O BPP constitui um quebra-cabeças que anda a tirar o sono a muita gente, quer a depositantes que lhe confiaram poupanças, quer ao governo, que não sabe como descalçar a bota que enfiou com a calçadeira que já perdeu.
No meio de todo o imbróglio, lembrei-me do antigo presidente do banco: João Rendeiro garantiu que ia fazer pagar caro aos que se atreveram a apontar o dedo à sua gestão. Entretanto, passou-se a falar claramente das fortes suspeitas de grandes irregularidades em operações da sua lavra. E o que é que tem acontecido? Rendeiro rendeu-se ao silêncio. Acho que faz bem.

RTP – Rádio e Televisão do PS (http://mudaportugal.blogspot.com/2009/05/rtp-radio-e-televisao-do-ps.html)
Ontem à noite assisti a um programa interessante na RTP. O “Conversas com Mário Soares” trazia como convidados, Santiago Carrillo (ex-Secretário Geral do Partido Comunista Espanhol) e Raul Morodo (membro do PSOE e ex-embaixador de Espanha em Portugal).
Os três falaram na luta dos seus partidos (todos de esquerda) contra os regimes de Franco e Salazar. Falaram muito da intervenção do PS e PC espanhol e português na construção da história europeia. Histórias curiosas que envolveram estas 3 personalidades e outras da mesma área política.
Tudo normal, não fosse o cheiro a campanha eleitoral Socratiana, que este programa emanou e de como pareceu ser “ensaiado”. Santiago falou mal de Cunhal e distanciou-se do PCP. Os três falaram bem de Zapatero e Santiago disse até que a esquerda deve apoiar o PS de Zapatero. Insinuando que alguns comunistas devam apoiar Sócrates (numa tentativa de ir buscar votos do PCP para ao PS, nas eleições que se aproximam).
Quiseram passar a ideia de que o PSD, o CDS, o PP Espanhol e outros, não tiveram um papel igualmente fundamental na democratização das sociedades portuguesa e espanhola. Como se não tivessem havido outras figuras (para além de Soares, Gonzalez, Carrillo) que lutaram contra o regime salazarista. Houve, e alguns desses fizeram-no “às claras”, pela frente, nos locais devidos, junto ao povo. Sem estarem escondidos ou “exilados” no luxo de Paris.
É uma vergonha, que a RTP coloque um programa destes no ar. Onde está o “famoso” contraditório?
Eu não merecia tanto, Luís. Só me referi ao BPP…
Peço desculpa pelo off-topic, mas tinha de partilhar isto…
Acho imperdoável que um ‘copy-paste’ não seja aproveitado para corrigir o português, Luís.
Já agora, seria igualmente bom corrigir algumas ideias. Por exemplo: um programa de pura conversa não é suposto ser um debate; tão-pouco é uma notícia. Ou seja: não está imune à crítica, mas não requer qualquer contraditório. Quem é que lhe meteu isso na cabeça? A propósito: que raio é um contraditório “famoso”?
Um programa de pura propaganda… isso sim!!
Quando o programa de Marcelo Rebelo de Sousa requer um contraditório (programa de António Vitorino), porque é que o programa de Mário Soares não requer?
O contraditório “famoso” é este mesmo… a partir do momento em que: para uma figura do norte ter um programa, outra do sul também tem de ter; para uma figura do FCP ter um programa, outra do SLB também tem de ter, etc, etc.
O João não anda a dormir, pois não?
Se é por mera teimosia, Luís, adormeço como uma pedra.
Julguei que tinha sido claro: um programa critica-se, mas não se exige dele o que não é exigível. Marcelo não tem contraditório em Vitorino; quando muito, tem contraponto (se é que tem), por ser a televisão pública. Soares precisava de contraponto? Pode ser que sim. Mas são coisas distintas. E eu não sou propriamente conhecido como ‘soarista’.
Contrapontos… Contraditórios… jogo de palavras.
O João percebeu o que eu disse…
… E o Luís percebeu que este espaço era sobre o BPP.
Imagina, João, se tivesse escrito o nome do banco por extenso!
É verdade! Hehe…
Não dizem que o silêncio é de ouro? O ouro não vale muitos euros? Não é disso que ele gosta? Isto anda tudo ligado.
E a lata de vir apresentar um livro de exaltação pessoal já depois de estar tudo a estalar à sua volta. Haja paciência, não só para aguentar as tropelias mas, sobretudo, para aguentar a pretensão que é imaginarem que somos todos tontos. Seremos um pouco, mas nem tanto!
Bahhhh para Rendeiros e quejandos.
Realmente, isto anda tudo ligado. E o livro… para tontos, talvez! Haja pachorra.
Ainda digo mais: bahhhh!
Além de se ter rendido ao silêncio, Rendeiro também já não usa aqueles “punhos de renda” de há alguns meses atrás. As rendas e os rendeiros estão a passar por um mau bocado.
Rendeiro rendeu-se à evidência.