Que rica vida…


J.M. Coutinho Ribeiro,

É claro que eu não me sentiria muito confortável se visse o nosso primeiro-ministro a andar por aí com uma roupinha mal-amanhada, que se deslocasse ao estrangeiro com um ar pindérico e, assim, nos envergonhasse a todos. Mas tudo deve ter o seu equilíbrio. E confesso que não me agrada nada saber que o nosso primeiro-ministro – o PM deste país sempre à beira do precipício – é cliente regular de uma das mais caras e exclusivas lojas de roupa do mundo, em Beverly Hills, onde só entra um cliente de cada vez, com hora marcada e todo o staff de empregados à sua disposição. 

 

73 comentários em “Que rica vida…”

  1. Não há dúvida.
    Notícias deste jaez só demonstra o nacional-pinderiquismo invejoso e canalha que enforma esta nação com 900 anos.
    Uma tristeza.

    1. Seria, Caro Coelho, não fôssemos nós “castrados” à nascença e à velhice por uma geração de miseráveis caçadores rapaces.
      Mas isso não o preocupa! É bom sinal, é sinal de que é alumiado e brindado com o admirável mundo novo!

      1. Caro Sande,
        pelos vistos é pior do que eu no julgar de quem nos rodeia.
        Eu lastimo as causas que nos levam a ser tão pequeninos civicamente; o Sande desconfia da integridade dos outros. E olhe que não é a mesma coisa.
        Alguém já perguntou ao Belmiro der Azevedo onde faz compras ?
        Que as faça onde quizer, com o seu dinheiro.
        Porque razão o Sócrates não pode fazer o mesmo, se o fizer com o seu dinheiro, e parece que o tem ?
        Se assim não fosse, podiam fechar todas as lojas de grandes marcas da Av. da Liberdade, em Lisboa, porque não teriam clientes. Ou será, e só, porque o senhor é primeiro ministro e existem pessoas que não gostam dele.
        Eu também não gosto de muita gente e não os assassino moral e civilmente.
        Saudações.

      1. Coutinho Ribeiro,
        Eis o bom da discussão:
        -Não estar de acordo !
        Ter-mos ambos a possibilidade de discordar um do outro.
        Ainda bem. É sinal de que o país é livre e nós também.
        Mas repare, aquilo contra o que eu me insurjo é contra este sentimento de baixa política que invade a CS. Em que tudo é válido para atacar um adversário.
        Quando eu aprendi a conduzir-me politicamente, e creia que já lá vão muitas, muitas, dezenas de anos, existia uma coisa que se chamava respeito pelo oponente. É isso que eu não vejo hoje.
        Porque é que há-de ser notícia onde você ou outro cidadão qualquer compra a roupa, desde que o faça com o que é seu/dele ?
        A não ser que ponha em causa se é seu ou dele.
        E eu isso não faço, primeiro porque acredito que nem você nem ele utilizariam meios que não fossem próprios.
        Como vê é uma questão de princípio.
        Saudações.

        1. M. Coelho:
          Também espero que nos seja possível discordar uns dos outros por muitos anos.
          Daqui, para lhe dizer que acho que coloca mal a questão: a CS tem Sócrates como adversário? Não me parece… A CS não é adversária do poder político – cada qual no seu galho.
          Quanto a usar meios que são ou não são próprios, estou naquela fase em que só poso responder por mim.
          Saudações, também.

          1. Só mais uma coisinha 🙂
            A CS cumpre o seu papel quando noticia o que é de interesse público e não quando noticia o que interessa ao público. Poderá dizer-me: e é de interesse público saber onde se veste io PM? Não, não é, se virmos a CS como algo mais do que a imprensa cor-de-rosa. Daí que não tenha interesse nenhum saber se o PM se veste na Sacoor ou na Zara. Mas já passa a ser de interesse público saber que o PM de um país pelintra se veste numa das mais caras lojas do mundo (e é isso o que se lê na notícia do “i”), como teria interesse se ele se vestisse com roupas “faralhadas” das feiras. Por mim, passo bem com isso. Não sei é se os profissionais das manif’s consegurião domar-se ao ponto de não lhe atirar ovos da próxima vez que o vejam…

            1. Ora bem, já existem pontos em que começamos a acordar.
              Contudo, não estou certo que eu veja a CS com tanta bonomia . Não é isso que tem vindo a ser demonstrado.
              Quanto aos profissionais das manifs , por serem profissionais, o seu intuito será sempre de atirar ovos ou outra coisa qualquer esteja o homem nu ou vestido, com Zenga ou um trapinho da feira da ladra.
              Continuaremos, decerto, a trocar impressões noutra altura e sobre outros assuntos.
              Saudações.

            2. Portugal é um país “pelintra”? Olhe, não sabia… bom, sendo assim, é de facto razoável que o PM se vá vestir a lojas pelintras. Acima da Zara, deixam de ser pelintras, não é? Portanto…
              O mais engraçado é a suposição de que o Socrates é “cliente regular” da loja, expressão sua, Coutinho Ribeiro, coisa, aliás, que o jornal já insinua, ao dizer que aquela é a “loja que veste Socrates”. Estou mesmo a imaginar o PM, qual soba milionário de uma nação africana ou xeque árabe, a ir de jacto privado todos os meses abastecer-se de roupa à loja.

              Pedro

            3. Se é cliente regular ou não, isso na verdade não sabemos, agora que alguma regularidade deve ter a lá ir, para terem lá o seu nome escarrapachado na montra, ai isso deve… (“José Sócrates, Prime Minister of Portugal” é o que se pode ler na montra). De certeza que não terá lá ido uma vez só comprar um lenço de bolso…

            4. Sim, claro, Portugal é um país pelintra. Talvez o não seja para alguns, mas é para a maioria.
              Quanto ao mais, do que escrevi apenas retiro a palavra “regular”. Não há, com efeito, nada que indicie que Sócrates visite a loja regularamente. Partid o facto de que o nome dele na montra não se justficaria se ele tivesse ido lá apenas uma vez comprar uma gravata. Mas, sim, é uma conclusão não sustentada.

            5. Não se justificaria? Ó Coutinho Ribeiro, eu acho que o dono da loja nunca o contrataria para consultor de marketing comercial…

              Pedro

            6. Não contrataria, desde logo porque eu não estou disponível 🙂
              Mas, veja: se Sócrates tivesse entrado uma vez na loja, incógnito, alguém por lá saberia quem é o homem?

            7. Coutinho Ribeiro, allow me to explain how it works: antes de um primeiro ministro (de Portugal, do Gabão, ou da Suécia) entrar numa loja nos states, já lá foram três agentes federais de segurança limpar o caminho, avisar e fazer uma inspecçãozita… 😉 Nem que o tipo quisesse, entraria incógnito.

              Pedro

  2. Hoje mandei fazer umas calças numa loja clássica e vetusta da cidade do Porto, onde não entram muitos clientes de cada vez e o alfaiate tem hora marcada de permanência na loja. O meu número esgota com facilidade no prêt-à-porter. Será que vou ser alvo de alguma notícia destas?

    1. As lojas clássicas e vetustas do Porto já eram. Não entram muitos clientes por causa da crise. O alfaiate tem hora marcada de permanência para cumprir o horário afixado na porta. Alguém cujo número no ‘prêt-à-porter’ esgota com facilidade é sinal de vulgaridade. Nenhum vulgar mortal é alvo de notícias destas ou de outras quaisquer.

  3. Eu só gostava de saber se ele vai lá a fazer “jogging” ou se vai de bicicleta. Na dele, claro, porque cada um agora tem de pedalar a sua, não é?
    Que lata, a desta gentinha!…

  4. Eu concordo com o Coutinho Ribeiro… Não sou invejosa. A crise chega ao Zé Povinho apenas… Acho péssimo, o homem tem que estar apresentável, mas tanto????

  5. quantas vezes o homem entrou nessa loja? quando foi lá? comprou o quê? gastou quanto? quem pagou, ele ou nós? sem resposta a estas questões, a notícia do i é mera especulação que se arrisca a ser desmentida, se o homem se quiser dar a esse trabalho.

      1. Não se trata de confiar ou não, apenas de apreciar o conteúdo da notícia. A única coisa factual é a foto da vitrina onde se pode ler os nomes dos famosos que alegadamente já ali entraram e compraram alguma coisa. Depois, no texto, nada diz a não ser que a loja é cara. De concreto, Sócrates já lá foi. So what? Uma vez, também jantei no Gambrinus…

    1. Portanto, com resposta a essas “questões”, a notícia deixa de ser mera especulação e não é desmentível? Isso é que é o diabo, porque tais respostas já me cheirariam a ‘voyeurismo’ (excepto se fôssemos nós a pagar) e isso parece-me desinteressante.
      Basta-me saber o que ficou a saber-se, por dois motivos:
      – curiosidade;
      – contributo para a avaliação psicológica do indivíduo (como muito bem traçou a Chloé no comentário abaixo).

      1. João Carvalho, não acha útil saber se o Socrates é “cliente regular” da loja, como diz o Coutinho Ribeiro, ou se foi cliente ocasional? Não acha também útil e esclarecedor saber se o homem se limitou a comprar lá uma gravata ou se veio de lá num Falcon a abarrotar de fatos armani? Eu acho que é. O que ficou o João Carvalho a saber através do jornal, afinal?

        Pedro

          1. João Carvalho, que “resto” é que tem para fazer “avaliação pessoal” neste caso? Pouco ou nada, parece-me. E “interessaria” a parte do Falcon? A sério?… o jornal é que achou que isso não interessaria nada aos seus leitores. Azar, João Carvalho. Enfim, cada um (ou cada pais), tem a investigação jornalistica que merece.

            Pedro

  6. E então?! Alguma reclamação? 🙂
    Tem de ter em conta que:
    1º- a fixação desmesurada de um homem (sublinho o adjectivo desmesurada) no próprio aspecto físico e na ‘roupinha’ é um dos sinais particulares “of what we all know” (não, não é pela boca, é porque é mesmo assim, confira-se)
    2º- a obsessão pelo outfit é e com ela, a escalada fisgada no topo do ranking das griffes (must of musts) é muitas vezes o recurso compulsivo de quem carece de reconhecimento efectivo e não tem distinção (=destaque) natural. Essa 2ª pele torna-se numa necessidade primária, e tem uma enorme vantagem sobre a verdadeira, que a natureza nos dá: – compra-se.
    3º- tudo isto (espremido até à expressão mais simples) nos leva ao cromo do “xerrano” deslumbrado. Sem ofensa para os serranos, porque aqui falo de “xerrano” em estado mental…

    PS- não tenho nada contra o culto normal do bom aspecto e o ar ‘soigné’, muito pelo contrário. As desproporções é que são reveladoras.

  7. Ai que inveja!!! Também queria…

    Pretty Woman…
    Pretty Woman…
    Como brinde… o Richard Gere… hehehe..

  8. Cada um deve ser livre de gastar o seu dinheiro como quer e nas lojas que quer, e ninguém tem nada a ver com isso.

    É de mau gosto fazer comentários à forma como cada um gasta o seu dinheiro.

    1. Deve ser livre de gastar como e onde quer? Ainda digo mais: é livre. Ponto final.

      Mas não é de mau gosto conhecer certas excentricidades das figuras que nos governam: as excentricidades é que podem ser de mau gosto. Eu, por exemplo, o que acho de mau gosto é o primeiro-ministro de Portugal ir a Beverly Hills vestir-se numa das lojas mais caras do mundo.

      Lembra-se quando se comentava que Samora Machel ia vestir-se a Paris? E também o seu sucessor, num dos países mais pobres do mundo? E José Eduardo dos Santos, enquanto os angolanos morriam na guerra civil e continuam a ver o orçamento aumentar só para alguns? E por aí fora?…

      Nada disso os impede de ser livres para gastar como e onde querem, não é? Mas faz parte do nosso escrutínio. São avaliados também por isso.

      Não ficamos incomodados com alguns luxos asiáticos no meio da maior miséria, não são chocantes alguns salários dos nossos banqueiros e administradores de empresas públicas enquanto anda a passar-se fome em Portugal, etc.? Pois é. Como eu disse atrás, faz parte do nosso escrutínio. Cada um que reflita e avalie como entender: somos igualmente livres para fazê-lo.

      1. Está a confundir o dinheiro que cada um ganha com a forma como o gasta.

        O que há de mal é o dinheiro que José Eduardo dos Santos tem, não o facto de ele preferir gastá-lo em camisas ou noutra coisa qualquer.

        O mesmo se passa com José Sócrates. Ele aufere o salário que aufere, o qual será talvez demasiadamente elevado, não sei. Mas, uma vez o salário auferido, é de mau gosto criticar ou espiolhar a forma como ele o gasta (ou aforra).

        Os gastos de uma pessoa fazem parte da sua vida privada, tal como os seus gostos sexuais, etc. Ninguém tem nada a ver com José Sócrates gastar os seus rendimentos em camisas, em prostíbulos, em restaurantes xungas, ou em night-clubs gays. Ninguém tem nada que andar a dizer o que ele faz com o dinheiro que auferiu.

        O que podemos criticar, legitimamente, é a forma como o auferiu, ou o montante que auferiu.

        Certamente que o autor do post também não gostaria que se andasse a divulgar por aí a forma como gasta o seu dinheiro.

          1. Qual solidariedade? Sócrates deveria oferecer o seu dinheiro aos pobres, como Nuno Álvares Pereira? E quem mais o deveria fazer?

            Qual moderação? Sócrates deveria andar vestido à maoista, e pôr o dinheiro que lhe sobrasse no banco? Para quê? A bem de quem?

            Qual bom senso? Cada um de nós é livre de ter o mau senso que tiver nos gastos que faz. E tem o direito de não ser criticado por isso, nem de ver o seu mau senso devassado nos jornais.

            Eu não quero espiolhar como é que o meu interlocutor gasta os seus rendimentos, e espero que o meu interlocutor não queira devassar como é que eu gasto os meus.

            Quando elegemos José Sócrates para primeiro-ministrro não podemos estar a obrigá-lo a restrições particulares nos seus gastos pessoais, e na sua vida privada, restrições que não se aplicam a qualquer outro de nós.

            1. A não ingerência é o princípio geral, inquestionável, entre pessoas bem-educadas.
              Estimo muito que o Sr. Lavoura o seja, porque é um bem escasso e decadente que muito prezo.
              Mas lamento informá-lo, Sr. Lavoura, que um PM , quer queira quer não, não é apenas um cidadão privado. E chamo-lhe a atenção para que quem não quer expor-se, não se habilita a tal.
              Os hábitos que envolvem opções desenvolvidas após a subida ao poder (é o caso) não nos dão o direito de perseguir ninguém, mas dão-nos, sim, o direito de ciência.
              Era o que faltava que assim não fosse.
              Uma sociedade evoluída observa e deve estar atenta, ainda que a cada coisa deva dar-se o devido peso.
              Um PM não tem nada a ver com o sítio onde eu me visto (feira de Carcavelos, Bond Street ou Via Veneto ), mas a inversa é que já não é verdadeira.
              Os governados têm todo o direito de esperar ‘coerência de vida’ da parte de um político que os massacra constantemente do alto do seu atamancado púlpito de igreja universal do reino de deus.
              Porque quem vestiu a mesa com o pano de moralidade não fui eu, foi o tal sr . que se veste na loja mais exclusiva de Beverly Hills . – Como é que se conjugam aqui os dois tecidos? Explica-me?
              Eu tenho todo o direito de criticar um funcionário público que tem hábitos perdulários, se eu souber que não tinha fortuna pessoal e vive dos meus impostos.
              Eu tenho todo o direito de julgar um funcionário público que vigia obsessivamente a vida privada (sublinho, privada) dos cidadãos. A minha vida e a do Sr. Lavoura.
              Eu tenho todo o direito de julgar um funcionário público que empreende reformas radicais e retira as bases de sobrevivência a milhares de portugueses sem se dar ao trabalho de avaliar seriamente a sua produtividade.
              Eu tenho todo o direito de julgar um funcionário público que pratica o esbulho e a expropriação sistemática do cidadão, à sombra de leis fiscais de legitimidade altamente duvidosa, aos olhos de qualquer jurista.

              Eu tenho todo o direito de julgar, numa palavra.
              A isso se chama accountability. Lá em Beverly Hills os tais empregados da loja, quando votam ou pagam impostos, sabem muito bem o que isso é.
              – Termo esquisito não? Pois. É um conceito estranho a qualquer sociedade atrasada. E sobretudo a quem não tem história nem formação (da que vem com a papa à que vem dos estudos a sério).
              Mas um bom pau (ou mãe) de família, rico ou pobre, sabe bem o que isso é:
              prestar contas, responsabilidade.
              Em casa; no trabalho; nas assembleias cívicas ou religiosas (que não sejam, claro, a igreja universal do reino de deus).

            2. Chloé,
              tem todos os direitos que quiser e mais aqueles que conseguir.
              Só não encontro no seu “arrazoado” qualquer nexo com aquilo que está em discussão.
              Quem é o “funcionário público” ?
              Saudações.
              PS:
              Consta que só deus escrevia direito por linhas tortas, afinal…

            3. Muito bem, Chloé (duas vezes).
              No entanto, e aqui entre nós, um reparo: funcionário público é o que exerce uma função remunerada em instituições que administram um Estado, o qual, por sua vez, visa o bem público.
              Para obstar a que se confunda o protagonista deste debate com qualquer funcionário público, quer em gabinete, quer em atendimento ao cidadão – sejamos amáveis com estes – talvez convenha lembrar: o dito protagonista é um alto dirigente que exerce uma função remunerada na administração de um Estado. Função, essa, que visa o bem público e pela qual é responsável.
              Espero ter esclarecido o Sr. Luís Lavoura.

            4. MaJ
              Não sei se a terei percebido bem. Mas, como é evidente, o uso que dei ao termo funcionário público foi ciente e propositado.
              Bem sei que em Portugal é muito estranho adoptá-lo para designarmos os altos cargos da nação: – um membro do Governo, um PM , um PR , e por aí fora.
              Mas até essa falta de hábito, e a perplexidade que o uso do termo provoca, são muitíssimo sintomáticas, não acha?.
              Pois… funcionário público parece “pouquinho” (e com este PM ainda mais passou a parecer!). Entende-se…
              Imagino a irritação que alguns altos titulares sentiriam com a designação.. É só pôr-me no lugar deles, aliás! Porque eu também não gosto nada que me confundam com políticos.
              Mas a verdade pura e dura é que – se esquecermos as reformas chorudas em tempo record -, só há aqui, em rigor, uma única coisa realmente diferente entre todos, que é o processo anterior à nomeação e à investidura (por norma um processo eleitoral).
              Quanto ao resto é tudo igual a partir daí (até o juramento, note ).
              Todos são funcionários públicos, sim, do topo à base da AP.
              Todos estão ao serviço da coisa pública e estão limitados pelo interesse colectivo nas suas actuações. E ninguém, nem nos píncaros de S. Bento, é dono do Estado (embora não pareça).

              Funcionários públicos em todo o seu esplendor, sim, e com toda a propriedade.

              Pena é que a maioria das pessoas tenha apenas uma vaga noção disto.
              Caso contrário, talvez a cidadania fosse de outra qualidade…
              (e os ‘homens bons’ saíssem da toca sem medo de se misturar)

            5. Chloé
              Na mouche .
              Vesti a toga de advogado-do-diabo porque achei que era necessária ao forum essa sua explicação, ponto por ponto.

        1. Claro que cada um é livre de gastar o seu dinheiro onde quiser. E cada um de nós é livre depensar o que quiser sobre o assunto. Pergunto: não é relevante saber se, por exemplo, um PM tem o vício do jogo e gasta fortunas no casino?

          1. Claro que não é relevante. Desde que ele gaste o dinheiro dele, e somente dele, no casino, é problema que só a ele diz respeito. Eu não quero uma sociedade de moralistas que andem a meter o nariz nos vícios de outrem e a criticar esses vícios quando eles em nada prejudicam quem critica.

            1. Ora aí está, Luís Lavoura. Se ele gastasse o dinheiro dele no casino, o facto teria duas consequências inevitáveis:
              – seria também notícia;
              – seria também importante para a avaliação que qualquer um faz sobre quem nos governa.

              Como vê, acabou por chegar onde devia. Falta-lhe é habituar-se a pensar pela sua cabeça.

  9. Modestíssima e (quase) envergonhada opinião contra a corrente :
    a criatura em causa É pindérica e ENVERGONHA-NOS a todos, enquanto povo.
    Aquilo limita-se a ser um sub-produto da publicidade das revistas de papel “couché”.

  10. Se o primeiro-ministro ‘socialista’ de um país em crise, com dois milhões de pobres e meio milhão de desempregados, faz compras na tal loja milionária das estrelas de Hollywood que ainda por cima se serve do nome dele como cartaz, publicitando-o, isso é notícia. Mais: isso seria notícia em qualquer outro país nas mesmas condições. A não ser assim, é melhor que divulguem rapidamente o ‘index’ das notícias que não podem ser difundidas para a gente se ir habituando. Em alternativa sempre se poderão ir desenterrando os velhos lápis azuis da censura. Deve haver ainda alguns por aí.

  11. Que está no direito de cada um gastar o seu dinheiro como lhe bem entende, creio que estamos todos conscientes disso, mas neste caso, eu não ponha as minhas mãos no fogo!
    Será que o guarda-roupa entra nos gastos do Estado, uma vez como pessoa pública que é?!?
    Sim porque não esqueçamos, de outros exemplos, como nos caso das viaturas do Estado para Altos Funcionários do Estado, assim como o usufruto de aviões particulares, etc.
    E ainda falam em contenção de gastos?!? E de que o Estado não tem dinheiro?!? E que massacre a economia e o cidadão com impostos atrás de impostos!?! Não sei não!!!!
    Não creio que seja apenas uma simples “notícia cor de rosa” e muito menos especulativa…
    Que se vista com elegância, o quanto a profissão assim o exija, que assim o seja, mas moderação e discrição é preciso.

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