
Ontem a discussão familiar subordinou-se ao tema Portugal na Grande Guerra. Se Portugal tivesse participado activamente na Segunda Grande Guerra, as coisas jamais seriam como são agora. O povo ter-se-ia forçosamente ajustado à penosa tarefa de se reerguer como raça e reconstruir como País, teria rastejado dos escombros da miséria, endurecido, trabalhado até ceder à exaustão e crescido. Todos cresceram depois do massacre que fustigou a Europa e dizimou as árvores da vida de tantos milhões de famílias. Todos menos os Portugueses, que “orgulhosamente sós” regrediram. Regrediram miseravelmente até transbordar o ponto de ebulição de quem via que o País era Lisboa; o resto era mera paisagem por onde deambulavam pessoas incultas e sem asseio, vergadas de sol a sol sob o peso das suas labutas diárias, daquilo que as suas mãos faziam arduamente brotar de torrões secos e duros, pessoas de feições bestiais, metidas consigo, cujos pontos altos das suas vidas eram a taberna à noite, e a missa ao domingo.
Depois da reviravolta, veio a liberdade, a alegria, a música… Há panaceias que, pela sua forte composição, devem ser tomadas com moderação, porque as overdoses se não matam, destroem, corroem e enfraquecem. E enfraquecem principalmente quem não tem por hábito sentir alívio das penas.
Com Portugal foi igual, sem tirar nem pôr.
Nem o País nem as pessoas têm a endurance necessária para suportar uma tragédia de grandes proporções. É certo que já há tempos vimos tomando desgraça a conta-gotas, mas a minha pergunta é o meu medo, e uma guerra? Nada que se compare a produções de Holywood com tipos bem parecidos que enfarruscam a cara e coxeiam
depois de rebentar com a Panzer Division, nada disso.
Uma guerra a sério, com racionamentos, bombas e mortos pelas ruas. Com os nossos maridos, filhos e filhas pulverizados numa qualquer terra cujo nome não conseguimos pronunciar, em nome duma qualquer tríade politico-económica que não entendemos, mas aceitamos, porque nos dizem que é assim.
E nós vamos, como sempre fomos, carne para canhão, carneiros para o matadouro, tristes, calados e perfilados, porque não temos nervo, nem energia, nem preparações basilares para enfrentar a adversidade.
Seríamos seguramente mais um no rol dos pequenos países cuja identidade desapareceu no mapa do pós-guerra, depois de estabelecida a nova ordem mundial.
(Imagem Google)
Da acção regeneradora da guerra, ao aniquilamento; a paz definida como ‘da taberna à igreja’!
Sempre assegura a incoerência ignorar-se a situação que se defina como ponto de partida.
Na GGII , nunca estivemos em guerra. Na paz dos outros a nossa estagnação.
“…cujos pontos altos das suas vidas eram a taberna à noite, e a missa ao domingo.”
É primeira vez que leio esta realista descrição.
Sim, sim, ‘taberna à noite e missa ao domingo’ é uma extraordinária pintura por palavras.
Não tenho a sua capacidade em escrever, mas com esta sua feliz ideia bem podia compor o quadro com uma ‘á tarde, á noite e ao domingo’
(a tarde era na taberna, à noite estavam fechadas, mas levavam para casa a taberna no corpo e até na alma)
A grande Maria de Lurdes esperava pelo seu homem todos os dias já noite dentro, quando ele chegava da taberna a primeira coisa que fazia era bater-lhe, depois tinha de cumprir a obrigação. Ele morreu antes dos cinquenta e ela ficou sozinha a cuidar de sete filhos. E todos os filhos foram à Escola gabava-se ela, mulher analfabeta casada com um pescador.
Neste caso, verídico, era a taberna à tarde e à noite.
Era como se diz agora, pode tirar-se o homem da taberna, mas nunca se conseguirá tirar a taberna do homem.
Maria Dulce “Ernst Jünger” Fernandes e ainda com pitadas de Ettore Scola . Por esta não esperava!
Como é que os Portugueses regrediram. Viu o aumento da esperança media de vida, geral de das crianças à nascença durante a ditadura?
Portugal poderia ter várias atitudes sobre a sua aliança com a CEE/UE. Portugal com medo de si próprio escolheu ser dependente em tudo da CEE/UE.
Não apenas dependência financeira, essa dependência é também mental o que é bem pior.
A incapacidade portuguese vem de ter deixado de pensar, logo a palavra “resilência” tanto na moda não existe. Só resta o futebol e a comida, só aí existe Portugal.
Scola porquê?
Eu hoje não estou nos meus dias e amanhã posso até constatar que enlouqueci, mas concordo consigo.
Feios Porcos e Maus 🙂
É verdade!
À parte o resto, e o fundamental, do seu post, falar do regime português do pós-guerra como um regime do “Portugal é Lisboa e o resto é paisagem”, quando as duas características mais facilmente identificáveis do mesmo (no que diz respeito a essa apreciação do território) são, por um lado, a liderança de um professor de Coimbra, que manteve sempre a sua casita rústica em Santa Comba Dão e que ia à missa ao Vimieiro, e, por outro, a defesa dos territórios ultramarinos – parece deslocado.
Nunca entendi como o professor de Santa Comba, parco em haveres, pródigo em deveres, conseguia alimentar a megalómana ideia de um império ultramarino.
…pelo que nunca entendeu a História de Portugal.
A história de Portugal entendi bem. As megalomanias de certas pessoas , que logicamente fizeram e mudaram a história é que não. É verdade que um rato pode dominar um elefante, mas não o conseguirá nunca controlar se passar a fase do medo.
Cara Dulce, a sua visão está apenas restringida da 2a Guerra Mundial em diante, ora os países que se reergueram só o conseguiram porque os EUA emprestaram dinheiro e foram mesmo o País que mais se beneficiou com a guerra e no pós guerra.
Ora Portugal na sua história já se reergueu a partir do povo diversas vezes, sendo que nas últimas 2 vezes o povo ficou em casa e houve pronunciamentos militares.
O jacobinismo cujo epicentro é sem dúvida na Capital é um dos principais responsáveis pelo atraso Português.
A verdadeira tragédia decorre do pós 25 de Abril e perdura, são aquelas gerações que amam os maios de 68 e afins que semearam o que temos.
Portugal não precisa de guerra para se se reerguer, só precisa que os seus filhos sejam rigorosos e escrutinem a sério aqueles a quem atribuem poderes, quando isso acontecer seremos iguais aos outros.
A GGII é o exemplo mais recente e mais flagrante da elevação de um povo. Os espanhóis amargaram a guerra civil, foram cobaias do nazismo, penaram na ditadura , deram a volta por cima e conseguiram alcançar um nìvel de progresso invejável. São um exemplo positivo.
“A verdadeira tragédia decorre dos pós 25 de Abril e perdura, são aquelas gerações que amam os maios de 68 e afins que semearam o que temos”.
Se se referir a anos anteriores a 1974 e até ele ter vivido mais de um quarto de século, olhou mal para o País. Só consultando a Prodata, se lhe merecer crédito, poderá comparar a diferença do pé descalço, andar mesmo descalço, e uns simples sapatos de lona. Isto para não se cansar a olhar para todo lado, excepto para os memoriais dos soldados mortos na guerra colonial, que não isso não cansa.
UE, a Prodata caiu-lhe no goto, não?
Isto de considerar a guerra como a salvação dos países tem um inconveniente: se nos calha a nós ficarmos no lado dos mortos o progresso material subsquente não nos serve para muito.
Certo que estamos a falar da 2ª Guerra Mundial, mas se os seus antepassados tivessem morrido nela, que ganhava com isso?
A guerra nunca foi a salvação de coisa alguma. A GGII é o exemplo mais flagrante e mais recente. A guerra civil espanhola também é um exemplo daquilo que tentei explicar, jo.
Não estamos nem nunca estaremos preparados para um evento de grandes proporções que não é localizado numa zona do país, dura uns dias e acabou.
seremos sempre o país da cocanha ou dos lambe-cus
Falta-lhe o enquadramento, entulho.
A Espanha é um País que quando saíu da era franquista não ficou com o receio dos fassistas e de contra-revolucoes, seguiu em frente.
A Espanha tinha uma vantagem, a sua monarquia.
Contudo com o potêncial que tem deveria ser dos países mais prósperos da Europa, arrastando Portugal.
Contudo ambos partilham algo em comum, muitos anos de socialismo a empobrecer todos, e a enriquecer a clientela.
A monarquia foi importante como instituição basilar, independentemente dos partidos no poder. Os espanhóis são naturalmente lerdos, mas estão bem encaminhados. Nós por cá, é como se vê. Só trafulhice. Não temos backbone para tomar posições inovadoras, vamos com o facilitismo.
Não conheço muitos espanhóis, até podem ser lerdos mas têm uma coisa, defendem muito bem a sua cultura, a sua língua e o seu património,são focados nas coisas e aproveitam muito bem aquilo de que dispõem.
Aqui é só chico-espertice e da pior espécie.
Nesse ponto, concordo consigo . Apesar de o turismo ser uma grande fonte rendimento, tal como por cá, os espanhóis não são subservientes, muito pelo contrário.
A chico-espertice portuguesa devia estar no Guiness, caramba! E quero crer que todos os dias alguém tenta bater o recorde anterior.
Eu discordo em relação aos Espanhoís. Sempre me pareceu que estão abaixo do potencial. Não percebo como não conseguem atingir o nível de uma Itália por exemplo.
O baixo potencial deles está léguas acima do nosso. São mal educados, ruidosos, insistentes e
até rapaces ! Se não desenvolvem mais as suas competências é devido a isso mesmo. A condição ibérica está-lhes no sangue.