"E nós vamos rasgar e romper com todas as soluções que tem estado a ser adoptadas em termos de política económica e social para que tenhamos resultados diferentes". Isto afirmava Ferreira Leite há poucos dias. Agora é mais "rasgar, ninguém vai rasgar nada". Quando se adopta a retórica como arma, muitas vezes dá nisto. Ferreira Leite também incorpora a lógica de Paulo Bento no discurso quando afirma que "É absolutamente essencial é que nós entremos numa fase de grande tranquilidade, a tranquilidade que leva a que as pessoas colaborem" e recorda Guterres quando promete "fazer transformações profundas, mas nunca em agressão às pessoas, nunca criando crispação na sociedade portuguesa, sempre em colaboração com as pessoas, com aquele consenso que é necessário para se fazerem transformações". Pior que isso, afinal "não há nenhuma medida anunciada por este Governo" com a qual Ferreira Leite discorde. Esta critica sim "que a maioria delas não tenha passado de anúncio". Acho que Ferreira Leite está na campanha errada, ela queria mesmo era candidatar-se a líder do Partido Socialista.
PS(D)
Jorge Assunção,

Confesso que estava curiosa em ver como seria tratado este tema aqui no DO.
Quanto ao resto, palavras para quê? Estamos em Portugal, é o que há, como bem diz o (sábio ?) povo, atrás de mim virá quem de mim bom fará.
“Quanto ao resto, palavras para quê?”
Bem verdade. Tão verdade que boa parte do post limita-se à reprodução das afirmações de Ferreira Leite.
Muito lamento esta intervenção desastrada. Parece-me que o PSD estava a reagrupar-se, mas com este género de coisas vai perder credibilidade. Mas o que diabo terá passado pela cabeça de MFL?
José: a mim parece-me que Ferreira Leite pretendeu rebater a crítica do PS de que o PSD defende o Estado mínimo, coisa que como bem sabemos não tem qualquer suporte na realidade, bem como afastar a ideia de que o PSD pretende acabar com os apoios sociais (nisso, aliás, Ferreira Leite terá razão, uma vez que mal conquistou a liderança do PSD começou a referir a necessidade do reforço desses mesmos apoios). Mas pelo meio meteu os pés pelas mãos. Com medo da critica do PS, parece que inverteu o discurso 180º, colando-se às medidas do PS (que ora diz que não resultam, ora diz que o problema é que não passaram do papel). Como já afirmei uma vez aqui no DO, para mim, a grande diferença entre o PS e o PSD é mesmo a retórica.
Além do mais, acho que o PSD precisa rapidamente é de apresentar o programa eleitoral. E em vez de andar a prometer que vai governar em consenso, deve estabelecer logo no programa as “transformações profundas” que pretende levar a cabo. Se o povo aderir, votando PSD, muito bem, está o consenso encontrado. Se não aderir, nada há a fazer. Nesta fase, tal como as coisas estão, a única coisa que Manuela Ferreira Leite pretende é ficar-se por considerações genéricas que satisfaçam todos.
Isto não prenuncia nada de bom.
Também acho.
Parece que não são palavras dela. Quem as dita é o ponto por baixo do estrado. Abruptamente.