Queriam o quê?


Teresa Ribeiro,

Não há nada mais desinteressante e raro do que a felicidade feita de serenidade, solidez e candura que percebemos em certos casais de velhos que às vezes observamos na praia, entretidos um com o outro a fazer aquelas coisas que só as crianças e os velhos felizes sabem fazer. A outra, a dos balõezinhos de adrenalina, é um produto de contrafacção made in Taiwan.

17 comentários em “Queriam o quê?”

  1. Aqueles dois nem me parecem (muito) velhos, nem se percebe o que estão a fazer, para além de olhar para o mar…

        1. Pois não, Teresa,:), mas este é um dos casos em que cada um se sujeita ou não à ditadura apenas se quiser; afinal os humanos têm essa capacidade de escolha, do que é melhor para cada um de nós…

    1. E por acaso olhar para o mar não é já fazer alguma coisa, ó anónimo? Por sinal bem boa!
      Vê-se mesmo que não percebe nada de felicidade hand made…

  2. Grande verdade, Teresa. Ninguém quer trocar os balõezinhos de adrenalina por serenidade, enquanto puder respirar à custa deles. A troca da pele de leopardo contrafeita pela genuína (mas sem graça) pele de coelho, parece-nos uma rendição e não uma conquista. Estranhas contradições humanas… 😉

      1. Exactamente, Teresa. Na verdade, a serenidade é que se conquista. E é cada vez mais difícil ser-se bem sucedido, neste mundo delrante. É preciso ser-se organizado e equilibrado, estar-se de bem com a vida, sentir-se que se está na posse do essencial e que tudo o que vai chegando a mais é uma dádiva.

      2. E porque temos medo de que a serenidade seja sinónimo de velhice, de aproximação ao fim. É o medo que gera o equívoco, Teresa. Sábia, mesmo, é a conjugação entre adrenalina e serenidade, descobrindo-lhes os tempos próprios e as alternâncias possíveis.

    1. Júlia: a adrenalina não é tudo, na minha opinião. E tal como a Ana Vidal diz aqui em cima, não está vedada a quem tem a sorte de gozar a vida com serenidade. Com aquela serenidade que o João Carvalho tão bem soube descrever nesta caixa de comentários.

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