Os sempre-em-cima

São frequentadores de programas com público. Os sempre-em-cima gostam de ir aos concursos e, sobretudo, de ser concorrentes. Costumam levar a sua claque, que vai da avó até aos mais altos representantes do bairro, excepto o gato.
A parte do concurso que mais os motiva é o diálogo inicial com o apresentador, que é quando melhor mostram o que valem à sua claque e aos colegas de trabalho que não puderam assistir ao vivo, mas que estão de nariz colado num televisor qualquer a dizer cobras-e-lagartos do sortudo. Como não costumam saber grande coisa e rapidamente ficam pelo caminho, todo o esforço dos sempre-em-cima se concentra nos momentos iniciais. Assim:
O apresentador – Boa noite! Está bem disposto?
O sempre-em-cima – Sempre!
Segue-se um curto diálogo informal. Até que:
O apresentador – Vamos então começar. Está pronto?
O sempre-em-cima – Sempre!
É evidente que eles mentem. Se estivessem sempre bem dispostos e sempre prontos para tudo, o seu dia-a-dia seria de uma monotonia doentia e talvez nem fosse na Terra. Mas os sempre-em-cima não o fazem por mal. Apenas mostram ao apresentador que mereciam ganhar, porque estão mesmo convencidos de que são os maiores e de que só precisam de convencer os outros. Ao mesmo tempo, mostram aos seus como se enfrentam as câmaras e se trata o estúdio por "tu". Pensam que estão, portanto, a investir em futuros admiradores.
Depois da má figura no concurso, ora perguntem-lhes lá se eles não querem voltar à televisão. Sempre!…

Aqui tenho é que ficar caladinho: há uns anos, fui o último primeiro-ministro da “Cadeira do Poder”, embora não tenha concorrido – foi por convite Sempre-em-cima, portanto. Meto-me em cada uma, não é?
Quer então dizer que sucedeu (com não sei quantos de intervalo) ao grande Torres Couto…
… e ao Santana…
… diz que o Santana perdeu justamente com o Torres Couto, e não chegou lá…
Não me lembro, mas é possível. Se tivesse chegado iria fazer muitos estragos…
Um sempre-em-cima nunca fica calado. Estavas bem disposto? E estavas pronto para começar?…
Ah, sim, muito bem disposto e pronto para começar 🙂
Sintonize pra variar uma TV do Brasiu e o que eles dizem constantemente é «com cèrtêza». Uh!
Eles falam acordortografiquês…
Não te esqueças dos “porta-microfones”…
Abraço
Se bem me lembro, foi assim:
– Torres Couto ganhou a Santana Lopes;
– Couto não quis continuar e passou a pasta a Rui Oliveira Costa (com Rodrigo Moita de Deus como líder paralementar);
– O Manuel Serrão (comigo a líder parlamentar), ganhou a Oliveira e Costa;
– a seguira, ganhámos a Margarida Prieto;
– perdemos depois com Arroba da Silva;
– No último porograma fui lá disputar o lugar ao vencedor anterior e ganhei por largo.
Logo, entre Santana e eu há a coincidência de ambos termos sido primeiro-ministro. Eu, a brincar… ele, mais ou menos.
Podes dizer abertamente: os dois a brincar. O Santana, por duas vezes…
Coitado: o pão caiu-lhe com a manteiga virada para baixo.
Na melhor nódoa cai o pão!