Os que falam em bold

Em regra, são políticos, mas podem ser profissionais de outros sectores. Os que falam em bold são quase sempre homens e são chamados com frequência a usar da palavra à frente de microfones, quer seja em contactos fortuitos, quer seja em debates, congressos e coisas desse género.
Para os que falam em bold, a construção das frases que debitam é normalmente fluente. A característica que os distingue dos oradores comuns é que cada oração de cada frase tem sempre uma palavra que se destaca das restantes pelo tom subtilmente elevado da voz, a marcar o discurso. Digamos que se trata de palavras que, vertidas a texto escrito em Microsoft Word, deveriam ser destacadas a ‘negrito’ ou bold.
Francisco Louçã e António Vitorino são bons exemplos deste grupo. Contudo, pertencem a dois subgrupos diferentes: os que falam em bold nas palavras-chave e os que falam em bold à toa, respectivamente.
Louçã utiliza a conhecida técnica discursiva da colocação de voz à pároco-a-fazer-um-sermão-num-funeral, em tom macio, aveludado, para não perturbar o sono dos justos. Recorre a um bold arredondado, a elevar-se-lhe da alma quase em surdina, muito típico dos que falam em bold, que é naquelas que considera as palavras-chave de cada frase.
Vitorino, por seu turno, limita-se a uma voz bem colocada, mas sem recurso a técnicas especiais. A única especialidade personalizada, mas atípica para a maioria dos que falam em bold, é a das palavras em bold serem escolhidas à toa, tipo não-te-atrevas-a-adormecer-quando-eu-estou-a-falar…

Em contrapartida, se me é permitido o delito de opinião, o linguajar de MFL oscila entre o tom de mulher traída pelo marido e o de protesto de quem foi apanhada a ralhar com o puto surpreendido a colher laranjas no seu quintal. Já PP usa, para manter o tom do artigo, um bold mais ao estilo germanófilo mas com uns laivos de sexo mal resolvido. Ao contrário do que é vox populi, no tom do Sr. Jerónimo reconheço mais traquejo monástico do que na locução de FL.
Cá estou eu a perder-me nos figurões em vez de me focar no libreto, erro que em análise dá quase sempre lugar a diagnósticos míopes.
Já sei, já sei, não entendi o espírito do artigo, perdoar-me-ão por certo, eu não sou muito dado ao espiritismo.
Não é obrigatório ser dado ao espiritismo, mas espero que esteja mais bem disposto.
Abraço.
Eu não deixaria de dar como exemplo o Paulinho das Bombas de Gasolina…
Se me permite, uma das coisas que mais e solenemente me irrita na TV a que temos direito são as doses industriais que nos dão dos assuntos em voga.
Um dos últimos exemplos foi o caso do penalti inexistente.
E aqui há pouco tempo tivemos todos dias Freeport e mais Freeport durante horas a fio (a propósito, aquilo agora terá regressado ao sono em que esteve durante 4 anos?).
Nessas alturas, parece que mais nada aconteceu, isto para não falar na irreprimível vontade de fazer zapping quando se depara com a enésima reportagem ou análise que enfadonhamente repete o que quem queria saber já ouviu e o que quem não queria saber mais uma vez se recusará a saber.
Pois é.
Correcção: uma das coisas que … me irritam.
Deve ser contágio provocado pelos apresentadores, quase sem excepção, que passam a vida a dizer «Ele é um dos que faz», «O nosso país é um dos que está», «Ela foi uma das que estreou», e assim por diante.
” as palavras em bold serem escolhidas à toa” para acordar a plateia.
gostei!
António Vitorino é mais ou menos assim. Repare às segundas-feiras à noite. Hehehe…
Gosto muito mais dos que falam em bolos.
É na porta ao lado. Aqui mora a política.
Hehehe…
Mas, João, política de pastelaria é o que mais há por cá… vejo tudo muito empastelado, aliás. 🙂
É verdade, Ana. Saia um pastel de S. Bento, para variar!
Gostei! A ideia de falarem em bold!
Muito bom e muito bem!
(Sim, que eu não sou Diogo nem feia rsrsrs)
:)))
~Portanto, não foi mal ideia…
Heheheehehehehe…
“Francisco Louçã e António Vitorino são bons exemplos deste grupo. Contudo, pertencem a dois subgrupos diferentes: os que falam em bold nas palavras-chave e os que falam em bold à toa, respectivamente.”
Genial, compadre.
Hehe…
Fico à espera, João, do que dissertares sobre os que falam em itálico.
Também eu.
Não está previsto (ainda). Mas hão-de aparecer os que desenham aspas no ar com dois dedinhos enrolados de cada mão…