Responde o esposo…


João Carvalho,

«— Trouxe alguém consigo?

— Trouxe a minha esposa.»

(José Carlos Malato e um concorrente, no Jogo Duplo, RTP-1.)

51 comentários em “Responde o esposo…”

      1. se calhar não percebi por causa da citação do Malato, referência cultural pouco frequente.
        mas gostos não se discutem.

        1. A palavra ‘esposa’ é como ‘esposo’: está fora de uso há muitas, muitas décadas. É grave? Não. É apenas de muito mau gosto e revela “falta de chá”. Pior ainda quando utilizada para indicar a própria. Utilização muito imprópria! Marido e esposa: soa-lhe bem? Não. Marido e mulher: soa-lhe bem? Claro que sim.

          Dir-me-á: mas é tão corrente, tão comum. Pois é: a iliteracia, a infracultura, etc. também são.

          1. a esposa
            a meia branca se possível com sapatito “decotado”
            a despedida: continuação
            a tender o tlm aos berros em qualquer lugar

            um paradigma…. um paradigma

            :))

          2. Mas sabe
            Há quem ache que dizer “minha mulher” é machista! (Possessão, está a ver?). Esses dizem a minha companheira …

            E os que dizem “senhora de…” É muito bem, mas convenhamos que, era preciso esclarecer ali o sentido do “de”

            E porque é que para ele é marido e para ela não é marida ou equivalente?… Se se diz “a minha mulher” não se deveria também dizer “o meu homem”?

            Designação a sério, ouvi eu há pouco: “Um bilhete também aqui para a minha patroa” rsrsrs

            (bem, acabei de ouvir ali na TV em senhor importante a dizer porrogação…) :))

            1. ‘Desmoa’ e volte. Conheci uma ‘desinfeliz’ que se sentiu mal por não o ter feito. Achava que não precisava e, afinal, estava ‘muito mal enganada’!

            2. E “instrumento de percursão”, como ouvi ontem a uma menina jornalista da SIC? Deve ter ficado a meio do percurso, a português…

          3. joão:

            depende das circunstâncias:

            no meu trabalho, uso sempre esposa e marido (mesmo que desconfie que a relação é “de facto”, que mais vale a mais do que a menos – vá, aqui nesta afirmação podem malhar, malhar).
            A minha ideia é utilizar os termos, daqueles socialmente mais comuns, que menos atritos ou embaraços possam gerar.

            às vezes uns mais ofendidos corrigem-me, dizem-me que é “só” (sic) companheiro / companheira.

            1. Companheiro ou não, é melhor reconhecer como se casamento fosse. Afinal, até a legislação confere uma certa igualdade parcial.

              ‘Esposa’ é que não! Nunca! Seja em que caso for. Até no trabalho. Nem que seja a mulher do patrão!

              Repare nas recentes boas-vindas de Cavaco Silva ao homólogo angolano: «(…) a si, Senhor Presidente, sua Mulher e restante comitiva.»

            2. Se calhar não estamos a falar do mesmo discurso, não lhe parece? Mas o exemplo serve perfeitamente, como vê.
              De resto, fosse ou não fosse, nada retiraria ao que tentei explicar. Se quer contestar com má-fé, não será comigo. E não abonará a seu favor…

            3. Não garanto que tenha sido um discurso escrito. Pode ter sido um momento de improviso; eu apenas vi e ouvi na televisão durante uns segundos, mas por duas vezes.

              De qualquer maneira, o que encontrou serve perfeitamente, como eu já disse. E também disse que, se fosse de outro modo, nada retiraria ao que eu afirmei antes. Está à procura de quê e porquê? Não é preciso.

  1. Também não entendi. E mais. Hoje deu-me para ir ao arquivo ver a apresentação do João e eis que descubro, ou não terei porcurado bem?, que não sabemos o que faz. É importante sabê-lo? Não, talvez não. Mas não esqueço os esclarecimentos que prestou lá em baixo sobre dúvidas de português e agora esta do “esposo”… Fico á espera para perceber. 🙂

  2. Mas se TVs, jornais e revistas usam essa palavra a toda a hora (essa e o “faleceu”), como havia o pobre senhor de saber que não é “bem” usá-la?

    Deve achar que dizer “a minha mulher” é um menosprezo para a dita!

    1. (O que é que tem ‘faleceu’? É sinónimo de ‘morreu’.)

      O problema é justamente ainda haver tanta gente a achar que «a minha mulher» é uma forma de menosprezo. É o resultada da subcultura que grassa e de que falei acima.

      A palavra ‘mulher’, como muitas outras palavras, tem mais do que um significado. Designa o género feminino e designa também o cônjuge ou elemento feminino do casal.

      Finalmente, a vida em sociedade tem normas, goste-se ou não, e a boa educação é passível de ser aferida. Dizer ‘esposa’, como referi acima, revela desconhecimento e muito mau gosto. É tudo.

      1. “Faleceu” está para “morreu”, assim como “funeral” está para “enterro”, assim como “sanita” está para “retrete”, tal como “esposa” está para “a minha mulher”…
        Hoje em dia é tão vulgar ouvir e ler estes termos, que quando utilizo o vocabulário com que fui educada, tenho a sensação que olham para mim com um ar de espanto (algumas pessoas, claro…).
        Temos é que insistir com os nossos filhos para continuarem a usar os termos correctos, e não ceder às “modernices”…já é suficiente vê-los vestidos iguais a todos ou outros…
        Maria Francisca

        1. Pois. Só não veja a relação entre umas e outras. Das palavras que refere, há uma apenas que revela mau gosto e falta de educação, do ponto de vista social: ‘esposa’. E não é de agora: já tem muitas décadas, já tem algumas gerações.

  3. Alguém me explicou um dia que a palavra “esposa” designa um estado raro (e precário) na vida de uma mulher: o de casada, mas virgem. Não sei se isto tem algum fundamento histórico ou religioso, mas a ser verdade, e a avaliar pela quantidade de “esposas” que há por aí, a competência dos maridos portugueses parece-me preocupante…

    1. Não sei se é verdade, mas na vertente histórico-religiosa, há mais de dois mil anos Maria era designada «esposa de José».

      A ser verdade, realmente não abona a favor dos muitos que o dizem…

  4. Pois eu cá “reduzo” que estãoenganados com a esposa..
    Há para aí muitas com casamento rato e consumado
    Há-des ver; Maria Otília… então não é que te chamaram mulher, como se fosses alguma galdéria, mulher de cama incerta?!?!
    Prontos.
    Deixo um beijo. Dois, sempre dois, bem aplicados e repenicados, que menos parece mal :):)

  5. Estou perplexo com tanta boçalidade! Não a esperava aqui neste sítio.
    Tomáramos nós que o problema cultural e cívico de Portugal se resumisse às esposas…

    1. Obrigado pela referência que fizeste e pelas tuas palavras, Sérgio. Pode ser que isto vá servindo para alguma coisa, mas devo dizer-te que esta é a segunda vez que uso um pretexto para falar disto e, como vês por alguns comentários, o sucesso não parece ser notável…
      Um abraço.

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