Rescaldo de Espinho


Carlos Barbosa de Oliveira,

É oficial. O Partido Socialista acabou. Resta o PS,  um  agregado de pessoas  que, em conjunto, não fazem sentido nenhum, porque têm linguagens, perspectivas e soluções diferentes para o país. Perdendo as eleições, podem fazer-lhe o enterro. 

Não se entusiasmem, porém, os devotos da social-democracia. O Partido Social Democrata também já não existe há muito tempo. O PSD é, nesse aspecto, igualzinho ao PS: um zero absoluto de coesão e coerência.

Moral da história: a maioria dos portugueses vai passar o ano a votar em cadáveres. Percebo agora o significado da expressão “ ir às urnas”.

32 comentários em “Rescaldo de Espinho”

  1. Bem visto, Carlos. Como muita gente se dá mal com urnas e, se puder evitá-las, mantém-se afastada delas, o que é de esperar é que a abstenção continue claramente a crescer. Talvez este ano sejam batidos novos redordes. Infelizmente, mas são as opções que não ajudam.

  2. Só os partidos do arco do poder estão mortos.
    Mas os seus viúvos e viúvas não faltarão a depositar os seus votos nas urnas.
    Mais não seja para ter direito a herdar as benesses a que estão habituados, quanto a mudar o seu sentido de voto para outro partido fora do arco do poder isso não porque põe em risco as mordomias adquiridas.

  3. É isso mesmo, Carlos. Mas, apesar de tudo e com uma lata inacreditável, Sócrates vai espalhando as cinzas da cremação com pompa e circunstância. Sempre é um funeral de Estado! O PSD é que já nem tem forças para levantar a tampa da urna…

  4. O Post reflecte somente a realidade, quer PS quer PSD são sombra do que jáforam no passado. Eu ate sou muito novo (22 anos) mas ate a mim mete impressao a qualidade dos actuais politicos!
    Agora deixar de votar nunca…mas votar em branco ja nao sei se não será a minha opção!

  5. A gasolina deitada na fogueira
    é feita de conversa fiada,
    o sol tapado com a peneira
    deixará a esperança desfiada.

    O rol de desgraças
    pelos “socialistas” tem sido ignorado,
    esta arrogância do “caraças”
    revela um comportamento deplorado!

    O mexilhão não é atrasado
    ao contrário destes (des)governantes,
    ele tem ficado arrasado
    com tantas mentiras ludibriantes!

  6. Nem mais. PS e PSD a mesma guerra. O centrão é cinzento como as nuvens mais sombrias mas há alternativa, basta que as milhares de pessoas que não se revêem nas empresas da política e muito menos nos seus CEO’s, decidam passar dos blogs, das mesas de café e da abstençao, para a acção. Mais tarde ou mais cedo isso irá acontecer.

        1. Caro Jorge,

          Como sabes bem existe uma diferença entre o que eu escrevi “destruiriam a Europa” e o que escreveste “tenham destruído. E faz toda a diferença entre uma situação e outra terem ou não representação política.
          Abraço,
          Carlos

          1. Caro Carlos,

            erro meu, não reparei correctamente no tempo verbal utilizado. Mas há uma pergunta que te quero fazer, contínuas a insistir nos argumentos contra os “neoliberais”, mas se reconheces (ou não reconheces?) que não foram eles os causadores da críse, porque insistes tanto em atacá-los? É que do meu ponto de vista, são exactamente os que sempre tiveram representação política que provocaram a situação que passamos e são esses mesmos que agora usam os “neoliberais” como desculpa para a mesma, como forma de sacudirem responsabilidades e apresentarem-se como os milagreiros que vão repôr a ordem e o progresso.

            1. Jorge,

              A minha discussão com os neoliberais quer antes de mais ser epistemológica. Eu não percebo um doutrina que encerra em si memo como corolários resultados contrários ao que postula. O que o pessoal como o tal Miguel ainda não percebeu, é que para mim isto não é um debate sobre a crise. A esse respeito tenho muitos posts como sabes, cruzando política, economia, etc. Para mim é um debate sobre escolas de pensamento económico. Que isso resulte em censura (eu e mais alguns não conseguem colocar lá comentários) só me leva a espicaçá-los. Porque se não tivessem medo, o comentário não era banido. Sistematicamente.
              Mas isso é acessório na tua pergunta. Este tipo de debates já o LA-C teve com gente dos Ladrões de Bicicletas por exemplo. E em resultado disso vai haver uma conferência interessante em Coimbra.
              A troca de ideias em si mesma não me parece má. Repara que eu nunca disse que a culpa da crise era dos “ganaciosos banqueiros”, ou de Wall Street. Não uso esses chavões (por mera curiosidade o John McCain chegou a dizer “Wall Street traiu-nos”. Isto é não perceber que o problema acima de tudo foi “pecar por omissão”. Eu estudei regulação financeira e bancária com o Costa Lima, que foi presidente da CMVM. E aquilo é coisa séria. Do meu ponto de vista o que falta a Wall Street é um enquadramento legal mais moderno, adequado aos novos instrumentos financeiros. Mas isto não é o que eu estou a discutir com eles.
              Tive que colocar agora um novo post para responder aos comentários (que autorizo sempre) e uma nova peça do Miguel que é ofensiva por vezes.
              Abraço,
              Carlos

            2. Carlos,

              “A minha discussão com os neoliberais quer antes de mais ser epistemológica.”

              Ok. Mas acho que se queres ter esse tipo de discussão não a devias misturar com a defesa ao bailout à indústria automóvel. Isto porque o que não faltam são economistas não “neoliberais” (acho eu, porque continuo sem saber o que queres dizer com isso – se já o fizeste em alguma situação, peço desculpa antecipadamente) que defendem exactamente a não intervenção na indústria automóvel.

              E acho que podias começar por dar a tua definição de “neoliberal”. Um neoliberal engloba tudo? Desde os que defendem a teoria austriaca do ciclo económico, aos que sendo libertários acham que os austriacos estão errados?

            3. Jorge,

              No penúltimo post do blogue tenho definido e discutido o que separa os neoliberais dos chamados liberais clássicos.

              Mas recomendo-te o último, em que acho que te reverás algumas opiniões minhas sobre falácias da construção europeia.
              Abraço,
              Carlos

  7. Devo dizer que discordo totalmente em relação ao PS. Se existe uma organização politico-partidária coesa e unida e que o demonstrou no Congresso de Espinho foi o PS. Foi notória a convergência de ideiais de um PS que demonstra ser a única opção séria numa conjuntura tão negativa.

    Em relação ao PSD, concordo totalmente. É um vazio de ideias, de propostas, de substância. Está preso a uma líder que não reúne qualquer consenso.

    O CDS-PP estará para sempre refém de Paulo Portas, uma das personalidades mais impopulares do panorama político português que controla um partido que julga apenas seu.

    Em relação à realidade do PCP e do BE, bastará atentar na falta de liberdade de opinião que muitas vezes termina em purgas.

    1. Bastava ter falado do PS no parágrafo de abertura. Depois perdeu tempo: a gente inferia e resto!
      Também escusava de ser tão anónimo: não precisa de ter vergonha do primeiro parágrafo. Ou precisa?

  8. Falta de sentido de humor… Se o tivesse, não tinha vetado o comentário em que, parafraseando Mark Twain, pretendi dizer aqui, sob outro nick, que as notícias sobre a morte do PS e do PSD eram manifestamente exageradas…
    Ou trata-se apenas de falha cultural?

    1. Não, Berbigão, tratou-se apenas de falha de leitura da sua parte. Como vê, o comentário está lá em cima, assinado pelo Centrão.
      Mas já gora, diga-em uma coisa: não acha que Berbigão é bem melhor do que PS e PSD?. elo menos é mais imaginativo…

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