Quem se vê na TV (2)


João Carvalho,

Os sempre-em-cima

São frequentadores de programas com público. Os sempre-em-cima gostam de ir aos concursos e, sobretudo, de ser concorrentes. Costumam levar a sua claque, que vai da avó até aos mais altos representantes do bairro, excepto o gato.

A parte do concurso que mais os motiva é o diálogo inicial com o apresentador, que é quando melhor mostram o que valem à sua claque e aos colegas de trabalho que não puderam assistir ao vivo, mas que estão de nariz colado num televisor qualquer a dizer cobras-e-lagartos do sortudo. Como não costumam saber grande coisa e rapidamente ficam pelo caminho, todo o esforço dos sempre-em-cima se concentra nos momentos iniciais. Assim:

O apresentador – Boa noite! Está bem disposto?

O sempre-em-cimaSempre!

Segue-se um curto diálogo informal. Até que:

O apresentadorVamos então começar. Está pronto?

O sempre-em-cimaSempre!

É evidente que eles mentem. Se estivessem sempre bem dispostos e sempre prontos para tudo, o seu dia-a-dia seria de uma monotonia doentia e talvez nem fosse na Terra. Mas os sempre-em-cima não o fazem por mal. Apenas mostram ao apresentador que mereciam ganhar, porque estão mesmo convencidos de que são os maiores e de que só precisam de convencer os outros. Ao mesmo tempo, mostram aos seus como se enfrentam as câmaras e se trata o estúdio por "tu". Pensam que estão, portanto, a investir em futuros admiradores.

Depois da má figura no concurso, ora perguntem-lhes lá se eles não querem voltar à televisão. Sempre!

14 comentários em “Quem se vê na TV (2)”

  1. Aqui tenho é que ficar caladinho: há uns anos, fui o último primeiro-ministro da “Cadeira do Poder”, embora não tenha concorrido – foi por convite Sempre-em-cima, portanto. Meto-me em cada uma, não é?

  2. Se bem me lembro, foi assim:
    – Torres Couto ganhou a Santana Lopes;
    – Couto não quis continuar e passou a pasta a Rui Oliveira Costa (com Rodrigo Moita de Deus como líder paralementar);
    – O Manuel Serrão (comigo a líder parlamentar), ganhou a Oliveira e Costa;
    – a seguira, ganhámos a Margarida Prieto;
    – perdemos depois com Arroba da Silva;
    – No último porograma fui lá disputar o lugar ao vencedor anterior e ganhei por largo.
    Logo, entre Santana e eu há a coincidência de ambos termos sido primeiro-ministro. Eu, a brincar… ele, mais ou menos.

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