As porta-microfones de turno

Este é um grupo exclusivamente constituído por mulheres. As porta-microfones de turno são repórteres jovens e o serviço de exterior que fazem, a bem dizer, é mais um serviço de espera.
Acendem o cigarro com o isqueiro do cameraman e nunca largam o microfone. O seu trabalho é andar pelas portas: a porta do Parlamento, a porta do tribunal, a porta do partido, a porta do recinto de exposições e todas as portas onde previamente se sabe que vão estar presentes personalidades.
As porta-microfones de turno falam pouco para as câmaras. O que é óptimo, porque, quando falam, as frases pares são sempre para corrigir as frases ímpares anteriores, intercaladas por uma mão-cheia de hãm’s. Elas não são destacadas para relatar seja o que for, mas apenas para ouvir. Ou antes: para meter o microfone à frente da boca de quem entra ou sai.
Quando possível, são arranjadinhas e andam de calças justas descaídas ou de saia curta. É a receita para que políticos e demais ‘vipalhada’ não se atrevam a passar à pressa, a fingir que não vêem o microfone e a câmara ou a lembrar-se de pegar no telemóvel. Todos param com os olhos a piscar e um sorriso de orelha a orelha e elas cumprem a sua função: encostar-lhes o microfone e deixá-los falar, para ver o que se aproveita.
O mais irritante é quando o entrevistado se arma em esperto e dispara, sorridente: «Então a que é que querem que eu responda?» Elas não fazem a mais pequena ideia, mas também (que coisa!) não há pachorra para um entrevistado que faz perguntas.
Claro que as porta-microfones de turno nunca entram em directo. As declarações recolhidas têm de ser devidamente editadas, recortadas e, muitas vezes, arquivadas no lixo. A trabalheira propriamente dita é nas Redacções: se não puserem no ar alguma coisinha, os que falaram não irão gostar de falar para a próxima. Mas não é muito grave: para a próxima, entra de turno aquela outra repórter que anda sempre de mini-saia e com o decote até ao umbigo, que há-de pô-los todos a falar outra vez…

ahahahah , só me parece que não são bem hãs ” mas mais hãms “……….
Exacto! Vou já corrigir.
Muito bem “apanhado” João!
É sempre um prazer ler estes seus artigos!!!
Também é bom saber que há quem goste, Virgínia.
São assim mesmo, João! Coitadinhas, tenho pena delas… não ganham nem um papo-seco, são muitas vezes tratadas abaixo de cão pelas redacções e só se safam com os deslumbrados que querem aparecer na televisão.
Mas o cromo está perfeito, como sempre.
Obrigado, Ana.
Com efeito, elas são meramente usadas como iscos.
Rapariguinhas do Shopping TV! Na mouche! Gostei.
:))
Hehe…
Com as meninas nestes preparos,… é talvez mais provável que comecem a «gaguejar». Também quase ninguém vai notar a diferença…
Quanto a elas, devem ter atenção quando forem à loja do cidadão em Faro entrevistar algum, pois são capazes de não passar na inspecção…
No meu tempo passavam,… mas a tropa era outra!