Quando a mentira se torna compulsiva


Pedro Correia,

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Ninguém me contou: eu ouvi na CMTV. No dia 5, André Ventura anunciou aos portugueses que a tragédia ocorrida na Calçada da Glória 48 horas antes era «o terceiro pior acidente da história do país». Insistindo: «O terceiro pior da história do país toda. Toda!»

Nem numa altura em que ainda permaneciam por identificar algumas das 16 vítimas mortais deste desastre o líder do Chega conseguiu falar verdade, recorrendo às habituais hipérboles sem fundamento, no pior estilo trumpista.

Longe de mim armar-me em “polígrafo”, mas seria bom que Ventura não torcesse demasiado os factos nem insultasse a inteligência de quem o escuta.

Não é preciso recuar ao terramoto de 1755, que ele certamente incluiu entre os três piores acidentes da história do país. Fiquemo-nos pelos últimos 80 anos.

 

Fevereiro de 1941: Um grave ciclone devastou vastas áreas do País, provocando sobretudo vítimas em Lisboa, Alhandra e Sesimbra – muitas das quais por afogamento devido a inundações registadas nas áreas ribeirinhas. Mais de cem mortos.

Setembro de 1954: descarrilamento do comboio rápido do Algarve em Santa Clara (Odemira). 54 mortos.

Maio de 1961: avião DC8 que fazia a ligação Roma-Lima caiu na Fonte da Telha (Caparica), pouco após descolar de Lisboa. 61 mortos.

Maio de 1963: queda da cobertura das plataformas da estação ferroviária do Cais do Sodré, soterrando mais de uma centena de pessoas. 49 mortos.

Julho de 1964: reboque de passageiros solta-se do comboio em que circulava na Linha do Porto e choca contra um paredão em Custóias: 90 mortos.

Setembro de 1966: combate a um incêndio descontrolado na Serra de Sintra marcado pela tragédia. 25 mortos, todos militares.

Novembro de 1967: dramáticas inundações na Grande Lisboa, de Alenquer ao Dafundo, após horas consecutivas de chuva intensa que viriam a transformar a cintura da capital num mar de lama. 462 mortos oficiais.

Setembro de 1976: avião C-130, da força aérea da Venezuela, cai quando ia aterrar nas Lajes em escala para Espanha. Sem sobreviventes. 68 mortos.

Novembro de 1977: Boeing 727-200 da TAP oriundo de Lisboa falhou aterragem no velho aeroporto de Santa Catarina, no Funchal, partindo-se em dois. Parte da aeronave caiu na praia, a 130 metros de altura, e foi consumida pelas chamas. Era, à época, a maior tragédia aérea em Portugal. 131 mortos.

Janeiro de 1980: sismo na Terceira, com magnitude de 7,2 na escala de Richter. O pior em 200 anos nos Açores. 73 mortos.

Abril de 1984: colisão entre um autocarro e uma automotora junto ao apeadeiro de Recarei-Sobreira (Paredes). 17 mortos.

Setembro de 1985: choque de comboios em Alcafache (Mangualde), na Linha da Beira Alta, entre o Sud Express que seguia para Paris e um regional com destino a Coimbra. Foi o maior desastre ferroviário em Portugal. Cerca de 150 mortos.

Maio de 1986: colisão entre um comboio suburbano e outro de serviço rápido, oriundo da Covilhã, na estação da Póvoa de Santa Iria (Vila Franca de Xira). 17 mortos.

Fevereiro de 1989: Boeing 707 da Independent Air, que fazia escala na ilha de Santa Maria em viagem de Itália para a República Dominicana, embate no Pico Alto, sem sobreviventes. Foi o maior desastre aéreo em Portugal. 144 mortos.

Dezembro de 1992: avião da companhia holandesa Martinair, vindo de Amesterdão, partiu-se em dois ao tentar a aterragem em Faro. 56 mortos.

Dezembro de 1999: avião da SATA despenhou-se após embater no Pico da Esperança, na ilha de São Jorge, num voo regional. Desastre sem sobreviventes. 35 mortos.

Março de 2001: colapso da secular ponte Hintze Ribeiro, em Entre-os-Rios (Castelo de Paiva), quando nela circulava um autocarro de passageiros. 59 mortos.

Fevereiro de 2010: forte aluvião em quatro concelhos da Madeira, devido à precipitação com valores inéditos na ilha, redundou em catástrofe. 51 mortos.

Junho de 2017: dramático incêndio florestal em Pedrógão Grande alastrando aos concelhos vizinhos de Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos e Ansião. No mesmo dia, as chamas devoraram vastas áreas na Sertã, Penela, Pampilhosa da Serra, Góis e Arganil. 66 mortos.

Outubro de 2017: 440 incêndios, 33 dos quais de grandes dimensões, em dezenas de concelhos no pior dia desde sempre registado em fogos florestais no País. 50 mortos.

70 comentários em “Quando a mentira se torna compulsiva”

  1. Se a tragédia do elevador dá para apear o Moedas, então retrospectivamente temos de apear o Costa e a ministra que foi premiada com um cargo nas secretas (pelo menos despojá-los dos rendimentos que auferiram desde então até ao final do seu mandato).

    Em 2017 decisões políticas e decisões operacionais (como a estúpida mania da GNR de fechar estradas) mataram mais de 100 pessoas e ninguém foi exonerado por causa disso. Quem é que mandou fechar todas as estradas menos aquela estrada onde foram encurraladas 50 pessoas? É um erro operacional muito grave, não é um acidente. Não tem nada a ver com manutenção. Se querem exonerar o Moedas por causa da questão comunista do público/privado então têm de julgar e condenar muita gente (do governo PS) primeiro. Até mesmo a Protecção Civil este ano merecia ser toda exonerada, porque continuam a repetir os mesmos erros que já praticavam em 2017.

    Não é que eu aprecie particularmente o Moedas, acho que não tem sido um bom presidente de câmara, mas tal como disse na altura sobre Jorge Coelho (até com alguma irritação do Pedro Correia na altura num post seu), acho que uma tragédia não é motivo para um chefe político se demitir, é motivo para ficar e obrigar-se a corrigir o que está mal dentro do tempo do seu mandato. Concedo que é diferente se tiver sido nomeado, uma vez que se põe a questão da confiança política. Mas se tiver sido eleito, quem vai julgar o seu desempenho são os eleitores, não é aquela cáfila partidária que quer ser califa no lugar do califa. Oportunismo barato.

    Além do mais, note-se a incongruência: ontem no painel da SIC Notícas, onde peroram todas aquelas inteligências únicas que ninguém sabe de onde vêm, chegaram à conclusão de que o ascensor tinha uma tecnologia ultrapassada e que era inadmissível que em 2025 ainda funcionasse com o cabo e as roldanas e não sei quê. Tudo isso tinha de ser substituído por engenharia nova. Disseram isto com a maior certeza do mundo (e eu até concordo). Mas logo a seguir vem o Ramos de Almeida, o jornalista comuna que roubava contactos dos filofaxes dos seus colegas de profissão, dizer que o problema era o modelo de manutenção estar entregue a privados e o José Gomes Ferreira (para espanto geral) vem dizer que sim, que os “antigos funcionários da Carris” tinham um saber essencial que era aproveitar.

    Qual é a lógica desta merda? Então o modelo está ultrapassado mas os funcionários que percebem do modelo ultrapassado são essenciais, só porque isso cheira a colectivismo? Como é óbvio uma coisa que esta gente não consegue fazer é pensar sem os seus preconceitos ideológicos ou fazer pequenas cortesias nos seus argumentos, coisa que acontece muito nas mesas redondas em que há um jornalista comunista.

    Não é por acaso que os elevadores caem — é porque esta gente é toda muito burra e toda muito pouco séria.

    1. Já vi que a responsabilidade, afinal de contas, é sempre dos outros. A culpa é do privado, a culpa é do comunista, a culpa é do ar. O que interessa é que haja uma desgraça para a gente poder apontar o dedo. O resto é treta para encher chouriços. Se o elevador tivesse caído em 2017, a culpa seria do Passos. E se tivesse caído em 2019, a culpa seria do Costa. Mas como caiu em 2025, a culpa é do Moedas. E amanhã? Bem, amanhã a culpa será de quem estiver lá.
      Cabecinha pensadora…

      1. Não sei se o Carlos leu bem o que eu escrevi. Culpar este ou aquele não me interessa para nada, o que era bom era que as coisas fossem arranjadas como deve de ser.

        1. Li o que escreveste, sim, mas fica descansado: a culpa não é de ninguém… é só tua mania de acreditar que as coisas se resolvem sozinhas, como se a vida fosse a funcionária pública mais eficiente do país.

        2. Não se consegue arranjar o que não tem conserto. A cabeça dos portugueses está cheia de preocupações. É demasiado futebol, demasiados Big brothers…

      2. Só não percebi porque é que em 2017 a culpa seria do Passos e em 2019 do Costa.
        Em 2017 já o Costa era primeiro ministro.

    2. Em 2017 decisões políticas e decisões operacionais (como a estúpida mania da GNR de fechar estradas) mataram mais de 100 pessoas

      Disparate.

      Os mortos nos incêndios foram-no por muitas causas, em boa parte porque se meteram no sítio errado à hora errada, mas nunca por a GNR ter fechado qualquer estrada. Isto é, a GNR não fechou nenhuma estrada impedindo as pessoas de fugir dela.

      Aqueles que morreram na “estrada da morte” foram quase todos pessoas que moravam em aldeias vizinhas e que tentaram fugir por essa estrada, que era a única que dava acesso a essas aldeias. A GNR não as obrigou nem as impediu de o fazer (aliás teria sido impossível a GNR fechar todos os acessos dessas aldeias todas à “estrada da morte”).

      1. > Os mortos nos incêndios foram-no por muitas causas, em boa parte porque se meteram no sítio errado à hora errada, mas nunca por a GNR ter fechado qualquer estrada. Isto é, a GNR não fechou nenhuma estrada impedindo as pessoas de fugir dela.

        Errado. A GNR fechou todas as estradas menos aquela por onde as pessoas foram obrigadas a fugir. Estavam nas aldeias e iam fugir por uma estradeca para o Espinhal para quê. Como a fechou todos os acessos ao IC8 a única saída era por cima. Vá ver o mapa, ou vá ler as notícias da altura, mas não me desminta sem factos.

        1. vá ler as notícias da altura

          Os jornais da altura, no seu afã de encontrar culpados humanos para uma tragédia de origem essencialmente natural, escreveram muitos disparates.

          Uma pessoa que estivesse em Vila Facaia dispunha de uma saída para sul, pelo IC8, e de outra para oeste, pela “Estrada da Morte” (= EM). Não acredito que muita gente se tenha dirigida para sul, verificado que o acesso ao IC8 estava cortado, regressado a Vila Facaia e então ido para a EM. O que as pessoas que morreram fizeram foi dirigir-se diretamente à EM, onde morreram.

          Quanto às outras aldeias que não Vila Facaia, nem sequer tinham acesso ao IC8. As pessoas dessas aldeias só podiam fugir pela EM, e foi o que tentaram fazer.

          O fecho do IC8 não causou morte nenhuma, diria eu. É claro que eu (nem ninguém) não sei o que foi feito, naqueles minutos de aflição e pressa, por cada uma das pessoas que morreu, mas creio que nenhuma delas tentou sequer dirigir-se ao IC8 antes de optar pela EM.

          1. > Uma pessoa que estivesse em Vila Facaia dispunha de uma saída para sul, pelo IC8, e de outra para oeste, pela “Estrada da Morte” (= EM). Não acredito que muita gente se tenha dirigida para sul, verificado que o acesso ao IC8 estava cortado, regressado a Vila Facaia e então ido para a EM. O que as pessoas que morreram fizeram foi dirigir-se diretamente à EM, onde morreram.

            Exacto. A estrada para sul, para o IC8, que é a saída natural, a mais larga e a mais rápida que dá acesso à vila, foi cortada pela GNR. O próprio IC8 esteve cortado, não dava para fazer o trajecto Pombal – Castelo Branco na zona de Pedrógão Grande.

            Você está apenas a confirmar o que eu disse.

            1. A estrada para sul, para o IC8, foi cortada pela GNR.

              Está bem. Mas isso terá sido o caso de Vila Facaia, isto é, somente de uma das aldeias de onde pessoas fugiram. As outras aldeias todas nem sequer têm acesso direto ao IC8 – as pessoas delas tiveram que fugir delas pela Estrada da Morte, independentemente da atuação da GNR.

              (Digo “tiveram que fugir”, embora muito provavelmente esse tenha sido o maior disparate da vida delas – teriam mais facilmente escapado ilesas se tivessem permanecido em suas casas. A maior parte das pessoas morreu porque teve a atitude errada – procurar fugir num carro em vez de ficar escondido dentro de sua casa.)

            2. > As outras aldeias todas nem sequer têm acesso direto ao IC8 – as pessoas delas tiveram que fugir delas pela Estrada da Morte

              Exacto. Porque foi a única estrada que cima aberta para cima, a saída para baixo Ficaia – Pedrogão estava fechada. Se reparar bem as estradas ali andam à roda mas vão todas dar à estrada de Vila Ficaia, sobretudo do lado leste. É o eixo principal para sair dali. Ou para cima, para Castanheira de Pêra, ou para baixo para o IC8. Se fecham a entrada do IC8 só é possível sair daquele labirinto de montes e vales pelo lado de cima. Eu conheço bem a zona, vivi perto de Castanheira alguns anos. No mapa parece que há muitas saídas, mas ninguém dali faz isso, ou saem para Castanheira ou saem para baixo.

      2. O V. tem razão aqui Balio. A grande maioria das vítimas do incêndio de Junho de 2017 na Estrada 236, estavam ali porque a GNR cortou o IC8. Obviamente que na total ignorância (os meios de comunicação não estavam a funcionar) que a situação na 236 era pior que no IC8.
        Foi de facto um erro operacional muito grave, relacionado com o facto de o Siresp não estar a funcionar.

  2. Também vi, e gritei É MENTIRA.
    O que me indignou foi não ser imediatamente desmentido pelo jornalista.
    Também não sabia e diz muito da qualidade actual do jornalismo actual

    1. Alguns comentadores, nesta caixa de comentários, parecem subscrever a aldrabice do Ventura. Cinco dias depois.
      O pior ceguinho é o cego de uma claque política, como novamente se comprova.

    2. Os jornalistas não estarão lá para “desmentir”. Mas podem fazer perguntas. Por exemplo, quais eram os dois eventos que faziam pódio.

  3. Este, é um post genial. Como se desmascara um mentiroso. Um populista que se arroga de anunciar centenas de coisas que faria se fosse governo, quando até como comentador de tv pelo Benfica era mau. O mentiroso atira com as “bocas”, o povinho acredita, acha que é um sábio e bate palmas a um demagogo mentiroso. Parabéns, Pedro Correia.

  4. Mais de 1 milhão de adultos portugueses ainda acreditam no Pai Natal. São os sintomas de uma antiga doença em Portugal – o Dom Sebastianismo. O outro está para regressar do norte de África numa manhã de nevoeiro montado num corsel branco. Este veio do PSD e apeado. O amigo dele na Argentina está metido numa caldeirada de corrupção e segundo as sondagens sairá derrotado nas próximas eleições. O populismo é parecido com o comunismo – enorme máquina de produzir mentiras dirigidas ao maior número possível de otarios.

    1. O pior é quando a mentira passa por “verdade”, sem contraditório.
      Pior ainda é que alguns gostem de papar mentiras, como se confirma nesta mesma caixa de comentários.

      1. É muito difícil analisar o partido de extrema direita liderado pelo “coiso” porque o mesmo é pouquíssimo homogéneo no que diz respeito ao seu eleitorado. Há quase de tudo. Saudosos do Salazar, neo nazis, ex eleitores do PCP e do CDS e principalmente um enorme grupo de insatisfeitos com os partidos tradicionais. Já ouvi comentários do género: “os outros passaram anos a roubar, vamos agora ver o que é que este faz”. Ou seja, pode vir qualquer um, desde que não seja nenhum dos outros. O coiso é um espertalhão, mas olhos desta gente é um homem muito inteligente. Quando o intelecto é curto qualquer asno passa por génio. A médio prazo não vejo grande futuro para este ajuntamento nem tão pouco para o seu querido líder.

  5. André Ventura parece ter dificuldades para conseguir distinguir entre o que é real e o que é imaginário ou fantasia, plausivelmente dominado por um certo pensamento mágico, típico de quem está afastado das vivências tangíveis e alheado das evidências provindas do mundo real.

    A fantasia tem sido tão flagrantemente risível que o lema do Chega bem poderia ser este: “Os unicórnios são nossos amigos”…

    André Ventura parece viver num mundo paralelo, num “reino da fantasia”: teima em não querer percepcionar a realidade e em negá-la obstinadamente, enredado numa espiral de dogmatismo, de alienação e de pretenso messianismo… Armar-se em “salvador da Pátria” é algo recorrente em si, talvez movido por pensamentos de grandiosidade, que o colocam na condição de um putativo “messias”, um “herói”, cujas supostas virtudes se constituem como uma panaceia para resolver todos os males que assolam o país, quiçá também todos os do Mundo…

    Em resumo, André Ventura a lembrar a desfaçatez de Homer Simpson: “A culpa é minha, eu ponho-a em quem eu quiser”…

      1. Pois é, Pedro, eu, às vezes, também sou acometida por alguns devaneios…

        O Chapeleiro Maluco (“Alice no País das Maravilhas”) lá teria a sua razão, quando afirmou algo parecido com isto: “É preciso abraçar a loucura, antes que a normalidade nos agarre, nos prenda.”

        Eu tento abraçar a minha.

  6. Muito bem, Pedro Correia.
    Tivessem os jornalistas este tipo de critério, com todos os políticos e poder político, seguramente estaríamos num Portugal melhor. Livre ou pouco propício ao sucesso destes oportunistas e enjeitados políticos.

    “Memória da velha JAE” é uma bela nota editorial do Eduardo Dâmaso que diz muito da complusividade aqui na república.

  7. Como é que o Ventura diz que foi a 3.ª pior tragédia? Não foi.
    Mas também se ele soubesse contar, não estava no Chega, estava no Lidl, no sector das carnes frias.

  8. Como alguém disse acima, é um post genial. É genial de tão simples e óbvio. Com toda a informação que temos disponível, com alguma pesquisa é fácil encontrar essa lista de tragédias. Mas Ventura dispensa o trabalho mínimo desde que o que pretende dizer sirva o interesse populista. E sabe que no contexto, mesmo sendo uma redonda e descarada mentira, a mensagem passa.
    Como em África, quando os gnus atravessam o rio, por mais que os crocodilos encham a pança, são imensamente mais os que conseguem a travessia.

  9. Ventura terá dito, segundo este post, que foi o terceiro pior “acidente”.
    A listagem feita neste post mistura acidentes (como por exemplo o de Alcafache) com desastres naturais (como cheias) e outros (como incêndios florestais).

    1. Classificar a tragédia de Alcafache (choque frontal entre dois comboios) como “acidente”, como se fosse fatalidade do destino, é uma bacorada que não surpreende vinda de quem vem. Neste caso o comentador parece ter claque, mas não deixa de ser bacorada por causa disso.

  10. Li há tempos um livro escrito sobre os excessos das politicas woke nos Eua, promovidas à exaustão pelos esquerdistas, midia e acdamia americanos. Uma dessas políticas dedicava-se a propagar o ódio a tudo o q fosse branco e a vitimizar tudo o q fosse minoria. Os resultados estão à vista qdo somos confrontados com as estatísticas sobre criminalidade por raças . Não acham q o crime recente cometido sobre uma rapariga ucraniana por um americano ” i got that white girl ” merecia um debate sobre o tema ? Ou o politicamente correto não o permite ?

    1. Desconheço o crime podia dizer um link?
      E já agora o tal americano, é um afro-americano, euro-americano, asia-americano, latino-americano, … ?

  11. Tendo em conta que a sua intenção primeira era dizer “mundial”, ter-se ficado pelo “país” demonstra uma tomada de consciência que é de louvar.

  12. Boa tarde Pedro Correia
    Entre outras coisas, a descarada ausência de vergonha na cara faz o que se vê e é quase todos os dias praticado. Opinião pessoal naturalmente.
    Quanto às tragédias, há dias escrevi um pequeno texto onde recordei apenas algumas.
    Uma delas foi o desmoronar do farol da Gibalta sobre o comboio da linha Cais do Sodré-Cascais. Houve muitas vítimas.
    A sua lista é bem exaustiva e ajudará a falta de memória de muitos.
    Cumprimentos. Saúde, o verdadeiro Euromilhões da vida.
    António Cabral

    1. Viva, caro António Cabral.

      Também tive presente essa tragédia do farol da Gibalta (Março de 1952).
      Só não a trouxe aqui porque me limitei a enumerar desastres / tragédias com número de vítimas igual ou superior à deste infausto dia 3 de Setembro na Calçada da Glória.
      O desmoronamento de terras junto ao farol da Gibalta provocou dez mortos, portanto um número inferior.

      Saúde!

  13. Um homem de família este Ventura, Benfiquista como poucos, honesto, verdadeiro e vêem pra aqui difamar este senhor. É só inveja, mas vão ter que levar com ele, pois ele vai mudar Portugal e os Portugueses.

    1. Não há dúvida Ventura é mesmo um misto de santo, mártir e super-herói da Luz. Só falta dizer que vai curar reumatismo e baixar o preço da bifana. Se ele “vai mudar Portugal”, então preparem-se: a mudança é para a Idade Média, feita com a empresade mudanças do gajo das malas.

    2. É por esta e por outras que os apoiantes de André Ventura cada vez mais se parecem com seguidores acéfalos de uma qualquer seita.

  14. Por incrível que pareça, nem a vasta e rica língua portuguesa possui um adjectivo suficientemente depreciativo para aplicar ao referido indivíduo (eu prefiro chamar-lhe “O Coiso”. O que me ocorre talvez seja : Nulo. A quantidade de asneiras que diz, é inversamente proporcional há credibilidade que apresenta. É uma nulidade completa.

  15. Premeditado ou ironia do destino?

    “Audience member: ‘Do you know how many transgender Americans have been mass shooters over the last 10 years?’

    Kirk: ‘Too many.’”

    The same audience member further explained that the answer is five and then asked if Kirk knows how many mass shooters there have been in America over the last decade.

    Kirk then asked, “Counting or not counting gang violence?” just before he was shot, collapsing in his chair as blood gushed out of his neck.

        1. Certo, certo, é que nem ele, nem o seu assassino, estavam “incluídos nas guerras dos gangues”, como ele argumentava para justificar os mortos da 2ª Emenda – exactamente nas suas palavras finais.
          Mas podia ter sido de facto premeditado, ou uma coincidência com grande probabilidade: afinal, tanto as perguntas como as respostas são sempre as mesmas naquela hecatombe consentida da 2ª Emenda, não é?
          E então as respostas de Kirk é que eram mesmo sempre as mesmas, debaixo daquele pálio com o arrogante lema do seu ’tour’: “Prove Me Wrong”.

  16. O André Ventura votou contra a ida de Marcelo com os nossos impostos a um festival de hambúrgueres na Alemanha. Se não fosse o nosso André não sabíamos coisas destas.

  17. Se calhar o Ventura faz análises estatísticas mais profundas, para lá do simples número de óbitos
    Por exemplo lá nos states, terra que abriu o ano com um ex-militar a atropelar uma mão cheia de pessoas e em que regularmente há titoteios em escolas com múltiplas vítimas, anda tudo doido com o homicídio de uma imigrante (sim, estou consciente da ironia) num comboio. Há coisas que nem as ciências exactas explicam.

    1. Segundo o próprio, o ridículo e a estupidez! Até me rebolo de gozo a pensar no que o traste deve estar a sofrer, lá naquele sítio onde dói mais que tudo, o orgulho ferido… Entrou directamente para o anedotário nacional.

      E logo agora, que ganhava balanço para ser Presidente, escorrega assim num hambúrguer e estatela-se ao comprido! Para piorar, em directo na internet, esse veículo da eternidade, onde nunca nada se perde e podemos revê-lo sempre que quisermos, a perguntar-nos quão ridículo e estúpido aquilo é…

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