Reflexão do dia


Pedro Correia,

«O poder local, que outrora merecia às elites urbanas do país ora desprezo, ora crítica por supostamente ser um antro de caciquismo, ergueu-se como a mais sólida barreira aos avanços do seu populismo.»

 

Manuel Carvalho, no Público

24 comentários em “Reflexão do dia”

    1. Suponho que ele disse “a mais sólida”, como se poderia dizer que a água líquida é “mais sólida” do que o vapor. É o mais sólido que até agora apareceu, em termos de barreira, ideia que me parece defensável.
      Claro que não é nenhum muro de tijolos, mas foi pelo menos uma barreira sólida o suficiente para esfriar o entusiasmo da Horda Conquistadora – assim como um balde de cubos de gelo despejado de repente nas expectativas, para continuar na analogia aquosa.

      1. desde que Zygmunt Bauman cunhou o termo modernidade líquida, o estado sólido caiu em desgraça. agora polulam os vaporosos, os viscosos, os peganhentos e muita malta que mete água – de todos os quandrantes políticos, de A a Z

  1. Já estava preparado para responder quando reparei que era o autor do vómito.
    Manuel Carvalho. Não merece sequer estas linhas.

  2. Não estou muito certo disso.
    Muitos dos presidentes de câmara e freguesias são eles mesmo populistas nos mesmos termos que os ora considerados populistas.
    Mesmo nas câmaras lideradas por independentes, são eles também mais populistas que populares.
    Aliás já começo também a considerar “populista” e “populismo” mas expressões que detesto.

  3. Antigamente não sei, mas agora o tipo que distribui as bifanas na feira e promete alcatroar a rua do vizinho se ele votar certo não faz uma barreira, inaugura é uma cresce ao populismo. Passa a ser o ensaio geral, de quem um dia vai para Lisboa fazer asneiras à escala nacional.

  4. Por falar em democracia local:

    «The Spectator: “Stripping Trukhanov of Citizenship Is an Outrageous Attack on Democracy”

    According to the British magazine The Spectator, Kiev has launched a “triple assault on Odessa — its language, its history, and its elected leadership.”

    Odessa now finds itself under siege from its own capital. The most shocking act, the publication writes, was Zelensky’s decision to strip Gennady Trukhanov — Odessa’s three-time elected mayor — of both his citizenship and his office.

    The decree was signed without any court hearing or legal due process, directly violating Article 25 of Ukraine’s Constitution, which explicitly forbids revoking a citizen’s nationality. “Even under martial law, this is an outrageous assault on democracy,” The Spectator notes.

    The magazine argues that Zelensky is “clearing the battlefield of rivals” amid growing calls for elections, sending a clear signal to other mayors — “the new game is loyalty by decree.”

    The Spectator also recalls the broader pattern: sanctions against political opponents, the closure of television channels, pressure on anti-corruption critics, and the dissolution of opposition parties.”

    Germany’s Der Spiegel has also criticized the move against Trukhanov.»

    Mais cego do que um cego, é quem não quer ver. Continuem a fechar urgências e a congelar salários e carreiras, em nome de comprar mais armas ao “daddy” de Washington para as entregar aos nazis-europeístas golpistas na DITADURA de Kiev implementada pela CIA/Pentágono/DeepState desde 2014.

    Em Lisboa, a lista que ganhou tem um destes nazis nas listas, o ucraniano Pavlo Sadokha, o militante do Svoboda (partido glorificador de nazis e genocidas), que quer guerra, mas fugiu dela… os outros que morram enquanto ele anda em Lisboa a abanar a bandeira vermelha e preta nazi da UPA/OUN. E, claro, a conivência total dos média e das redes sociais deste império nojento. Isto é que é uma “barreira” contra os “populismos”…

  5. “… ergueu-se como a mais sólida barreira aos avanços do seu populismo.”

    Seria muito bom para a nossa Democracia que o Manuel Carvalho estivesse certo, mas, com franqueza, não consigo estar assim tão confiante.

    As eleições autárquicas revestem-se, de facto, de alguns aspectos que as tornam algo peculiares: podem fazer com que alguém acabe por votar num Partido Político em que nunca votaria, por exemplo se se tratasse de eleições legislativas, porventura confiando mais nas pessoas do que nas ideologias…

    As próximas eleições serão as Presidenciais e aí tendo o “querido líder” como candidato do Chega é bem possível que regressem em força os votos de confiança na anti-democracia, encapotada de defesa dos interesses nacionais.

    Ainda que o principal derrotado nas Eleições Autárquicas tenha sido o Chega, acerca disso não tenho qualquer reserva, a minha perspectiva no que respeita à pretensa “sólida barreira aos avanços do seu populismo”, encontra-se refém da máxima: “Ver para crer”…

    “Ver para crer” se uma parte significativa dos Portugueses irá ou não continuar a embarcar no discurso da estupidez, da ignorância e da boçalidade…

    Espero, ainda assim, e a bem de todos nós, que o futuro demonstre que o Manuel Carvalho, afinal, tinha razão…

    1. Votar na anti-democracia é votar não só nos radicais de direita mas também nos de esquerda – mas porque raio em quase todo o santo lado onde se comenta livremente se malha sem dó nem piedade nos radicais de direita enquanto sempre se faz silêncio sobre os de esquerda!? Não consigo perceber porque raio é que os extremistas de esquerda gozam de tanta condescendência, irra!
      Continuamos a cometer os mesmos erros que estão a levar a direita radical ao poder (ou perto disso) na Europa, isto é, insultamos e impomos barreiras sanitárias aos radicais de direita enquanto passamos a mão no lombo dos fofinhos da extrema-esquerda e, muito pior ainda, enquanto deixámos que eles influenciassem e influenciem as políticas.
      Se estamos onde estamos hoje e, pegando no caso português, foi porque o querido dr Costa achou por bem – com a conivência do tuga comum já que depois até lhe deu a vitória – incorporar e abraçar as políticas e partidos da esquerda radical e extremista nas suas políticas, tendo radicalizado até o próprio PS. Costa que, usou e abusou de políticas mais à esquerda enquanto deu todo o gás que pôde ao Chega na tentativa de entalar o PSD. Por outras palavras, o chega é o que é hoje porque deixámos que nos governassem com ideários de esquerda radical que, entre outras coisas, rebentou com os serviços públicos e nos trouxe uma profunda fratura com a imigração descontrolada. E, é essa imigração descontrolada que é a lenha com que o fogo do Chega arde sobretudo.
      Fico possesso com isto, esta maldita mania de passar a mão pelo lombo dos radicais e extremistas de esquerda que, em boa verdade são os verdadeiros pais da situação a que se chegou neste país ao terem pela via da ambição desmedida de Costa instalado a sua agenda política em várias vertentes da nossa sociedade. Enquanto não percebermos isto e, apenas acharmos que é a insultar o chega que se vai lá, não sairemos do lodo.

      1. Esta coisa de ser de Esquerda ou de Direita é mesmo muito engraçada. Também é muito relativa e depende de diversas variáveis. Curiosamente já me apelidaram de “Direitista militante”, várias vezes, noutro lugar. Já aqui parece sou de “extrema-esquerda”… Fantástico mundo dos maniqueísmos!

        Garantidamente, não sou nem uma coisa nem outra. Então extremista do que quer que seja, JAMAIS serei.

        Passei grande parte da minha vida a acreditar que era de Direita, mas já desfiz esse equívoco. As minhas convicções não são subordinadas a nenhum “credo” partidário, mas tenho fortes convicções políticas, que não é o mesmo que partidárias, umas vezes tendencialmente de Esquerda, outras vezes tendencialmente de Direita. E é assim que gosto de ser.

        Portanto, Lopes, “passar a mão pelo lombo” de quem quer que seja não é comigo, com certeza. Discuto todas as ideias, independentemente de os seus signatários serem conotados com a Esquerda ou com a Direita. Em relação ao Chega admito, sem qualquer reserva, a minha absoluta intolerância.

  6. Manuel Carvalho é muito bem lembrado. Podia pertencer ao núcleo duro do Delito: Pedro, o patrão(*), as três Pasionárias(**) e os dois Carlos(***).
    (*) No que a Trump e Ventura respeita.
    (**) A marinada fajita que perdeu o “in”, a que tem Dias e a que tem listas.
    (***) Marques e Sousa, que aqui lembram Stalin e Gramsci ou, mais rasteiramente, o BE e o Livre. Um brutal e violento mas a que já ninguém liga, o outro sonso e insidioso que com falinhas mansas e rimas, ainda leva alguns ao engano.

  7. Haha!. O uso da palavra populismo mostra logo quem se considera acima do povo.

    Populista: tudo o que a elite(os que o ambicionam pastorear) não concorda com o povo.
    Democrático::. tudo o que a elite(os que o ambicionam pastorear) concorda com o povo.

    Por isso os impostos progressivos, tirar aos ricos para dar aos pobres, Estado Social…
    não é populismo é democrático, pois os pastores concordam.
    Um fantástico sinal do populismo do regime é como a ponta de lança dos pastores, a classe jornalistas -a menos democrática e diversa das profissões – “noticiam” que transportes públicos e outros passam “a ser grátis” quando na verdade passam a ser pagos pelos contribuintes. Isso afinal não é populismo, nem “fake news” e pelos vistos está de acordo com o “código deontológico”…
    Tornar as coisas “grátis” não é Populismo é Democrático e Social. Excepto para aquilo que os pastores não gostam que seja grátis…aí passa logo a ser Populismo.
    E ás vezes nem isso, depende só do embrulho:
    Oferecer frigoríficos ao povo é populismo, mas se os frigoríficos estiverem embrulhados num programa “verde” passa logo a ser democrático… é que ser verde é um dos valores mais queridos dos pastores.

    O regime do 25 do Abril é profundamente populista por definição..pois quase todos os partidos são Socialistas ou com fortes elementos de Socialismo.
    Já agora há algo que demonstre mais o Populismo deste regime – e dos pastores anti populistas -que ir parar á bancarrota 3 vezes em 40 anos? Ou o tamanho da dívida publica?

    1. Fico satisfeita por o caro lucklucky não ter nascido nos EUA, onde a dívida pública é tão grande, tão grande, tão grande, que têm que ser os outros países a pagá-la para não acabarem esmagados por ela; e onde isso de bancarrotas do regime são “peanuts”, como eles por lá dizem: quando os dois partidos anti-socialistas que comandam aquele titanic não se entendem, sai logo uma mini-bancarrota birrenta que deixa a arder largas centenas de milhares de funcionários, militares e outros infelizes variados – incluindo os portugueses das Lajes Americanas!

      Sendo americano, as agruras do luckcky com dívidas públicas monstruosas e bancarrotas recorrentes seriam muito mais amargas do que aqui no nosso cantinho…
      Já sobre os populismos nada digo, se há quem ache o Trump um estadista da velha guarda, tipo híbrido de Mandela e Churchill, talvez nesse aspecto o lucklucky se sentisse melhor lá do que cá, isso é verdade. Enfim, não se pode ter tudo, não é?

  8. Reserve-nos o futuro o que seja, contra factos não há argumentos.
    Bateram de trombas na realidade, o povo não é de confiança, eheheh.

  9. O pensamento do dia é este, super adequado num blog onde os “moderadores” praticam frequentemente a CENSURA de quem pensa diferente deles, e glorificam os autoritários da “democracia” Liberal que estão a acabar com as nossas liberdades todas, uma a uma.

    Pavel Durov, fundador do Telegram:

    «Faço 41 anos, mas não estou com vontade de celebrar.

    A nossa geração está a ficar sem tempo para salvar a internet livre que os nossos pais construíram para nós.

    O que antes era a promessa de livre troca de informação está a transformar-se na ferramenta suprema de controlo.

    Países anteriormente livres estão a introduzir medidas distópicas, como identidades digitais (Reino Unido), verificações de idade online (Austrália) e vigilância em massa de mensagens privadas (UE).

    A Alemanha está a perseguir qualquer pessoa que ouse criticar as autoridades na internet. O Reino Unido está a prender milhares pelos seus tweets. A França está a investigar criminalmente os líderes tecnológicos que defendem a liberdade e a privacidade.

    Um mundo sombrio e distópico aproxima-se rapidamente, enquanto dormimos. A nossa geração corre o risco de ficar para a história como a última que teve liberdades — e permitiu que elas fossem retiradas.

    Fomos alimentados com uma mentira.

    Fomos levados a acreditar que a maior luta da nossa geração é destruir tudo o que os nossos antepassados ​​nos deixaram: tradição, privacidade, soberania, mercado livre e liberdade de expressão.

    Ao trairmos o legado dos nossos antepassados, colocamo-nos no caminho da autodestruição — moral, intelectual, económica e, em última análise, biológica.

    Por isso, não, não vou celebrar hoje. Estou a ficar sem tempo. NÓS estamos a ficar sem tempo.»

  10. Uma frase que apenas evidencia a que nível algumas pessoas estão prontas a descer para continuarem a ser convidados para comentar na RTP Porto.

  11. Desculpem, mas não resisto…

    Fora do contexto:

    Grande, enorme, Gonçalo Capitão! Que grande abadada que este Senhor deu àquela agremiação de criaturas boçais! Adorei, adorei, adorei.

    Gonçalo Capitão, um nome a não esquecer.

    1. Qual fora do contexto, está tão fora do contexto como se caísse um asteróide e não desse notícia!

      Não tinha visto e fui ver: delicioso! Para mais, o Capitão presta-se, as parecenças com o desengonçado e frágil Monsieur Hulot só tornam o desempenho ainda mais formidável! Estava imparável, inspiradíssimo, a súcia de esquisitos embuchou completamente e o Chegano-Mor, visivelmente em estado de choque, teve que fingir que estava a achar graça a ser anedotizado…
      Ficou provado, para quem ainda duvidasse, que os da Bancada dos Boçais têm a coragem de hienas em manada; e que quando confrontados no seu próprio terreno de sarcasmos e bota-abaixo (sem precisar sequer de descer à grosseria e boçalidade, que continuam a ser suas por direito próprio) não têm capacidade de resposta, ficam em estupor por estupidez e cobardia.
      Ficou igualmente provado que o que também tem faltado é espinha dorsal e dignidade a quem se vem prestando a ouvir insultos e vexames de forma recorrente da parte de “colegas”, num assédio boçal e vergonhoso que já dura há tempo suficiente para se perceber que não é defeito pontual, é feitio táctico.
      Se não têm quem os defenda na sua função e no respeito pela instituição, pois que se defendam eles e à Casa em legítima defesa – e até que enfim que alguém o fez, a doer e a sério!

      E sabe do que gostei principalmente, até por mostrar o quão séria afinal era a “brincadeira”? Foi quando Capitão respondeu à admoestação da Mesa: “Isso para mim é uma gravação, Senhor Presidente”; e continuou a esmagar os vermes. Muito bom.

      1. Subscrevo a análise que a Zebra fez do desempenho de Gonçalo Capitão.

        Talvez o Gonçalo Capitão seja assim uma espécie de “herói improvável”… No caso presente, mais herói do que improvável…

  12. 1 – Crescer nacionalmente e só depois regionalmente é o que quase sempre se passa com novos partidos (veja-se o Rassemblement de Marine Le Pen). Em Portugal esse efeito devia ter sido acentuado porque o regime foi desenhado para o partido socialista (o PSD governou muito menos anos, só quando o PS asneou fortemente e nunca por mérito na oposição). Assim, o crescimento autárquico do Chega é muito acima do que seria de esperar.
    2 – Um inconcebível argumento dos que proclamam a derrota do Chega(*) e regresso ao bipartidarismo é o bom senso e a resistência ao populismo do eleitorado local. Mas o eleitorado local é também o eleitorado nacional, portanto, nesses bestuntos privilegiados, o eleitor local tinha perdido o bom senso em Maio e recuperado em Outubro. Felizmente para eles, nem percebem a figura que fazem
    Mais bom senso, teve Nuno Lebreiro quando analisou os resultados do Chega face à abstenção para concluir que a abstenção coincide em sentido inverso com a votações no Chega, com este acrescentando sempre qualquer coisa roubada aos outros partidos. Assim os resultados do Chega são inferiores em autárquicas e em europeias. Já aqui o escrevi: se o Chega foi o maior derrotado por ter perdido metade do eleitorado de Maio, então o maior vencedor foi o PCP que duplicou os eleitores de Maio.
    3 – Algumas luminárias também alegam o senso comum do interior que deseja o Chega a chagar o governo mas não a governar a sua terra (é engraçado como variam de ruralidade sem interesse a depositários do interesse nacional). Ora o rural tem bom senso sim senhor. Não estudou no ISCTE mas percebeu muito bem que se a sua câmara pertencer ao partido do governo, vai ter vantagens. O PSD ganhou o governo e ultrapassou o PS nas autárquicas, Não duvido que se acontecer o contrário, o PS recuperar as presidências das associações de municípios e freguesias. Mas se nas próxímas legislativas o Chega ganhar e conseguir formar governo, vão ver a banhada que PS e PSD levam nas autárquicas seguintes.
    (*) Não houve nenhuma derrota do Chega mas apenas um bom ou mesmo muito bom resultado mas que ficou muito aquém das previsões megalómanas de André Ventura.

  13. Este tanso MC do pasquim do Bloco devia ler o texto do Rui Ramos precisamente sobre estas patetices que acaba de proferir.

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