Ontem, à saída da Comissão Política do PSD, na sede nacional do partido, Manuela Ferreira Leite abandonou o edifício em passo acelerado, evitando os jornalistas que lá se encontravam, sem sequer lhes dirigir uma palavra de boa noite. Deixando uma vez mais as perguntas sem resposta, bem ao seu timbre, refugiou-se no carro e zarpou dali a grande velocidade. Vejo a cena nas televisões e não posso deixar de me interrogar: como é possível um partido com a envergadura do PSD continuar a ser dirigido por uma pessoa que toma estas atitudes da mais elementar falta de consideração pelos profissionais da informação – e pelo público a quem estes se dirigem?
Há agora por aí, em blogues claramente alinhados com os sociais-democratas, quem pretenda desvendar as causas dos insucessos eleitorais deste partido. Não precisam de procurar muito: a primeira das causas é esta permanente atitude de hostilidade de Ferreira Leite perante os órgãos de informação, como se não tivesse de lhes prestar esclarecimentos de espécie alguma. Esquecendo-se de que o militante número um do PSD, Francisco Pinto Balsemão, é ele próprio um jornalista.
Com ela ao leme do partido, nem a mais eficaz agência de comunicação lhe conseguiria o milagre da popularidade. Reparo nela e penso: Francisco Sá Carneiro, que conhecia bem a importância da comunicação social, jamais se comportaria assim.


e a simpatia, essa arma poderosa, é tão mais eficaz que programas sem erros e tropas alinhadas ..
Digo eu 🙂
Claro, Catarina. Nem é preciso estar na política para saber isso. É algo de senso comum. Ou devia ser.
MFL dá aos jornalistas muito menos do que aquilo que eles mereciam. É demasiado educada para lhes retribuir na mesma moeda.
O jornalismo em Portugal, com raras excepções, está transformado numa cloaca fedorenta. É ver o último “Prós e contras”, com a vergonhosa tentativa de justificar o injustificável, isto é, um caso de flagrante ofensa da deontologia jornalística.
Caso que devia ter merecido o repúdio imediato da classe, mas que, pelo contrário, deu lugar a exercícios da mais pura hipocrisia.
Também você demonstra não ter aprendido nada com os melhores líderes do seu partido e parece esquecer-se que o militante nº 1 do PSD é jornalista. O que escreve aqui qualifica-o sem necessidade de mais qualquer palavra.
Olhe, vou deixá-lo definitivamente a falar sozinho, que é o que merece, depois desta “resposta”, em que notoriamente avaliza uma indignidade.
PS – Mais uma vez, sem qualquer base que sustente a imputação, atribui-me um partido. Lamento, porque houve uma altura em que cheguei a pensar bem de si. Afinal, estava enganado.
Faça o que quiser. Lamento que se sentisse injuriado quando o presumi militante do PSD.
Só falta a este post uma declaração de interesses no fim, a dizer que o autor do post é jornalista.
É claro que os jornalistas gostam de se dar ares, de alardear a sua importância como grandes comunicadores e intermediários com o, para não dizer mesmo representantes do, povo.
Mas os jornalistas têm que se convencer de que não têm nenhuma dessa importância. Nem Manuela F.L. nem ninguém tem qualquer obrigação de responder às perguntas dos jornalistas, ou sequer de os cumprimentar. Os jornalistas estão ali à espera dela, mas ela não é responsável por esse facto. Não foi ela quem lhes disse para eles irem ali cumprimentá-la nem para irem lá fazer-lhe perguntas. Eles foram por sua conta e risco e, se não tiveram o que queriam, azar.
Nem ninguém deixa de votar na Manuela por causa disso. Que disparate. As pessoas votam ou não votam em partidos, não em jornalistas.
Luís Lavoura, fala como se os políticos não precisassem dos jornalistas. Pois vou dar-lhe uma notícia: precisam. E já que esta é uma relação incontornável, é melhor que seja bem gerida. Sou insuspeita, fui das que apoiei o estilo espartano, avesso a aparatos mediáticos de MFL. Mas admito que há mínimos que um político tem de cumprir. Muitas vezes Ferreira Leite é criticada com razão.
Concordo consigo. Os jornalistas arvoram-se do direito a informar, por isso sentem-se no direito de perguntar. Mas o que todos sentimos é que eles fazem as perguntas não para informar, mas para obter uma notícia, uma caixa que justifique os seus salários.
Se querem ter o direito a perguntar, tem que reconhecer ao perguntado, o direito a não responder.
1. Os jornalistas não estavam lá por recreação: estavam lá em missão profissional. Uma missão fundamental em qualquer sociedade democrática. Só em ditadura os jornalistas são depreciados dessa forma.
2. Diz você que “nem Manuela F.L. nem ninguém tem qualquer obrigação de responder às perguntas dos jornalistas, ou sequer de os cumprimentar.” Noto-lhe que os jornalistas estavam em casa de MFL. Na casa política dela. É da mais elementar boa educação, e faz parte das normas de cortesia, a dona da casa cumprimentar as visitas. Se não queria falar dizia isso num tom cortês, dando as boas noites aos visitantes, que – repito – estavam lá em trabalho, não a divertir-se.
3. A «declaração de interesses», a que se refere, está expressa no meu perfil inserido no blogue desde a primeira hora do primeiro dia.
“Os jornalistas estavam lá em missão profissional.”
Pois estavam, e daí?
Os jornalistas têm como missão profissional caçar notícias. Daí não decorre que as notícias tenham a obrigação de se deixarem caçar…
Os jornalistas têm como missão profissional fazer perguntas. E perguntar não ofende, é um facto. Mas ninguém tem a obrigação de responder às perguntas que lhe são feitas…
“É da mais elementar boa educação a dona da casa cumprimentar as visitas.”
Não quando essas visitas não foram convidadas a aparecer e quando mesmo assim apareceram, de forma indesejada.
Se as notícias não se deixarem caçar e se as visitas não forem convidadas e forem indesejadas, como se justificaria que os políticos precisassem tanto dos mensageiros? E, no entanto, precisam. Desculpe lá, Luís, mas é muita tolice junta.
MFL prepara-se para sair sem sombra de glória do palco político também por causa de certos ‘conselheiros’ que a incentivam a ignorar os jornalistas e a portar-se como se a comunicação social não existisse. Nenhum dirigente político europeu de primeiro plano se comporta assim. Não admira que MFL jamais seja uma dirigente política europeia de primeiro plano.
Faço-lhe notar que a reunião da Comissão Política, na sede do PSD, era um dos assuntos mais relevantes da agenda política do dia. Os jornalistas tinham não só o direito, mas também o dever, de estar presentes no local para se reportar o que lá se passava. O silêncio que recolheram também é uma resposta. O silêncio sistemático é uma resposta ainda mais esclarecedora. Por isso, também por isso, o PSD está como está. Sá Carneiro nunca agiria assim. Balsemão, militante nº 1 do partido, também não.
Repito: os jornalistas têm de facto o dever de lá estar, mas não podem queixar-se de nada terem recolhido. Ninguém tem obrigação de lhes dar qualquer informação.
As reuniões do Comité Central do PCP também costumam ser à porta fechada e nenhum dirigente do PCP sai de lá a dar entrevistas. O PCP e os seus dirigentes têm todo o direito de se comportar assim, e a Manuela também o tem.
Também é costume haver jornalistas à porta da Polícia Judiciária (ou do TIC) sempre que um figurão qualquer (Carlos Cruz, etc) vai dentro. E esses jornalistas, regularmente, nada recolhem a não ser fotografias e silêncio. E nada têm de que se queixar!
Falo do que sei, não do que ouvi dizer. Estive muitas vezes na sede do PSD, após conselhos nacionais ou reuniões da comissão política, e nunca vi nenhum líder comportar-se desta maneira. O mesmo se passa após as reuniões do comité central do PCP, onde costuma haver sempre um dirigente – em regra o próprio secretário-geral – a prestar declarações aos jornalistas. Sei o que digo, porque também fiz várias vezes essa tarefa jornalística.
Estavam á espera de que? Qual é o espanto?
Não foi a mesma pessoa que afirmou sentir-se asfixiada?
Naturalmente, agora que o PS reconquistou o poder, deve pensar que a comunicação social está toda controlada. Portanto esta coisa de existirem vários candidatos perfilados , á cadeira que ocupa, é uma verdadeira conspiração dos jornalistas montadas a partir de S. Bento.
Livra! Nunca pensei que seria tão fácil montar uma nova teoria das asfixia. E vai assim a vidinha politica. Depois admiram-se!
A ‘asfixia’ começa na própria sede nacional do PSD quando a líder do partido vira malcriadamente as costas aos jornalistas. Quem semeia ventos colhe tempestades.
Depois queixam-se que alguns têm má imprensa….
Pois, Pedro…
Rui Rio debia ser el lider del PSD
Caro Pedro: quanto a mim, o assunto é muito fácil de resolver. A senhora é mal educada, não gosta dos jornalistas e de responder às suas perguntas? Não lhe liguem patavina, ignorem-na, não lhe apareçam durante 15 dias, organizem-se e façam um muro de silêncio sobre o PSD durante esse período. Verão como, após isso, lhes virão comer à mão. Na minha vida pessoal tenho isso como regra de ouro e confesso que não me tenho dado mal com essa estratégia. Os outros têm para connosco as atitudes que nós consertirmos. Se não houver perguntas, não haverá falta de respostas.
Um abraço.
Um abraço também ao major, Luís. Se ele estiver aí por perto. Hehe…
Por acaso, não, não está aqui por perto, mas assim que o vir, dar-lho-ei certamente. Pelo menos, este tem uma grande vantagem em relação à ‘outra senhora’: gosta dos jornalistas e até os chama para lhes dar sempre qualquer coisa. Nem que seja uma rabecada…
… ou um micro-ondas.
Ou uma imagem em pijama e em tom negligé …
… e de chinelos.
… e de charuto… e de apito…