«Os últimos dias provocaram duas mudanças dramáticas na discussão. Em primeiro lugar, deixou de fazer sentido a ideia de que a Rússia sairá inevitavelmente vencedora da invasão. O falhanço da conquista da capital mostra que, para além da capacidade admirável de resistir ao agressor, a Ucrânia pode mesmo derrotá-lo. Em segundo lugar, os destroços materiais e humanos mostraram o verdadeiro significado de uma ocupação russa, além de que as subsequentes mentiras de Moscovo revelaram o valor real da palavra de Putin. Como é que, perante isto, se negoceia um acordo de paz com cedências territoriais?»
Francisco Mendes da Silva, no Público

Se não se negoceia um acordo de paz com cedências territoriais, então possivelmente a guerra, com o seu cortejo de horrores, prosseguirá por muito tempo.
Não sei se algumas cedências territoriais serão piores do que o prosseguimento desse cortejo.
Chamberlain dizia algo semelhante em 1938, entre vénias a Hitler.
Para Francisco Mendes da Silva, a guerra é como um jogo, em que interessa ganhar e não perder.
Quando a escassez de comida começar a afetar Portugal talvez Francisco mude de opinião. Quando os filhos dele não tiverem pão para o pequeno-almoço.
É fazer como o sabujo marechal Pétain em 1940: ajoelhou perante os nazis. Ficou em Vichy durante quatro anos a comer brioches.
políticos cómico-trágicos
L’UMORISMO* di GIOVANNI CURMI
E un fatto ammesso e sostenuto dalla unanimita dei filosofi e degli psichiatri antichi e moderni che l’uomo e il solo animale che ride. Cia dimostra che il riso e un fenomeno caratteristico dell’uomo, e che esso e possibile solo a un certo grado della coscienza. Ora se questa verira filosofica e scientifica vale per il riso, tanto piu dovrebbe valere per il sorriso che e un fenomeno certamente piu spirituale del riso. E l’umorismo ci fa sorridere, e non ridere. In che cosa consiste l’umorismo? Moltissimi sono stati gli scrittori e i filosofi che hanno tentato di darci una definizione delI’umorismo, ma nessuno ci e pienamente riuscito.
Será muito difícil qualquer acordo, mesmo com cedências territoriais. Se os russos conquistarem Odessa ou as sua ruínas a Ucrânia fica-lhes nas mãos “de facto”. Mesmo sem o conseguirem, ficando na Crimeia podem fechar o Mar de Azov no Estreito de Perch e um bloqueio naval a Odessa é-lhes sempre possível.
Mesmo obtendo garantias de acesso ao mar, como se resolveria o problema dos ucranianos residentes no Donetsk e no Luhansk? Depois como se poderiam controlar as milícias armadas que combatem no Donbass há mais de 8 anos pelos dois lados e hoje têm artilharia e tanques?. Desarmavam-nos e mandavam-nos para a construção civil?
A integridade territorial da Ucrânia, incluindo Crimeia, foi garantida pelo Memorando de Budapeste em 5 de Dezembro de 1994 (como contrapartida da entrega pela Ucrânia do armamento nuclear no seu território, que a faziam a 3ª potência nuclear do mundo, e desmantelamento da sua capacidade produtiva, que a tinha). Com a Ucrânia, assinou a Rússia e, representando a OSCE, a Alemanha e a França, sendo evidentemente o acordo apadrinhado pelos EUA que queriam o Tratado de não Proliferação Nuclear o mais alargado possível. Pela Rússia, assinou Lavrov, hoje ainda ministro dos Negócios Estrangeiros.
A integridade territorial da Ucrânia, já sem mencionar a Crimeia, voltou a ser reconhecida nos Acordos de Minsk, o segundo de Fevereiro de 2015. Esse acordo nunca foi completamente cumprido mas não foi repudiado até que Putín o declarou nulo quando reconheceu as independências das repúblicas do Donetsk e Luhansk.
Como é que o governo ucraniano poderá amanhã aceitar um acordo com o mesmo Putín, provavelmente assinado pelo mesmo Lavrov, e garantido pelos mesmos países da OSCE, chamem-se eles UE, NATO ou outra coisa qualquer? E, se o governo aceitar, será que o exército acata?… e que as populações não se revoltam?
Mesmo sendo o pretexto da guerra e inaceitável pela Rússia, a não talvez na iminência de uma derrota militar, a única garantia que vejo possível é mesmo a entrada da Ucrânia na NATO. Menos que isso, se os ucranianos não são muito diferentes de mim, seria mais um papel com pouco valor facial e sem prazo de validade.
Por tudo, não acredito em acordos antes do exército russo estar à beira da derrota ou dos ucranianos estarem moralmente destruídos pela multiplicação de situações como Maríupol, Bucha e Kramatorsk. Ou ainda, mas nada vendo de sinais nesse sentido, que a China decida que a continuação da guerra lhe é inconveniente.
P.S. – Se alguém acha que estou a ser demasiado pessimista, relembro que o holocausto nuclear não está totalmente fora de questão.
Concordo inteiramente.
Enquanto as lideranças russas se mantiverem, não há acordo algum em que a Ucrânia possa fiar-se.
Cedências o caraças. É lutar até ao último homem.