São uns porreiraços


João Carvalho,

A propósito da «cimeira histórica entre Obama e Hu», acabo de ler o seguinte: «Com os media norte-americanos a apelidar Jintao de “o banqueiro dos EUA” – já que Pequim compra grande parte da dívida americana – o primeiro dia da visita do chefe de Estado chinês foi marcado por um jantar oficial com o presidente norte-americano, Barack Obama.» Ora, tratar o presidente chinês por Jintao é uma intimidade que devia implicar que o jornalista tratasse o presidente dos EUA por Barak.

Que me lembre, nem quando se matracou naquela frase “porreiro, pá» alguém se atreveu a escrever que foi o José a falar ao José. Nem me lembro de ler ou ouvir que a Angela e o Nicolas estão a dificultar o futuro do euro e da UE. Em suma: ser jornalista obriga a ter uma culturazinha geral mais apurada. Sempre foi assim. Ou se sabe, ou se pergunta a quem sabe, ou se dá a volta ao texto, na dúvida, para evitar deslizes.

6 comentários em “São uns porreiraços”

  1. Tentando vir um pouco em defesa da classe, já toda a gente viu textos onde se fala de Obama, de Merkel, de Sócrates. Jintao é a mesma coisa. Tal acontece para não se estar sempre a repetir a mesma coisa no texto sempre que é referida a personalidade. Também não é “Pequim” que compra a dívida, é toda a China, mas fazem-se estas maroscas para o texto não ser repetitivo. Em baixo já falam ndo chefe de Estado chinês com naturalidade.
    Não me parece que essa crítica seja merecida. 🙂

    1. Não me referia a isso, Sara. Veja bem os nomes próprios que utilizei no texto para exemplificar.
      É que, em chinês, o primeiro nome é o apelido ou nome de família. Por isso é que se refere o presidente chinês como Hu. Em Hu Jintao (ou Hu Jin Tao), Hu é o nome de família; Jin Tao são os nomes próprios.

      1. Então apanhou mais uma que não fazia a mínima ideia. É que nem sequer tinha dúvida, é mesmo não fazer ideia de que a ordem está trocada. “Ou se sabe, ou se pergunta a quem sabe, ou se dá a volta ao texto, na dúvida, para evitar deslizes”, ou a dúvida não existe, por desconhecimento, pronto. É uma chatice, mais do que ter a tal “culturazinha geral mais apurada”, toda a gente espera que os jornalistas saibam tudo. Não sabem, ninguém sabe, mas as críticas são sempre em tom algo duro. Envie um e-mail ao jornalista. Se eu fosse o jornalista, agradeceria 🙂

        1. Entendo-a e acho natural. Porém, a um jornalista exige-se mais alguma coisinha, como seja saber por que razão a imprensa em geral lhe chama Hu e não Jintao. E o mesmo a tantos outros antes dele: Mao Tsé Tung, por exemplo, era normalmente apenas Mao e não Tsé Tung.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *