e à manutenção de Portugal na zona euro); um ideal progressista nas matérias sociais (defesa da legalização de drogas, casamento homossexual, entre outros). Admito que se possa encontrar um compromisso nesta última questão, mas parece-me impossível haver um acordo nos dois temas anteriores, sem que o PS atraiçoe o seu eleitorado e a sua matriz ideológica. Por outro lado, se abdicasse destas exigências, o BE violaria os seus princípios fulcrais, virando costas ao cariz revolucionário do seu projecto político.
Em qualquer dos casos, caso se coligassem, PS ou BE seriam obrigados a contrariar aspectos fundamentais da sua visão política, pondo em risco a sua sobrevivência num futuro próximo.

Caro José,
O PS de Sócrates sem maioria absoluta fará o mesmo que fez o PS de Guterres: vira-se para o CDS. É a maioria que já se esboça a partir de Outubro. Curiosamente, quase ninguém fala disso: anda tudo entretido a perorar sobre uma putativa aliança PS-PSD. Quanto ao BE, qualquer aproximação ao PS no actual ciclo seria suicídio político. Veja-se o que sucedeu na câmara de Lisboa, em que o sagaz António Costa meteu o ‘Zé’ na algibeira enquanto o diabo esfregava um olho. Nessa não cairá Louçã. E faz bem.
Caro Pedro, é também essa a leitura que faço da situação actual. Ou uma coligação PS-CDS, ou um governo minoritário com acordos parlamentares ocasionais (e também aí sobretudo com PSD e CDS). Mas a verdade é que lê-se e ouve-se com frequência referências a uma “maioria sociológica e política de esquerda” que, supostamente, se deveria traduzir numa coligação futura PS-Bloco ou PS-PCP. A meu ver, é uma ilusão e uma improbabilidade, pelas razões que avanço e também pelas que referes. A experiência lisboeta foi aliás clara quanto a essa hipótese…
Um abraço!
Parece-me óbvio e, por isso, a solução é mantida a recato: PS e CDS-PP estarão coligados no próximo governo. Não é de agora e o Pedro já tinha dado o lamiré. Ainda por cima, a solução contém outra coisa óbvia: Paulo Portas pela-se todo para voltar a ser ministro.
Claro que a união é ‘contra natura’: o PS tem de fazer tudo para não ir excessivamente abaixo (e o fracasso que parece desenhar-se para as europeias pode ser-lhe fatal), ao mesmo tempo que o PP tem de se içar a uma percentagem bem acima das sondagens para garantir o enlace.
Ou seja: ambos precisam de atingir aqueles objectivos como de pão para a boca. E ambos estão nervosos e com imenso medo de que o plano lhes saia furado.
Miguel Portas para ministro? É simplesmente dos eurodputados que menos trabalharam no PE este mandato, o BE pode-lhe agradecer estar em último nas estatísticas!
Vejo mais depressa o PCP fazer um governo que ver Miguel Portas como ministro. Meu caro, não é o aparecer na TV que conta, quando se trata de ministérios quer-se pelo menos trabalho e competência.
Repare que eu disse “Miguel Portas, talvez”. Não mostei entusiasmo com a ideia… Ou mostrei?
Não, não mostrou. Mas referiu Miguel Portas antes de referir outros elementos do do BE, incluindo seus deputados, com mais capacidade de trabalho mas que obviamente estão menos na mira das câmaras. Trata-se, na minha modesta opinião, de uma análise muito superficial. Miguel Portas é já considerado por muita gente do Bloco como a vergonha do pior eleito de sempre, basta dar uma olhadela ao trabalho por ele desenvolvido. Mas sai mais na TV, isso sai.
entre estes e o bloco central…. posso escolher nenhum?
Pois.
Nem brinque! O Bloco central não me entusiasma, mas ter o BE no poder seria grave para Portugal. Muito grave!
eu acho que é possivel !! Manuel Alegre é uma das pontes… E não é por acaso que eminentes figuras da Esquerda, como Jorge Sampaio e o QI–>0 José Saramago, andaram a pedir uma grande coligação de esquerda na Capital!! é certo que a Capital não é o país, tambem é certo que ja se fizeram coligações de esquerda na Capital e não tiveram tradução no País! mas uma coisa é certa, nesses tempos o Bloco de Esquerda não era o que é hoje e o contexto Mundial não se tinha alterado radicalmente!!
não é por acaso, que Mario Soares e o Bloco de Esquerda, partilham a mesma visão sobre o socialismo do secXXI que está a ser implementado na Venezuela, por esse grande democrata Hugo Chavez
ou seja, é uma possibilidade que não pode ser excluida,muito pelo contrario!
alias, o PSOE espanhol é um misto de Bloco de Esquerda e Partido Socialista Português!não é por acaso tambem, que o Bloco de Esquerda considera Zapatero um dos maiores maior lideres Europeus
Obrigado pelo seu comentário. Como é visível pelo que escrevi, não estou de acordo…
Pois eu não concordo com nada.
a) Mário Soares partilha a visão do BE sobre socialismo? Nem por sombras. Mário Soares meteu o socialismo na gaveta já não o defende. O BE pelo menos tem nos seus estatutos o socialismo.
b) BE considera Zapatero um bom líder mas isso só lhe retira pontos. Zapatero é o Sócrates de Espanha, é graças a ele que a direita pode agradecer muitas das contra-reformas que fez contra os funcionários públicos e os trabalhadores em geral. A esquerda em Espanha não pode ver o zapatero nem pintado.
Sem fazer tábua rasa da seriedade do assunto e do seu post, não resisto a dizer que (e desculpe se extrapolo muito) tão graves como os amores impossíveis são as paixões recolhidas…
:)))
🙂 Um abraço nocturno deste blogger…
Seja qual for a escolha, vejo como difícil a sobrevivência do próximo governo. Até porque estou muito curioso quanto ao resultado eleitoral de PS, PSD e CDS/PP. Fico na dúvida se uma cligação PS-CDS/PP conseguiria a maioria absoluta.
O que me aborrece fundamentalmente aqui é termos um sistema tão próximo do alemão mas, ao contrário deles, não sermos capazes de criar coligações estáveis e querermos constantemente maiorias absolutas. 35 anos de democracia e Portugal ainda não é adulto…