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Realmente, se a palavra misoginia só começou a ser usada a partir do século XVII, é muito estranho ter significado na época de D. Teresa e D. Urraca.
Expliquei no primeiro vídeo desta série, expliquei aqui num comentário e vou fazê-lo pela terceira vez:
As crónicas medievais eram misóginas. Mas falar de misoginia num passado tão longínquo é problemático, porque os valores eram outros. Não havia a consciência da misoginia. A questão é que essas crónicas medievais foram levadas à letra até pelo menos meados do século XX. Eu diria mesmo, até ao fim desse século.
Quando já havia essa consciência misógina, no século XX, quando mulheres já lutavam pelos seus direitos e, em muitos casos, os conquistavam, o que se verificava? Os historiadores continuavam a usar as crónicas medievais sem grande sentido crítico. Ou seja, contribuíam para continuar a alimentar a ideia da mulher pecadora, herdeira de Eva, e a sua incapacidade para governar territórios.
Por isso, ao tratar da misoginia em relação a D. Teresa, não se pretende criticar a mentalidade da época medieval, mas sim abstrair-se de certos preconceitos, de maneira a tentar fazer um relato dos acontecimentos mais aproximado da realidade. Porque, além da misoginia, os escritos medievais contêm muitas imprecisões e muitas vezes confundem, voluntariamente, ou não, identidades.
Cara Cristina Torrão…
Se ainda não é, faça-se sócia da HANSISCHER GESCHICHTSVEREIN
(Sociedade de História Hanseática). Dá bolsas de estudo e apoia
a investigação histórica.
Em que parte da Alemanha está?
Seria interessante pesquisar, nos arquivos locais, regionais, nacionais,
as relações entre Portugal e a Alemanha durante a Época Medieval.
Creio que não lhe será difícil arranjar um/a especialista em Paleografia,
para a leitura dos textos coevos ou, não havendo, de eventuais cópias.
Infelizmente, durante a Primeira Guerra Mundial e durante a Segunda
Guerra Mundial, perdeu-se muita coisa.
Quanto à misoginia nas crónicas medievais…
É natural que existam mais crónicas com referências a homens
(Reis, Príncipes, Infantes, Duques, Condes, Barões, Cavaleiros)
do que a mulheres, uma vez que a maior parte das crónicas
tratam de assuntos que tiveram homens como protagonistas
principais: conquistas, descobrimentos, guerras, revoluções.
Seja como for, já coloquei uns livros de medievalistas de parte
para investigação.
É só a Dona Teresa que lhe interessa?
Entre as portuguesas ou estrangeiras casadas com reis portugueses,
todas tiveram a sua importância. Umas tornaram-se mais conhecidas
do que outras. E só me estou a referir às rainhas…
Na Torre do Tombo, em Lisboa, existe muito material para ser investigado.
E não só na Torre do Tombo. Também em outros arquivos públicos e privados.
Sugiro que contacte a Academia Portuguesa de História.
P. S.: Já contactou o Rainer Daehnhardt (ver na Internet)?
Nasceu a 7 de Dezembro de 1937. Já lhe dei os contactos…
Se ainda tiver algum exemplar de algum dos seus livros,
envie-lhe com uma dedicatória. Ele vai gostar. Trata-se
de uma pessoa extraordinária, que muito tem divulgado
a História de Portugal. É luso-alemão. A mãe era portuguesa.
Vive na Quinta Wimmer, em Belas, Concelho de Sintra.
Veja Museu Luso-Alemão e Fundação Rainer Daehnhardt
na Internet.
Cumprimentos.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT
Caro João Barros da Costa, tudo o que propõe é interessante, mas como arranjar tempo para tudo? De momento, nesta minha investigação sobre D. Teresa, a fim de recuperar a imagem de uma mulher profundamente injustiçada pela historiografia “oficial”, não me sobra tempo para pesquisar outros temas.
Sim, eu sei que houve muitos mais protagonistas homens, na História, do que mulheres. Na verdade, o número de mulheres com protagonismo roça a anedota. Mas mesmo as que conseguiram protagonismo, salvo raras excepções, ou foram mal tratadas, ou não se lhes deu importância, ou as duas coisas juntas. A não ser que se tenham empenhado em tarefas consideradas femininas (caridade, família, etc.), na sombra do homem que era dono delas.
Se a obra desses medievalistas que pretende ler for anterior aos anos 80 do século XX, esqueça! Isto, se quiser investigar a importância das mulheres, pois todos eles adoptaram, ou, pelo menos, não questionaram, nem denunciaram, a visão medieval que considerava as mulheres totalmente inaptas intelectualmente e profundamente propensas ao pecado e à desordem. No caso de D. Teresa, por exemplo, e apesar de saberem que, nas crónicas medievais, imperava uma perspectiva subjectiva, acreditaram em todas as acusações que lhe foram feitas.
“Creio que não lhe será difícil arranjar um/a especialista em Paleografia” – desculpe, mas vou pagar a esse especialista como? Faço todas as minhas pesquisas sozinha, não tenho conhecimentos, nem me sobra o dinheiro.
Sim, eu sei o que se encontra na Torre do Tombo, já tenho feito consultas através da internet, obrigada.
Apesar do tom crítico deste meu comentário, acredite que agradeço as suas sugestões e as pistas que me dá. Ficam anotadas. Se as vou usar, e quando, não lhe posso dizer ainda. Neste momento, estando a tratar de D. Teresa, não sei se me servirão de muito, já que ainda são muito poucos (e recentes) os especialistas sobre ela.