Era uma vez uma jovem que via muitas telenovelas, lia a “Maria” e sonhava casar com um homem rico. Um dia encontrou uma Fada que lhe disse:
– Posso satisfazer-te esse desejo, com uma condição: terás de ir trabalhar numa casa de alterne.
– Quanto tempo?- perguntou a jovem
– Não muito. O suficiente para eu fazer o meu feitiço.
Ao fim de alguns meses, numa manhã de nevoeiro, a Fada voltou a aparecer e disse-lhe :
– Prepara-te. É hoje que vais encontrar o teu futuro marido.
A jovem passou o dia em sobressalto. Foi ao cabeleireiro, pediu dinheiro emprestado para comprar um vestido novo e à noite sentou-se na sua mesa habitual à espera do homem que lhe iria mudar a vida.
Ao bater das 12 badaladas da meia-noite, viu entrar um homem que conhecia das capas de revista e não teve dúvidas que era aquele o marido que a Fada lhe destinara. Não era bonito, era já um pouco velho, mas a conta bancária colmatava esses pequenos defeitos. Pensou que a Fada podia ter sido mais generosa, mas se era aquele que ela escolhera, devia saber o que estava a fazer.
Confortada com esta ideia, não hesitou. Passados alguns dias estava a viver com o homem que a Fada lhe destinara. Foram muito felizes durante dois anos. Ela começou a aparecer nas capas de revistas, exibindo roupas luxuosas e sorrisos de plástico, evidenciando o desafogo em que vivia. O problema é que o companheiro não queria nada de casamento e ela começava a desesperar.
Um dia, numa visita a Lisboa, encontrou a Fada no Jamaica e atirou-lhe:
– Enganaste-me, Fada! Afinal ele não quer casar comigo…
– Não tenhas pressa. Ele não te dá tudo o que desejas?
– Sim, mas é velho, um dia bate a bota e eu fico sem nada…
– Eu fiz o que tinha a fazer. Agora é a ti que compete fazer o resto.
A jovem era um bocado lerda, por isso não entendeu as palavras da Fada e decidiu agir de acordo com a sua ambição. Começou a roubar o companheiro.
Quando percebeu que estava a ser vigarizado, o candidato a marido decidiu pô-la na rua.
Despeitada, jurou vingança e resolveu escrever um livro contando algumas malandrices do seu companheiro. Como a imaginação era demasiado fértil, carregou nas cores da paleta, inventou umas mentiras que um casal de Lisboa lhe soprou ao ouvido e tornou-se escritora de ficção.
O livro foi um sucesso de vendas e despertou a curiosidade de um realizador de cinema, que pretendeu transformá-lo em filme. A jovem já pensava ser a protagonista, mas teve de contentar-se com o argumento. Para a compensar, o realizador ofereceu-lhe uns fins de semana em Lisboa e disse-lhe que havia uma senhora que estava disposta a ajudá-la, desde que ela contasse umas histórias em Tribunal.
A jovem aceitou de imediato. Dando asas à imaginação inventou umas histórias, garantiu em Tribunal que tinha assistido a umas cenas com fruta que puseram em delírio a imprensa desportiva, o Correio da Manhã e os adeptos do Benfica. Passou a ter segurança privada, espatifou um jeep durante a madrugada, em condições que a imprensa escondeu, refugiou-se no Alentejo em casa de um novo namorado, mas acabou outra vez mal, como podem ver aqui e aqui
Mas um azar nunca vem só! Os juízes descobriram que era tudo mentira e decidiram proceder criminalmente contra ela pelo crime de “testemunho falso, agravado”.
Quanto à senhora que a considerava testemunha credível, percebeu o logro em que caiu, assobiou para o ar e começou a dar entrevistas ao Mário Crespo na SIC, para falar de outros assuntos mais mediáticos.
É por estas e por outras que podemos estar descansados com a Justiça em Portugal.
Ao fim e ao cabo, foi só uma história de amor que acabou mal, em véspera de S. Valentim. Tal como o clima, também as histórias de amor e os contos de Fadas já não são como eram dantes. A culpa é da fruta, que afinal estava estragada!

Tadinha da dos Fellatios….
Veludinhos azuis
Brilhante! Como fui ao longo do conto sendo enredado por uma salada de frutas, que de tão cristalizadas já nem adoçam mais o apetite verborreico de uma certa imprensa mediática. Repito, brilhante.
Forte abraço
Era fruta a mais!
Deixe-se se ficar pelo Guincho, com este sol, Carlos, sobre tudo se dá para escrever contos destes que até parecem reais. (`_^)
Sabe Carlos B. Oliveira, na verdade eu acho que as coisas não foram exactamente assim. Mas isso sou eu que sou adepto do Benfica. Sabe o que me entristece nesta história, realmente? É o preconceito. Uma “prostituta” (não sei, talvez só alternadeira, não estou a ver o Sr. Jorge Nuno apresentar a amante, ainda mais prostituta a Sua Santidade o Papa João Paulo II), mas dizia uma prostituta (ou alternadeira)não é credível. Como se tem visto em outras situações da nossa justiça, mais douradas ou menos douradas. Um velhote meu amigo, lá no bairro onde morei muitos anos, costumava dizer que “quando o mar bate na rocha, quem se lixa é o mexilhão”. Um abraço de um lampião para um respeitável tripeiro.
Ai , ai…..pois pois.